Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

É o progresso

Largo do Rato em Lisboa
Repare-se como o largo era de todos, peões e transportes.
1943 (Arquivo Municipal)

1935 tirado d'O Carmo e a Trindade

E hoje...
Na cidade transformada em cruzamento de vias-rápidas, o largo é da exclusividade dos automóveis, mais o seu ruído infernal, o seu stress, a sua agressividade, restando às pessoas as bermas. E não lhes chega monopolizar o espaço, o tempo não escapa. Para atravessar o largo a pé é necessária uma eternidade em semáforos e mais semáforos, voltinhas e mais voltinhas. Será que alguma vez o largo será devolvido?
publicado por MC às 12:47
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7 comentários:
De Tárique a 6 de Fevereiro de 2008 às 03:33
Uma ideia em que tenho estado a pensar e que acharais neste blogue decerto interessante é de que a existência de um código da estrada é supérflua e mesmo maléfica. Passo a explicar (e ainda farei um artigo sobre isto no meu blogue):

Porque é que as ruas não são de todos? Porque é que há espaços mais largos reservados a quem conduz um automóvel nos quais goza de direito de prioridade? Se o espaço fosse de todos, as pessoas teriam que negociar esse espaço, como fazem nas ruas, nas praças, nos estádios: "passa você ou passo eu?" "passe minha senhora, faça favor". Seria mais fluído para todos, não?

Não haveria "automóveis" e "peões" e "bicicletas". Apenas pessoas que usam o meio que entendem para locomover, algumas das quais pondo em perigo outras pessoas.

E os atropelamentos, perguntarão? E eu respondo: quem andar com um carro a 40 km/h no meio de pessoas está basicamente a carregar 130 000 J de energia cinética no meio de pessoas. Ora se matar alguém, mesmo que por acidente, isto dá Homicídio Qualificado como pena. Se aleijar, é assalto agravado. Se a lei normal se aplicasse à estrada (a uma estrada para todos) aposto que muita menos gente se atreveria a conduzir a velocidades perigosas.

Basicamente isto é a inversão completa do "ciclismo veícular" ou seja, é o "automobiilismo não-veícular". Em vez da bicicleta ser considerada um veículo ao invés de um aparelho, o automóvel passa a ser considerado um aparelho ao invés de um veículo. Em vez de se exigir "a bicicleta é um meio de transporte" dir-se-ia " o carro, como a bicicleta, é apenas um aparelho". :)

Hei de pensar melhor sobre o assunto a ver se encontro falhas.
De MC a 6 de Fevereiro de 2008 às 13:02
Eu não sei se estavas a brincar ou não, mas acabaste de explicar o conceito de Shared Space, que já foi posto em práticas em várias cidades.
http://en.wikipedia.org/wiki/Shared_space

Aqui fica o video de um dos cruzamentos mais famosos, explicado pelo proprio "inventor" do conceito de Shared Space, Hans Monderman:
http://youtube.com/watch?v=tye8zJr7pZ0

Pelo que sei - graças ao Mário Alves - as experiências são em geral bem positivas, mas não estão livres de alguns problemas.

Já agora, o último post onde referi brevemente isso
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/85816.html
De Tárique a 6 de Fevereiro de 2008 às 13:40
SIM , são considerações filosóficas à volta do Shared Space :)

E não estava a brincar, não. A necessidade/benefícios do código da estrada dentro das cidades não são dogmas que não possam ser questionados. Ainda para mais quando tanta gente fala de "burocracias excessivas" e "leis a mais" , "peso excessivo do estado", etc.
De MC a 6 de Fevereiro de 2008 às 13:49
O meu "estavas a brincar" foi mal interpretado! Claro que o actual paradigma deve ser questionado de alto a baixo!
Eu perguntei se era uma "brincadeira", no sentido de que aquilo que o teu texto advogava já existe de algum modo na prática, mas o texto falava como se de algo utópico se tratasse.
De Tárique a 6 de Fevereiro de 2008 às 17:04
oráite, mea culpa então

já que estamos numa de diálogo, olha a rua onde eu morava:

http://www.binterim.nl/content/RGLstadklein_bestanden/image028.jpg

carros? só num sentido, e só fora das horas de ponta. bom? mas não o suficiente. houve um referendo e agora vai ser assim:

http://leiden.sp.nl/weblog/files/2006/01/RGL.jpg

o que é um regresso às origens:

http://plaats.nl/?image=upload/photo/medium/20896.jpg

De MC a 6 de Fevereiro de 2008 às 19:21
Passei aí há uns 2 anos...
Tem uma livraria simpática antes de chegar às traseiras da câmara.
De facto toda essa zona dos canais, é praticamente carfree.
Já agora uma foto minha de uma ruela no centro de Leiden, onde não se vê um único carro. Gosto da foto por ser simples e ao mesmo tempo transmitir uma grande calma e descanso.
Mostra bem a qualidade de vida que se perde por se viver num parque de estacionamento.
http://cache04.stormap.sapo.pt/fotostore01/fotos//a0/f6/f5/1739838_2jmLr.jpeg
(não sei se o link é estável)
De Tárique a 8 de Fevereiro de 2008 às 23:19
À esquerda do fotógrafo dessa foto está o Vrijplaats Koppenhinksteeg, uma rua ocupada por uma comunidade autogerida em que funcionam escolas, oficinas de bicicletas gratuitas, lojas gratuitas, salas de ensaios, internet, concertos, exposições e conferências http://www.koppenhinksteeg.nl/
que saudades...

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