Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Entrevista de emprego

Fui à pouco tempo a uma espécie de entrevista de emprego (digo espécie porque na prática já estava dentro da empresa e foi uma entrevista para me conhecerem melhor), em que me perguntaram que carro gostaria de eu ter.

 

Esta era uma daquelas perguntas para tentar perceber a personalidade da pessoa, se quer um topo de gama demonstra ambição, se quer um desportivo é uma pessoa com garra que gosta de correr riscos, se quer um SUV (será um parvo?) terá uma ambição desmedida. Etc...

 

Para espanto de quem perguntava respondi que a minha grande ambição era conseguir viver sem comprar um. Viver perto do trabalho, deslocar-me a pé, de transportes ou de bicicleta e quando precisar de um carro alugar consoante as necessidades. Um 2 lugares para dias de grande tráfego na cidade, mas que não posso evitar usar, alugar um de 5 lugares para ir de fim de semana com amigos e família, alugar um topo de gama quando quiser aumentar o meu status e pentear o meu ego, alugar uma carrinha quando precisar de transportar grandes mercadorias ou fazer mudanças.

 

De facto para trabalhar na primeira semana nessa empresa tive de alugar um carro numa lowcost de aluguer de automóveis (sim, também existem).

 

É certo que poderei não ter mostrado ambição, gosto pelo risco, vaidade ou qualquer outro desses comuns adjectivos. No entanto penso ter dado a ideia de ser um estratega à altura dos desafios exigidos na vida da empresa.

 

Mereci logo de seguida algumas perguntas de algibeira, como:

-Então e se precisar de ir a farmácia a meio da noite? ("de táxi" respondi eu) ou;

-E se um dia tiver família e tiver que levar os filhos à escola? ("vamos ver, posso mudar de opinião, no entanto há companhias que fazem esse serviço", respondi);

 

Após algum diálogo a tentar desfazer os meus argumentos quem me entrevistou apenas referiu no final: "Gosto de pessoas com convicções fortes e bom poder de argumentação!" 

 

Não sei até hoje se fiquei mal visto ou não... a questão é que de facto é possível viver sem possuir carro. Não significa que nunca se use, e aliás, se todos pensassem em usar carro como excepção certamente as filas de trânsito não existiam. Não gosto quando me chamam fundamentalista, quando quem é verdadeiramente fundamentalista é quem tem de pegar no carro para fazer quaisquer 300 metros, para ir ao café ou ao pão.

 

O carro tem utilidade quando poucas pessoas o usam, se todos o usarmos diariamente ficaremos certamente parados e viveremos em cidades atrofiadas.

 

 

publicado por António C. às 13:42
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7 comentários:
De Anonimo a 4 de Janeiro de 2008 às 17:29
Completamente. Concordo!

=) Morte aos carros!
De tiago a 4 de Janeiro de 2008 às 19:25
muito bom!
De Miguel Jeri a 6 de Janeiro de 2008 às 04:15
Gostei! Em particular da ideia de que se todos fizermos certas coisas como excepção, grande parte do problema está já resolvido. Por vezes, os problemas existem pelo exagero dos comportamentos e não pelos comportamentos em si.

Cumprimentos e continuação
De Strider a 7 de Janeiro de 2008 às 12:55
Então e o Rally Dakar, não se fala dele? :-)
Acho que era um bom tema para "blogarem"...estou mesmo curioso o que vão escrever....super-curioso...
De Filipe Melo Sousa a 10 de Janeiro de 2008 às 20:43
"O carro tem utilidade quando poucas pessoas o usam, se todos o usarmos diariamente ficaremos certamente parados e viveremos em cidades atrofiadas"

ora bem, se o número de carros auto-regula-se, porque se preocupa?
De MC a 10 de Janeiro de 2008 às 21:38
Claramente não se auto-regula da melhor maneira.. basta experimentar Lisboa
De António C. a 11 de Janeiro de 2008 às 12:23
Ora bem, por eu achar que não devo usar o carro regularmente estou a ajudar os outros que o querem usar libertando espaço na estrada. O pior é que todos os outros, não tendo esta consciência, entopem as ruas quando eu preciso de usar o carro.
Ou seja, se por ventura preciso de, por exemplo, atrevessar a segunda circular num desses dias em que uso o carro como excepção fico impressionado com a vida das pessoas que o fazem regularmente porque todos os dias perdem horas intermináveis naquele penoso pára-arranca.

Não me parece que, tal como disse o MC, que o número de carros se auto-regule da melhor maneira porque ainda falta a muita gente a consciência de que não deve usar o carro para quase 100% das suas deslocações.

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