Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Lisboa é para carros não para pessoas - prova #30


(Foto roubada no BananaLogic)

Este larguíssimo passeio encontra-se no Campo Pequeno, das zonas mais centrais, movimentadas e animadas da cidade de Lisboa. O passeio já é de si minúsculo, com aquele mobiliário urbano é o fim do mínimo dos mínimos de respeito que os peões merecem. Com sorte ainda cabem dois peões lado a lado.
Bem depois de ter visto esta foto da Ana, apercebi-me de algo ainda pior. Naquele mesmo local, e apenas na direcção do trânsito que vê na foto, há NOVE FAIXAS atribuídas ao trânsito. NOVE! 5 para circulação à superfície, 1 para bus, 2 desniveladas e 1 para estacionamento. Os energúmenos que se lembraram de andar a pé, que se amanhem.

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publicado por MC às 15:44
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3 comentários:
De yodleri a 2 de Janeiro de 2008 às 13:56
O automóvel é um meio de deslocação imprescindível e por isso mesmo, os políticos pretendem que quantos mais melhores... daí nas zonas onde a camada social, por diversas razões, pode comprar um carro, são feitas obras de benefício das vias para veículos motorizados. Nas zonas onde o trânsito é menos intenso isso já não acontece... mas é pena. Se repararmos bem só são construidos passeios nas zonas de intenso tráfego. Logo se possa deduzir que o privilégio de se ter um passeio é devido ao grande número de automóveis. O que é lógico, para que raio preciso eu dum passeio no carreiro da minha aldeia?...
Nas cidades é diferente. Para que raio preciso eu dum paseio se ando de carro?... Os bosques foram arrasados, alguns que foram parcialmente mantidos foram vedados e receberam estatuto de mata nacional.
Os putos, quer do Altino Tojal quer os do Carlos do Carmo, ou os dos Esteiros de Soeiro Pereira Gomes, esses putos desapareceram da vida real, os putos de hoje crescem entre colossos de betão sem ter tempo de ir aos gambuzinos. Os rios foram-lhes por assim dizer tambem vedados. O contacto com a Natureza é tema de poesia, uns versos antigos de Alberto Caeiro.
Quando se cresce num caixote desenvolve-se uma mentalidade de "Alegoria das cavernas" de Platão. E aí é que está um dos graves erros urbanos. O automóvel é a coroação do estatuto de habitante de betão.
E assim, vai-se defendendo este desenvolvimento civilizado onde a máquina há já muito tem mais privilégios que o cidadão.
Eu próprio, quanto mais conheço os homens, mais gosto do meu computador e dos Jogos de Aventuras.
E neste sentido vou até ao mundo de "Might and Magic" onde o automóvel não tem estacionamento.
Saudações cibernéticas. ;-)
De MC a 3 de Janeiro de 2008 às 17:03
Gostei do texto!

(o carro imprescindível?)
De yodleri a 3 de Janeiro de 2008 às 17:36
A ver se me faço entender:
O automóvel é... imprescindível. No contexto social sobre o qual se debate neste blog. É como num parafuso de porca, a porca é imprescindível... o que não quer dizer que o parafuso não possa ser substituido por outro sistema qualquer... Eu não possuo automóvel, mas isso não é significativo.
E o automóvel é como o telemóvel, imprescindível... o tratamento com marijuana já foi comprovado em certos pacientes como positivo, neste sentido, imprescindível... Mas cuidado! Não estou a querer dizer com isto pa irmos todos fumar uns charros, além do mais fumar é "proibido". ;-)
Cumprimentos

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