Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Era uma vez um noruguês, um irlandês e um português

Todos sabemos que as boas acessibilidades são fundamentais para o desenvolvimento e crescimento económico de um país. Dentro destas vêm à cabeça as grandes infra-estruturas rodoviárias como os auto-estradas, por permitirem um rápido e fácil escoamento dos produtos, bem como uma maior mobilidade da população. Sem uma boa rede de auto-estradas um país corre o sério risco de passar ao lado da globalização, de perder uma grande fatia de investimento directo estrangeiro e da não conseguir afirmar-se na economia mundial. Isto é particularmente importante para países periféricos por terem que vencer a sua desvantagem geográfica de afastamento dos grandes mercados. Assim sendo torna-se essencial que Portugal possua uma boa rede de blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá...

Ou será que não?

NORUEGA
3º maior PIB per capita a nível mundial (FMI)
1º em nível de Desenvolvimento (Human Development Index da ONU)
4,8 milhões de habitantes
307000km2 de área continental
173km de vias rápidas e auto-estradas (Eurostat)

IRLANDA

2º Pib per capita a nível mundial
4º em Desenvolvimento
4,2 milhões de habitantes
70000km2 de área
176km de auto-estradas e vias rápidas

PORTUGAL
34º PIB per capita a nível mundial
28º em Desenvolvimento
10,8 milhões de habitantes
92000km2 de área
2002km de auto-estradas e vias rápidas


Porque é que insistimos nesta obsessão dos popós e do betão?!
publicado por MC às 14:18
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23 comentários:
De tiago gonçalves a 21 de Novembro de 2007 às 19:32
números muito bem descortinados... continua...
De Strider a 22 de Novembro de 2007 às 11:08
Clássico exemplo de julgar o livro pela capa...ou seja, este artigo tem tanto fundamento como a Green Peace....ou seja nenhum.
Pegar nuns números aleatórios e depois chegar a uma conclusão que dá jeito, é um pouco "dejá vu"...dava mais jeito se descreve-se as razões pelas quais temos tantas auto-estradas...
De MC a 22 de Novembro de 2007 às 13:28
Eu não tirei conclusões! Não sei o que terá visto ali...
A tirar alguma seria esta: uma rede de auto-estradas densa não é uma condição necessária para o crescimento económico e desenvolvimento de um país periférico.
Alguém discordará com ela?
De Pedro Lopes a 22 de Novembro de 2007 às 22:48
A rede viária de autoestradas e vias rápidas foi a forma encontrada desde que entramos para a CEE para desenvolver o país ao nível da logistica e dos transportes.

Poderia ter sido através da rede ferroviária ou através da rede fluvial (como acontece muito na Alemanha e Holanda) mas não, optou-se pela rede viária.

E hoje em dia, as nossas empresas importam e exportam os seus produtos através destas vias.

Eu já estive na Noruega e já estive na Irlanda e acho que estamos a misturar alhos com bogalhos.

Os números dizem aquilo que nós quisermos o importante é fazer uma reconstituição do passado recente para compreender as medidas que se tomaram.

Algumas certas, muitas erradas, mas a aposta na rede viária foi fundamental para o desenvolvimento do país.
De MC a 22 de Novembro de 2007 às 23:02
Lá está, apeteceu-lhe ler o que não estava lá. Quem está a misturar alhos com bugalhos não fui eu. Eu nunca disse que não ajudou a desenvolver, apenas disse que não eram propriamente fundamentais para nos desenvolver.
Sempre nos foi vendido que sem elas não cresceríamos, e o facto de termos crescido com elas não prova isso.
p implica q, não é equivalente a não-p implica não-q.

Temos é que nos questionar o custo de isto, em termos de consumo público que poderia ter ido para outros propósitos, bem como o custo ambiental e a ineficiência e dependência energética que criou. Mesmo de um ponto de vista de escoamento dos produtos, nunca seria necessária uma rede tão densa.

Será que mais uma ou duas horas de transporte num produto que vai ser exportado (logo dias de caminho) faz alguma diferença?

Basta andar numa auto-estrada para perceber que o primeira função é o transporte de passageiros, logo não está propriamente directamente relacionado com o crescimento económico.

Há ainda a ideia que a construção só por si põe a economia a funcionar... Além de ser uma maneira altamente insustentável de crescimento, é tal e qual a ideia de abrir e tapar buracos.


De Mario a 22 de Novembro de 2007 às 23:05
"...estamos a misturar alhos com bogalhos".

Porquê?

A razão que dá a seguir parece ser: "porque nos deram dinheiro...". Ora, isso não explica o destino dos fundos, que foram essencialmente decisão dos governos centrais portugueses durante décadas.

Mas a pergunta continua a ser "...e se tivéssemos optado por gastar o dinheiro noutro sector?" Na educação por exemplo. Ou mesmo nos transportes, mas na ferrovia.

Como foi obviamente essa a opção da Irlanda e a Noruega, pode ficar a pergunta: "e se tivéssemos feito mo mesmo?".

Mário
De Strider a 23 de Novembro de 2007 às 09:49
Acho que precisam de ler novamente o primeiro artigo. Trechos como " blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá ...", o sarcástico "Ou será que não?" e "Porque é que insistimos nesta obsessão dos popós e do betão?!" é óbvio que dirigem aos leitores para a conclusão que o autor não concorda com o facto de termos tantas auto-estradas.
Acho mais interessante discutirem porquê que temos tantas auto-estradas (caminho que por exemplo tomou o Pedro Lopes) e em vez de chorar sobre "leite derramado" apresentar soluções para o futuro. A via que Portugal tomou quando ganhou o impulso de construir tantos km de auto-estrada está tomada e é com isso que temos que trabalhar. Tal como o autor também já tive a oportunidade de morar no estrangeiro e sei que também existe muita coisa errada em países como a Bélgica, Holanda, França e Inglaterra que tem uma maior aposta em alternativas às auto-estradas para meio de transporte. Portanto em vez de optar pelo clássico, "Portugal é isto e aquilo, lá fora é que se está bem", deixem de se lamentar e tomem uma atitude para melhorar a situação, porque é isso que os outros países fazem!
De Mario a 23 de Novembro de 2007 às 14:13
Não me custa a acreditar, acho mesmo altamente provável, diria mesmo óbvio e intencional, que o post dirige aos leitores para a conclusão que o autor não concorda com o facto de termos tantas auto-estradas. Nunca é honesto esconder a "agenda" aliás bem explicita no título do blog.

Como todos os bons posts pode ser só o início de uma boa conversa, o que é uma atitude diferente de "chorar sobre leite derramado".

Assim, e porque as perguntas mais simples são sempre as mais poderosas, pergunto:

Porquê que temos tantas auto-estradas?

Responder que temos estradas porque nos deram dinheiro para construir estradas, não me parece uma resposta interessante. Podíamos ter gasto o dinheiro de centenas de formas diferentes.

Porque é que decidimos construir mais estradas que os Noruegueses e Irlandeses?

Razões geográficas ou demográficas?

Falta de liderança política?

Inépcia ou opções políticas conscientes para dirigir o dinheiro "para ali e não para acolá"?

O facto de termos baixíssimos níveis de educação é uma consequência ou uma razão para termos decidido construir muitas estradas?
http :/ nunoboavida.blogspot.com /2007/09 educational-attainment.html

É bom termos uma análise criticas das opções tomadas, para "tomar uma atitude" para que seja melhor que a atitude anterior.

Mário
De MC a 23 de Novembro de 2007 às 14:36
Peço desde já desculpa, porque no meu comentário das 23:02 não reparei que o Strider e o Pedro Lopes eram pessoas diferentes.

PASSADO:
Porque temos tantas auto-estradas?
Algumas ideias soltas:
1. Houve uma aposta (segundo me parece errada) na rodovia em detrimento da ferrovia
2. O propósito principal para a construção das AEs não foi meramente económica, de distribuição de produtos, mas de "investimento" no "conforto" do transporte privado de passageiros, que em Portugal tem um peso político desmesurado.
3. Havia e há a ideia que puxando pelo sector da construção através de obras públicas se puxaria pelo resto da economia. Ora isto é insustentável, especialmente numa economia aberta.

FUTURO ou TRABALHANDO COM O QUE TEMOS:
O problema aqui é que a questão do passado ainda é uma questão do futuro. Ainda hoje estamos a seguir as mesmas escolhas. Desde 1995 que passou a estar na moda dizer-se que se é contra a "política do betão" mas todos os governos desde então (incluindo o actual) continuaram a lançar mais e mais projectos. Por isso as minhas críticas são actuais, não estou apenas a chorar pelo leite derramado.
Se a pergunta é, o que devemos fazer agora, a minha resposta é simples: parar com este "investimento" infrutífero. E daqui para a frente, apostar na Ferrovia e mitigar os impactos dos excessos do passado.

Por último lanço a pergunta fundamental que deveríamos estar a debater:
Porque é que na generalidade dos países não se tomou a mesma opção que em Portugal?

(já agora: quais são os alhos e os bugalhos? É que eu não percebi o que é que alegadamente havia de contraditório ou incoerente)
De Strider a 23 de Novembro de 2007 às 16:35
Bem finalmente ao fim de alguns comentários se chega a algo produtivo! Eu não sei se é possível, mas até acho que o seu último comentário devia ser o artigo original...ou pelo menos o seguimento do mesmo. Se fosse o caso, não tinha feito a critica que fiz.



Em relação à critica do "Alhos com bugalhos" penso que foi semelhante à minha.

A minha critica está relacionada como a forma como o problema foi exposto no artigo. A estrutura do artigo deveria ter sido mais parecida com o anterior comentário de que com a forma que foi apresentada.



Exemplo de "Alhos com bugalhos" (propositadamente exagerado para efeito de exemplo): A criminalidade violenta em Portugal tem vindo a aumentar nos últimos anos. A estatística indica que a imigração de países de Leste tem aumentado drasticamente nos últimos anos e estatisticamente as notícias informam que estes crimes violentos são muitas vezes efectuadas pelos mesmos imigrantes de leste (i.e. Ucrânia ). Porque é que o governo insiste em deixar esta gente entrar no pais...FIM do exemplo



Ora bem, é óbvio que um exemplo destes é completamente ridículo , porque uma pessoa minimamente inteligente consegue perceber que uma coisa não tem nada haver com a outra (os tais alhos com bugalhos) e que existem dezenas de outras variáveis no problema do aumento da criminalidade violenta em Portugal nos últimos anos e que o problema é muito mais complexo do que isto.



O mesmo se aplica à questão do artigo. O facto de termos tantos km de auto-estrada em Portugal é apenas uma das variáveis que contribui para a questão do baixo desenvolvimento económico-social de Portugal em relação a outros países europeus.



É sempre fácil arranjar estáticas convenientes para provar uma ideia, mais difícil é descobrir os verdadeiros motivos que nos trouxeram até este ponto e como enfrentar este desafio.
De MC a 26 de Novembro de 2007 às 10:07
A minha intenção no post era mostrar uma realidade que em Portugal se desconhece, e nesse sentido apresentar os números era suficiente. Também mostram que as auto-estradas não são fundamentais. Humildemente acho que isto já era um post interessante.

O que acho que levou a isso, já escrevi, mas tenho que entrar num cenário de suposições, em vez de um post factual.

Alhos e bugalhos. Obviamente que sei que correlação, não prova causa-efeito. Essa crítica seria válida se eu tivesse afirmado que quanto menos auto-estradas há, mais desenvolvido é um país. E eu nunca fiz isso, nem dei a entender isso. Até discordo dessa afirmação! (pelo seu comentário
"O facto de termos tantos km de auto-estrada em Portugal é apenas uma das variáveis que contribui para a questão do baixo desenvolvimento económico-social de Portugal em relação a outros países europeus."
parece-me que por acaso até concorda em parte com ela)
Repito queria provar que auto-estradas não são fundamentais, e para tal o que lá está é suficiente.
De Mário a 23 de Novembro de 2007 às 17:38
Porque é que na generalidade dos países não se tomou a mesma opção que em Portugal?
Pode ser um caso de alhos e bugalhos, mas acredito, mas não posso provar, que a resposta está aqui, insisto:

http :/ nunoboavida.blogspot.com /2007/09 educational-attainment.html

Aliás como a resposta para a maior parte dos problemas estruturais de Portugal, assim como as opções das elites politicas em Portugal - que não são mais que uma imagem do resto do país. São assim, porque o país é assim. Decidem assim, porque o país quer que decidam assim - aliás por razões de certa forma compreensíveis, aceitáveis e de legitimidade democrática e de quem tem que se submeter ao voto todos os quatro anos.

O drama é que os gráficos da educação podem estar como estão porque durante décadas se dirigiu o investimento, entre outras coisas, para autoestradas.

A generalidade dos países não decidiu assim porque, por um lado os votantes ponderaram e tiveram capacidade de entender politicas de longo prazo, por outro os políticos tiveram a liderança de comunicar a necessidade de decisões que não trazem satisfações imediatas.

Self-Restraint, Focus, Prioritizing, the Long-Range View:
http://ronaldgross.com/Marshmallow.html
Desculpem lá a psicologia pop mas não pude resistir.

Outra pergunta poderosa: What are goverments for?
Mário
De Mário a 23 de Novembro de 2007 às 18:18
O link sobre o nível de educação certo é este:
http://nunoboavida.blogspot.com/2007/09/educational-attainment.html

O circulo virtuoso pode ser este - mais educação, mais e melhor exigência política, mais qualidade de liderança politica, mais investimento na educação e em Transporte Públicos - e, nem que seja porque o o dinheiro não dá para tudo, menos investimento em auto-estradas - mais PIB, mais HDI ?

Mário
De pedro a 25 de Novembro de 2007 às 23:39
Olá, este post está interessante mas tornou-se demasiadamente politico, como todas as coisas neste pais. Temos de ser mais racionais, por ex. temos muitas auto-estradas , óptimo ! Já viram a potencialidade que isso tem se em algumas vias se fizesse ciclovias para bicicletas e pedestres, aposto que muita gente mudava de transporte principalmente nas cidades onde o pessoal andam pelas orelhas no transito. Acho que o maior problema desta ideia é o SUOR ... pois ninguém quer chegar ao emprego a cheirar a cavalo. Temos de mudar a ideia da sociedade que o suor é mau... ....não é nada mau , nós é que gastamos muito perfumes e os nossos narizes ficaram esquisitos !!!
De MC a 26 de Novembro de 2007 às 10:10
Discutir a aplicação dos investimentos públicos sem ser uma discussão política, parece-me como falar do jogo Académica-Benfica sem falar de futebol.
Ou então lá está, pode-se falar do suor dos desportistas ou de umas folhinhas de alecrim que dão um bom sabor ao tamboril no forno.
De Pedro Lopes a 15 de Dezembro de 2007 às 17:31
Passei novamente por aqui e fiquei surpreendido com a polémica que se gerou em redor da minha frase "Alhos com Bogalhos ". Como não tenho por hábito fazer de um blogue uma sala de chat , não vou perder tempo a responder directamente a cada um dos comentários mas limitar-me-ei a explicar um pouco melhor o contexto da minha frase:
=Qualquer país, para ter um desenvolvimento económico sustentado, necessita de ter uma estratégia. Esta estratégia tem de ser trabalhada num horizonte de longo prazo pois torna-se impossível alcançar resultados nos curtos prazos das legislaturas. Muito resumidamente, torna-se necessário a cada país, apostar em sectores económicos onde, aplicando as suas vantagens competitivas, possa impor-se no mercado global.
A Noruega, por exemplo, tem riquezas naturais fundamentais para a estratégia que escolheu: Petróleo, pescado, os fiordes. Para eles, as auto estradas são perfeitamente dispensáveis. O mar e os circuitos fluviais são suficientes para o transporte das suas mercadorias.
A Irlanda apostou na Educação e numa politica fiscal agressiva que lhe permitiu captar investimento estrangeiro em sectores de forte influência a montante e a jusante como o são a industria farmaceutica e a industria informática. Os seus portos e os 4 aeroportos são mais que suficientes para o dinamismo que esta estratégia lhes trouxe.
Poderia indicar outros exemplos, a Suiça tem o sistema financeiro, a Belgica os diamantes, a Holanda os portos e as flores, o Japão a inovação tecnológica, etc, etc.
E Portugal? Parece-me que a última vez que se falou em vantagem competitiva para a nossa nação foi quando Porter fez o estudo dos clusters nacionais a pedido do Mira Amaral. Mas nada foi feito. Antes disso, talvez a única aposta estratégica que efectuámos foi, com o fecho do Canal Suez, a criação do complexo de Sines e da industria de reparação naval (lisnave e Setenave) apostando na passagem dos petroleiros pela rota do atlantico. Depois deste marasmo e com a crise provocada pela perca das ex-colónias, só tinhamos uma solução: virar-nos para a Europa.
Foi com a entrada na CEE que se criou a envolvente externa ideal para que o país desenvolvesse as suas vantagens competitivas. Ou seja, os muitos milhões que vieram de Bruxelas, teriam sido fundamentais para que o país conseguisse crescer.
Tal não aconteceu, não só por incompetência dos nossos aparelhos partidários mas sobretudo pelo enorme peso que o estado manteve na economia e pela falta de rigor e mentalidade dinamizadora de muitos dos portugueses.
Agora, isso não significa que, o alcatrão que invadiu o país não fosse necessário. Para um país periférico, situado na cauda da europa, o alcatrão é que permitiu a colocação dos nossos produtos no mercado europeu. Podemos questionar sobre a possibilidade de criar uma eficiente rede ferroviária ou fluvial mas entendeu-se que a rede viária seria a mais importante.

Discordo totalmente de algumas frases a mencionarem o facto de as autoestradas servirem as pessoas. Não é verdade! As nossas autoestradas são percorridas diariamente por milhares de camiões.
Alguém disse ainda que não fazia diferença chegar duas horas mais tarde ao destino.
Não é verdade! Dou-lhe o exemplo de uma empresa minha cliente que ganhou um concurso na Alemanha necessitando de entregar um projecto de arquitectura num determinado dia a uma determinada hora. A empresa de transportes contratada atrasou-se precisamente duas horas. A empresa nacional que tinha ganho o concurso foi obrigado a pagar uma elevada indemnização que aliás foi muito superior à margem de lucro que tinha calculado para o negócio.
Agora, não posso deixar de referir que sou totalmente a favor da redução de carros no nosso dia a dia mas para isso não devemos atacar as estradas e sim a mentalidade portuguesa que tem o péssimo hábito de se "armar ao fino".
Outra questão, a canalização de investimento para a educação ou a saúde não significam que os mesmos sejam eficientes. No nosso país passa-se exactamente o contrário.
De MC a 15 de Dezembro de 2007 às 18:21
1. A questão é mesmo essa. Houve países que decidiram melhorar a sua competitividade de uma certa maneira. Todos os exemplos que deu foram de sectores produtivos. Que eu saiba as auto-estradas não produzem nada. Ou seja não se pode pôr ao mesmo nível investimentos num sector produtivo com investimentos em alcatrão.

2. E por favor.. nem vou tentar explicar porque é que esse exemplo do atelier de arquitectura não serve de argumento.
De Pedro Lopes a 15 de Dezembro de 2007 às 18:58
Pensei que fosse evidente mas vou ser mais explicito. O investimento em auto-estradas gera naturalmente uma riqueza pontual no sector da construção civil mas foi a aposta decidida pelo nosso país para que a nossa economia, os nossos produtos, as nossas empresas pudessem entrar na Europa. Aqui está a geração de riqueza para a nossa economia.

O crescimento das nossas exportações é fundamental para compensar a redução do consumo interno.

Para colocarmos os nossos produtos lá fora, decidimos fazê-lo por via terrestre.

Se não percebeu o exemplo do atelier posso dar-lhe mais n exemplos. Sabe quanto custa por hora a uma unidade de produção automóvel estar parada por faltar uma carga de peças?

Volto a insistir que o problema do "menos1carro" passa precisamente por uma mudança de cultura e mentalidade do povo português que não abdica do conforto do seu carro em detrimento de um transporte público.

Por outro lado, o sector dos transportes públicos é por norma refúgio de de lugares politicos que o tornam incompetente e ineficiente.

No entanto, em muitos casos, não há razão de queixa.
De MC a 15 de Dezembro de 2007 às 19:12
1. Estamos de acordo. A riqueza gerada pelo alcatrão é muito pontual e com um efeito multiplicador baixíssimo.

2. O acesso dos nossos produtos ao estrangeiro também se faria com metade ou um terço das auto-estradas. Os exemplos que dá (atelier, linha de produção) são exemplos de imprevistos ou mau planeamento. Não faz sentido imaginar um distribuidor só se lembrar a meio do caminho que vai chegar atrasado porque não há auto-estrada até ao destino. Ou seja, a culpa dos atrasos não é obviamente da ausência de auto-estradas.

3. O meu ponto essencial é exactamente achar que o valor dessa capacidade de distribuição está muito sobreavaliada. Por isso dei aqueles exemplos para mostrar que uma "boa" capacidade logística, não é de modo nenhum essencial para um crescimento económico forte... também poderia dar o exemplo da China que está um pouco mais longe.
Bem sei que se pode contra-argumentar com a via naval que tem um grande peso noutros países. Mas lá está, até aqui a simples carregamento dos contentores do camião para o barco demora bem mais que essas "preciosas" duas horas.

4. Também concordamos que há problemas maiores. Não posso reescrever a minha opinião sobre o assunto em todos os posts. Neste caso específico quis alertar para as dezenas de milhar de milhões que já foram gastos em alcatrão... quase a fundo perdido.

5. Já agora o crescimento das nossas exportações não é só importante para contrabalançar no curto-prazo a fraca subida da nossa procura interna... Mas acho que aqui também concordaremos.
De Pedro Lopes a 15 de Dezembro de 2007 às 19:45
Os exemplos indicados não representam mau planeamento. A linha de produção parou devido a uma avaria e foi a existência da autoestrada que permitiu a chegada das peças necessárias num tempo recorde. O atelier para conseguir fazer o trabalho contou com o tempo de transporte necessário. Eu acompanhei o projecto e digo-lhe que todos os minutos foram aproveitados ao máximo e ao limite. O camião atrasou-se devido a um erro do motorista no local de entrega do material.
Já agora, faça o seguinte exercicio, vá ao site da Antram e veja quantas empresas de transportes estão registadas nesta Associação.
Volto a insistir que as necessidades logisticas da Irlanda e na Noruega são completamente diferentes das nossas. Por outro lado, a China é um péssimo exemplo no que diz respeito a politica de alcatrão e de certeza que lá a expectativa é de "mais1 carro" e não o contrário.
Além disso, como sabe, a China ou a India até se podem dar ao luxo de colocar cá os seus têxteis por avião pois com os salários que pagam ainda conseguem ter margem para isso.
Aqui, em Portugal, a politica dos salários baixos e da desvalorização da moeda já lá vão há muitos anos.
De MC a 16 de Dezembro de 2007 às 16:45
Ok, já percebi o exemplo da linha de montagem, que estava pouco explicado.
Mas desculpe o caso do atelier, cabe exactamente na categoria do estudante que na véspera do exame lamenta "se eu tivesse mais um dia para estudar...", ou seja mau planeamento.
Ainda não me explicou porque é que esses exemplo afectam Portugal mas não afectam a Irlanda e a Noruega. Não se tratam do famoso escoamento de produtos, no qual insistiu.
E sejamos honestos. A redução de custos que advêm nessas poupanças esporádicas (se não são esporádicas, são quase por definição mau planeamento) não são comparáveis às dezenas de milhar de milhões gastos em construção de auto-estradas (e o enorme custo de oportunidade por o dinheiro não ter sido canalizado para outro tipo de investimentos públicos ou redução de IRC para outros investimentos privados) e nas centenas de milhões gastas todos os anos em manutenção.

Ou ainda colocando a questão doutra maneira. Porque será que a Noruega e a Irlanda não decidiram forrar o país a auto-estradas como nós?
De Pedro Estrela a 16 de Janeiro de 2008 às 19:42
Fiquei de facto surpreendido quando estava a ver a irlanda no google maps, e só vi auto-estradas a sair de dublin... e para distancias muito curtas, nao ligando as principais cidades.

Vejam voces mesmos:
http://maps.google.com/maps?f=q&hl=pt-PT&geocode=&time=&date=&ttype=&q=Nieuwegein&sll=38.898659,-9.039478&sspn=0.078956,0.123253&ie=UTF8&ll=53.693454,-6.454468&spn=1.922249,3.944092&z=8&om=0

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