Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

Sevilha

Av constitucion dantesHá muitos anos que não voltava a Sevilha, e fiquei positivamente impressionado pelo que vi em termos de devolução das ruas e da cidade às pessoas. E isto é especialmente importante por todas as semelhanças que Sevilha tem com Lisboa e Porto em termos de tamanho, de nível de desenvolvimento, de riqueza histórica, de turismo e principalmente em termos culturais (não estamos a falar de uma cidade nórdica, mas da Europa do Sul).

Sevilha hojeA Avenida de la Constitucion, que atravessa o centro histórico, era na minha memória uma avenida cheia de trânsito, barulho e fumo que servia de convite para regressar ao bairro muçulmano. Um pouco como a Avenida da Liberdade em Lisboa, como se vê na fotografia de cima.
Encontrei uma avenida totalmente fechada ao trânsito em toda a sua extensão, cheia de vida, comércio e esplanadas, onde apenas passa uma linha de eléctrico que foi construída recentemente.


Sevilha tem agora uma zona "pedonal" que deve ser mais do que todas as zonas pedonais de Portugal somadas. E para grande espanto dos lusos defensores da carro-dependência nas cidades, o comércio não esmoreceu nem estagnou, bem pelo contrário. A Rua Augusta e a Rua de Sta Catarina, "apesar" do relativamente fácil acesso por carro são bem mais desérticas que o centro de Sevilha.


Sevilha aderiu também à moda das bicicletas urbanas públicas como tantas cidades europeias (Sr António Costa, olhe que em Barcelona até dão lucro).

Por fim, algo que nem sei se me faz rir ou chorar: a foto do único carro que vi escandalosamente estacionado no centro histórico, em cima do passeio a atrapalhar os peões. Repare bem na matrícula... Sim, por cima do símbolo da União Europeia está um P. Também aqui se vê o nível de desenvolvimento de um país.

publicado por MC às 19:31
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10 comentários:
De António C. a 11 de Setembro de 2007 às 00:04
Excelente Post! Também passei em Sevilha em Fevereiro e toda essa zona estava ainda em obras. Na altura já fiquei impressionado pela quantidade de gente nas ruas.

Quanto ao carro... nem há comentários...

De jorge a 11 de Setembro de 2007 às 11:41
Já agora, aqui fica uma noticia relacionada...
http://www.destak.pt/artigos.php?art=3450
De MC a 11 de Setembro de 2007 às 16:19
Excelente texto! Obrigado.
De Ricardo Coelho a 11 de Setembro de 2007 às 16:15
Por acaso estive em Sevilha recentemente e fiquei com uma impressão bem diferente. Quando andamos junto do Alcazar e da Catedral, estamos numa zona bonita e agradável. Mas basta deslocarmo-nos para a zona ocidental da cidade para encontrarmos uma cidade suja, cheia de carros, com passeios estreitíssimos, ..., um pesadelo.
Não consigo gostar tanto de Sevilha como a maior parte das pessoas que conheço. Talvez porque faço questão de visitar tudo, mesmo as zonas menos turísticas. Inclusive tenho uma ou outra foto com uma perspectiva bem menos simpática da cidade
Em todo o caso, o exemplo apresentado aqui é louvável.
De Pedro Sá a 11 de Setembro de 2007 às 16:54
Pois, é o tal problema de Lisboa e do Porto terem o centro da cidade demasiado perto do rio e ali acabarem...noutro contexto (como me parece ser o caso de Sevilla) tal seria muitíssimo interessante.
De Zé da Burra o Alentejano a 12 de Setembro de 2007 às 11:01
Há realmente a tendência de se fechar os centros históricos ao trânsito, até porque se tratam de ruas e ruelas onde a circulação é difícil e conflituosa com os peões. Acho bem que isso seja feito por exemplo numa parte da Mouraria e outros bairros similares, mas daí colocar-se a Avenida da Liberdade em igualdade de circunstâncias acho isso incompreensível.

Já que fala numa cidade Espanhola, lembro-me das célebres RAMBLAS , em BARCELONA, onde estive no último ano. A principal Rambla e a mais frequentada por peões liga a Praça da Catalunha à de Colombo, junto ao mar. Existe aí uma Alameda reservada aos peões, mas nas vias laterais circulam automóveis e há que ter cuidado para as atravessar. Existe também alguma limitação automóvel no bairro Gótico, que é o bairro histórico da cidade.

Zé da Burra o Alentejano

De MC a 12 de Setembro de 2007 às 11:13
Talvez não tenha ficado claro no texto, mas a Avda da Constitucion, que foi fechada totalmente ao trânsito, é uma larga avenida no centro da cidade com uma extensão de quase um quilómetro. Logo a comparação com a Avenida da Liberdade é perfeitamente óbvia.
Não estamos a falar de ruelas estreitas com mil anos de traçado.
De Zé da Burra... a 12 de Setembro de 2007 às 12:18
Não me recordo da Avenida que refere, por isso não sei se concordo ou não. Não sei que alternativas tem. Sei que Sevilha tem agora um anel pelo qual se pode tornear a cidade sem chegar a entrar nela; Lisboa infelizmente não pode dizer isso e a própria CRIL está ainda por concluir. Então, teria que se completar a CRIL, construir uma nova travessia no rio Tejo em Algés, para ligar à A2 ou A13 e fechar o anel. O anel poderia ser feito a partir da CREL - já concluída - mas a travessia talvez fosse ainda mais complicada.

Porém, eu referi-me a Barcelona, cidade visitada por muito mais turistas que Lisboa e portanto onde há muitos peões a circular no "Bairro Gótico", o tal que tem limitações no trânsito automóvel nalgumas ruas. Quanto à rambla que referi, encontra-a sempre cheia de visitantes, principalmente durante a tarde e ao princípio da noite. Existem muitos outros bairros sem limitações (não há taxas de entrada na cidade) e é muito bem servida de transportes colectivos. Os estacionamentos são quase todos pagos nos bairros mais centrais, mas muitas das construções são novas (fora do bairro Gótico) e já têm parques de estacionamento incluídos.

Zé da Burra o Alentejano

De Zé da Burra... a 31 de Outubro de 2007 às 15:14
A T E N Ç Ã O.
onde digo: "...construir uma nova travessia no rio Tejo em Algés, para ligar à A2 ou A13 e fechar o anel..."
corrijo para:"...construir uma nova travessia no rio Tejo em Algés, para ligar à A2 ou IC32 e fechar o anel..."
De José António Costa a 2 de Julho de 2010 às 19:17
Parabéns pela visão que tem, pois também eu acho que essa seria a travessia que se deveria projectar iria tirar ai sim o transito da segunda circular e dividir o transito caótico da ponte 25 de Abril , que a ponte Vasco da gama pouco ajudou a descongestionar e separaria ainda as pessoas que vão trabalhar para Lisboa e as que vão para Oeiras , cascais Sintra , e os que não pretenderiam sequer atravessar Lisboa e tem como destino a A8

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