Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

Acalmia no trânsito I

Com a polémica dos radares em Lisboa a prolongar-se (ainda há muita gente que acha que uma cidade deve ser constituída de vias-rápidas em vez de ruas e avenidas) venho deixar uma sugestão aos nossos autarcas: lombas de forma sinusoidal como a da foto, muito comuns na Holanda em bairros residenciais.
lomba
Ao contrário das lombas que se vêem em Portugal, que apenas chateiam (e colocam em perigo as motas), estas obrigam mesmo um automóvel a reduzir a velocidade até uns 30km/h devido à sua forma. Acima desta velocidade o chassis ou o pára-choques bate mesmo no chão. É um modo barato, simples e eficaz de acalmar o trânsito em ruas secundárias com a vantagem de não prejudicar as motas e as bicicletas, e de facilitar a passagem de peões com pouca mobilidade por estar ao nível dos passeios.

Nota: bem sei que há lombas compridas em Portugal, mas são geralmente planas em cima, servindo apenas para chatear não para abrandar.
publicado por MC às 21:15
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19 comentários:
De João Lacerda a 25 de Agosto de 2007 às 23:17
Escrevi sobre esse mesmo assunto, mas com um exemplo brasileiro.

Aqui no Rio de Janeiro temos também lombadas como as holandesas, mas só conheço uma única avenida dotada dessas lombadas mais "amigáveis" e eficiente.
De MC a 26 de Agosto de 2007 às 14:07
Que coincidência! Só hoje é que fui ao GoogleReader ler as últimas do Transporte Ativo, e não tinha reparado. Mas esse da tua foto também não atrapalha as bicicletas? (É que na foto não dá para perceber)
De Mario a 26 de Agosto de 2007 às 16:56
Olá,

Só uma pequena precisão - a forma sinusoidal refere-se à rampa. Pode haver plataformas ("planas em cima") que não chateiam porque têm rampas de acesso sinusoidais. Meia sinusoidal para cima e meia para descer.

O pormenor sinusoidal é muito difícil de fazer sem ser um pré-fabricado. Por isso é que evitar as calotes esféricas e fazer rampas rectas mais suaves já é uma opção razoável.

Já agora quem for a Amesterdão ou a qq cidade holandesa repara que existem lombas como as da fotografia cada 60 metros em ruas locais.

Ab,
Mário
De MC a 26 de Agosto de 2007 às 21:44
Obrigado pela correcção!
Portanto a forma sinusoidal só ajuda a uma subida e descida mais suave, não tendo provavelmente muito a ver com o carro raspar a velocidades altas. Se calhar isto tem mais a ver com a altura total. Digo isto porque no Algarve vi umas com subida e descida aproximadamente sinusoidal, mas planas em cima... mas de pouco ou nada serviam comparadas com as holandesas.
E de facto a curta distância entre lombas é fundamental!
De Zé da Burra o Alentejano a 27 de Agosto de 2007 às 10:40
Mesmo nas Avenidas: uma coisa é circular-se nas vias paralelas que algumas até têm e outra é nas vias centrais.
A limitação a 50 Km nas vias à direita está correcta, porém, julgo que nas nas vias centrais, que nem têm casa a ladear epor vezes cruzamentos, poder-se-ia ir um pouco mais além.

Pode até dar-se o seguinte paradozo: todos os automobilistas que ultrapassem os 50 Km nas vias centrais são automaticamente punidos e os que circulem nas laterias, junto aos edífícios circularem a 80 e ficarem impunes.

Que tal ? estará bem?

Zé da Burra o Alentejano

De Zé da Burra o Alentejano a 30 de Agosto de 2007 às 14:25
Acidentes...acidentes..acidentes..: a solução serão a colocação de lombas?

o acidentes têm vindo a diminuir já à alguns anos em Portugal, de acordo com as estatísticas, porém serão sempre demais.

Para a os acidentes contribuem os automobilistas, mas não só, também as infra-estruturas, onde se poderão incluir as tais lombas.

Porém, pergunto: porque será que deixou de se falar do IP5 como a "Estrada da Morte"? Pois é! a via rápida inicial deveria desde logo ter sido feita com o perfil de auto-estrada.

O mesmo acontece com o IP4, que é considerada agora a "Estrada da Morte". O IP3 entre a A1 e Viseu é também uma estrada extremamente perigosa e como está poderá ser também considerada uma "Estrada da Morte": embora tenha muitos troços com faixas separadas, elas são estreitas, têm subidas e descidas muito grandes, entradas e saídas com pouco espaço de acelaração/desacelaração, assim como falta de espaço à direita das vias para encostar em caso de necessidade. Nunca poderá ser uma auto-estrada. A via do Infante tem também alguns destes problemas entre Espanha e a A2, por isso, embora esteja classificada como auto-estrada, não tem as condições duma verdadeira auto-estrada.

Do mesmo modo, nas "vias rápidas urbanas" deveria ser adoptado o sistema usado à muito noutros países, incluindo na nossa vizinha Espanha: há mais de vinte anos que conheci Madrid e já então haviam nalgumas avenidas barreiras metálicas para impedir o atravessamento dos peões em local impróprio, tal como acontece agora em parte da 2.ª circular.

Há estradas nacionais que são autênticas vias urbanas em grande parte do seus traçado, provocando demoras e stress nos condutores, que os leva depois a tentar compensar o tempo perdido, andando mais depressa nos troços mais desimpedidos, o que provoca também muitos acidentes. Exemplos.: EN125 (Algarve), EN13 (Póvoa de Varzim Porto).

O número de automóveis aumentou extraordinariamente desde à vinte anos e fizeram-se muitas auto-estradas, mas porque deixaram de fazer os desvios às localidades das Estradas Nacionais que estavam então a fazer (algumas são agora IPs ou ICs)?

Zé da Burra o Alentejano
De MC a 30 de Agosto de 2007 às 15:25
Não se trata só de acidentes. Trata-se do ruído e de poluição (que aumentam com a velocidade), trata-se da qualidade de vida, trata-se de as crianças poderem andar de bicicleta e jogarem na rua, etc...
Quanto a por barreiras nas avenidas, é uma proposta tão absurda, que nem vou comentar.
De Zé da Burra... a 30 de Agosto de 2007 às 15:44
Sim! nesse aspecto Lisboa ainda não é uma cidade muito poluída...felizmente!
De MC a 30 de Agosto de 2007 às 15:50
Não é poluída?
A Avenida da Liberdade, por exemplo, ultrapassa em METADE dos dias do ano os limites máximos de poluição.
O que eu dizia era que as lombas não servem só para reduzir acidentes.
De Zé da Burra o Alentejano a 30 de Agosto de 2007 às 16:42
Tudo é relativo!
Se compararmos a Av. da Liberdade com qualquer uma outra de Beja ou de Faro, a primeira terá maior grau de poluição (à mesma hora), mas duvido que a referida Av. atinja os níveis de poluição de outras no Centro de Madrid, Paris, Londres, Nova Iorque, Xangai...
Da mesma maneira, a Av. Central de Beja deverá ter mais poluição que uma Rua de Mértola para não sair do Alentejo...
De Zé da Burra o Alentejano a 20 de Setembro de 2007 às 16:14
NÃO ESTÁ ASSIM TÃO MAL!
DE ACORDO COM UM ESTUDO PUBLICADO RECENTEMENTE, PORTUGAL É O PAÍS DE U.E. CUJOS AUTOMÓVEIS SÃO OS MENOS POLUÍDORES.
De MC a 20 de Setembro de 2007 às 17:00
Você leu o tal "estudo"?
Do que eu li em variadíssimos sítios o estudo referia-se apenas às emissões de CO2.Agora
1. As emissões de outros poluentes não estão todos correlacionados com o C02. especialmente as partículas (que são os poluentes mais graves nas cidades e a nível local, e que afectam mais a saúde). Ou seja pouco CO2 não indica poucas partículas.
2. Ter carros menos poluentes não significa que não poluem.
3. Ter carros pouco poluentes de pouco vale se há um excessivo uso. As cidades portuguesas têm bem mais automóveis a circular do que a média.
4. A avenida da Liberdade ultrapassou o limite de partículas o ano passado em 180 dias quando o máximo é 35. Ou seja CINCO OU SEIS VEZES MAIS que o admitindo como máximo para a saúde pública.

Oh homem. não mande bocas por mandar!
De Zé da Burra o Alentejano a 28 de Setembro de 2012 às 11:55
Só agora passei por este blogue, fiz uma pesquisa e eis o link da notícia que pediu e onde se diz que Portugal é dos países com veículos menos poluentes:

http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1464328

Cumprimentos
De Sobreda a 1 de Setembro de 2007 às 12:34
Obrigado pelos vossos exemplos e insistência por uma mobilidade e segurança rodoviárias, de que as "passadeiras elevadas" são um bom exemplo para os cidadãos e os peões em particular, tal como também já havíamos reportado num artigo publicado no blogue de "Os Verdes" em Lisboa no URL http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2007/08/passadeiras-elevadas.html

E a solução até é barata e fácil de implementar, claro, em conjunto com outras medidas complementares redutoras de velocidade. Então agora que se repintam passadeiras não era uma oportunidade de ouro para se introduzir em alguns locais essa solução?
Parece, porém, que temos orgãos autárquicos com 'deficiências' auditivas ou incapacidades políticas. Ou simulam tê-las...
Parabéns de novo!
De Zé da Burra o Alentejano a 12 de Setembro de 2007 às 10:35
Concordo com este tipo de passadeiras, porque forçam a redução de velocidade ao automobilista, prejudicam menos os veículos, o atravessamento das ruas pelos peões fica à altura do passeio, tornando-o mais cómodo para os peões, que somos todos nós, além de minimizarem as dificuldades dos invisuais deficientes motores. Aconselho estas passadeiras para as ruas das cidades e vilas, onde não existam semáforos. Nos locais onde aqueles existem ou nas Avenidas há que ter em conta a mobilidade automóvel.

Imaginemos, por exemplo, um local com um semáforo e uma passadeira. Essa é uma via com muito trânsito automóvel, de contrário não se justificaria o tal semáforo:

Em horas de ponta veremos porventura uma fila com 50, 100 ou 200 veículos a aguardar a sua vez de passar. Agora suponha que quando o sinal verde abre finalmente para os automóveis em vez de passarem 10 ou 15 veículos, com este tipo de passadeira passam apenas 5 ou 6 veículos, porque após a transposição do sinal ainda têm que passar lentamente sobre a passadeira. Será esta uma boa solução? Quem deseja aumentar a fila de automóveis em espera e provocar os consequentes "engarrafamentos"?

Zé da Burra o Alentejano

De MC a 12 de Setembro de 2007 às 10:52
Obrigado pela dica sobre a altura igual ao passeio! Tinha-me esquecido de incluir essa vantagem no texto. vou fazê-lo agora.
De lol a 25 de Outubro de 2007 às 12:00
Que moralismo pegado. MC, qual é o teu carro? :P
De madalena_vng a 17 de Janeiro de 2008 às 16:28
Nada como uma visão idealista da questão! Quando apanhasse com um processo pelo facto de alguém ter amolgado o carro devido à lomba, passaria a pensar de outra forma.
Há muitas técnicas de acalmia, desde as indirectas, que passam por influenciar as reacções de quem conduz aos avisos, uso de sinais luminiscentes (traffic lamps) ou mais fiscalização. Não considero que esta seja uma técnica válida.
De MC a 17 de Janeiro de 2008 às 17:10
Defender o uso de lombas é ter uma visão idealista? Não percebo porquê.

Amolgar o carro na lomba? Como?
Repito, estas lombas não são como as que há em Portugal.

Repare que este post era apenas um entre 5 ou 6 com exemplos de soluções engenhosas de acalmia de tráfego, TODAS elas postas em prática em muitos países do norte da Europa, logo foram estudadas e analizadas e continuadas. Não são ideias que eu tive durante a noite.. ;)
E em lado nenhum eu disse que as lombas eram A solução. Obviamente que concordamos (está escrito pelo blog inteiro) que mais fiscalização é necessária.

São tudo ferramentas complementares

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