Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

Japão: Indústria Automóvel paga Indemnização a Asmáticos

Após 11 anos de processo judicial, os construtores automóveis japoneses aceitaram pagar 7,5 milhões de euros a asmáticos, que alegadamente contraíram a doença devido à poluição atmosférica.
Se a indústria tabaqueira já pagou milhões e milhões, este desfecho parece-me mais que óbvio.
E tal como acontece com o tabaco, onde grande parte do preço é imposto, não fará sentido que os custos em termos de saúde e ambiente recaiam sobre o preço dos automóveis e dos combustíveis, em vez de recair sobre todos?
Relembro dois número que já mencionei:
35% das urgências no Hospital Pediátrico da Estefânia devem-se a problemas respiratórios
1315€ é o custo para cada europeu (independentemente de andar de carro ou a pé) da sociedade do automóvel
publicado por MC às 13:25
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8 comentários:
De osvaldolucas a 2 de Agosto de 2007 às 17:44
35% de urgências devem-se a problemas respiratórios: gripes e constipações, alergias, etc.
Com a excepção óbvia para adultos e idosos, não creio que a poluição pelas partículas libertadas pelas viaturas, que terá um efeito pernicioso basicamente por acumulação, tenha qualquer efeito nas urgências de CRIANÇAS.

Os 1315 € realmente serão pagos por todos, mas não esqueçamos que TODOS usufruímos da sociedade de transportes mesmo que não os utilizemos directamente!!
E os que os utilizam directamente lá têm os impostos sobre gasolina e quejandos.
De MC a 9 de Agosto de 2007 às 23:41
Se lesse os links não faria esses comentários.
35% - não tenho valores de outros hospitais, de adultos etc... mas pessoalmente 35% parece-me muito. O número é dado pelo Expresso como prova da má qualidade do ar em Lisboa. Suponho que não venha do nada.

1315€ é o valor que recai sobre todos DEPOIS DE DESCONTADOS OS BENEFÍCIOS QUE TIRAMOS individualmente do automóvel (NÃO É DA SOCIEDADE DE TRANSPORTES).
De osvaldolucas a 14 de Agosto de 2007 às 15:03
Se houver 100 consultas de atendimento pediátrico e 99 forem de traumatismos será melhor ou pior que 99 de doenças respiratórias?
A percentagem não faz grande sentido. Apenas um número de atendimento por doença respiratórias por 100000 habitantes. E claro, ter-se-ia de atribuir a vista ao hospital à respectiva causa, de ntre as possíveis...
A frase do jornal é introduzida ad-hoc possivelmente com um propósito soft de os fins (melhorar a qualidade do ar) justificarem os meios (um número sem qualquer significado mas ligado às criancinhas).

Touché. Devia ter lido melhor o relatório.
De qualquer modo, veja-se melhor a estrutura de custos externos que ascendem aos 650 biliões (550 só para os carros):
São basicamente três bolos mais ou menos equivalentes:
- Acidentes - que devem estar cobertos pelos seguros, pelo que não me parece que possam ser atribuídos á sociedade em geral mas apenas aos utilizadores.
- Poluição do ar - aqui sim, não vejo alternativa senão distribuir os custos pela sociedade em geral
- Alterações climáticas - Assumindo que o CO2 gera estas e que estas têm custos, é um factor que estará sempre a aumentar pois a concentração de CO2 nunca será reduzida nos decénios mais próximos. Se se vier a confirmar esta relação causa -efeito: CO2 -> alterações climáticas->custos mais ou menos bem definidos, então estes custos terão de serão suportados por todos.
No entanto, reafirmo que mesmo que não utilizemos directamente o automóvel, usamos muitos dos benefícios que este trás: nomeadamente distribuição de bens e serviços, emprego, etc. O estudo não contabiliza externalidades positivas.

Mas claro que é sempre discutível se o valor que pagamos directamente via imposto de combustível é pequeno e deveria ser aumentado para que a factura de todos seja menor, em vez da factura das externalidades ser paga através dos impostos em geral.




De chupa.mos a 12 de Março de 2010 às 11:17
calata.caralho, tu sabes la o que diz?

riquinho de merda, tens co-participação na industria automóvel é?
De Pedro Homem de Gouveia a 13 de Agosto de 2007 às 16:06
Lembro-me de ler num artigo publicado há alguns meses na Lancet (seria?), foi referido que as crianças que vivem em casas ou frequentam escolas próximas de vias de grande circulação (tipo auto-estradas, 2.ª circular, etc.) aos 7 anos já registam atrasos relevantes no desenvolvimento pulmonar.

Outra nota: vem numa edição da revista Time de Julho referência a estudos norte-americanos que referem que as árvores urbanas (particularmente as de maior porte) têm um papel fundamental na retenção da poluição atmosférica de micro-partículas (que se sabe serem as mais nocivas para a saúde pública).

E as cidades portuguesas? Sem querer entrar na ladaínha da auto-flagelação, aflige ver como quanto mais se sabe lá fora, mais se anda no sentido inverso cá dentro...!
De Zé da Burra o Alentejano a 31 de Agosto de 2007 às 09:54
Pelo que aparece sistematicamente escrito parece que são os automóveis os maiores culpados pela poluição e pela alteração do clima.
Gostava de saber porque nunca são referidos factores tão ou mais importantes que os automóveis, como:
- Os Fogos florestais. A quantos escapes de automóvel corresponderá um só fogo numa mata em Portugal. E são milhares, não em Portugal como noutros países. Fogos provocados por interesses económicos conhecidos ou que ninguém parece querer investigar;
- As Fábricas. Algumas delas a merecer reforma dada a tecnologia obsoleta que usam e que é altamente poluídora;
- A aviação e lançamentos aero-espaciais;
- As constantes guerras provocadas a coberto de pretextas causas de duvidosa justiça, como o ataque a Bagdad "para eliminar as bombas de destruição massiva de Sadam". Milhares de bombas foram lançadas. A quantos escapes de automóveis corresponderão? para além de outros danos ao ambiente...;
- E também os veículos automóveis, dos quais destaco os pesados a diesel, que são muito mais poluidores do que os nossos automóveis a gasolina. Quem não teve já que circular atrás dum desses veículos levando em cima o fumo negro do escape de um camião ou mesmo de um autocarro de passageiros?

Mas falar só nos automóveis sem referir as outras causas ainda mais importantes, faz-me suspeitar que visa apenas o objectivo da criação de mais uma qualquer taxa sobre os veículos automóveis (principalmente os ligeiros). É claro que não me parece ser esse o seu objectivo. Aliás, os automóveis portuguses pagam já tantas taxas...
De MC a 31 de Agosto de 2007 às 14:43
Bom,
este blogue é um blogue sobre mobilidade sustentável, não sobre ambiente. Se fosse sobre ambiente falaria de outras formas de poluição, se fosse sobre futebol falaria de arbitragens.
De qualquer modo todos esses exemplos que deu tem uma contribuição bem menor na poluição que o sector dos transportes (não tenho agora os números à mão) - onde claro estão incluídos os aviões. E aí eu tenho que dizer que foi um absurdo os aviões terem ficado de fora de Quioto.
Quanto à taxa.. desengana-se! Eu quero várias novas taxas, a começar pelas portagens urbanas. E se acha que já pagam muito, leia isto . OS AUTOMÓVEIS SÃO SUBSIDIADOS POR TODOS NÓS! Quem os usa paga uma pequeníssima parte dos seus custos.
Claro que não faz sentido termos taxas diferentes de Espanha (como acontece agora, e atenção q é Espanha q tem impostos baixos, não são os nossos que são altos). Teria que ser feito a nível europeu.
E obviamente que não quero sobrecarregar as pessoas, por isso esta subida deveria ser compensada com descidas noutros impostos. Só assim seria quem abusa do automóvel a pagar os seus custos, e não todos nós.
De Zé da Burra o Alentejano a 4 de Setembro de 2007 às 10:49
O automóvel é o melhor contribuinte fiscal e o país ficaria com um "déficit fatal" se lhe fossem retiradas as receitas provenientes dos automóveis: IVA ; Imposto Automóvel, Imposto sobre combustíveis, Imposto Autáquico, Valores arrecadadas com as multas de trânsito, IVA sobre Seguros, Inspecções, trabalhos de manutenção e peças, taxas de estacionamento e, em breve, talvez, de entrada e de saída das cidades...
Querem que andemos todos de burra. Olhe isso, quando aconteceu também tinha os seus inconvenientes.

Zé da Burra o Alentejano

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