Terça-feira, 10 de Julho de 2007

"Caça à multa"

Oiço na Fórum TSF que a entrada em funcionamento dos radares de velocidade em Lisboa (durante meses atrasada por culpa da CNPD) é uma "caça à multa", que "não vai resolver nada", e que "eles só querem é o dinheiro".

(O que não falta no Fórum TSF são bocas sem qualquer argumentação lógica, mas estou com esperança que alguém me esclareça as seguintes dúvidas)

1. Quem são "eles"? A Câmara, a polícia, a DGV, o governo, os porcos capitalistas, os três pastorinhos? A boca demonstra desde logo um total desconhecimento sobre o destino das multas em Portugal. Quem passa as multas não é quem recebe o seu valor.

2. Ok, admitamos que isto é só uma "caça à multa". Então, como é que as autoridades devem resolver este grave problema dos excesso de velocidade em Portugal, que tantas vítimas faz por ano?? Com amáveis pedidos por escrito, algo como "pedimos-lhe que da próxima conduza um pouquinho mais devagar, que alguém ainda se aleija"??


P.S. (16/07/07) O meu mea culpa, porque afinal neste caso específico há uma parte do valor cobrado, 30%, que reverte para o município através da Polícia Municipal (a notícia não é clara se o dinheiro fica na polícia ou na CML). Aceito que assim é mais difícil argumentar a favor da idoneidade da Câmara no processo, embora eu continue a acreditar nela, nem que seja por haver fontes mais fáceis, mais populares e mais rentáveis de receitas. Contudo isto não muda em nada a minha acérrima defesa das multas. Mais, gostaria de ter um município / um estado em grande parte financiado por coimas, multas, taxas sobre poluição (ou seja taxas sobre pecados e externalidades) em vez de impostos sobre algo que todos necessitam, como o consumo de bens e serviços, impostos municipais sobre habitação, etc...

P.S. (17/07/07) A fazer fé nos números da TVI, as multas no primeiro dia de funcionamento dos radares correspondem a 240 mil euros. Mesmo admitindo que o nível diário continua assim tão alto, mesmo admitindo que todas as multas serão cobradas, mesmo admitindo que não há custos envolvidos havendo apenas receitas, serão necessários 46 anos de multas cobradas para cobrir o défice da CML. Em português, a receita das multas é um cagagésimo no meio do orçamento camarário.

publicado por MC às 15:49
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12 comentários:
De Phil a 10 de Julho de 2007 às 17:10
Bom, já algum tempo que acompanho este blog, tento ter o comportamento mais "verde" possível, não chegando aos níveis de hipocrisia que vimos no passado fim de semana no Live Earth na RTP.

Chegou o momento de comentar. De facto, esta implementação dos radares, não vai resolver rigorosamente nada e soa claramente a "caça á multa".

Primeiro, temos que compreender de uma vez por todas que o problema em Portugal é não se saber conduzir. A partir deste momento, a condução a 50 hora para muitos condutores é um autêntico "red line" e qualquer situação na estrada é meio-acidente. Por tanto, o conceito de excesso de velocidade é completamente subjectivo. (não estando claro, a referir-me aos limites constantes no Código da Estrada)

Para dar um exemplo prático, vamos pensar no radar da Radial de Benfica, que por estes dias está configurado para 50km/h e se tudo correr bem, voltará para os "normais" 80km/h. Para quem conhece a zona, sabe que para lá da linha do comboio e paralelamente à Radial de Benfica está a Rua Conde de Almoster, que permitirá a circulação "sem restrições" e sem a pressão do radar. Com isto não quero dizer que se circule em excesso abusivo de velocidade naquela via, mas pelo menos, a circulação não estará atrofiada naquela via, por causa do radar, porque me parece que os radares, vão tão somente atrofiar o já atrofiado e congestionado trânsito em Lisboa.

Mas, o problema é bem mais complexo e é constantemente (bem) defendido neste blog. A questão, por um lado, passa pela má política de obras públicas, criando mais acessos para a cidade via automóvel, não estando a cidade preparada para esse aumento de fluxo de circulação de automóveis. Por outro lado, aumenta a fiscalização dessas vias, dando a tal sensação de "caça à multa". Damos acessos, controlamos os acessos e agora pagam bem, por usufruirem desses acessos.

Infelizmente, não vejo o mesmo entusiasmo para criar uma rede eficaz de transportes públicos. A verdade, é que um direccionamento do investimento nesse sentido, não trás (pensam eles), as mesmas mais valias que a cobrança de coimas ao longo do tempo.

Há muito que a política deste país para por remediar cobrando, em vez de prevenir, servindo o cidadão.

É por estas e por outras, que a cidade de Lisboa perde aos poucos população activa, a qualidade de vida desce e domingo contarão com mais um voto em branco. Pena tenho em não poder votar 12 vezes em branco.
De MC a 11 de Julho de 2007 às 10:57
Desde já obrigado pelo link (por causa dele também tenho dado umas olhadas no seu blog).
É verdade que em última análise nenhum acidente se deve a velocidade.. É teoricamente possível todos conduzirmos a 200 em Lisboa e não haver nenhum acidente, este acaba sempre por se dever a uma distracção. Agora é inegável que um aumento de velocidade aumenta a em muito probabilidade de acidente, as suas vítimas e a gravidade das lesões, a outro nível diferente também aumenta a poluição sonora nas cidades (ainda recentemente a OMS veio alertar para o facto de isso ser um grave problema de saúde pública em Portugal), aumenta o stress, reduz a qualidade de vida nas cidades, aumenta a poluição, provoca insegurança nos peões e nos ciclistas, etc.. etc..
Outra coisa: Portugal deve ser o país europeu onde a velocidade praticada dentro das cidades é maior.

Noto com tristeza que não leu o post com atenção. Eu sou sincero quando peço que me expliquem 1. quem são "eles" que estão a fazer a caça à multa (sabendo que a iniciativa partiu da CML, mas que a CMLb não tem receitas com as multas), 2. que outro método haveria para baixar a perigosidade do trânsito em Lisboa nem que seja porque, como disse, em Portugal se conduz mal.
De anabananasplit a 10 de Julho de 2007 às 20:29
lolol «"pedimos-lhe que da próxima conduza um pouquinho mais devagar, que alguém ainda se aleija"» realmente é capaz de ser melhor! :-P

P.S.: Yah, o LiveEarth na RTP foi arrepiante. Até deu dó. :-P

De Wolfheart a 13 de Julho de 2007 às 11:44
E depois se for caça à multa, qual é o problema? Alguém conhece outra maneira de lidar com os Portugueses...?
De felisteus a 15 de Julho de 2007 às 23:55
Que há caça à multa há! Alguém pode negar isso?...

Não tenho dúvidas que a Polícia e a GNR está incentivada a multar porque essa receita representa milhões para o governo e porque segundo se consta as suas promoções também dependem das multas que passam.

Eu condeno excessos de velocidade urbana e a condução sob o efeito do álcool.
Mas este é tolerado à noite aos condutores que vão às discotecas e a bares nocturnos e que vêem de lá às 6, 7 e 8 horas da manhã a cambalear quase sem se aguentarem em pé.
A estes quase nunca aparece a polícia, porque será?...

Exemplo de uma caça à multa:

Há dias foi multado um amigo meu que ia a conduzir a 81Km hora na estrada de Viana do Castelo a Barcelos no lugar dos "Feitos". Neste local a estrada é desabitada e é ladeada por matas de pinheiros, mas... vá-se lá saber porquê, colocaram lá sinais de limitação de velocidade de 50Km hora. Pois bem, a GNR esconde-se lá, coloca câmaras e apanha quantos condutores quiser, porque ninguém pensa que haja qualquer perigo em rodar ali a 80 ou 90 km hora.
Será que isto não é caça à multa? Claro que é!!!
Aqueles sinais de 50 Km hora estão lá fora de qualquer lógica de bom senso e, por isso, não são respeitados por ninguém.

Vê-se muita gente a defender multas de qualquer modo, mas é pena não ver essas mesmas pessoas a criticar e a defender e exigir que uma grande parte da nossa sinalização, que está pessimamente colocada e mal dimensionada, com cores e tamanho de letra impróprios para informar o condutor, e ainda muitos desse sinais colocados em locais tão baixos que basta ter um carro à nossa frente que já a não vemos a tempo.
Esta péssima sinalização causa muitos acidentes. Muito stress nos condutores e muitos erros de condução, por conseguinte, porque não informa a GNR as autoridades para corrigirem estes disparates. Eles andam lá na estrada e conhecem tão bem como nós esses autênticos abortos a que chamam sinalização.

Se querem poupar vidas e evitar acidentes criem equipes de pessoas competentes para
colocarem estes sinais em locais apropriados, e com tipos de letras que possam ser lidos a tempo do condutor assimilar a informação.


De Oscar Carvalho a 16 de Julho de 2007 às 03:10
O forum da TSF é um teste à minha fé na democracia. Os disparates são tantos que por vezes penso dou comigo a pensar se o Robert Heilein (escritor de Ficção cientifica) não teria razão ao dizer que "uma soma de zeros dificilmente terá outro resultado que não seja zero". Mas depois lembro-me da censura do antigamente e lá vou condescendendo.
De Zé da Burra o Alentejano a 19 de Julho de 2007 às 17:00
Opinião Velocidade Permitida

Reparo com agrado que a velocidade prevista de 50 km por hora para a Radial da Buraca é afinal de 80 Km por hora. A velocidade de 50 era realmente muito ridícula e era inferior à de 70, permitida sobre o tabuleiro da Ponte 25 de Abril, ou à imediatamente a seguir, antes do Aqueduto das Água Livres, onde o limite é de 80, numa curva e contra curva. A velocidade aqui é exagerada e está bem provado pelos embates visíveis no separador central e nos protectores laterais. Apesar de tudo, julgo ainda que a Radial da Buraca não me parece mais perigosa que o IC19 , pelo que não creio que fosse demais aceitar o limite de 100 km nesse local. O limite teria que ser e é reduzido para 50 no entroncamento com a 2.ª. circular.

Mas infelizmente as outras vias onde foram colocados os controlos de velocidade são também vias especiais, onde deveria ser permitida uma velocidade superior aos 50 km por hora, porque são autênticas vias rápidas urbanas, pois têm vias separadas e cruzamentos desnivelados. Uma coisa é circular-se na Av. Marechal Gomes da Costa ou na extensão da Avenida EUA em Chelas; outra é circular-se na Avenida Almirante Reis, na Rua da Escola Politécnica ou na Travessa das Flores, por exemplo.... Qual foi o critério para a escolha daqueles locais? É claro que nas outras vias que indiquei e muitas mais poderia referir não seriam detectados tantos infractores, mas uma coisa garanto eu: os que fossem “apanhados” mereciam bem mais o castigo da multa!

Zé da Burra o Alentejano
De Micas10 a 25 de Julho de 2007 às 20:20
A receita das multas apoia também os investimentos na segurança rodoviária em geral, e na segurança dos peões dentro das localidades
De Daniel a 8 de Agosto de 2007 às 10:54
A causa primária de um acidente não é a velocidade mas a falta de consciência e civismo. Se o investimento estatal estivesse centrado na correcta formação e educação dos condutores muito poderia ser evitado.

É evidente que a velocidade aumenta o risco de acidente de uma forma exponencial, mas confio mais no "Porshe" que segue a 170, na 2ª circular às 4 da manhã na faixa da esquerda, do que no Peugeot 205 que segue a 40 "teimosamente" na faixa central e com a faixa direita sem veículos a circular.

O "remediar" é tipico deste país...até porque rende muito dinheirinho...
De MC a 10 de Agosto de 2007 às 15:09
1. O Peugeot se bater faz uns braços partidos. O Porsche se bater, está garantido que todos os envolvidos vão ter com os anjinhos. Não é só a probabilidade de acidente que conta, por favor!

2.Remediar é "típico deste país"? Não deve ter noção do que é a "repressão" em termos de condução perigosa fora de Portugal. Basta passar a fronteira para ver a velocidade média diminuir brutalmente.
De Daniel a 24 de Outubro de 2007 às 14:13
Lamento contrariar, mas já conduzi em Espanha e em Itália - e também conheço pessoas que vivem (e conduzem) na Alemanha. E assisti a uma realidade completamente diferente da que esperava em relação ao controlo de velocidade... Mas a diferença é que a maioria dos condutores espanhóis cumprem os limites impostos, por exemplo em zonas de perigo potencial, e depois quando a visibilidade é total excedem a velocidade "recomendada". Já conduzi muitas horas em Espanha, especialmente em estradas secundárias e apercebi-me que lá quando surge um sinal de limite de velocidade de 50 antes de uma curva, realmente é necessário fazer a curva a essa velocidade. Mas depois não se encontra muitos sinais de limitação de velocidade em grandes rectas ou traçados com visibilidade, nem radares, nem "BTs" escondidos atrás de arvoredos..

Ou seja, em Espanha privilegia-se mais o civismo, a inteligência e o sentido de responsabilidade do condutor do que a limitação e o sentido de proibição tão presente no nosso país. É uma avaliação que não me parece ser tão bem feita em Portugal.

É evidente que a gravidade de um acidente aumenta exponencialmente perante a velocidade a que decorreu - como eu já tinha referido - mas estava-me a referir essencialmente à falta de civismo e à condução "educada" e responsável, algo que não se elogia ou ensina em Portugal. Ao contrário, gostamos de manter a velhinha tradição do "auto-policiamento" e do "não faças isso porque é proibido e senão vem o senhor policia e prende-te" do que a correcta educação e responsabilização dos condutores.

P.S. - já agora, a actuação da policia podia ser mais coerente e estar presente, talvez com radares, em zonas (bem conhecidas dos habitantes locais e da policia) onde decorre o "street racing" à noite há anos e anos - e onde a vida de transeuntes inocentes, quer de automóvel, quer a pé, é colocada em risco...
De fran a 18 de Junho de 2009 às 14:20
errmm concordo com o que diz no geral...cá em Portugal a repressão reina, o srº guarda a multar e os radares metem mais medo que a condução em si.
Eu próprio passo diáriamentena na ponte da Portela cá em Coimbra tem um limite que não só é estúpido como também ridículo, 40kmh!!!...nem os velhos das casais e os papa-reformas passam lá a essa velocidade, e quem passar a 40kmh (nunca vi acontecer) nessa ponte vai levar com o pessoal todo a buzinar (é uma ponte recente com excelente visiblidade, sentidos de circulação separados, bom alcatrão etc etc). No entanto é a galinha dos ovos de ouro! Vai lá o sr guarda e dia sim dia não lá passa umas multas...idêntico se sucede no estacionamento do continente em que o pretendido pelos srºs guardas é multas, multas..
Os €€ sempre à frente. A segurança nem por isso.

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