Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006

Sai um comboio para o meu bairro

O Público de hoje noticia um estudo do IST que critica o SATU de Oeiras pela sua performance ambiental. A questão é que apesar de ser eléctrico e não poluir localmente, a electricidade obviamente tem de ser produzida.

Agora o que me espantou foi o número de utentes diários: 600. Seiscentos. Sabendo que aquilo funciona 16 horas por dia, dá uns 37 utentes por hora. Trinta e sete. Nunca pensei que o comboiozinho tivesse muita adesão, mas admito que 37 é menos do que as minhas expectativas.

Para quem não sabe o é, o SATU é um comboio futurista construido em Oeiras, que liga o centro de Paço de Arcos ao Oeiras Parque (Centro Comercial), numa distância de 1150m. Custou milhões (vinte e três), desfigurou muitas ruas (por ter viadutos bem junto dos prédios) e agora tem 600 passageiros.

Melhor exemplo não há da falta de planeamento e da vontade de fazer obra vistosa dos nossos autarcas. Infelizmente há muitos exemplos semelhantes. Cada concelho, cada freguesia quer ter o seu sistema(zinho) de transportes independente de tudo o resto. Neste momento está a ser construido o metro da margem sul do Tejo. Um habitante de Almada ou Monte da Caparica que queira ocasionalmente ir ao centro de Lisboa poderá facilmente
1. comprar bilhete para o metro do sul
2. apanhar o metro,
3. comprar bilhete para o comboio da fertagus
4. apanhar o comboio
5. comprar um bilhete do metro de Lisboa
6. apanhar o metro
7. eventualmente apanhar mais um autocarro que o metro cobre mal a cidade


Em Lisboa o metro e o comboio estiveram durante décadas de costas viradas. As linhas de metro não chegavam ao comboio e vice-versa. Mesmo hoje, em Entrecampos onde eles se cruzam há 40 anos não é possível passar directamente de um para o outro.

Justiça seja feita ao Metro do Porto, que liga o centro da cidade ao centro das cidades suburbanas.


publicado por MC às 10:54
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11 comentários:
De anabananasplit a 6 de Dezembro de 2006 às 00:12
Esse número não pode ser verídico!... Basta olhar um bocado para o SATU a passar na linha... Não se vê absolutamente NINGUÉM dentro da carruagem! 600/dia? Mas estão a gozar ou quê?... A atirar areia prós olhos do pessoal. Muito feio, tsc, tsc...
De MC a 8 de Dezembro de 2006 às 12:01
É possível que seja menos.. os números eram dados pela empresa.
Mas 600 não deixa de ser estupidamente baixo.
De António Menino a 11 de Dezembro de 2006 às 19:33
Eu que não sou especialista em sistemas de transporte, quando participei no debate publico deste sistema, já tinha constatado que iria ser um fiasco. O Tio Isaltino desvalorizou completamente o que os participantes disseram e escreveram. Está á vista.
Por ultimo, o ex-vereador Neno, dizia que o sistema era tão bom, que até os responsáveis do Cabanas Golf estavam interessados. Estão mesmo a ver os nossos turistas, hospedados em Cascais e descerem em Paço de Arcos com os seus tacos para uma partida de golfe.
Li hoje que o Fernando Seara que que este sistema sirva para ligar a Linha da Sintra a Cascais. Mas um sistema de metro ligeiro de superfície, a ligar as várias localidades do concelho não seria mais eficaz?
De Hugo a 17 de Outubro de 2007 às 00:04
Boa Noite

Depois de muita pesquisa, em vários sítios e blogs, chego a uma conclusão muito ma, tanto em relação as ideias dos oeirenses sobre o Satu Oeiras, como a uma grande falta de informação em relação a dados financeiros referentes ao mesmo, por isso apresento aqui a minha opinião.

Sou funcionário da firma ligada a manutenção do Satu Oeiras, e morador em Oeiras. Trabalho no mesmo desde a sua construção.
Em relação a parte financeira deve-se esclarecer que quem pagou a construção do Satu, como tem pago a manutenção e operação do mesmo é a construtora(Teixeira Duarte) que tem a seu cargo a operação do sistema ate o ano 2050, e só a partir dai a câmara passa a tomar conta do Satu, por tanto não há motivos para a população falar nesse aspecto, porque o dinheiro não sai com certeza do bolso de nenhum de nos.
Em relação ao barulho, que alguns dizem elevado, depois de vários testes sonoros por autoridades particulares, foi verificado que o mesmo se encontra dentro do limite legal.
Se me perguntarem se faz barulho??? È claro que faz, mas se esta dentro dos limites…
Como é obvio, ninguém gostava que lhe fosse plantado a porta de casa uma obra como esta, mas quanto a isso já não há nada que se possa fazer.
Devo também esclarecer que em vários sítios verifiquei algumas opiniões relacionadas com a posição partidária de cada um de nos, e devo apenas acrescentar que por de trás de muitas delas apenas estão esses mesmos partidos, como é o caso do Sr. que mora no prédio mais próximo da estação da Tapada do Mocho e, a quem o parido Bloco de Esquerda tem financiado e digo mesmo patrocinado a sua guerra conta o Satu, chegando esse mesmo Sr. a usar camarás fotográficas e de filmar para captar todas as movimentações dos funcionários que (ao serviço da SATU OEIRAS) tentam efectuar o seu trabalho.
Vamos lá ver… eu não o condeno, afinal o Satu passa muito perto da casa do Sr. mas dai a descer a ma educação como é frequente, não valia a pena.
Para terminar penso que uma obra como o SATU OEIRAS é muito boa, e aquando da sua conclusão todos nos vamos tirar as duvidas.


Obrigado
De Morador a 14 de Novembro de 2007 às 17:39
Obrigado pelo post e pela -- expressiva! -- fotografia.

De facto, ninguém o utiliza. Basta morar lá perto -- e mais perto dos prédios não o podiam ter construido! -- para saber. Está sempre vazio. Ocasionalmente, lá vai uma pessoa, possivelmente com intuito turístico [ou algum estudante de arquitectura ou engenharia]. Sei lá. Custou dinheiro e sobretudo qualidade de vida a quem lá vive. A paisagem para o mar, foi perdida. O ruído foi criado. E a perda de luz, para quem mora no prédio em frente do qual a estação foi construída, trouxe humidade. Trata-se de um monstro urbanístico num concelho outrora visto como modelo.

Discordo do que disse um dos comentadores:

'quem pagou a construção do Satu, como tem pago a manutenção e operação do mesmo é a construtora(Teixeira Duarte) que tem a seu cargo a operação do sistema ate o ano 2050, e só a partir dai a câmara passa a tomar conta do Satu, por tanto não há motivos para a população falar nesse aspecto, porque o dinheiro não sai com certeza do bolso de nenhum de nos.'

Errado. Vai sair, desde já em termos de perda de qualidade de vida, de urbanismo de qualidade e sobretudo porque em 2050 vai ser um elefante branco, continuando sem clientes, desactualizado, com custos de manutenção elevadíssimos. É natural que a Teixeira Duarte em 2050 já não o queira!

Dia ainda o comentador que 'Em relação ao barulho, que alguns dizem elevado, depois de vários testes sonoros por autoridades particulares, foi verificado que o mesmo se encontra dentro do limite legal.
Se me perguntarem se faz barulho??? È claro que faz, mas se esta dentro dos limites…'

Então os limites teriam de ser alterados. Há queixas de moradores que já registam problemas médicos associados a stress e insónia. Se o comentador lá morasse, veria como o valor legal -- se é que respeita mesmo o valor legal -- não faz sentido.

Diz ainda o comentador que 'Como é obvio, ninguém gostava que lhe fosse plantado a porta de casa uma obra como esta, mas quanto a isso já não há nada que se possa fazer.'.

Claro que há. Primeiro, era não o construir ali.

E da mesma forma que invocou a Lei do Ruído poderia invocar qualquer boa lei urbanística que permite a demolição de património edificado. Trata-se de uma má obra -- como o comentador reconhece que não queria ter perto de si -- e pode e deve pois ser demolida, como está a ser, por exemplo, o outrora genial Estoril Sol.

Diz ainda que 'verifiquei algumas opiniões relacionadas com a posição partidária de cada um de nos, e devo apenas acrescentar que por de trás de muitas delas apenas estão esses mesmos partidos'.

Não sou de nenhum, acho-os todos maus, por isso estou à vontade na minha isenção. Falo como cidadão que conhece muito bem o local e que defende bom urbanismo, arquitectura e qualidade devida. O SATU é um péssimo exemplo. Numa qualquer capital europeia isto não passaria. Como de resto não passou em Lisboa.

Eu percebo que defenda o seu emprego. MAs ao menos construa coisas úteis, com bom design e arquitectura, e sem desprezo urbanístico.

De MC a 14 de Novembro de 2007 às 22:49
Eu acho que o ponto essencial é esse mesmo que focou: os custos não são apenas custos monetários. Nenhum estudo económico faz sentido sem contabilizar custos não monetários. E esses claramente não estão a ser "pagos"/compensados pela Teixeira Duarte.
E são muitos e variados: ruído, qualidade de vida, estética urbana, perda de privacidade
De Hugo a 11 de Dezembro de 2007 às 14:27
Olá novamente

Depois de pesquisar junto de algumas instancias judiciais, acessíveis a todos, e junto de alguns moradores do prédio junto a estação da Tapada do Mocho, conclui que de todos os aspectos e queixas apresentados pelo morador do tal prédio em tribunal foram recusados por falta de provas para sustentar as acusações. Acho que devo deixar aqui a indicação de alguns factos que muito boa gente não sabe. De todas as vozes criticas que se levantarão para contestar esta obra, apenas uma tem levado a sua contestação para a frente, e como é do conhecimento de todos, apenas o faz devido a ajuda financeira e judicias do partido político BE . As oportunidades de popularidade e de ganhar dinheiro fácil estão-se a acabar, e passo a explicar porque.
Começando no ruído emitido pato Satu , passando pela perda de claridade e luz natural nas casas, ate as doenças mentais e psicológicas a que estes moradores ficarão sujeitos, tudo isso e mais alguma coisa que me possa esquecer agora, nunca foi provado em tribunal, porque como é obvio não há prova feita. Há apenas a invenção e o mau carácter de algumas pessoas que por alguns tostões , põem o mundo de pernas para o ar e perdem toda a sua dignidade.
Deixo também a incentivo a quem quer realmente ver com os seus próprios olhos, a falta de luz e as humidade e o ruído, para isso basta ficar numa rua perto a estação da Tapada do Mocho ao fim da tarde e constatar e o viaduto retira alguma luminosidade aos prédios, e se tiverem a oportunidade, como eu já tive, de entrar num apartamento num desses prédios também vão verificar que a humidade, que em alguns casos existe, mas não só nesses prédios, mas também nos mais afastados, vão verificar que a tal humidade não é de hoje, nem de ontem, mas sim de há muitos anos, devido a idade dos prédios e a fraca qualidade de construção.
Volto a relembrar que por detrás de muitas criticas e queixas, estão algumas pessoas com muito mau caracter e muito mal intencionadas com ligação a partidos políticos.

Obrigado
De Anónimo a 1 de Outubro de 2008 às 18:02
Meu caro amigo

Em relação aos seus comentários, que em parte são verdade, só lhe posso falar da minha experiência. Não pertenço a nenhum partido político, não defendo qualquer interesse que não sejam os meus e pesem todas as análises que pudessemos fazer em relação ao custo/utilização (quase nula), só falo da coisa que sempre me incomodou: o ruído. Desconhecia as questões de humidade ou quaisquer outras, mas gostava de salientar que moro num dos prédios que estão encostados à linha e só eu sei o que passo com o ruído desde que o SATU entrou em funcionamento e desde que esteja com as janelas abertas. Este problema só o consegui minorar com duas janelas ambas de vidro duplo!!
Se é isto o exemplo de um transporte do futuro...
De Anónimo a 5 de Março de 2008 às 00:58
O SATU e a sua implementação têm sido tudo menos pacíficos. As vantagens a ele inerentes não evitaram a formulação de críticas e processos judiciais por parte dos moradores do bairro da tapada do mocho, reportadas ao ruído por este emitido, bem como pelo facto de a linha do SATU estar junto a janelas, rente a edifícios de habitação preexistentes, sombra criada sobre os edifícios e perda de vistas para o mar, destruição de espaços verdes e praga de pombos que usam a estação como refúgio, tratando-se ainda de um meio de transporte sem utilizadores, sendo já conhecido como 'comboio-fantasma'. A isso juntam-se também os protestos dos vereadores da oposição pelos elevados custos de manutenção aliados às baixas taxas de ocupação.
De teresa gabriel a 19 de Maio de 2010 às 12:12
bom dia. neste momento estou em estado de choque. como é que alguém pode dizer que o satu não provoca qualquer ruído e os seus limites estão dentro dos permitidos por lei? de certeza que não vive no bairro. verifiquem os valores do ruído, no momento de mudança de linha, precisamente na estação da tapada do mocho, a que confina com os prédios. de facto o satu não provoca qualquer ruído no restante trajecto (só um ligeiro som). habito no 10.º andar e passo o dia a ouvir um som parecido com o ribombar de um trovão!!! é deseperante! por favor, convido a quem de direito a deslocar-se às nossas habitações e verificar in loco o que se passa. estou disponível.
De teresa gabriel a 19 de Maio de 2010 às 12:20
esqueci-me de mencionar o facto de o SATU andar praticamente vazio. sugiro que se não podem minimizar o ruído, por favor que circule o menor número de vezes. não se justifica, tanta viagem sem ninguém.

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