Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
Pagar 372 milhões pelo que é público

As esplanadas, os contentores, uma banca na rua, etc. são tudo exemplos de ocupação do espaço público que é paga por quem dela usufrui. Pagar pelo estacionamento de um automóvel no espaço público não é, assim, uma aberração como os carrocratas nos querem fazer crer, mas um pagamento justo pela privatização de algo público que é feito em tantas outras situações. É acima de tudo uma ferramenta indispensável para uma boa gestão do espaço público que é um bem escasso numa cidade. Se as esplanadas fossem gratuitas, todos os cafés e restaurantes ocupariam abusivamente o espaço à sua frente. Estacionamento pago garante que o espaço não seja ocupado ad aeternum por alguém, mas que haja rotação e possibilidade de todos o usarem.

Hoje descobri o valor de outra ocupação por algo público... o ar. Ou melhor, uma pequeníssima parte do espectro electromagnético (as frequências das emissões rádio), pela qual as três operadoras de telemóvel pagaram 372 milhões de euros! O ar é de todos, mas se o seu uso fosse gratuito, seria impossível ver televisão ou telefonar.

 

...............................................

E para nos lembrar a importância dum espaço público livre de automóvel, o A Nossa Terrinha compara algumas praças em localidades portugueses e espanholas.



publicado por MC às 22:46
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5 comentários:
De AMarta a 24 de Janeiro de 2012 às 16:31
Há apenas um pequeno pormenor da argumentação que me parece menos correcto: não é apenas o facto de se pagar que limita este tipo de utilizações. A utilização destes espaços poderia até ser gratuita, mas tem de ser é regulada (e a regulação cumprida!)!


De MC a 25 de Janeiro de 2012 às 18:14
pois, tens razão. isto é vício de economista, que pensa logo em estabelecer mecanismos económicos, em vez de legislativos.
de qualquer modo, até me parece preferível que a utilização seja paga em vez de gratuita, porque é um modo de quem é beneficiado compensar os restantes. neste caso o café paga à cidade pela esplanada.


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2012 às 11:23
Concordo, concordo! Era só uma pequeno reparo à argumentação. Queria apenas referir que algumas actividades, por serem estimadas como "benéficas" de alguma forma, poderão até fazer uma utilização gratuita do espaço público, desde que regulada.
Não acho que o estacionamento em cidade caiba de forma alguma nesta categoria!


De leitor a 24 de Janeiro de 2012 às 23:34
Porque é que se paga o uso da frequência, porque é escassa, ou tem alguma consequência para as pessoas?

No caso dos automóveis é espaço que deveria ser usado para outros fins, e tem pesadas consequência para o ambiente.


De MC a 25 de Janeiro de 2012 às 18:16
Exacto! Tanto nas frequências como no estacionamento, são "espaços públicos" escassos.
No caso dos automóveis há a razão extra das consequências para o ambiente e qualidade de vida na cidade.



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