Quinta-feira, 30 de Junho de 2011

Motas 125cc & bicicletas

O PCP é um partido estranho no que toca às questões da mobilidade na sua ligação ao ambiente.

 

O primeiro apecto respeita à maneira dupla com tem dois discursos para agradar a diferentes eleitorados; a posição acerca das questões de mobilidade ligadas ao ambiente são relegadas ao apêndice chamado "Os Verdes"; não quero minorar as posições deste partido, porque, por exemplo, no que toca às barragens e à defesa da linha do Tua, a deputada Heloísa Apolónio tem posto o dedo na ferida. Já o PCP, por outro lado, é a favor da componente rodoviária na Terceira Travessia do Tejo (felizmente suspensa) e contra o uso das bicicletas em Lisboa. Na prática, os eleitores poderão votar nas mesmas pessoas, mas possivelmente atraídos por discursos antagónicos.

 

Noutro aspecto, tenho algumas dúvidas acerca da sua eficácia e pontaria. Isto deve-se à promoção do uso das motas 125cc. É da autoria do PCP um projecto de lei que permitu a abrangência da carta de condução normal para a condução de motas 125cc. Uma mota é um veículo poluidor e possivelmente ruidoso, concordemos. Se a compararmos com a bicicleta, não apresenta tantas vantagens; por outro lado, gasta menos combustível e ocupa menos espaço público do que um automóvel.

 

Quanto ao alcance da medida em termos de mobilidade sustentável, é necessário fazer a pergunta: é desejável a promoção do uso das motas  125cc?

 

Não tenho uma posição firme sobre isto porque não tenho acesso a dados. Mas para mim é uma medida que faz muito mais por haver menos carros em circulação do que a promoção da bicicleta nos termos actuais. Hoje em dia, penso que é mais provável a quem adoptar a bicicleta como meio de transporte abandonar o uso de transportes públicos do que abandonar o uso do carro; pelo contrário, quem adopte uma moto 125cc parece-me mais facilmente abandonar o uso do automóvel.

 

Isto concerna ao fluxo das escolhas de mobilidade. Não é por haver mais bicicletas em circulação que haverão menos carros em circulação; para os utilizadores de bicicleta, o abandono pode, e muitas vezes será, do uso de transportes públicos.

 

Isto não é razão para preterir a promoção da bicicleta. Pelo contrário, deve-se criar mais condições para que a sua adopção provenha de indivíduos que normalmente usam o automóvel.

publicado por TMC às 15:05
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19 comentários:
De Pedro Monteiro a 30 de Junho de 2011 às 15:34
Nunca tinha pensado na migração" das opções de mobilidade desta maneira, perspectiva interessante.
Eu sou um dos migrantes do autocarro para a bicicleta, embora conheça alguns convertidos vindos do automóvel.

É de referir que pelo menos uma mota eléctrica é mais acessível do que um automóvel eléctrico, e também melhor adaptada a percursos urbanos pela sua dimensão.
Tristemente vivo numa cidade em que foram agora instalados carregadores para automóveis eléctricos... sem fichas adaptadas a bicicletas ou motas.
De Joana a 30 de Junho de 2011 às 16:34
Paris também incentivou a troca do carro pela mota (que foi eficaz ao ponto de ter surgido um problema sério de estacionamento de motas na cidade), e mais recentemente começou a "acenar" com as vantagens da bicicleta aos utilizadores da mota. Será mais eficaz essa transferência modal a dois tempos?

Curiosamente, há uns dois anos, um tio meu, que até então andava quase sempre de carro em Lisboa (só às vezes andava de metro), farto das dores de cabeça do estacionamento (é dos que tem bom sangue e recusa estacionar nos passeios), decidiu passar a andar de vespa. Meteu o carro numa garagem, pagando uma avença por mês, e só o tira quando sai de Lisboa). Ficou contentíssimo com a troca, dava voltas pela cidade toda, fartava-se de falar no assunto, agora conhecia "a cidade toda", etc.

Há meses começou a experimentar a bicicleta: troca de vez em quando a mota pela bicicleta. Está, mais uma vez, contentíssimo e só protesta por o obrigarem a andar naquelas ciclovias, nos sítios onde elas existem.

P.S. A Heloísa Apolónia vai para a Assembleia da República de carro. Por sinal, um grande carro.
De Frederico a 30 de Junho de 2011 às 17:30
Esse primeiro parágrafo é um resumo perfeito das minhas indecisões na altura das eleições!
Ideológicamente o meu voto iria sempre para Os Verdes, mas quando o voto é num melancia, na maior parte dos casos vai para outra zona do espectro político...

Interessante perspectiva e parece-me muito perto da realidade.
Parece-me que uma mudança directa do carro para a bicicleta será muita rara, na maior parte das vezes tal acontecerá em 2 fases: Carro - Mota - Bicicleta ou Carro - Transportes Públicos - Bicicleta
De Miguel Tiago a 30 de Junho de 2011 às 17:43
Caros amigos,
A vossa leitora Catarina G chamou-me a atenção para o post e eu agradeço a referência que aqui fazem à iniciativa do PCP.

Gostava apenas de dizer que todas as dúvidas que o autor manifesta, forma também sentidas pelo PCP. Ou seja, a promoção da 125cc não vai prejudicar o uso do transporte público? não vai prejudicar a bicicleta e outros meios de deslocação não poluentes? Chegámos à conclusão de que, observando o resultado em outros países, tal não sucede de forma significativa. Na verdade, a migração do automóvel para o motociclo de baixa cilindrada acaba por ser o movimento mais ponderoso, eliminando efeitos residuais de migração do transporte público para o motociclo.

O projecto de lei do PCP (não decreto-lei) que podem ler aqui: http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=34237 até enuncia essas dúvidas.

Sobre a suposta dualidade do discurso do PCP, vejo estranhas confusões no post. Por um lado, sendo eu vereador do PCP na CML, não vejo o que significa dizer que o PCP está contra a utilização da bicicleta em Lisboa. Também não compreendo o que significa dizer que o PCP relega para "Os verdes" as questões sobre mobilidade e ambiente. Presumo que isso possa apenas reflectir ignorância ou, na pior das hipóteses, preconceito voluntário.

Não é preciso muito para ver que o PCP é um dos partidos com mais propostas na área dos transportes, nomeadamente no que toca À defesa e valorização da linha férrea convencional e dos transportes públicos em geral. Curiosamente, o PCP também foi o primeiro partido de esquerda a apresentar um projecto de lei de bases do ambiente, inovador e actual e introduzindo matérias essenciais para uma verdadeira abordagem política do ambiente e da natureza, de um ponto de vista socialista.

Sobre a lei das 125, entretanto aprovada por unanimidade há já dois anos, posso apenas dizer-lhe o seguinte: visite o www.forum125cc.com por exemplo e veja quantas pessoas mudaram do carro para moto, vendo a sua vida melhorar bastante, poluindo menos e gastando menos de metade.

Se acham que eu podia vir de Setúbal para Lisboa de bicicleta, ou do fogueteiro para lisboa de bicicleta, tudo bem, estou de acordo. Mas julgo que enquanto essa possibilidade não é viável para grande parte dos trabalhadores, prefiro que tenhamos opções.

Cumprimentos

Melhores cumprimentos
De TMC a 30 de Junho de 2011 às 18:11
Caro Manuel Tiago,

Agradeço ter-nos honrado com a sua participação e desde já a correcção referente ao decreto-lei ser afinal um projecto-lei.

Tenho em boa conta a medida, porque maioritariamente provocará a migração do uso de automóveis para motociclos, mas isto é apenas a minha intuição a funcionar. Se nos pudesse disponibilizar os dados que refere e que apoiam a medida, decerto todos agradeceríamos.

Relativamente à posição do PCP sobre as bicicletas em Lisboa, fico contente por saber que não é contra. Quando escrevi o que leu, tinha em mente um virulento ataque de Rúben de Carvalho à bicicleta como solução de mobilidade em Lisboa, e que poderá consultar aqui:

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/542325

Nunca disse que o PCP relegava para "Os Verdes" as questões de mobilidade. Afirmei sim que a posição do PCP face às bicicletas em Lisboa e à componente rodoviária da TTT é antagónica face às posições genéricas d'Os Verdes, o que fica agravado por concorrem a eleições coligados.

Se houver novidades que eu desconheça nestas posições, agradeceria.

Melhores cumprimentos
De Luis Peters a 30 de Junho de 2011 às 18:05
"é desejável a promoção do uso das motas 125cc?"

Diria que NÃO.
Se insistem em motor, é melhor promover bicicletas elétricas.
As motas são mais poluentes do que carros.
Se a organização do tráfego não é boa e o número de acidentes for alto, a tendência poderá ser um aumento muito grande de sinistros com motocicletas, como acontece no Brasil.
De Rui a 5 de Julho de 2011 às 20:28
Caro Luis, a bicicleta é muito gira e é um meio de transporte viável para muita gente, mas não entremos numa de "religião", ou seja, defender uma ideia e condenar as outras, sem razão nenhuma no que se diz.

Eu fui de férias e aluguei uma bicicleta. Curiosamente tinha sido mais barato alugar uma scooter. Ainda assim, optei pela bicicleta. E não me arrependo nada, adorei!
Agora vamos entrar na realidade:
- Eu cá tenho horários e por vezes o tempo que tenho para ir de A a B nem de carro é possível, quanto mais de bicicleta.
- Eu lido com clientes de alto perfil, não posso pedalar 10km numa cidade que não é plana e chegar ao pé deles com a camisola encharcada.
- Eu moro a mais de 30km da cidade onde trabalho e não vou fazer todos os dias 80km a pedalar, nem roubar mais 4h do meu dia.
- Eu posso levar a bicicleta no comboio até Lisboa, mas só fora das horas de ponta e sai-me efectivamente mais caro que ir de mota.

Resumindo, já te podes dar por contente por ser "menos1carro" na estada. A maioria na minha situação usa carro e pronto, especialmente porque é o patrão que paga.

E já agora, de onde é que vem essa ideia absurda de que as motas são mais poluentes que os carros? Isso é completamente falso, especialmente quando estamos a falar de motas 125cc.

Aproveito também para referir que a história do motor eléctrico está muito mal contada. E acredita que sei do que falo, é a minha área de formação.
Se de hoje para amanhã todos os veículos se tornassem eléctricos, a redução na poluição só iria ser cerca de 30%, já que a electricidade também não vem do ar, nem da água, nem do sol. Na sua maioria continua a vir de fontes muito poluentes. Só muda a eficiencia da central comparada com o motor de combustão. Mas pior que isto tudo, é que as baterias actuais não são recicláveis e daqui por 10 ou 15 anos terias um problema ambiental bastante mais grave.

É estranho dizer isto mas, para bem do ambiente, o futuro está no motor de combustão. Apenas muda o combustível para hidrogénio, já que é das poucas formas 100% limpas de "transportar" energia.
Posto isto só falta resolver os problemas de produção e armazenamento. Mas o de produção tanto é válido para carros a hidrogénio como para carros eléctricos, ambos se alimentam de electricidade. E pelo menos o primeiro não tem o problema das baterias.

Portanto, "é desejável a promoção das 125cc?"

Claro que sim. Antes uma 125cc que um carro e já é um veículo muito mais capaz que uma bicicleta.
De CAV a 6 de Julho de 2011 às 13:34
Completamente de acordo. É muto mais benéfica uma 125 de que um carro e mais útil do que uma bicicleta para distâncias em que não é possível conjugar com tp (e eu sou um utilizador da última).
De catarinaf a 30 de Junho de 2011 às 19:12
Olá,
bem esse comentário do PCP ser contra o uso da bicicleta em Lisboa parece-me ser um pouco forte demais. Qual é a fonte desse discurso do PCP? É a titulo de curiosidade porque cada vez mais tenho de questionar o que leio.

By the way, é bom existir um partido com dualidade de ideias isso só leva a aumentar a discussão entre os elementos do partido para chegar a uma solução.
De Tom a 30 de Junho de 2011 às 19:22
Também acho que há muito poucos a migrar do carro para a bicicleta, passar da comodidade de um carro, para o esforço de uma bicicleta é estranho. Há ali entre os dois os transportes coletivos, que torna uma conversão de um automobilista bem mais lógica. É por isso que se deve ver o uso de meios de transporte para um mobilidade mais sustentável como um todo (autocarro, bicicleta, metro, comboio), e até acho inútil dirigir uma campanha de uso de bicicleta aos automobilistas. O importante é reprimir o uso do carro, e aumentar o uso de transportes públicos, a bicicleta vem depois, como complemento aos coletivos, ou mesmo independente (a aí sim "rouba" aos tp, mas não é grave, se já se tiver aumentado largamente o seu uso)


Existe alguma legislação referente ao ruído provocado pelos motos?

Quando todas as motos forem minimamente silenciosas, posso apoiar o uso delas, atualmente não consigo apoiar uma coisa que provoca tamanha poluição sonora!
De Miguel Tiago a 30 de Junho de 2011 às 20:46
Que motos são ruidosas? Já alguém andou numa 125? algumas bebem menos de 2,5l/100 e muitas são eléctricas.
Caso não saibam, a lei não discrimina a moto eléctrica ou a moto convencional. Por força desta lei, quem tiver carta de carro pode passar a conduzir motos eléctricas que gastam 1€ por cada 100km, atingem 90 a 100km/h e têm uma autonomia de 80km. Preferem que as pessoas continuem a andar de carro?
Para percursos diários de 100km, uma moto convencional emite menos 8kg de CO2, se for eléctrica o custo de CO2 é ainda menor.
Se 10% dos condutores de automóvel passassem a a andar de moto 125 (convencional) poupar-se-iam mais de 96 hectares de espaço de estacionamento em lisboa. Se 10% dos condutores de automóvel passasse a moto reduzir-se-iam 17 mil toneladas no consumo de combustível associado a transportes na capital e emitir-se-iam menos 54 mil toneladas de CO2 por cada ano.
Não é o melhor? não. o melhor era termos todos a possibilidade de nos deslocarmos a pé ou de bicicleta e transportes públicos, vivermos em cidades inteligentes e desenhadas por forma a potenciar a qualidade de vida.
Porém, não são esses os objectivos do capitalismo. Experiência própria: ando de moto e poupo cerca de uma hora e meia no trânsito por dia. Ao fim da semana são 7 horas ou meia, ou seja, mais um diá de trabalho livre a cada semana, para praticar desporto, ler, escrever, conviver, etc.


Abraço.

Acho que se esta medida tivesse sido apresentada por outro partido não mereceria tanta crítica... não estou certo?
Resta-me dizer que é uma directiva europeia em vigor há 15 anos na esmagadora maioria dos países com poucos meses de chuva, aos que faltava apenas juntar portugal.
De Miguel Tiago a 30 de Junho de 2011 às 23:23
Ah e:
"a posição acerca das questões de mobilidade ligadas ao ambiente são relegadas ao apêndice chamado "Os Verdes" parece-me querer dizer exactamente o que aqui se lê. a citação é retirada do post original.

O texto do ruben não ataca em nada a bicicleta. ataca e bem, a demagogia e as parvoíces feitas em lisboa a pretexto da bicicleta. Utilizada como instrumento de propaganda e não como solução de mobilidade. E nisso, tem toda a razão.

Dizer que o Ruben ataca a bicicleta é como dizer que o PCP ataca os utentes dos hospitais quando diz que a qualidade do serviço hospitalar se degrada, ou ataca os estudantes quando diz que as escolas estão num caos.

De TMC a 1 de Julho de 2011 às 00:52
Caro Miguel Tiago,

Essa frase significa pura e simplesmente que o PCP pode ter, e tem tido, posições sobre a mobilidade mas qûe algumas delas são desconectadas das consequências para o ambiente. Defender os carros na TTT é uma posição sobre a mobilidade mas que vai contra a sustentabilidade ambiental em Lisboa. Já Os Verdes têm posições sobre a mobilidade e o ambiente que não carecem de articulação. Simples.

O texto de Rúben de Carvalho ataca a bicicleta e o seu potencial. Ponto. Não há jogos de português que dêem volta a um texto que remata com as seguintes frases:

"É um erro absoluto pensar ou sequer insinuar que a bicicleta constitui mais do que um paliativo - positivo, mas paliativo - para o problema da mobilidade em Lisboa: a solução reside, continua a residir, na valorização, melhoria e embaratecimento do transporte colectivo. O resto é demagogia.

O ataque demagogo baseia-se no critério de que quem não anda de carro OU andará de transportes públicos OU bicicleta e que esta última é absurda como solução; Rúben de Carvalho nem considera que AMBAS podem ser uma alternativa consoante o gosto e as necessidades de cada um.

Também diz que a solução (única?) é embaretecer os transportes públicos, o que é vago, genérico e nada diz sobre a exequibilidade de como ser alcançado; nada diz também sobre as limitações de tráfego ao automóvel, a elevação das tarifas de estacionamento, portagens urbanas, etc.

Limitou-se a atacar um meio de transporte alternativo em franco crescimento que para granjear mais utilizadores necessita, claro está, de investimentos.

Por último, este blogue e eu próprio não temos filiação partidária. Criticamos quem merece ser criticado e agradecemos correcções a erros de informação ou de interpretação. Não vale a pena é sugerir ataques ao PCP só por se tratar do PCP, está bem?

Cumprimentos
De Catarina G. a 1 de Julho de 2011 às 08:02
Muito bem dito, TMC, muito bem dito.
De Miguel Tiago a 1 de Julho de 2011 às 18:52
Continuo sem perceber em que medida é que as considerações do Ruben são um ataque à bicicleta. Prova disso é o facto de, isoladamente, as faixas cicláveis e o discurso vazio em torno da bicicleta até hoje nunca se terem efectivamente traduzido em benefício significativo nenhum para a cidade. POr isso mesmo, sem uma política integrada de tranpsorte público, a conversa mimosa da bicicleta é isso mesmo, um paliativo.
De TMC a 3 de Julho de 2011 às 15:13
Caro Miguel Tiago:

Já chega de brincadeiras. Se não percebe então trata-se de uma falha de compreensão sua; se é obstinada ou um mero lapso repetido, não me interessa.

O que disse acerca da bicicleta não está no texto de Rúben de Carvalho. Está a ser acrescentado por si. A chave da questão , e que não dá espaço a manobras hermenêuticas, é a expressão ERRO ABSOLUTO empregue por Rúben de Carvalho. Esta expressão elimina a hipótese de complementaridade com outros transportes ou a justificação de investimentos na bicicleta.

Por favor poupe-nos à opinião de achar que o programa de mobilidade para Lisboa está num texto com poucos parágrafos num jornal. Ele não diz muito, e o que diz não abona EM ABSOLUTO acerca da posição do PCP , pela voz de Rúben de Carvalho, sobre o futuro das bicicletas em Lisboa.

Cumprimentos
De CAV a 4 de Julho de 2011 às 15:10
"Prova disso é o facto de, isoladamente, as faixas cicláveis e o discurso vazio em torno da bicicleta até hoje nunca se terem efectivamente traduzido em benefício significativo nenhum para a cidade. "
Claro que não. "Roubando" espaço aos peões para fazer ciclovias aos bochechos e mal construidas, mas não retirando um centimetro de estrada aos automóveis, não taxando a entrada de carros na cidade, não fiscalizando o estacionamento irregular, não tirando absolutamente nada ao (super-priveligiado) automóvel, é lógico que não irá beneficiar a utilização da bicicleta.
Os políticos nas CMs infelizmente não trabalham para a cidade, trabalham para o voto e a bússola das decisões gira sempre na direção dele. Não se pode também abonar a inteligência de quem continua a fechar os olhos aos exemplos do resto da Europa e se recusa a saír do século passado.
De Joana a 1 de Julho de 2011 às 10:30
Ao Miguel Tiago sugiro uma leitura mais atenta do que se publica neste blogue, para poder confirmar como foi muito infeliz essa de que "se fosse com outro partido" não se estaria a fazer "tanta crítica".
De NunoM a 2 de Julho de 2011 às 03:22
Li com atenção o texto e devo tecer algumas considerações apoiadas em observações empíricas, não sustentadas de forma científica ou por qualquer estatística. Por razões de ordem profissional, divido o meu tempo entre Lisboa e o Porto, sendo utilizador regular dos transportes públicos na primeira cidade (Metro, em cerca de 80% dos casos, comboio nos restantes 20%, sendo que muito ocasionalmente recorro aos serviços da Carris) e episódico na segunda (STCP na maioria das vezes e raramente do Metro do Porto, porque resido numa zona mal servida por este último). As minhas restantes deslocações são feitas invariavelmente a pé. Reconheço que se as fizesse de bicicleta pouparia tempo e beneficiaria do exercício físico suplementar.

Conheço vários casos de amigos e conhecidos que trocaram de bom grado o automóvel por uma moto de 125cc (scooters, em quase todos os casos), mas todos em Lisboa. O impacto da lei das 125cc , que não posso deixar de saudar, parece ter sido menor no Porto do que em Lisboa, onde creio ser mais do que notório o aumento no número de motos da categoria abrangida pelo diploma em circulação. Muito menos numerosos, mas igualmente significativos, são os exemplos de pessoas que optaram por se dividir entre a mota de 125cc e a bicicleta: um amigo que reside em Queluz utiliza a bicicleta para deslocações em zonas limítrofes da sua área de residência (até para ir à mercearia), em Queluz e no concelho da Amadora. Para distâncias maiores, socorre-se da sua Vespa ou do comboio. Em Lisboa recorre frequentemente ao metro. Bottom line : deixou definitivamente de usar o automóvel, que permanece guardado numa garagem, dela saindo apenas para raras excursões ao interior do país, em zonas que deixaram há muito de ser servidas pelo caminho-de-ferro.

Posto isto, julgo que a questão não pode ser vista a preto e branco, havendo a considerar as muitas nuances de cinzento que ficam pelo meio. Sou partidário confesso dos transportes públicos, de preferência o menos poluentes possível. Embora não utilize a bicicleta nas minhas deslocações quotidianas, reconheço que importa incentivar o seu uso, em complementaridade com os transportes públicos, sobretudo os de superfície (autocarros e eléctricos), uma vez que o seu uso combinado com o metro (sobretudo se não se puder deixar a bicicleta guardada em condições de total segurança nas respectivas estações) está longe de ser coisa prática: nem toda a gente está disposta a utilizar uma daquelas bicicletas tipo "canivete suíço" que se dobram para caber em espaços reduzidos. Pessoalmente, não me imagino a descer para uma estação de metro em hora de ponta carregado com uma standard...

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