Terça-feira, 12 de Abril de 2011

Dúvida

Será que há algum local no centro de Lisboa que a algum momento não se veja nenhum automobilista a desrespeitar as regras de trânsito?

Não haja carros mal estacionados, carros a exceder o limite de velocidade, carros a passar o vermelho ou acelerar no amarelo, carros sem parquímetro pago, etc.? Duvido que seja fácil encontrar.

A dúvida surgiu-me numa discussão entre os sócios da MUBi, onde se debatia se as bicicletas deveriam respeitar todas as regras de trânsito. Dada a minha dúvida, e dado que um automobilista incumpridor prejudica os outros, enquanto um ciclista não, a resposta parece-me óbvia.

 

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A propósito o Pedalinas tem uma lista de dicas sobre circulação em bicicleta na cidade.

publicado por MC às 23:16
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14 comentários:
De Joezef a 13 de Abril de 2011 às 10:22
O mal que os outros fazem não justifica o mal que eu possa fazer. Eu sei que apetece muito dividir em classes, carros vs bicicletas vs peões vs transportes públicos, e dizer que uns são maus e os outros bons, fazer aliados e inimigos, fazer uma guerra. Apetece muito. Mas não, não o vou fazer! Eu sei que há bons e maus em todo o lado. Sou tentado em fazer o mal quando os outros o fazem e sei que é reciproco. Vou tentar ser um dos bons. Talvez mostre a alguém que vale a pena.
Que merda, pareço um padre a falar. Será que com a crise me tornei religioso? Oh! Não...
De CAV a 13 de Abril de 2011 às 10:34
Já ouvi essa de um polícia. Dá vontade de lhe perguntar se isto não é uma democracia. Se uns podem porque não podem os outros?
De Joezef a 13 de Abril de 2011 às 12:26
Que linda noção de Democracia...
De MC a 13 de Abril de 2011 às 11:16
Joezef,
concordo com esse argumento, mas há uma coisa extra que não escrevi no post, e que se calhar deveria. Todo o sistema de circulação é altamente injusto para as bicicletas.
1. a rede viária é desenhada a pensar apenas no automóvel, seja o desenho da rua, sejam os semáforos, etc.
2. as leis são desenhadas apenas a pensar no automóvel (o carro que passe o vermelho pode matar alguém, o ciclista que passe o vermelho apenas pode cometer suicídio - tanto que no Norte da Europa, há imensas excepções escritas e não-escritas para as bicicletas)
3. a lei protege o automóvel contra a bicicleta (mais uma vez contras a boas práticas, que fazem o contrário).

Ou seja a situação é já em teoria injusta para a bicicleta. Somado à prática que é injusta (pelo que escrevo no post), então...
De Joezef a 13 de Abril de 2011 às 12:23
MC,
tens razão nos argumentos. Todo o código da estrada está hierarquizado com o automobilista no topo da cadeia. Sempre que um automobilista infringe uma regra prejudica alguém que esteja abaixo na cadeia (ou seja, todos). Onde está o ciclista nesta hierarquia? Quem é que o ciclista prejudica? Se me responderes "ninguém" é porque não pensaste nisso.
Andar no passeio, podes atropelar os peões;
Passar os vermelhos, podes atropelar os peões;
Não ter atenção nas passadeiras, podes atropelar os peões;
Prender a bicicleta a um poste numa rua de passeio estreitinho; os peões tem de contornar, vão para a estrada e são atropelados por um carro;
Andar na faixa BUS (como eles são actualmente, há notícias de que vão mudar), atrasas 50 pessoas que vão no autocarro.

Eu sei que estou a exagerar um bocado, mas é uma questão de princípio, sempre que infringes uma regra prejudicas quem está abaixo de ti na hierarquia. Há que lutar para mudar o CE e o esquema das cidades, para que deixem de ser hierarquizado como é actualmente.

E na prática, nos meus cerca de 4 anos de ciclista quase diário em Lisboa, constato que se cumprir o CE, sem medo dos carros e defendendo claramente o meu lugar no alcatrão, faço os meus percursos de forma mais rápida, fácil e segura para todos.
De António C. a 13 de Abril de 2011 às 15:50
Joezef, na tua utilização da bicicleta nunca percorres uma rua de sentido único em sentido contrário?

É algo que não prejudicas os peões directamente mas pode ser muito útil em diversas situações em Lisboa...
De joezef a 14 de Abril de 2011 às 13:21
António,
sem dúvida que deveria ser assim. Lutemos para que seja instituído. Mas enquanto não, uma bicicleta em contra mão é uma surpresa, quer para automobilistas quer para peões, e na estrada qualquer surpresa implica perigo.
Nas ruas de sentido único que atravessas regularmente, como peão, olhas para os dois lados ou olhas só para o lado de onde esperas que os carros venham?
De Iletrado a 15 de Abril de 2011 às 23:51
Caro joezef
Pela tua pergunta se verifica que não és ciclista habitual, nem peão habitual. És um carrodependente que aderiu à moda da bicicleta. Se não fosse assim, saberias que um peão olha sempre para os dois lados da rua quando a vai atravessar, independentemente dos sentidos da dita. Porque ele sabe que uma simples distracção lhe é fatal. A rua é de sentido único? É, mas os monstros de 2 toneladas aparecem quando nós menos esperamos. Há sempre uma besta que tenta enganar a malta, fazendo a rua em marcha-atrás. Até no passeio um peão tem de ter cuidado, porque nunca se sabe se uma besta de 2 toneladas não lhe aparece de repente à sua frente, deslizando alegremente como se o mundo fosse só das bestas. Aparentemente é, porque 2 toneladas dão uma força tremenda à razão das feras. E quando fui atropelado no passeio, a fera foi taxativa: "você estava distraído".
Por outro lado, se fosses ciclista saberias que numa colisão entre um peão e um ciclista, quem leva a parte pior é o ciclista. À excepção de uma criança, claro. Pura física. Por acaso também já fui abalroado por um indivíduo de bicicleta, e já acertei num espectador numa corrida. No primeiro caso, a minha perna ficou levemente ferida, mas o ciclista, que foi ao chão e por lá deixou muita pele, ficou numa lástima. O mesmo me sucedeu quando um espectador decidiu atravessar a pista provisória justamente no momento em que eu passava no local. Mal lhe toquei e fui logo ao chão. No local ficou a minha pele e uns bons nacos de carne, mas o senhor ficou incólume.
Isto tudo só para ficares a saber que ciclista que é ciclista sabe que é o elo mais fraco da corrente e qualquer coisa o deita ao chão. Não me refiro aos ciclistas enlatados que colocam as suas bicicletas no tejadilho do carro e o estacionam num passeio qualquer enquanto fazem porcaria com as bicicletas, porque esses, que já são umas bestas com o carro, não o deixam de ser com a bicicleta. Não, refiro-me a um ciclista habitual, um utilitarista. Assim, um utilitarista age em conformidade, raramente pedala no meio de peões (mesmo que uns engravatados coloquem uns sinais dúbios indicando que o passeio pode ser partilhado por peões e ciclistas) e, sempre que pedala em contramão numa rua de sentido único, fá-lo com todos os cuidados e antecipa qualquer problema. Só passa vermelhos quando isso não o prejudica e normalmente isso só acontece quando o ciclista quer virar à direita ou naqueles semáforos limitadores de velocidade (porque é que esses semáforos existem? Será que é por causa dos ciclistas?). E sabe que circular o mais à direita possível significa muitas vezes circular no meio da via.
Achei muita piada a essa tirado de prender a bicicleta no poste e fazer com que os peões fossem para a estrada. Ironia, não é verdade? Um ciclista respeita os peões. O mesmo não se pode dizer das bestas enlatadas que colocam os carros em cima do passeio e nas passadeiras. E não precisam prender o carro ao poste para colocar em perigo os peões.
Na parte do BUS concordo contigo. Mas há situações em que essa é a opção mais segura. Um ciclista habitual sabe os locais onde o pode e não pode ou não convém fazê-lo.
4 anos em Lisboa, de bicicleta, sempre a cumprir o CE? Topa-se à légua que és mesmo utilizador de bicicleta...
Boas pedaladas.
De Joezef a 16 de Abril de 2011 às 00:10
Caro Iletrado,
gosto tanto do teu comentário que nem vou responder. Espero que se me cruzar algum dia contigo eu esteja num comboio. Talvez esteja mais seguro...
De CAV a 15 de Abril de 2011 às 11:12
Vê-se logo que não anda com uma criança atrás numa cadeira. E essa de andar de uma forma segura é para rir. Diga isso aos ciclistas que são atropelados diariamente.
Para rir também é o facto de comparar uma situação de atropelamento de um veiculo de menos de 10kg em baixa velocidade com um de mais de uma tonelada a grande velocidade.
- O facto de se andar num passeio não significa que se atropele peões. As atenções são mais do que redobradas. Dê-me um exemplo de atropelamento. Um único....
- Passar um vermelho e uma passadeira pode atropelar um peão. Qual é a novidade disto???
- Ninguém prende uma bicicleta num poste de um passeio estreitinho. Para já eles nem deveriam existir...
- Já viu um autocarro diminuir a marcha quando vê uma bicicleta na faixa BUS???

Continue a pensar que anda na cidade sem perigo... um dia vai ter uma surpresa, e o pior é que nem dá por ela....
De Joezef a 15 de Abril de 2011 às 23:52
Apesar de achar óbvio, vou dar-me ao trabalho de responder.
1 - Não, não ando com uma criança atrás. Mas ando com uma criança no passeio e arrepio-me sempre que vejo um ciclista no dito passeio. São completamente inconscientes. Espero que não sejas um desses.
2 - Nunca comparei um atropelamento por um carro com um atropelamento por uma bicicleta. Mas até o posso fazer. Um carro mata. Uma bicicleta magoa a sério um adulto, não quero pensar o que pode fazer a um puto de ano e meio como o meu. Se a bicicleta é XPTO e só tem 10 kg, tens de juntar 90 kg do ciclista e 100 kg a 20 km/h...
3 - "Passar um vermelho e uma passadeira pode atropelar um peão. Qual é a novidade disto???"
Nenhuma! Se o fazes com tanta frequência não devias andar nem a pé!
4 - Tens razão. Não deviam existir passeios estreitinhos. Mas há ruas estreitinhas... Enfim! E ainda por cima temos de comer com carros, caixotes do lixo, motas, bicicletas, entre tantas outras coisas nos passeios estreitinhos das ruas estreitinhas. Realmente vejo poucas bicicletas presas em passeios estreitinhos, deve ser porque há pouca gente a andar de bicicleta. A avaliar pela inconsciência geral, mais ciclistas, mais bicicletas presas em passeios estreitinhos.
5 - Realmente nunca vi um autocarro abrandar ao ver um ciclista numa faixa BUS. Mas acho que é porque não ando na faixa BUS.
De Miguel a 13 de Abril de 2011 às 14:46
Num descarado off-topic, mas que penso que irão gostar:

"The economic case for on-street bike parking"

Aqui: http://www.grist.org/biking/2011-04-11-the-economic-case-for-on-street-bike-parking
De Rodrigo a 15 de Abril de 2011 às 16:52
justificar um mau procedimento com os erros dos outros não é um bom principio, mas entendo que para as bicicletas deveria existir mais flexibilização, muitas vezes vejo-me obrigado a andar em ruas de sentido proibido, poupo km e tempo, mais, permite-me alguma protecção. à noite ando pelos passeios, zero de confiança nos automibilistas.
De Iletrado a 15 de Abril de 2011 às 23:59
Caro Rodrigo
À noite é estupidamente mais perigoso circular no passeio. Os peões não te vêem e, se acertares algum, ficas logo a saber qual é o sabor do passeio... As luzes são obrigatórias para todos os veículos, independentemente do seu modo de locomoção. Penso que esta é uma regra muito importante e as bicicletas não podem ser excepção. Ser visto é tão importante como ver. Adquire umas luzes boas para a bicicleta, tanto para a frente como para trás. Um esforço maior na compra de um bom par de luzes compensa a nível de segurança. Evita os passeios.
Boas pedaladas.

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