Sexta-feira, 4 de Março de 2011

Mais pessoas nos transportes públicos?

A imprensa, que adora sangue, tem trazido várias notícias sobre o aumento do uso dos transportes públicos devido ao aumento dos combustíveis e à redução dos rendimentos. Se bem que seja de esperar que isso realmente aconteça, há que ter cuidado com a análise porque há ainda muitos poucos dados sobre esta melhoria.

Comparem uma semana com chuva com uma sem chuva. Quando chove há muita gente que prefere levar o automóvel - diria que só por causa da chuva poderíamos esperar um aumento de 10% ou 20% no uso do automóvel em detrimento do transporte público, ou seja transferência entre modos. Também quando chove, há viagens que deixam de ser feitas - quem não vá às aulas, não vá sair à noite, trabalhe de casa, etc ou seja redução do número de viagens.  E isto é apenas a chuva, há 1001 factores que influenciam o rácio entres os modos e os números de viagens.

Assim é preciso ter cuidado quando estão em causa variações pequenísimas de 2% como neste artigo - cheguei a ler um artigo em que a conclusão se baseava num aumento de 0,8% - porque mostram muito pouco. Outro erro é concluir que menos viagens de carros, ou separadamente mais viagens de transportes, represente uma mudança do transporte privado para o público. O artigo acima é uma boa excepção porque junta os dois valores, mostrando menos carro e mais transportes.

São aparentemente boas notícias... mas cuidado.

 

.......................................................................................

Um artigo a ler no A Nossa Terrinha, relacionado com a nossa última posta sobre as esplanadas: Coimbra vs Salamanca

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publicado por MC às 16:18
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5 comentários:
De JM a 4 de Março de 2011 às 16:47
Mas também convém não exagerar nos cuidados, não?
De Pedro M. a 6 de Março de 2011 às 07:57
Como utente quotidiano de 3 transportes públicos diferentes na AM do Porto, bastante fustigada pela crise, devo dizer que nos últimos 2 meses o número de pessoas aumentou significativamente, a "olhómetro" até arrisco dizer 20%. Nas últimas semanas saíram notícias de que dão conta da incapacidade da Metro e STCP em darem vazão a estes aumentos por falta de veículo.

Num acto de demência total estas medidas de austeridade estão a incidir também nos transportes públicos, precisamente o "refúgio" de muita gente atingida pela recessão que vem na esteira destas medidas.
De Fernando a 16 de Março de 2011 às 15:29
Concordo com todas as iniciativas que levem a diminuir o trânsito de automóveis que consumam combustíveis tradicionais, de modo, não só a tornar o ambiente urbano mais saudável, como também para podermos pagar mais depressa a nossa dívida aos senhores do petróleo.
De Fernando a 16 de Março de 2011 às 15:48
Uma proposta entre tantas era, a de criar melhores condições para andar nos TNP (transportes públicos não poluentes).
Outra: mais TNP.
Outra: Arranjar emprego perto da morada ou vice-versa.
Tudo se consegue desde que os nossos governantes e todos os que trabalham nesta área, queiram pôr os seus neurónios a funcionar.
De Pedro M. a 16 de Março de 2011 às 16:52
Caro Fernando,

1. Sendo rigoroso tratam-se de transportes mais eficientes, a não ser que se esteja a falar de bicicleta ou pés, nesse caso concordo.

2. Pôr toda a gente a viver perto do trabalho é importante mas tem que se cruzar também com escolas, comércio e acesso a transportes públicos. Infelizmente as zonas que cruzam todos estes factores são sempre as mais caras, o que leva as pessoas a escolherem zonas mais baratas onde têm acesso ao crédito ou a rendas baixas mas que normalmente não têm nenhum destes serviços essenciais, levando-as a usar mais o carro.

São questões de planeamento urbano e de acesso ao arrendamento justo (para proprietário e inquilino).

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