Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

Carros poluentes fora da Baixa Lisboeta

Segundo o Público, a Câmara de Lisboa vai proibir a entrada de veículos mais poluentes (abaixo da categoria Euro I) na Baixa de Lisboa. Isto é uma medida demagógica de quem quer fingir que faz algo por um objectivo, neste caso a melhoria da qualidade ambiental no centro da cidade. Trata-se de uma medida  com poucos resultados mas que vai afectar directamente algumas pessoas de um modo completamente discricionário. Um exemplo muito claro desta discricionariedade: duas (ou três) pessoas num carro velhinho e poluente têm um impacto ambiental menor  do que duas pessoas em dois carros híbridos. Esta medida proíbe os primeiros (reparem proíbe mesmo, nem é uma questão de penalização ou desincentivo), mas nada faz quanto aos segundos.

Há políticas menos discricionários que teriam melhores efeitos, como controlar melhor o estacionamento à superfície na Baixa e reduzir o que existe (que é muito como em toda a cidade), que seriam fortes desincentivos ao deslocamento de automóvel até à Baixa. Ou melhor e mais fácil ainda, cortar o atravessamento da Baixa por carros privados, como chegou a estar planeado há um ano ou dois.

A notícia tem ainda dois pormenores macabros: o lóbi dos popós concorda, e o vereador-supostamente-especialista-na-matéria aparenta não saber que esta medida é comum noutras cidades há larguíssimos anos.

 

....................................................

Uma petição a assinar: Pela manutenção e e melhoramento dos comboios regionais no Ramal de Cárceres

publicado por MC às 18:41
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3 comentários:
De Gualter a 22 de Janeiro de 2011 às 11:14
Fico aliviado que alguém escreve palavras inteligentes sobre o assunto. É isso mesmo que é preciso denunciar - o carácter discriminatório desta medida e o favor ao lobby dos automóveis. Sendo que, pelo que foi dito, 25% dos automóveis que circulam em Lisboa não cumprem as normas que querem estabelecer, então estes 25% são potenciais compradores de novos automóveis.

Greenwashing patrocinado por instituições públicas e favores corporativos no seu melhor.
De paulo rosa a 26 de Janeiro de 2011 às 14:17
Gostei do texto escrito, ...."o lóbi dos popós concorda, e o vereador-supostamente-especialista-na-matéria aparenta não saber que esta medida é comum noutras cidades há larguíssimos anos.
...."
Um abraço
De Maquiavel a 24 de Maio de 2011 às 10:42
E a maneira como a notícia é dada? O título é "Carros poluentes fora da Baixa Lisboeta" em vez de "Carros MAIS poluentes fora da Baixa Lisboeta". COmo se pelo facto de terem catalisador, ou serem híbridos) os torne limpos! Poluem na mesma, só um POUCO menos!

Näo brinquem, especialmente em Portugal haverá muita gente a acreditar piamente que carro sem catalisador näo polui!

Interessante é que cidades sem vias rápidas näo têm engarrafamentos... vejam Vancouver! Já para näo falar de Seul que eliminou uma auto-estrada citadina de 14-faixas-14, e agora tem menos engarrafamentos!

Totalmente paradoxo de Jevons, porque ao haver engarrafamentos constantes o pessoal procura alternativas (circulares, TPs), enquanto se houver uma estrada "directa" com várias faixas, vai-se por essa. Por isso também quando se aumenta o número de faixas o número de carros aumenta e consequentemente é soma nula, porque os engarrafamentos mantém-se, mas com mais poluiçäo!
A soluçäo para Lisboa? No máximo 3 faixas para cada sentido nas artérias ditas principais (Liberdade, República), e só 2 se houver comboio ou eléctrico (24 de Julho).

A ver se o pessoal näo se muda para os TPs!

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