Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

A importância do acesso automóvel para o comércio local explicado às crianças e ao Carlos Barbosa

Repare-se na foto acima, com a Rua Morais Soares em Lisboa e uma das suas paralelas. A primeira tem comércio porta sim, porta sim. A segunda muito longe disso. E isto acontece para qualquer rua ou avenida central das nossas cidades, em comparação com as vias secundárias. Mas...

Para quem se desloca de carro, a facilidade de acesso a uma e outra é exatamente igual.

Para quem se desloca de carro, estacionar perto de uma ou da outra é exatamente o mesmo. A rua secundária até tem ocasionalmente a vantagem de se poder estacionar à porta das lojas.

As rendas na rua principal são bem mais altas do que na rua secundária.

 

Como se explica então esta enorme diferença na quantidade de comércio e de consumidores entre uma e outra?

O fundamental para o sucesso do comércio tradicional não é ter carros a passar ou a estacionar à porta, mas ter pessoas a passarem a pé e a pararem ocasionalmente, a verem as montras, a (re)conhecerem uma loja para uma compra no futuro. E os peões estão nas ruas principais porque é mais fácil de caminhar por elas, porque mais facilmente se chega a algum lado através delas, porque há paragens de autocarro, etc. O fundamental para o comércio local não é atrair carros, mas atrair peões.

 

 Exemplos sobre isto não faltam, esta posta antiga tem vários exemplos inclusivé dados que mostram como os próprios comerciantes estão enganados na importância do acesso automóvel.

 

P.S. Um leitor resume bem a questão nos comentários: é melhor abrir uma loja na Rua Augusta ou na Rua do Ouro? Em versão nortenha, Rua de Sta Catarina ou Rua da Alegria?

 

...........................................................................................

 

Esta notícia já é antiga, mas não chegou a aparecer no blogue. O novo método de contagem da sinistralidade, onde as mortes são contadas até 30 dias depois do acidente e não apenas 24h, teve o resultado esperado no que toca aos dados dos peões devido ao tipo de acidente: Nova contagem de mortos na estrada mostra aumento de 91% entre os peões.

publicado por MC às 15:06
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14 comentários:
De CM a 7 de Janeiro de 2011 às 18:08
Há, em PT, pelo menos, outro factor que diferencia estas duas zonas, que é o extracto social. Não se podem comparar duas zonas cujo o valor imobiliário é totalmente diferente.

Infelizmente, o português que não anda de carro é porque não pode, e por isso anda a pé e de Transportes Públicos...

Quando ao comércio local, sem dúvida que precisam é de peões e não de carros.
De Miguel a 7 de Janeiro de 2011 às 19:14
"o português que não anda de carro é porque não pode, e por isso anda a pé e de Transportes Públicos..."

Não inventes. Nas linhas suburbanas da CP de Lisboa mais de 2/3 dos utilizadores entre os 18 e os 65 anos têm veículo próprio. Ainda em Lisboa mais de metade das viagens são feitas em TP, e muito mais de metade da população tem acesso a carro.
Os TP do Porto na última década aumentaram em muito a sua utilização e não consta que o número de veículos automóveis tenha dimínuido.
De CM a 10 de Janeiro de 2011 às 15:02
Ok... muito têm carro em casa (mais do que um até), pois parte das suas deslocações são feitas nele, como levar os filhos à escola, etc.

Recentemente num trabalho feito junto de uma escola sobre mobilidade, 90% dos pais moravam a menos de 1000mts e grande parte levam os filhos de carro!

Não adianta ficar contente por aqueles (poucos) que andam de TP o fazerem pelo menos em algumas viagens.
Adianta perceber por que entram 440.000 (?) por dia em Lisboa.

É mais fácil a opção ser tomada quando o TP nos leva de porta a porta, mesmo tendo o carro (opção mais cara!), mas e quando não é bem assim, quando implica "um esforço" extra como ir a pé mais de 1000mts e ter que esperar pelo autocarro ou mudar de TP algures, etc.

É claro que aumentando a oferta aumenta a utilização. Mal seria. Agora, é preciso ver que o carro é Rei e senhor, não tenhamos dúvidas.
De MC a 7 de Janeiro de 2011 às 20:01
Oh CM,
"extracto social", "diferencia as zonas"?!
Eu escrevi claramente no texto que se trata de uma rua e da sua rua paralela! As fotos distam 50m uma da outra! Isso dá direito a extractos sociais diferentes? ;)
Abraço
De CM a 10 de Janeiro de 2011 às 14:48
Não sei porquê "vi" na 2ª foto o bairro Campo de Ourique.... :p e fiz o comentário a pensar nele.
Peço desculpa pela confusão.

Quanto à minha afirmação, infelizmente acho que é muito assim. Já me deparei com várias pessoas que moram junto a estações de comboio e que nem sequer sabem lá ir, muito menos se aquela opção lhes serve, etc.

Perguntem a quem anda de carro (em LX, por exemplo) se sabe qual o nº do autocarro que lhes passa à porta, seja de casa, seja do emprego.

O carro é a 1ª, 2ª e 3ª opção e a nossa sociedade está "formatada" dessa maneira, ao apostar num cavalo único, o automóvel individual.
De Miguel a 8 de Janeiro de 2011 às 03:24
Eu costumo fazer a seguinte pergunta: onde preferiam ter uma loja, na Rua Augusta ou na Rua do Ouro?
De MC a 8 de Janeiro de 2011 às 15:20
pois!
De Iletrado a 9 de Janeiro de 2011 às 00:39
Caro MC
Li a notícia que indicas sobre o número de mortes de pessoas que andam a pé. O que mais me chocou foram os comentários. Praticamente todos a culparem quem vai a pé! Inacreditável! Mas esta gente terá nascido com quatro rodas? Não foram crianças, não andaram na escola? Não consigo perceber esta espécie de amnésia que ataca o ser humano a partir do momento que tem uma arma, perdão, um volante na mão.
Boas pedaladas.
De Simply Commuting a 9 de Janeiro de 2011 às 21:31
Este comentário vem na sequência dum outro que deixei e motivou respostas no FB deste blog. Porque prefiro manter-me fiel ao formato blog, vou para aqui trazer a discussão.
Misturar tema é uma boa maneira de fazer a razão dos nossos pontos de vista ficar mais bem demonstrada, embora no caso, e para lá da "boa razão" que assiste aos pontos de vista do M1C, não acho que se possa assim, desta forma, associar atropelamentos com zonas pedonais com comércio de bairro.
Os acidentes de viação com peões ocorrem maioritariamente porque os carros circulavam em velocidade excessiva e não tiveram tempo de evitar o embate no peão.
O comércio de bairro definha porque o poder político privilegiou, privilegia e privilegiará -até ser substituído- as grandes superfícies numa sociedade onde os consumidores optam em função do preço.
Daqui podemos dizer que limitar a velocidade a que circulam o carros e fazer os consumidores pagarem os parques dos CC ao preço do parque no bairro podem ser duas medidas que ajudem a travar as mortes de peões e a devolver alguns consumidores aos bairros.
De MC a 9 de Janeiro de 2011 às 21:39
Os temas não estão associados, peço desculpa se pareceu que era essa ideia.
Há mais de um ano que deixo sugestões de leitura no fim dos posts, muitas vezes sem qualquer relação. No blog aparece claramente uma linha que mostra que as duas partes não devem ser misturadas.
De Simply Commuting a 9 de Janeiro de 2011 às 21:51
Compreendo.
Mas bem valia a nota de rodapé um artigo à parte.
Bom trabalho, ou como diria um inglês: good job...
De Simply Commuting a 9 de Janeiro de 2011 às 21:49
Em relação à expressão "posta" o facto de não ter sido inventada neste blog não quer dizer que possa seja usada acriticamente. Além de ser uma palavra feia (subjectivo) não existe (concreto).

Se existem expressões -como "blog- que são únicas e novas, já a palavra inglesa "post " tem tradução literal com o mesmo significado (texto/artigo), ou não (poste/correio/transmissão/afixo/posto).

O nosso idioma é muito mais rico que o inglês e por isso têm os aglosaxonicos tão amiúde de "inventar" novas palavras. Mas nós não.

Posta faria sentido na medida em que os artigos publicados num blog fossem resultado da, como diz o povo, evacuação de postas de pescada. O que não é o caso deste espaço!
De CAV" a 9 de Janeiro de 2011 às 22:04
"Infelizmente, o português que não anda de carro é porque não pode, e por isso anda a pé e de Transportes Públicos..."

Homem, você vive em que século???
De CM a 10 de Janeiro de 2011 às 14:53
Eu perguntaria, será que Portugal já passou para o século XXI em termos de mobilidade?

Os nºs estão aí.... infelizmente. Mais carros, menos comboios, etc.
Venha a crise para tentar inverter isto! só se vai lá à força.

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