Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

Pequenas coisas da ditadura do automóvel IV

A Carris (autocarros de Lisboa) tem um serviço muito bom de informação sobre os horários de chegada dos autocarros*. Seja por paineis eletrónicos nas paragens, por SMS ou por e-mail, o passageiro pode ficar a saber a que horas é prevista a chegada dos diferentes autocarros. Tudo isto graças a um sistema que acompanha constantemente a localização de todos os autocarros.

Nada disto faria o mínimo sentido se os carros privados não empatassem a vida dos outros. Se houvesse menos trânsito, se não houvesse estacionamento ilegal, se houvesse mais faixas BUS, etc. a velocidade a que um autocarro circula seria muito mais previsível e menos errática (já para não dizer que  circulariam bem mais rápido). Poderíamos ter horários fixos para cada paragem, o autocarro 123 passaria à minha porta às 8h25 todas as manhãs, em vez de este sistema todo. Os utentes saberiam sempre quando haveria autocarro. Os autocarro chegariam à hora prevista.

Tudo isto é impossível devido às escolhas dos automobilistas. Logo andar ou não de automóvel não é uma escolha meramente individual como escolher entre chá ou café, mas é uma escolha que afeta os outros, tal como tocar ou não bateria às 4 da manhã, e deveria ser tratada como tal.

 

* Sim, eu sei , nem sempre está correto. Mas já vi falhas semelhantes ou piores no estrangeiro.

 


Uma petição a assinar para um meio de transporte que felizmente não é afetado pela escolha dos outros, o comboio. Os utentes do Grande Porto não têm a possibilidade de ir diretamente do Porto a Guimarães sem parar em todas as terrinhas: Petição Comboios Expresso para Guimarães

publicado por MC às 13:54
link do post | comentar | favorito
12 comentários:
De mlz a 6 de Janeiro de 2011 às 14:34
Excelente observação!
O sistema poderia ser muiiiitissimo mais simples, não fosse a imprevisibilidade do meio. O horário de um autocarro é algo determinístico.
Um dos motivos pelos quais não uso mais autocarro é exactamente por nunca saber bem quando passa e quanto tempo leva a chegar ao destino.
De mlz a 6 de Janeiro de 2011 às 14:41
Já agora aproveito para dar outra das razões para não andar mais de autocarro e mostrar o meu descontentamento.
Eu utilizo sobretudo bilhete, pela irregularidade da utilização que faço dos TP. Ao contrario de outras cidades, em Lx, cada percurso que se faz de autocarro implica "picar" o bilhete. Ora isto é estupido porque se temos de trocar de autocarro isto implica "picar" duas vezes. Noutras cidades europeias, a partir do momento em que se "pica" temos "direito" a uma hora de transporte. O que permite por norma chegar da origem ao destino com as trocas que forem necessárias.
De R.A.P. a 6 de Janeiro de 2011 às 16:57
Este comentário d@ mlz, lembrou-me de outro pormenor da ditadura do automóvel: a desinformação típica que acompanha os obsecados pelo automóvel fazendo propaganda negativa contra os TP.

Muitas das "criticas" que os não-utilizadores fazem à Carris (que é o assunto do post) são mitos (para não chamar de totais mentiras) que são espalhadas como desculpas para não andar de transportes públicos. Frequentemente quando falo do assunto com amigos que só andam de automóvel, dizem autênticas barbaridades sobre a Carris (e não só) para justificar a sua opção de ir de carro para todo o lado.

Isso leva-me a constantemente ter de repôr a verdade.

No caso d@ mlz, a desinformação claramente chegou-lhe aos ouvidos. O seu último comentário é um dos mitos comuns e é completamente falso.

OS BILHETES TÊM VALIDADE DE 1HORA ENTRE A PRIMEIRA E ÚLTIMA VALIDAÇÃO. NO CASO DAS VIAGENS QUE ATRAVESSEM 2 ZONAS, O BILHETE É VÁLIDO POR 2 HORAS.

Isto já é assim há muito tempo. Tanto tempo que eu pura e simplesmente já nem me lembro quando não era assim. Logo essa desculpa para não andar na Carris não é válida.
De António C. a 6 de Janeiro de 2011 às 18:34
Exacto!

O bilhete se for picado duas vezes na mesma hora só conta uma viagem. Ou seja, são permitidos transbordos.

Isto só é válido para bilhetes pré-comprados tipo zapping ou outro...

Muita desinformação....
De mlz a 7 de Janeiro de 2011 às 10:30
Antes de mais queria fazer a minha defesa. Eu ando de transportes públicos! Uso é sobretudo o metro. A minha critica não visava o desencorajamento ao uso dos TP mas antes manifestar o sentimento de que por vezes estas empresas parecem mais preocupadas com o seu umbigo do que com o serviço ao cliente.

Relativamente ao facto dos bilhetes. Reconheço que me devia ter informado. Com efeito evito usar o autocarro e quando o faço evito fazer transbordos exactamente porque estava convencido que teria de pagar mais. De qualquer forma se há tantos mitos creio que estas empresas podiam contribuir para os eliminar. Com tanta campanha que fazem podiam usar algumas para desfazer estas ideias erradas.

Ja agora, este tempo de uma hora permite transbordos modais (metro/carris por exemplo)?
De flip a 7 de Janeiro de 2011 às 13:19
O ponto de vista deste texto até parece bastante lógico. O meu problema é que a minha experiência com autocarros não bate certo com estas ideias.

Na minha zona de residência, os autocarros não têm problemas de transito, semáforos, estacionamento ilegal e abusivo e mesmo assim não cumprem os horários, nem de perto nem de longe. E os horários são estabelecidos ao minuto para cada paragem.

Noutro tópico, que tal um post com todos os mitos sobre a Carris, para rápida referência e passar a outra pessoas?
De MC a 7 de Janeiro de 2011 às 13:41
flip,
mas os autocarros não circulam só na tua zona. As carreiras que apanhas vêm doutros locais da cidade.

Não percebi a sugestão para o post...
De flip a 7 de Janeiro de 2011 às 14:03
Cidade? é exactamente um dos erros que predomina neste blog.

Eu não moro numa cidade. Moro na área metropolitana de Lisboa, mas para efeitos práticos é como se morasse no Alentejo ou Trás-os-Montes, dado a distância entre aldeias, o elevado relevo da zona, e claro baixa qualidade dos transportes públicos.
E antes que digam que é preconceito, os transportes são de tão baixa qualidade técnica que chegou ao ponto de eu e todos os outros utentes ter de sair do autocarro para que ele conseguisse subir uma estrada com um pequeno declive.

O outro tópico era sobre o comentário do R.A.P. que afirma estar constantemente a desmistificar mitos dos transportes públicos. Eu apenas digo para os compilarem num único post.
De MC a 7 de Janeiro de 2011 às 15:06
A confusão é simples.
O post era sobre a Carris e esta ligação entre autocarros e carros.
Eu assumi que o teu comentário era sobre o post, e não sobre um assunto lateral.
Ou seja, o que tu dizes em nada contraria o post (embora pareça que é essa a tua ideia). claro que há 1001 problemas com transportes públicos em todo o mundo, mas o post não era sobre isso
De flip a 7 de Janeiro de 2011 às 15:31
o meu comentário é sobre o post. nomeadamente esta parte:

"Se houvesse menos trânsito, se não houvesse estacionamento ilegal, se houvesse mais faixas BUS, etc. a velocidade a que um autocarro circula seria muito mais previsível e menos errática (...). Poderíamos ter horários fixos para cada paragem, (...). Os utentes saberiam sempre quando haveria autocarro. Os autocarro chegariam à hora prevista."

Eu apenas dei um exemplo de que quando estas condições existem os autocarros ainda assim não cumprem horários.
De MC a 7 de Janeiro de 2011 às 15:52
Eu estou a falar de Lisboa nessa frase!

Claro que se não houverem autocarros, ou se houver uma inundação, ou se o país estiver em guerra, etc. o serviço de autocarros seria terrível. Foi o que disse, há 1000 explicações para que o serviço seja mau. No caso de Lisboa é claro qual é o principal.
De sushi lover a 9 de Janeiro de 2011 às 13:30
eu usos regularmente o SMS da carris e acho que funciona muito bem!

uma das minhas maiores irritações em lisboa é o estacionamento em segunda fila! o autocarro sempre aos SSS e claro, tempo de viagem duplicado!

Comentar post

subscrever feeds

Google (lousy) Translation

autores

pesquisar

posts recentes

Nova rede ciclável de Lis...

Caça à multa ou ao dispar...

O estacionamento como fun...

Tuk-tuks e as bicicletas,...

Os peões e as bicicletas ...

O excesso de velocidade d...

A mobilidade sustentável ...

O lado "verde" do apoio a...

10 Dicas para a bicicleta...

A EMEL vai investir 40 mi...

tags

lisboa(222)

ditadura do automóvel(211)

ambiente(204)

bicicleta(157)

cidades(113)

portugal(112)

peões(102)

sinistralidade(74)

carro-dependência(67)

estacionamento(67)

transportes públicos(66)

bicicultura(62)

economia(57)

espaço público(57)

comboio(48)

auto-estradas(42)

automóvel(38)

trânsito(31)

energia(30)

portagens(27)

todas as tags

links

arquivos

Setembro 2016

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Julho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006