Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

Por que nem sempre respeito as leis de bicicleta

Por vezes não se pode virar à esquerda, e eu paro depois do cruzamento e viro agindo como um peão. Ou então viro no sentido proibido à direita, para esperar no semáforo dos veículos que vai da direita para a esquerda. Noutras ocasiões é um longo vermelho num cruzamento vazio que acabo por passar. Não tenho por hábito defender o desrespeito de regras mas o caso das bicicletas é muito diferente principalmente por duas razões, uma de trânsito e outra legal:

1. Este tipo de regulação do trânsito existe pura e simplesmente por culpa do automóvel. Tal como numa zona pedonal não há qualquer código do passeio - os peões caminham por onde quiserem - a bicicleta e os transportes públicos também não necessitam de muita regulação para fluírem bem e em segurança. Isto acontece porque uma pessoa de carro ocupa muito mais espaço a circular do que as restantes.

Como ciclista, já acarreto imensas consequências negativas da escolha automobilizada dos outros. Quantas mais poder evitar, melhor.

2. Do ponto de vista legal, as leis que condicionam o automóvel têm um objetivo muito diferente daquelas do peão e da bicicleta. Um peão ou um ciclista não devem atravessar um vermelho porque isso os coloca em risco. Um automobilista quando o faz além de se colocar em risco, coloca os outros em risco.  As consequências de uma má decisão da minha parte, apenas me afeta a mim - para um automobilista não é assim. Ele tem assim que ser mais controlado do que eu.

 

Em Amesterdão há uma enorme tolerância para com as bicicletas, que circulam sem luz, do lado esquerdo da rua, a maioria não pára nos semáforos, etc. sem qualquer consequência. E não é por a polícia holandesa ser tolerante, mas por se perceber que as consequência do erro do ciclista são acarretadas por ele. O automobilista, por outro lado, é tratado com menos condescendência - em teoria e na prática - do que por cá.

 

Há apenas uma razão que me faz pensar duas vezes... o respeito dos automobilistas para com os ciclistas. Contudo, com o aumento do número de bicicletas nas cidades, julgo que aqueles dois pontos vão entrar no inconsciente de todos.

 

..........................................................

Este aumento de bicicletas em Lisboa não passou despercebido à TVI.

 

publicado por MC às 12:21
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13 comentários:
De Pedro M. a 6 de Dezembro de 2010 às 16:35
Caros co-utilizadores de bicicleta,

Já devem conhecer mas aqui fica mais um estudo conduzido cientificamente que reforça a competitividade da bicicleta face ao carro em termos de rapidez no espaço urbano:

http://www.infrastructurist.com/2010/12/06/results-from-the-first-urban-bicycling-study-rush-hour-bike-speeds-compare-favorably-to-cars/
De MC a 6 de Dezembro de 2010 às 17:06
Muito obrigado Pedro!
Não sabia do estudo, vou imprimir e falar dele.
Eu próprio estou a fazer o meu mini-estudo :) mas de porta-a-porta em Lisboa, e hei de falar nele. na altura junto as duas coiass.
De M. a 6 de Dezembro de 2010 às 21:12
E essencialmente nas mudanças de direcção à direita nos cruzamentos, onde a bicla não chateia ninguém
De G a 6 de Dezembro de 2010 às 23:58
Por vezes a vossa retórica de utilizar exemplos estrangeiros para tornar o exemplo português ainda mais ridículo chateia - isto porque a usam em todos os textos.

Em Weimar, na Alemanha, vi um gajo a ser multado por um polícia por não ter as luzes a funcionar na bicicleta. E isto a meio do dia.

Saúdinha à família
De MC a 7 de Dezembro de 2010 às 11:38
A ideia não era tornar o exemplo português ridículo, já que não critiquei nada do que se passa em Portugal.
Aliás, o exemplo serve para mostrar o que se passa em locais onde há experiência de bicicleta na cidade. Nem faria sentido comparar com Portugal..

Referi explicitamente a Holanda, mas poderia referir a Itália do Norte.
A Alemanha é uma excepção, porque apesar de muitas bicicletas continua a ter as cidades mais orientadas para o automóvel. Não é que não haja uma atitude pró-bicicleta, mas não há a atitude anti-carro como na Holanda (a Dinamarca é um caso intermédio). E a multa que assististe é uma questão muito cultural, específica da Alemanha.

De mlz a 7 de Dezembro de 2010 às 17:18
Eu sou 100% Pró bicicleta mas custa-me ver defender certas posições, especialmente porque podem induzir maus hábitos. Como povo, por natureza, não somos exactamente os mais cívicos. Parece-me que qualquer incentivos a esta "pre-disposição natural" é contraproducente mesmo que seja para uma boa causa.
Passando aos argumentos:
1. A policia não é assim tão tolerante em Amsterdão com as bicicletas. Especialmente na zona da central station onde há muitos peões e bicicletas a circular.
2. Na Holanda e Bélgica é obrigatória, e bem, a utilização de iluminação à noite. É-se multado pela não utilização! A bicicleta é silenciosa e é fácil ser invisível à noite.
Concluindo: A bicicleta pode ser perigosa para os peões e para outros ciclistas. Não é nada simpático levar com uma bicicleta em cima. Isto leva-me a re-afirmar a importância da iluminação.
De T a 7 de Dezembro de 2010 às 22:22
"2. Na Holanda e Bélgica é obrigatória, e bem, a utilização de iluminação à noite. É-se multado pela não utilização!"

Leia o código da estrada português e vai descobrir que em Portugal também.
De Miguel a 8 de Dezembro de 2010 às 19:12
Qual é o artigo que diz isso? (e já agora uma transcrição para os mais preguiçosos)
De T a 9 de Dezembro de 2010 às 11:05
http://www.cenasapedal.com/blog/o-ce-e-os-velocipedes/#A-8
De MC a 7 de Dezembro de 2010 às 23:32
mlz,
eu vivi 5 anos na Holanda, sei bem do que falo. Andei 4 anos sem luz alguma sem uma única multa, vi velhotas a andar na ciclovia em contramão, vi um vermelho sem ninguém a parar.

Quanto ao respeito dos peões, concordamos a 100%. Um dos posts mais polémicos do blog, foi um post onde eu critiquei os ciclistas que em Portugal andam no passeio sem respeitar os peões. Para mim isso é o mesmo que os carros fazem.

Tal como ninguém espera nos nossos ridículos semáforos para peões (ridículos porque estão vermelhos 90% do tempo, ridículo porque subalternizam o peão ao carro, etc.), o post apela a que haja a mesma atitude de desconfiança perante as leis pensadas para os automóveis, quando aplicadas à bicicleta.

Um exemplo mais concreto: Em muitos países do Norte da Europa, as bicicletas podem circular em ambos os sentidos, na grande maioria das ruas de sentido único.
De G a 9 de Dezembro de 2010 às 00:45
Ai Jesus. Em menos de uma semana a conduzir uma bicicleta na Holanda fui mandado parar pela polícia em duas situações por estar a usar em bicicleta em sítios onde não devia. Uma no passeio, outra numa praça. E disseram-me claramente, só não levas uma multa porque és estrangeiro.

Obviamente o MC viveu noutra Holanda.

Abraço
De G a 7 de Dezembro de 2010 às 00:01
E o título, lamento informar, está mal escrito. O que lá está não tem sentido nenhum. Não gostasse eu de vocês e era já Titulo do Ano.

Abraço
De MC a 7 de Dezembro de 2010 às 11:38
Obrigado, falta uma palavrinha...

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