Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

A miséria, a fome, a tragédia e o sofrimento humano

No Público há um artigo sobre pobreza que começa com este parágrafo:

 

Ficaram sem ter como pôr comida na mesa e começam agora a engrossar as filas nas instituições que prestam ajuda assistencial. Muitos dos 280 mil portugueses que dependem dos cabazes do Banco Alimentar contra a Fome são da classe média. (...) Ficaram com uma casa para pagar ao banco, um subsídio de desemprego que tarda a chegar - quando chega - ou que já acabou. Um carro que já não sai da garagem.

Sempre que leio esta palavras, não consigo evitar uma lágrima no canto do olho. Eu sabia que estávamos mal, mas nunca imaginei que havia gente que deixava o carro na garagem. Se eu não fosse também um pobre miserável (nem carro nem garagem), até leiloaria a minha pasteleira velha para ajudar esta gente. Pensando bem, se deixar um carro na garagem é sinal de pobreza, Portugal não poderá estar assim tão mal economicamente.

Esta obsessão nacional com o direito ao popó deixa-me boquiaberto. Estando nós num período de revisão constitucional, que se emende o texto, e ao lado da Educação, Habitação e Saúde acrescente-se o automóvel. Com uma garagem, claro.

 

.........................................................

A minha sugestão de hoje, é este texto do 1 Pé no Porto e outro no Pedal que mostra como facilmente se pode levar crianças à escola de bicicleta e deixando o carro na garagem, mesmo nas nossas cidades.

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publicado por MC às 11:20
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7 comentários:
De Pedro M. a 18 de Novembro de 2010 às 12:43
É tragicómico! Mas outra mega carro-cultura, os EUA, enfrenta um choque cultural em relação a isto:

"People in their teens and twenties are more interested in gadgets than cars "
http://www.msnbc.msn.com/id/39970363/ns/business-autos

Caíram dramaticamente os novos pedidos de cartas de condução e existe um tímido mas constante regresso às cidades. Não vejo motivos para que não sigamos esta tendência, seja por gosto ou por "miséria".
De anarquista duval a 18 de Novembro de 2010 às 19:58
Poder ter um carro que não sai da garagem é uma sorte e um luxo.
De Bessa a 19 de Novembro de 2010 às 00:40
Tive a mesma reacção perante este artigo. Quem tem mesmo fome vende o carro e alimenta-se durante meses. E alugar a garagem ou trocar de casa para uma sem garagem, dá mais dinheiro para comer.

Enfim, prioridades...
De CM a 19 de Novembro de 2010 às 00:42
Nem carro nem garagem....xiii... desgraçado! :)

Muito bom post. Ainda hoje falava nisto, há pouco. A pobreza a que assistimos hoje, é sobretudo de espírito e os cortes ainda estão a ser feitos nos bens não essenciais :D
Em PT, os bens essenciais são: Carro, Casa (própria), Plasma/LCD, Telemóvel de última geração, TV por cabo, NET com muitos megas para sacar filmes para ver nos Plasmas, roupa e calçado em quantidades..... ah, e comida!
De Pedro M. a 19 de Novembro de 2010 às 15:16
É verdade que é a ter essas coisas que a nossa sociedade aspira, mas com um ordenado médio de 770€, com 40% a menos de 600€, e com uns 11.5% de desemprego no próximo ano não sei traduzem bem a realidade predominante.

Se calhar éramos mais felizes (e até mais ricos) se soubéssemos concentrar as nossas aspirações na qualidade de vida em vez de nas posses que não podemos obter e parte disso é acabar com o preconceito cultural em relação a viver num pequeno apartamento ou a usar transportes públicos.

Pela reportagem, o derradeiro símbolo da nossa prosperidade artificial dos anos 80-90, o carro, ainda continua incrustado no pódio do status quo mesmo que seja um enorme fardo na economia doméstica.
De Joana a 20 de Novembro de 2010 às 19:13
Excelente artigo. Ontem estive num bairro de habitação social, bem servido de transportes públicos, e fiquei impressionada com a quantidade de automóveis (e os passeios repletos de carros, claro) e a qualidade geral do parque automóvel.
De CAV a 21 de Novembro de 2010 às 16:33
Somos um país de aparências. Comemos produtos brancos, os filhos vão para escolas de segunda, poupa-se nos medicamentos, mas carro, telemóvel e roupa de marca não se abdica, nem que para isso se passe fome.
O que se vê mais em instituições como estas são famílias que pedem apoio, mas que se recusam a abdicar do carro. Eu não ajudaria elas nunca!

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