Sábado, 13 de Novembro de 2010

O carro é anti-social I

O carro é um objecto altamente anti-social, por ser a principal causa de morte entre jovens, por transformar cidades em redes de auto-estradas sem vida, e por muito mais.

Para começar esta série de postas, nada melhor que o Donald Appleyard e o livro que publicou em 1981, o Livable Streets, um ano antes de ser assassinado por um carro. Este urbanista estudou várias ruas de São Fransico que se assemelhavam o mais possível, com uma excepção: a intensidade do trânsito. Os principais resultados resumem-se nestas duas figuras (clicar para ver em grande).

 

A figura de cima é uma rua com pouco trânsito, a de baixo com muito. Os pontos representam locais onde ele viu pessoas a falarem e as linhas representam conhecimentos na rua. Em cima as pessoas têm 3 amigos na rua e 6,3 conhecidos. Em baixo apenas 0,9 e 3,1.

Foi ainda perguntado aos habitantes qual era a sua zona de conforto, onde é que se sentiam em casa. Com pouco trânsito houve quem chegasse a responder a rua toda, com trânsito intenso alguns ficaram-se pela própria casa.

É claro que no segundo caso haverá mais casos de solidão, mais sentimento de insegurança tanto na rua como em casa, menos compreensão para com os vizinhos, mais crianças fechadas em casa, etc.

 

 

O StreetFilms tem como sempre um excelente vídeo sobre o trabalho de Donald Appleyard

 

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O blog CidadaniaLx fala-nos do "Largo do Carro Santo" na Baixa Pombalina.

publicado por MC às 22:13
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1 comentário:
De Iletrado a 15 de Novembro de 2010 às 10:18
Caro MC
Não é só neste sentido. O carro retira todas as nossas características pessoais. Deixamos de ser uma pessoa para passarmos a ser uma coisa. Tinha uma vaga ideia disso, mas só me apercebi verdadeiramente quando tive de pegar no carro, ao fim de quase 13 meses sem conduzir o chaço. As pessoas que conheço e que me cumprimentam de manhã, quando vou para o trabalho, de repente deixaram de me conhecer. Ninguém correspondia à minha saudação, a não ser quando colocava a mão de fora, pela janela, e dava um berro para o vizinho com quem me cruzava. Os passantes que não alteravam o seu passo quando me viam aproximar de bicicleta, passaram a correr ao ver-me aproximar de carro. Quando parava para dar passagem, num gesto de cortesia para com quem ía a pé, obtinha duas reacções: primeiro de desconfiança, como se o carro fosse um bicho de reacções imprevisíveis (e, num certo sentido, até deve ser); depois um agradecimento apressado. Alguns, depois de olharem com um pouco mais de atenção para a barriga do animal, demonstravam a sua surpresa por me verem no interior do dito cujo. "Eh pá, não te reconheci!" foi a réplica mais ouvida. É difícil interpretar isto.
Por outro lado, temos os nossos vizinhos que todos os dias vão de carro. Se já andam ansiosos e nervosos por causa do carro, alguns ficaram positivamente de rastos com mais um carro na estrada. E logo um que parava amiúde para deixar passar as pessoas que seguiam a pé. Encadeamentos furiosos de buzina e grande barulho de luzes, foi logo o que ganhei dos meus vizinhos pela manhã. Curiosamente, ao fim do dia, alguns, quando ficaram sabendo quem era o estorvo na estrada, lá se desculparam, com frases do género "não sabia que eras tu, mas de facto podias ir um pouco mais depressa". Ouvi duas pérolas fantásticas: "quem vai a pé não tem pressa". Confesso que ainda não tinha ouvido esta. A outra foi melhor: "estorvas menos quando vais de bicicleta." Isto sim, é um elogio! Não a consegui convencer que, se fossemos todos de bicicleta, havia ainda menos estorvos na estrada.
Boas pedaladas.

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