Sábado, 3 de Julho de 2010

Chips nas matrículas II

Como escrevi há três anos aqui, a introdução de chips nas matrículas dos automóveis permitiria resolver imensos problemas de controlo do tráfego. Além das portagens nas auto-estradas, seria mais fácil introduzir portagens urbanas, controlar o pagamento de parquímetros (e acabar com o maior desperdício de dinheiro que deve haver no país: ter pessoas a verificar se o carro tem a senha), combater excessos de velocidade, semáforos inteligentes (por detetarem quantos veículos há de cada lado), etc.

Apesar de a CNPD ter bastante poder no controlo do abuso de dados pessoais, há obviamente a a preocupação da violação da privacidade. O que dizer se um dia o chip poder ser localizado em qualquer local, e não apenas na portagem? O que dizer se o chip reconhecer a pessoa em concreto, e não apenas o carro? O que dizer se o chip acompanhar a pessoa e não o carro, sendo assim possível localizá-la quando está na praia ou em casa? O que dizer se um dia estes dados estiverem disponíveis não só para o Estado mas para grandes empresas privadas?

Mas isso existe. Chama-se telemóvel.

Claro que o seu uso não é obrigatório (embora eu já não conheça ninguém que tenha exercido o seu direito de não o ter), e ele pode ser desligado. Mas comparando um sistema com o outro, eu não tenho dúvidas sobre qual deles me faz mais confusão. E não são os chips.

 


A ler no Passeio Livre, uma apologia ao jaywalking (atravessar a rua fora dos sinais e passadeiras)

publicado por MC às 10:29
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9 comentários:
De Miguel a 5 de Julho de 2010 às 10:46
"Claro que o seu uso não é obrigatório "

O uso do carro também não é... (embora muitos parece que acham que devia ser uma obrigação constitucional o Estado fornecer um carro a cada português)
Quem estiver assim tão preocupado que ande a pé (mas sempre mascarado não se dê o caso de ser filmado por uma câmara).

Gostei deste post no Jugular sobre o tema: http://jugular.blogs.sapo.pt/2020857.html
De Nuno Milheiro a 5 de Julho de 2010 às 13:16
Levante a mão quem acha que seria um atentado aos direitos humanos haver um chip em cada arma de fogo! Pois é, ninguém, no entanto estou convencido que são cometidos 30 vezes mais crimes em Portugal com automóveis do que com armas de fogo
De mlz a 5 de Julho de 2010 às 13:55
Viva MC,

Apreciei bastante a comparação que fizeste com o telemóvel É curioso como ninguém pensa nisso. Outro caso paradigmático são os passes dos transportes públicos e os seus chips.

Apesar de ter gostado do paralelismo há no entanto uma diferença fundamental - o facto de ser opcional. Toda a gente tem um telemóvel mas ninguém é obrigado a ter um. Toda a gente tem passe (ses usar TP regularmente), mas pode circular de forma anónima nos, se assim, apetecer comprando um bilhete . Nunca ninguém vai ser questionado, multado ou identificado por um agente da autoridade se não circular na rua com telemóvel (espero eu).

A questão da privacidade não é mais relevante nos carros do que em qualquer outra forma de transporte. Nem vale a pena entrarmos em conjecturas de automóveis vs. outros objectos. São discussões expurias onde se pode debater ao infinito. Em ultima instância ganhará a pessoa com maior poder argumentativo e não a verdade.

As questões da privacidade são extremamente relevantes. Imaginem um regime menos escrupuloso com tendências totalitárias e com este tipo de poder...

Alguém levantou a questão das câmaras de vigilância. A diferença fundamental é que ainda é necessário um esforço computacional ou humano muito elevado para reconhecer alguém através de uma imagem gravada. Assim que este esforço se torne "barato" em termos computacionais teremos um problema muito semelhante ao dos chips em mãos. Uma boa pergunta é: será que não estamos simplesmente a adiar algo que será inevitável?
De TMC a 5 de Julho de 2010 às 15:59
A pergunta anterior só faz sentido pressupondo que ter um carro também será inevitável. Não é. E se for não viverei onde o for.
De a_vieira a 6 de Julho de 2010 às 16:09
Sempre fui contra a obrigatoriedade dos chips nas matrículas, não por uma questão de privacidade, mas sim pela questão da obrigatoriedade de uma coisa que não me tem utilidade absolutamente nenhuma e não me trás nenhum benifício. Eu raramente ando em estradas portajadas e quando o faço quero ter a possibilidade de pagar o que tenho a pagar ali, no momento, sem ter a matrícula associada a uma conta bancária. Se, eventualmente, isso me servisse para, por ex., fazer variar o imposto de circulação e seguro consoante o nº de quilómetros feitos, tudo bem. Do modo como seria implementado, já não. Além do mais, as matrículas já são em si um modo de identificação e lê-las através de uma câmara de vídeo é uma coisa banalíssima.
De Miguel a 6 de Julho de 2010 às 16:36
"sem ter a matrícula associada a uma conta bancária"

NUNCA, mas mesmo NUNCA, desde que se começou a falar do chip de matrícula (em 2004 no tempo do António Mexia nas obras públicas) se falou em ser obrigatório ter uma conta bancária associada ao chip.
De a_vieira a 6 de Julho de 2010 às 18:53
Sim, explicitamente parece-me que tal nunca foi dito, mas também os pormenores de funcionamento do chip nunca foram explicados convenientemente, foi sempre tudo muito turvo, segundo o que tenho lido. No entanto, e por analogia com a Via Verde, deveria haver alguma forma de pagamento, e essa decerto deveria ser possível. Se a única ou não, não sei.
De playmusica a 8 de Agosto de 2010 às 02:45
bem o socrates disse na campanha que ia dar mais de 5000 postos de trabalho, que ia baixar o desemprego. esta porcaria das portagem electronicas so veio tirar emprego a gente.
pensando um pouco vai um exemplo: se em cada 10 km havia uma portagem com portageiro minimo 6 empregados quandas pessoas saiam do desemprego ?? ai baixava o numero de desemprego. isso sim o socrates era inteligente ele nao pensou nesta parte
De Francisco a 2 de Setembro de 2010 às 21:55
Sempre fui da opinião que até os identificadores de Via Verde deviam ser gratuitos, uma vez que são parte do sistema de um cobrança automática que reduz mão de obra e custos administrativos, e que só existem por incapacidade do sistema identificar os veiculos sem esse meio.
Lembro que actualmente a tecnologia já permite a leitura de matriculas por video, estando até já em uso no nosso país em câmaras das policias, nos radares fixos e nalgumas estações de serviço para prevenir abastecimentos com fuga.

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