Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Não há portagens grátis

Com alguns avanços e recuos, começa finalmente a instalar-se a ideia de que as SCUTs devem acabar. Cobrar portagens ou aumentar impostos sobre os combustíveis é me mais ou menos indiferente, o que é importante é que este custo enorme (mais de 600 milhões por ano) para o Estado seja cobrado a quem o usa.

E é aqui que oiço as coisas mais disparatadas por aí. Parece que a opção é entre ter portagens ou ser gratuito, como se alguma alma caridosa pagasse os 600 milhões. A verdadeira opção é ser pago por quem tem carro e usa auto-estrada, ou por todos nós. Colocando as coisas nos verdadeiros termos, a resposta parece-me óbvia.

 


A ler na BBC: a Nokia lançou um kit para recarregar o telemóvel com o dínamo da bicicleta!

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publicado por MC às 11:09
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16 comentários:
De NC a 25 de Junho de 2010 às 20:19
É um assunto complicado, porque colocando as coisas nos "verdadeiros" termos, só quem tem filhos é que deve pagar as escolas e só quem está doente é que deve pagar os hospitais, etc ...

É certo que o assunto é sobre um bem que não é de 1ª necessidade, mas não sei se se pode pôr a questão dessa forma.

Cumprimentos.
De MC a 26 de Junho de 2010 às 13:31
E porque não falar da fruta, da roupa, dos livros, das férias no Algarve? Também não paga quem os usa?

Há dois extremos, um onde tudo é pago e outro onde tudo é grátis. O primeiro é possível (mas injusto para muitos), o segundo não tem o mínimo de sentido, nenhuma sociedade funcionaria assim. Por isso partamos do extremo mais razoável, e decidamos o que pode ser exceção à regra.

Saúde (por haver um risco de ser caríssima, o risco deve ser partilhado por todos), educação (porque é benéfico para todos), segurança, etc.
Saltar daqui para portagens em auto-estradas para quem anda de carro, esquecendo-se de tantas coisas que -a meu ver- vêm antes, não faz sentido.
De Alex a 27 de Junho de 2010 às 09:20
Caro MC, como já deve ter reparado, todos somos afectados pelos uso intensivo dos automóveis! TODOS... Acha que a fruta que compra no mini-mercado perto de sua casa, onde talvez se possa deslocar de bicicleta, chegou lá ... de bicicleta? E acha que se o camião que a traz começar a pagar portagem, eles não vão aumentar o preço final? E a sua empregada de limpeza que vem de boleia com uma amiga, por uma SCUT... acha que ela não lhe vai pedir uma ajudinha no final do mês para pagar as portagens?


O meu ponto é que para si é quase indiferente sermos todos (o Estado) a pagar ou sermos todos (os utilizadores) a pagar... Não pense que é grátis para quem não utiliza as estradas. (e já agora, não existe esse "extremo" onde tudo é grátis, quanto muito será onde "cada um paga conforme a sua possibilidade").

A dúvida aqui é se devemos pagar a uma empresa privada (Ascendi, Lusoponte ...) ou ao Estado...
De ehgarde a 27 de Junho de 2010 às 09:40
Não entendi essa das auto-estradas serem um "artigo" de primeira necessidade.
Inversamente entendi, bem demais, porque os governos dos últimos 70/80 anos têm desinvestido da ferrovia - também pago por tudo "à cabeça" mas, se o sistema for bem gerido - que não é o caso da nossa ferrovia -, praticamente só paga quem o utiliza (i.e. as tais "indemnizações compensatórias" são praticamente inexistentes ou mesmo inúteis pois o sistema pode pagar-se a si mesmo): o "diabo" dos impostos sobre os combustíveis e, mais recentemente, o lobi do betão, são por demais apetecíveis. Portanto...
De MC a 27 de Junho de 2010 às 14:13
Alex,
piadinhas como a comida chegar de bicicleta, e a minha empregada de limpeza (nem sabia q tinha uma) não ajudam à discussão.

de qualquer modo, não vá pelo argumento da fruta. a electricidade no supermercado, a comida e a roupa do
camionista, etc. tudo isso é necessário para a fruta chegar ao mercado. e isso não é razão para serem pagas pelo estado.
eu quando pago a fruta já estou a pagar esses custos, não preciso de os pagar através dos meus impostos.
por outras palavras: com portagens eu (como todos que não andam ou andam pouco de carro) só contribuo para as portagens que a minha fruta paga. sem portagens eu ou quem abusa do automóvel paga exactamente o mesmo. este é o ponto central.



a dúvida não é pagar ao estado ou a uma empresa. o estado constroi estradas, adjudica-las às empresas. pagar à empresa directamente, ou dar ao estado para pagar à empresa é a mesma coisa
De Alex a 27 de Junho de 2010 às 19:36
Eu acho que com portagens pagamos todos (directamente ou indirectamente, via consumo de bens ou serviços) e sem portagens pagamos igualmente todos (indirectamente, via impostos). Eu acho que quem pensa que se não usar as auto-estradas não as paga, não está a fazer bem as contas todas.

Por outro lado, todos beneficiamos delas, directa ou indirectamente. Mesmo que não passa por lá de automóvel, certamente consegue obter serviços ou bens mais rapidamente.

Podemos é discutir se em vez de se ter optado pela auto-estrada se tivesse optado pelos comboios ou pela proximidade do local de trabalho à habitação, se não estaríamos todos a pagar menos...

Cumprimentos
De Miguel a 28 de Junho de 2010 às 11:00
"a dúvida não é pagar ao estado ou a uma empresa. o estado constroi estradas, adjudica-las às empresas. pagar à empresa directamente, ou dar ao estado para pagar à empresa é a mesma coisa"

Não é nada a mesma coisa. As concessões são feitas porque o Estado não tem dinheiro para pagar as estradas (auto-estradas no caso) e adjudica-as a empresas privadas pagando por isso uma renda anual durante o tempo de concessão. E com os fantásticos que são feitos os riscos são zero para o lado das concessionárias, se o negócio correr bem (leia-se, se houver mais tráfego do que o previsto) o lucro fica para a concessionária, se o negócio correr mal o Estado tem a obrigação de a indemnizar para assegurar o equilíbrio financeiro (a Ponte Vasco da Gama já foi paga mais de duas vezes pelo Estado à conta desta brincadeira). É tudo muito bonito porque permite fazer obra a custo zero no presente, mas quem vem a seguir é que se lixa.
Por exemplo em Espanha não acontece nada disto, se o Governo tem dinheiro (endividando-se naturalmente, não quer dizer que tenha o dinheiro em caixa) para construir as coisas constrói, se não tem não constrói. Só mesmo em obras extraordinariamente caras (tipos alguns túneis do comboio de alta velocidade) é que recorre ao modelo de concessão como por cá se faz.

Aproveito para deixar um artigo muito interessante do Daniel Oliveira sobre o tema das SCUT e dos transportes públicos: http://aeiou.expresso.pt/onde-estavam-todos=f590653 e http://arrastao.org/sem-categoria/onde-estavam-todos/
De MC a 28 de Junho de 2010 às 12:25
Miguel,
isso é não é uma crítica nem às portagens, nem à existência de AEs sem portagens, NEM uma crítica ao pagamento ao Estado vs às empresas.

É uma crítica ao modelo de exploração e financiamento (empréstimo contraido pelo Estado vs entrega de proveitos futuros à empresa), logo nada tem a ver com o debate em causa.

(Já agora, eu não sei os termos em concreto logo não vou apoiar um ou outro, mas não podes concluir tão cegamente que o modelo não é proveitoso. O facto do Estado suportar os riscos, pode ser uma moeda de troca para preços mais baixos na adjudicação.)
De Miguel a 28 de Junho de 2010 às 13:19
Não, não tem nada a ver com o post (com ele concordo, por isso não disse nada), tem a ver com a tua frase que eu citei...

E não concluí cegamente, já são uns anos a ler estudos de custo-benefício sobre as parcerias público-privadas. E nunca em lado nenhum no mundo estas foram benéficas para o Estado (em termos financeiros, podem ser benéficos para a Sociedade, mas isso é outra conversa), de certeza que em não eram os políticos nacionais (que até nem costumam sair do Governo e ir trabalhar para as empresas com que negociaram enquanto governantes... ver Lusoponte, Mota-Engil, EDP, etc.) que iam descobrir maneira de o serem. Simplesmente são uma maneira de construir coisas sem que o Estado se endivide no imediato.

Fim de off-topic... :)
De Miguel a 28 de Junho de 2010 às 13:21
" (em termos financeiros, podem ser benéficos para a Sociedade, mas isso é outra conversa)"

Falta ali um ponto final: (em termos financeiros. Podem é ser benéficos para a Sociedade, mas isso é outra conversa)
De MC a 20 de Outubro de 2010 às 01:07
Uma entrevista bem interessante com quem sabe bem as desgraças que vão nas PPP
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1684194
De Hugo a 28 de Junho de 2010 às 18:30
Há apenas uma questão pertinente, que ainda não tive tempo de analisar. Há quem diga que algumas scuts foram construídas por cima de nacionais, e que não há alternativas.
(como seria o caso da A23, por exemplo)
É esse o caso destas scuts?

Se assim for, a introdução de portagens não é mais do que enganar as pessoas.

Hugo
De Miguel a 28 de Junho de 2010 às 19:12
Pelo menos em troços da A28 e da A29 isso aconteceu (em alguns casos não foi por cima da nacional original, mas sim por cima da variante que entretanto foi construída - mas não deixou por isso de ser uma estrada nacional). Acho que na A42 também há um troço por cima de parte de uma nacional.

(falo das do grande porto porque são as que conheço)
De paymusica a 8 de Agosto de 2010 às 02:53
nacional 109 foi cortada valadares A29
De Hugo a 29 de Junho de 2010 às 23:21
um post interessante do Daniel Oliveira:

http://arrastao.org/sem-categoria/onde-estavam-todos/
De paymusica a 8 de Agosto de 2010 às 02:51
a scut foram construidas com pneus reciclados onde nos ja pagamos 80centimos por cada um dos velhos taxa eco.
alem que as scut ainda foram pagas com o nosso dinheiro(iva,imposto...)
o socrates na sua ultima inauguraçao (se nao estou em erro) ele bem disse que foi usado pneus reciclados para construir a autoestrado.
sou contra tambem ser so o norte a ter as scut a pagar ou sao todas as scut ou nenhuma.

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