Domingo, 18 de Abril de 2010

Relativismos culturais

 

1. Devido à interdição de voos na Europa, houve vários chefes de Estado que não puderam voar. Enquanto Cavaco Silva fez o percurso exclusivamente de carro, tendo o resto da comitiva seguido de autocarro, a chanceler alemã fez grande parte do seu percurso (mais de 800km) de autocarro.

 

 

 

2. As multas de trânsito servem aparentemente apenas para recolher receitas. Controlo e disuasão de comportamentos perigosos devem ser secundários. É irritante ler uma notícia sobre procedimentos burocráticos de multas, e ler constantemente comentários laterais do jornalista como  "redução substancial do número de autos levantados pela GNR e, consequentemente, das receitas com a cobrança das multas" e "a receita da cobrança de multas também reduziu substancialmente."


3. A TSF tem uma pequena reportagem intitulada Quando os árbitros iam de metro que nos fala daquilo que hoje seria "impensável", já que hoje os árbitros são sempre transportados "por motoristas", nos anos 60 os árbitros iam de transportes públicos para os jogos! Até para visitar monumentos o "transporte era o mesmo: o metro".

 

Eu que não tenho carro, devo ter uma vida miserável e ainda não reparei nisso.


A ver no blog do Nuno Gomes Lopes, uma comparação das redes ferroviárias portuguesa e inglesa.

 

publicado por MC às 20:47
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5 comentários:
De Nuno a 18 de Abril de 2010 às 21:35
Ainda a propósito da revolução temporária nos transportes públicos terrestres causada pelo impronunciável vulcão islandês:

http://www.ionline.pt/conteudo/55801-vulcao-islandia-cp-faz-desdobramento-do-sud-express

Podia entrar em erupção anualmente e gerar a "Semana Europeia sem Aviões" ?

Cumps!
De Ricardo Coelho a 19 de Abril de 2010 às 13:48
Olá,
Queria convidar-vos a consultarem um blogue onde escrevo, dado que coloquei lá um texto sobre a automobilidade onde foram citados. Fica o endereço:
http://profundaignorancia.blogspot.com/
Já agora, coloco a questão: conhecem artigos publicados em revistas de economia sobre os custos da automobilidade? Pessoalmente sou extremamente céptico em relação a colocar valores monetários em coisas como a vida humana mas creio que mesmo comparando apenas os custos directos com as infra-estruturas para automóveis e para transportes públicos provavelmente os últimos ficariam a ganhar. A ser verdade, seria um bom contra-argumento para quem nos diz que não podemos investir em transportes públicos de qualidade e a baixo preço (eu defendo que deveriam ser gratuitos até) porque "não há dinheiro".
De MC a 19 de Abril de 2010 às 17:10
Ricardo,

há uma grande confusão sobre valores monetários da vida (e ambiente, saúde). não é uma questão de se concordar ou não, ou se achar imoral.
1. se eu perguntar se devemos pagar um trilião de euros para salvar uma vida (e lembrar que isso implica haver milhões de pessoas que vão passar fome - e provavelmente morrer - para se arranjar esse tipo de dinheiro), acho que todos concordamos que uma vida não merece esse sacrifício.
2. gosto sempre de perguntar às pessoas pq não conduzem um tanque. ou melhor porque não quiseram pagar um tanque em vez de um carro. é sabido que o tanque é mais seguro, logo as pessoas ou priveligiaram o dinheiro/ a estética do veículo em relação à sua vida de algum modo. os economistas tiram daqui um valor implícito da vida (estatística).

quanto a estudos, duvido que haja estudos sobre a automobilidade no seu todo (depende tanto de cidade para cidade) mas há vários estudos sobre aspectos particulares como custos de congestionamento, custos da poluição, etc.

se procurares nos posts económicos
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/tag/economia
e procurares a palavra "economista" vais encontrar vários estudos.


por último, eu acho que os transportes públicos deveriam ser mais caros do que são, mas isso é tema para um post que está pendente há muito tempo
De MC a 19 de Abril de 2010 às 18:37
a propósito dos transportes públicos e estudos económicos, tenho este post

http://menos1carro.blogs.sapo.pt/166417.html

ab
De PJ a 19 de Abril de 2010 às 21:47
Viva,

antes de mais parabéns pelo texto no seu blog.
percebo a necessidade de recorrer à argumentação economico-financeira pois muitas vezes parece que essa é a única maneira de chegar à consciência das pessoas. Haverá com certeza alguns estudos por aí, mas queria apenas frisar que uma cidade que opte pelo investimento nos transportes públicos e corte no acesso ao automóvel, sofre de posteriores melhorias económicas que são quase impossíveis de medir como o ganho social, no sentido em que se tornam mais públicas, vivas, seguras, integradas, tolerantes até.
hoje em dia começa-se a relacionar o n.º de vítimas com a poluição nas cidades.
está também na moda falar de custos ambientais, se bem que são tb difíceis de medir por não haver, provavelmente, um guia (independente) de como fazê-lo (já agora, note-se que estudos de "impacto ambiental" não seguem nenhuma norma internacional consensual); existem muitos custos ambientais associados à mobilidade automóvel (produção, comercialização, produção de óleos e produtos tóxicos, construção e manutenção de estradas, parques e acessórios) que existem em menor escala nos transportes públicos. Mas repare-se, até um avião consome menos combustível por km/ por passageiro que um automóvel com 1 passageiro, cerca de 4x menos pelas minhas contas. muito resumindo, isto quer dizer que qualquer modo de transporte, pelo simples facto de ser público, requer menos energia para se deslocar.
para além disso existem questões relacionadas com a gestão do tráfego automóvel muito pouco intuitivas e difíceis de prever, pelo que não se pode afirmar que a medida X é melhor q a Y sem primeiro fazer uma experiência..
existem também por parte do loby automóvel uma presença esmagadora que especulam sempre a seu favor.
alguns estudos também em
http://www.copenhagenize.com/2007/11/cyclists-are-better-shoppers-than.html
Refira-se q Montpelier aumentou a sua população desde que abraçou o projecto de se tornar mais amigável para o peão.
enfim, caro Ricardo Coelho, se pretende montar uma argumentação sólida sobre este assunto, será muito difícil.
felizmente em algumas cidades, como Copenhaga, Amesterdão, e tantas outras, os governantes tiveram o bom senso de deixar para lá os cifrões e em vez disso confiaram em pessoas visionárias, deixaram as previsões económicas para trás e fizeram experiências, enfim, libertaram-se completamente da matriz progressista das últimas décadas, onde a técnica e o dinheiro são os valores máximos.
pode haver por aí muito doutor e engenheiro de grande currículo, mas se não tiver a sensibilidade que estes visionários tiveram, não adianta de nada.

nunca escrevi um post tão longo :p cumps,

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