Sexta-feira, 12 de Março de 2010

Antídoto contra o bloqueamento de transportes públicos: crianças mascaradas

Mais um exemplo da absurda tolerância que existe para com o mau comportamento dos automobilistas. Por dia há em média um elétrico que fica sem circular no Porto devido ao estacionamento de automóveis. A STCP com o apoio de várias autoridades (incluindo a PSP) vai pôr 20 crianças fardadas de polícias a distribuir panfletos de sensibilização durante um dia!

Agora imagine-se o inverso. Dezenas (sim, porque um transporte público é um veículo que leva dezenas de pessoas) de automobilistas bloqueados diariamente por um autocarro mal estacionado, por miúdos que já não tendo onde jogar à bola o foram fazer para o meio da rua. Alguém acredita que isto seria tratado com crianças mascaradas a distribuir panfletos?

 


O Passeio Livre conta mais um caso desta tolerância, desta feita sobre a insignificância das multas de estacionamento.
 

publicado por MC às 10:21
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6 comentários:
De NunoM a 12 de Março de 2010 às 12:26
Enfim, uma palhaçada. Mas esperem, eléctricos?!... Devem ser os da linha turística que é a única a funcionar...
Quanto à metodologia, interrogo-me apenas sobre uma coisa: porque diabo não rebocam os carros dos prevaricadores (com a aplicação da multa devida e da taxa de armazenamento do carrinho)? Enfim, se alguém da PSP ler isto irá certamente alegar falta de recursos para rebocar e armazenar temporariamente tanta lata.
De Miguel a 12 de Março de 2010 às 13:30
Embora todas as linhas de eléctrico no Porto sejam essencialmente turísticas, até pelo tipo de veículo utilizado (embora toda a infra-estrutura esteja preparada para receber veículos mais modernos, como aqueles que existem em Lisboa, nunca houve vontade política para o fazer) e também devido aos horários e frequências, o Porto não tem apenas uma «linha turística», mas sim três linhas de eléctrico (a 1, a 18 e a 22), estando prevista para já a criação de uma nova que ligue a zona do Palácio da Bolsa aos Aliados através da Rua Mouzinho da Silveira.
De NunoM a 13 de Março de 2010 às 02:41
De facto, a questão da "vontade política" já foi por mais de uma vez invocada por conhecidos meus, residentes no Porto, sem que no entanto a questão chegue a ser mais explorada. É pena, porque linhas de eléctrico servidas por material circulante moderno fazem muita falta na cidade.
Quanto às três linhas que menciona, tenho um pouco a impressão, fundada apenas em observações empíricas - não possuo quaisquer dados estatísticos apurados de modo científico - que a utilização que delas é feita pelos utentes dos STCP fica muito aquém daquilo que seria de esperar (mesmo descontando o cariz essencialmente turístico das mesmas, devido em grande parte, como bem diz, ao tipo de viaturas empregues), sendo que pelo menos uma (não sei exactamente qual o número da linha, mas posso adiantar que se trata da que liga o Museu do Carro Eléctrico, em Massarelos, junto ao rio, à zona da Reitoria da UP /antiga F. de Ciências) é quase exclusivamente utilizada por turistas.
Já agora, e no que concerne à linha em projecto que refere, suponho que se trate de mais uma experiência "turístico-patrimonial", certo? Aos olhos dos decisores políticos, é muito difícil imaginar que a maioria de munícipes que utilizam diariamente o automóvel para deslocações dentro da cidade (em proporção superior à registada em Lisboa) deixe de o fazer a breve ou mesmo médio prazo, não obstante a série de factores associados ao momento de crise que vivemos. Todas e quaisquer medidas capazes de beliscar, mesmo que ao de leve, o "direito de conquista" exercido pelos automobilistas no espaço urbano em detrimento dos outros e de si próprios, são percepcionadas como potencialmente impopulares. E pronto, andamos nisto... Enquanto ninguém, politicamente falando, se decidir a romper a modorra deste circulo vicioso, resta-nos continuar a sensibilizar mais e mais cidadãos para a necessidade de dizer "Basta!"

Ainda a respeito dos automóveis estacionados sobre ou nas proximidades dos carris (lembro-me bem de ver situações desse tipo na Rua da Restauração), insisto: a única resposta admissível por parte das autoridades é apenas esta - tolerância zero. Carro em transgressão = carro rebocado & proprietário multado.
De Miguel a 14 de Março de 2010 às 18:40
«Já agora, e no que concerne à linha em projecto que refere, suponho que se trate de mais uma experiência "turístico-patrimonial", certo? »

Sim, pelo que sei do projecto o objectivo é esse. Aliás, todo o projecto dos eléctricos históricos operados pelos STCP é vincadamente dirigido aos turistas e, dentro desses objectivos, acho que o número de passageiros tem estado dentro do previsto por eles.

Agora se nas mesmas linhas em vez de circular um veículo histórico de 30 em 30 minutos em veículos históricos, tivéssemos esse mesmo veículo de 30 em 30 minutos e nos intervalos tivéssemos um veículo moderno de 10 em 10 (simplificadamente, saía um histórico à hora certa e à meia-hora, e um moderno aos 10, 20, 40 e 50 minutos dessa hora) - o que era perfeitamente possível pois os veículos modernos em velocidade são praticamente idênticos aos actuais, onde ganham é no conforto e na capacidade que oferecem - de certeza que a base de utilizadores seria muito mais elevado, podendo ser usado para o mesmo tipo de viagens que os autocarros e o metro (eu pelo menos usaria-os numa base regular, agora assim andei uma vez neles só mesmo para ver como é que era)
De Miguel a 14 de Março de 2010 às 18:46
Sobre a vontade política, na altura em que se renovou a rede de eléctricos por altura do Porto 2001 decidiu-se que esta iria estar preparada para receber veículos modernos (basicamente em relação a uma rede para veículos históricos, é necessário ter pendentes máximas mais reduzidas e curvas com raios mais elevados).
Depois disso mais ninguém com responsabilidades falou sobre o assunto, mas em todos os sítios onde se tem posto carris têm cumprido as especificações técnicas para receber esses veículos por isso pode ser que com a instalação da rede de eléctricos rápidos em Gaia sobrem 2 ou 3 veículos para a margem direita do Douro...
De NunoM a 17 de Março de 2010 às 12:23
Veremos. Quando li sobre a linha de eléctricos rápidos pensada para V.N. de Gaia ocorreu-me a mesma coisa... Aliás, só assim a ideia fará, de facto, sentido.

Entretanto, a empresa de Metro do Porto deu início àquilo que Nuno Gomes Lopes designa, no seu blog - http://www.nunogomeslopes.com/tag/rede-de-eletricos-rapidos-em-vila-nova-de-gaia/ - com propriedade como o "nó rodoviário mais maluco da península e arredores" (rotunda de Sto. Ovídio) e que constitui mais um exemplo, entre tantos outros, da total capitulação aos interesses da rapaziada que insiste em circular de rabinho sentado ao volante da sua lata.

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