Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Já tardava

Hoje ficámos a saber que o estacionamento automóvel em Lisboa, nas zonas controladas pela EMEL (o que é bastante diferente dizer que é em toda a cidade), estará sujeito a tarifas mais caras consoante a área escolhida. Nalgumas áreas, presumivelmente no centro da cidade, o estacionamento aumentará em 40% e o tempo de residência do automóvel diminuirá para metade. Uma medida a aplaudir, portanto e que aliviará a pressão automóvel sobre os lisboetas e o espaço público.

 

Para quando uma reacção do Sr. Carlos Barbosa do ACP? Aceitam-se apostas.

 

Queria no entanto partilhar convosco algumas pérolas da caixa de comentários do jornal Público; tal espaço não é nada mais nada menos do que a antecâmara da sociedade portuguesa. Dividi as opiniões entre aquelas que apoiam a medida, as que estão contra e as que apesar de serem contra centram a sua crítica na EMEL e não no aumento das tarifas.

 

A FAVOR

 

Acho muito bem!

Epa a malta dos suburbios ta chateada! Pois eu como residente acho muito bem! Deviam aumentar era ainda mais, para ver se os Lisboetas ficam com mais qualidade de vida e os residentes dos suburbios comecam a ir de transportes publicos para Lisboa. Eu como lisboeta nao gosto de ver a minha cidade inundada dos carros dos amadorenses, sintrenses, almadenses etc etc. A CML existe para defender os interesses dos residentes de Lisboa, nao dos residentes dos suburbios. Os lisboetas querem mais qualidade de vida e menos carros. Em Amesterdao sao 4 Euros/hora para estacionar no centro.

Andem de mota

Para mim é me completamente indiferente, vou de mota todos os dias para o centro da cidade e estaciono á porta do emprego. Quando vou á baixa, estaciono nos sitios indicados para motos, sem pagar qualquer cêntimo. Se mais gente adopta-se este comportamento, como é usual no resto da Europa, ficariam mais lugares vagos para quem realmente necessita.

 

Medida interessante

Esta é uma boa medida já que permite, em princípio reduzir o movimento automóvel na capital. Porém acho que se deviam restringir o número de automóveis por habitante, porque há pessoas com 6 automóveis. Quero só salientar que no tempo de joão soares foram abatidas árvores centenárias para abrir espaço para os parques de estacionamento - salvé ps da direita!!!

 

CONTRA


bloqueiem os parquíemtros! danifiquem-nos! impeçam esta gente de encher os bolsos à custa de quem não tem alternativa para deixar os carros. eu trabalho no centro de lisboa, sou obrigado a levar carro pelas muitas deslocações que tenho de fazer durante o dia, e o preço que pago por um dia de estacionamento chega-me aos 8 euros/dia.

 

É Gamar à vontade !

Esses Camaradas gamam à vontade sem se preocuparem com as pessoas que precisam de andar de automóvel em Lisboa... pois necessitam desse meio de transporte para ganhar a vida, já tão atribulada ! Deste modo a Emel quer ajudar os Ricos e bem nascidos a terem sempre lugar onde quizerem, pois uns cêntimos a mais ou a menos nas algibeiras do Capitalistas não os afetam em nada ! Isto é uma pouca vergonha à moda do Sócrates e do Costa da Câmara de Lisgoa ! E lembrar-me eu do antigo Ditado: "Ao menos, os nossos maiores deixaram-nos as ruas livres" para as usufruirmos ! Isso foi "Chão que já deu Uvas" ! Com o Pinóquio e os seus Apaniguados acabaram-se as Ruas Livres !

 

Mais dinheiro para os proxenetas do costume

Numa cidade extremamente mal planeada e sobrelotada (muito bonita para turistas, infernal para pessoas activas), deviam adequar os parquimetros...às zonas de trabalho e habitação. Eu adorava trabalhar fora de Lisboa! E ir a pé ou de transportes para o emprego.As medidas deveriam ser pró-emprego e pró-industria e não pró-turistas!! Quem mora ou trabalha: selo de estacionamento. E preços decentes! Os outros: PQOP. E em vez de popularem zonas sem condições (como o Chiado), experimentem tirar de la os serviços e o comércio. São proto-aldeias que não foram construídos para os tempos modernos, e devem ser simplesmente utilizados para dormitórios. A mania das cidades portuguesas de "acotovelarem" tudo no centro, causa este caos.

 

  

CRÍTICOS DA EMEL

 

Estamos a saque

Não aos parquímetros, partam, destruam, sim ao policiamento. a emel está a explorar aquilo que foi dado ao cidadão, o espaço público, isto é um roubo e um atentado aos direitos dos cidadãos. o comércio de lisboa ainda vai sofrer mais com isto. as pessoas e as empresas deixarão de ir a lisboa e de se instalarem em lisboa... em troca dos chorudos euros que retiram ao bolso do cidadão que precisa de se deslocar e trabalhar em lisboa... Este país está a saque das empresas ladronas autorizadas pela CMLisboa também cúmplice nos roubos ao cidadão e em especial ao Lisboeta.

  

 ladrões ladrõesa socidedade de ladrões que compôem a Emel rouba com a conivência da camâra de Lisboa, mas que abuso de espaço público !!!!! já não basta os impostos que pagamos ainda temos que subsidiar uma empresa pseudo-privada!?!?! mas este aumento deve-se porque ??? porque os gestores querem comprar carros novos ??? ladrões !!!!!!!

 

 

publicado por TMC às 14:07
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18 comentários:
De Fuschia a 26 de Janeiro de 2010 às 15:34
No primeiro comentário, vê-se claramente um certo tipo de arrogância em relação a quem vem dos suburbios, que considero completamente ignorante. Como se fosse possível e desejável, que só circulassem em Lisboa, capital, habitantes que vivam na mesma. E segundo, gostava de saber quantos carros esse senhor tem à porta de casa. É porque os moradores sofrem do mesmo problema de todos os outros portugueses. Querem todos um carro, desde o pai ao filho de 18 anos, passando pelo carro da mãe para ir de vez em quando às compras, e querem-nos todos estacionados á porta de casa. Isto sim, é um perfeito egoísmo. Pessoas que vivem à beira dos transportes e insistem em deslocar-se pela cidade confortavelmente sentados no seu pópó, enquanto criticam os "amadorenses" e "sintrenses". Mas pronto, gente estupida encontra-se por todo o lado, infelizmente.
De Phil a 26 de Janeiro de 2010 às 16:01
"esta alteração traduzir-se-á num aumento do custo do estacionamento em cerca de 40 por cento da cidade e numa "ligeira redução" nas restantes áreas."

aumentam de um lado... mas diminuem do outro!!!

"Em discussão com a autarquia está a criação de um dístico que garanta aos residentes a possibilidade de estacionarem, sem limite de tempo e sem tarifa acrescida, não só na zona do seu domicílio mas também na zona de Lisboa em que trabalham."

toca a promover o uso do carro dentro da cidade!!!

criam medidas melhores, para logo depois criarem medidas que só incentivam o uso do automóvel!
De MC a 26 de Janeiro de 2010 às 16:28
"não só na zona do seu domicílio mas também na zona de Lisboa em que trabalham."

Bem apanhado!!
Não tinha reparado quando li. Impressionante! É o discurso habitual do uso do automóvel como bem de primeira necessidade. Ainda por cima para quem vive e trabalhar num dos concelho com melhores transportes públicos.
De Anónimo a 26 de Janeiro de 2010 às 17:19
Realmente, é extraordinário, esta gente não aprende mesmo! E aqui não há dúvida nenhuma: o local da residência é na cidade de Lisboa e o local de trabalho também. Bela mensagem aos lisboetas: "ANDE DE CARRO NA CIDADE, QUE NÃO PAGA MAIS PELO ESTACIONAMENTO!!". Deixe-se disso do metro, dos autocarros, dos eléctricos, das bicicletas - vá de carro, com os cumprimentos da EMEL.
É o que continuo a achar: tem havido excelentes medidas em Lisboa, mas não há, na prática, uma política definida, um rumo certo, um projeto ao qual se submetam todas as decisões nesta área. Hoje é uma medida num sentido, amanhã outra em sentido contrário, às vezes medidas contraditórias no mesmo pacote...

A EMEL acabou de lançar outro projeto, que tem pouco a ver com transporte escolar, sendo mais um substituto medíocre. A ideia é: "venha de carro até um parque de estacionamento nosso, deixe os seus filhos connosco que nós levamo-los (de carro) à escola, e do parque vá de transportes públicos para o trabalho". Com isto a EMEL espera um "aumento do número de utilizadores dos seus parques de estacionamento". Não há horários fixos, "adaptando-se as necessidades de cada cliente", o que significa que a EMEL fará tantas viagens de carro às escolas quantas forem necessárias, não tendo os pais que comparecer a uma hora certa (para que sejam transportadas o maior número de crianças ao mesmo tempo). E é, seja como for, um convite a que os papás tragam o popó até ao parque da EMEL.

Portanto, o cenário é mais ou menos este: hoje, o pai ou a mãe levam a criança à escola e depois seguem com o popó para o trabalho. Com o sistema da EMEL, o pai ou mãe leva o popó até um parque da EMEL junto do trabalho e despeja os filhos na EMEL para que esta os leve à escola. O que é que Lisboa ganha em termos de mobilidade?
O que vale é que o serviço custa entre 135 e 160 euros por mês e pouca gente vai aderir, pelo menos os muitos que atualmente estacionam em cima dos passeios, à porta do trabalho, sem pagar um cêntimo...

O objectivo declarado da EMEL é "contribuir para a diminuição das deslocações de automóveis dentro da cidade e fomentar o uso dos transportes públicos".
Ou eu não estou a ver muito bem a coisa ou...
De Joana a 26 de Janeiro de 2010 às 17:20
Ah, o comentário era meu!
De TMC a 26 de Janeiro de 2010 às 17:34
Não é bem assim. Falta saber se os 40% de aumento correspondem a várias "ligeiras reduções". Parece-me que no global o estacionamento ficará de facto mais caro, ou não fosse a EMEL uma empresa também em busca de lucro.

Quanto à segunda afirmação, podemos interpretá-la como de facto estimulando o uso do automóvel mas haverá a novidade do estacionamento ser pago sem acréscimo. Talvez "antes" (hoje em dia) fosse simplesmente gratuito.
De Joana a 26 de Janeiro de 2010 às 17:55
A notícia não diz exatamente "estacionamento pago sem acréscimo", mas sim "sem tarifa acrescida". O que depreendo é que o residente que atualmente não pague vai poder estacionar também na zona onde trabalha sem acréscimo de custo. Claro que "acréscimo" já pressupõe um "custo atual", mas rigor na linguagem também não é o forte dos jornalistas.
Mas espero que tenhas razão. Seria menos mau. Continuaria a ser mau, mas menos mau...
De TMC a 26 de Janeiro de 2010 às 18:29
Joana, adoro o teu trabalho no blogue e os teus comentários mas fico triste por começares a escrever com o novo acordo ortográfico :(
De MC a 26 de Janeiro de 2010 às 18:32
eeeeh...
Tenho me esquecido, já poderia ter começado a escrever os posts com o novo acordo ortográfico :P
De Joana a 26 de Janeiro de 2010 às 19:19
É fixe, escreve-se menos letras, poupa-se trabalho a escrevê-las, poupa-se papel, poupa-se tinta ou tinteiro e as letras não fazem lá falta nenhuma - não se lêem. É como termos passado da "Pharmácia" para a "Farmácia", de "productor" a "produtor", de "somnolência" a "sonolência", de "ecclesiástico" a "eclesiástico", de "official" a "oficial", de "calumnia" a "calúnia" e muitas, muitas outras. Quem é que hoje se queixa de não se escrever ""panphleto", "aquella", "commum", "têem", "commentário", "scepticismo", etc.? Era assim que se escrevia antes da reforma ortográfica anterior a esta. Eliminar consoantes mudas é a evolução natural da ortografia.
O acordo não é só isso, mas para já ainda só estou a seguir esta regra. Ao fim de 2 semanas, já quase me habituei. Pensei que fosse muito mais lento!...

E agora para coisas mais importantes, o Daniel Conde está a preparar um projecto de investimento para um comboio turístico na Linha do Tua. Para isso, precisa de um estudo de mercado - ou seja, que a malta responda a um inquérito. Divulguem! É URGENTE.
O inquérito está aqui:
Não está nada... como já respondi, já não me deixam aceder à página. Tentem ir buscar o endereço ao A Nossa Terrinha.
De TMC a 26 de Janeiro de 2010 às 19:56
Já preenchi e divulguei. O inquérito do Daniel Conde está bastante incompleto: há pessoas que estão dispostas a dizer porque gostariam de ir ao Tua apesar de nunca terem viajado no seu comboio.

E agora para coisas ainda mais sérias (: o acordo não é só isso mas uma língua tão nua de consoantes é uma língua demasiado fácil. Gosto mais de descobri-la e ver-lhe a história com esses pedaços de palavras que lhe ficaram colados. Tal como as ruínas inabitadas ainda ficam nas paisagens e não deixam de fascinar quem as vê. Em suma, para mim é um acordo meramente "pop", demasiado asséptico para ser levado a sério. Salve Público!
De Pedro M. a 26 de Janeiro de 2010 às 16:38
Desisti de ler comentários no ´Público para perder a vontade de emigrar.
De MC a 26 de Janeiro de 2010 às 17:33
Pedro,

ainda ontem estava a tentar ver notícias sobre o estado da taxação ao km que se pensa introduzir na Holanda, fui parar a um jornal holandês em inglês... e os comentários eram todos do nível do Público..
O treino que o Público me deu (respirar fundo e contar até 10, em vez de desatar a responder) ajudou-me a fechar a página :)
De Miguel a 26 de Janeiro de 2010 às 20:54
Já agora MC, isso na Holanda sempre entrou em vigor?! Qual o preço por km?!
De MC a 27 de Janeiro de 2010 às 15:07
Está em águas de bacalhau. O que li dizia que o ministro fez depender o projecto da aprovação do ACP lá do sítio. O ACP tinha inicialmente apoiado a iniciativa (aparentemente porque se estima que 60% dos automobilistas saia a ganhar em termos financeiros), mas entretanto houve muita pressão e o ACP está caladinho.

É ridículo fazer depender uma medida destas da opinião do lóbi automóvel, mas tanto cá como lá, o lóbi tem muita força.
De NC a 26 de Janeiro de 2010 às 18:56
Penso que o que vai acontecer é vai ficar tudo na mesma. A EMEL não fiscaliza hoje e não vai passar a fiscalizar portanto penso que o aumento não vai ter efeitos.

Outro problema é que a relação da CML e EMEL é demasiado promiscua. A EMEL querendo gerar dinheiro não quer diminuir o estacionamento, não podemos contar com a EMEL para diminuir o número de carros porque eles não querem. E a EMEL e a CML são unha com carne ...
De Phil a 26 de Janeiro de 2010 às 22:04
Falta de investimento no sector rodoviário ?! era só o que mais faltava...

"Investimentos na rodovia asseguram execução de 81 por cento do PNR":

http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1419862
De sushi lover a 28 de Janeiro de 2010 às 23:07
concordo com esta medida da emel mas a verdade é que, em lisboa nada funcionará bem enquanto a rede de transportes públicos não estiver totalmente integrada, de horários, de bilhetes, de ligações, etc.
(e a tão tardia evolução cultural)

e os parquímetros tb tem mto que se lhe diga. onde trabalho os lugares c parquímetro estão sempre vazios e o estacionamento totalmente selvagem impera. é que o sr do parquímetro vai lá mais vezes que a polícia!

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