Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

E outra vez

Todos os anos temos uma série de eventos que são destacados na imprensa por... as pessoas não conseguirem chegar até eles. Esta semana tivemos o concerto do Prince, onde houve várias horas de trânsito, carros estacionados a 5km do concerto e muita gente que pura e simples desistiu de lá chegar depois de pagar o bilhete e fazer dezenas ou centenas de quilómetros.

Por que isto acontece é óbvio, o automóvel é o modo mais ineficiente que existe para transportar pessoas quando o espaço é limitado - isto já sem falar da agravante do automóvel necessitar de tempo e muito espaço para estacionar. Mesmo quem escolheu o transporte mais eficiente (o autocarro) acabou preso no meio do trânsito dos outros. O que não é nada óbvio, é o porquê deste erro ser cometido mês após mês.

Eu deixo aqui de borla algumas sugestões para evitar este caos em zonas com poucos transportes:

  • Desincentivar fortemente a vinda de automóvel, por exemplo cobrando caro pelo estacionamento e proibindo o estacionamento fora dos parques (a proibição existiu este domingo, a cobrança é que não).  Em alternativa proibir o estacionamento em toda a zona, e introduzir autocarros do estacionamento na periferia até ao evento.
  • Criar corredores especiais para a circulação dos transportes.
  • Autocarros desde a estação de comboio/cidade mais próxima.
  • Publicitar bem estas medidas.

E não seriam necessários muitos autocarros para transportar toda a gente. Tal como dentro da cidade, os autocarros são muito eficientes a transportar pessoas, o problema é quando estão bloqueados no trânsito.

 


Mais um estabelecimento de ensino a promover a vinda de bicicleta dos alunos na TVI. Depois de Santarém, Aveiro, etc. agora temos Braga, tal como já faz a universidade local.

publicado por MC às 12:24
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Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Acabou o petróleo barato

Há dois anos e meio explodia a notícia, o barril do petróleo chegava aos 100 dólares pela primeira vez. Habituados a discutir em dólares, esquecemo-nos que a Europa não usa dólares, usa euros. Nesse Janeiro de 2008 o preço do petróleo em euros foi de 62€. No mês de Junho que passou esse mesmo foi também de 62€. Em Abril, mesmo antes do crime ambiental do Golfo do México, já tinha custado 64€.

As grandes economias estão em crise, e os mercados financeiros desfeitos. Tanto um como outro (eu nunca percebi a teoria da especulação como causa do aumento do preço, mas enfim) deveriam puxar o preço para baixo, e no entanto... Não há como o contradizer, o petróleo nunca mais sará barato. Muitos dos novos poços de petróleo que são anunciados, têm custos de extração mais altos do que os do passado. A China e a Índia aumentam o seu consumo a grande velocidade.

E isto tem efeitos no preço de outros tipos de energia, mesmo na electricidade de outras fontes primárias, porque todos os setores buscarão alternativas.

O carro, como transporte mais energeticamente ineficiente que existe, não pode continuar a ser a peça central da nossa mobilidade.

 


Há pouco ficou-se a saber de uma boa notícia. O governo desistiu da loucura de transferir o IPO de Lisboa (um dos maiores hospitais do país) do centro da cidade, onde existe comboio e metro, para algures no concelho de Oeiras onde se chegaria de carro.

publicado por MC às 15:44
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Casos de polícia

Ao consultar o sítio da acção cívica contra a construção do actual traçado que completará a CRIL, deparei com a seguinte sugestão de leitura presente na galeria de imagens e vídeos:

 

Acidentes de Viação - Responsabilidade Civil e Criminal por Defeitos de Construção e Manutenção das Estradas

 

 

Da introdução:

 

A nossa classe política, aproveitando a apatia que domina a vida nacional, acarinha a tese segundo a qual a elevadíssima sinistralidade rodoviária resulta, unicamente, da culpa dos automobilistas portugueses. Como sinal dessa deformação, não existe tradição judiciária no tocante à responsabilização das entidades que têm a seu cargo a construção e manutenção das estradas, quando os defeitos da sua geometria e traçado, geram forças vivamente presentes na sinistralidade rodoviária mortal.
Os actuais horizontes de discussão não excedem os problemas de manutenção da via, que se reconduzem aos animais que invadem a auto-estrada, ou ao despiste provocado pela acumulação de água no pavimento, e, além destes limites, a discussão não se consegue libertar do dogma da culpa do condutor, o qual assenta pobremente em bases empíricas e não normativas. Recentes estudos técnicos e científicos de engenheiros civis portugueses, membros do OSEC, concluíram, sem margem para dúvidas, que em casos muito numerosos, as nossas antigas e modernas estradas apresentam gravíssimos defeitos de projecto, de construção e de sinalização, causais a violentos acidentes.

[...] O autor, vítima de acidente de viação, nos Tribunais administrativos, pode alicerçar a sua pretensão na imputação da responsabilidade civil extracontratual ao ente colectivo em questão.

 

É precisamente a alusão que Manuel João Ramos, da ACA-M, deixa na introdução trágica ao seu livro Sinais do Trânsito.

 

 

Se o primeiro é um livro para especialistas e a ser consultado pelos intervenientes em questões de justiça, o último reporta mais a uma sensibilidade para as consequências concretas na vida das pessoas da falta de ordenamento do território e pelo mau desenho das vias rodoviárias.

 

A questão é a seguinte: se há legislação ambiental e criminal que acautelaria e preveniria o aparecimento deste tipo de situações porquê as crónicas mortes na estrada e os atropelos ao ordenamento do território? Porque são raras as condenações de técnicos de estradas e de automobilistas assassinos de peões?

 

 


Para quem não conhece o caso do desenho surreal do troço de acabamento da CRIL é um imperativo visitar o seu sítio. Os vídeos são particularmente esclarecedores e mostram quais as forças políticas atentas a esta trapalhada monumental. Uma vergonha nacional à revelia da Declaração de Impacto Ambiental, da falta de condições de segurança e de transparência (ver o caso dos terrenos da Falagueira), patrocionada pelo (des)governo do costume. A opinião do vereador de mobilidade Fernando Nunes da Silva é taxativa: "se isto fosse um estado de direito já tinham rolado cabeças".

 

 

Exemplos:

 

 

Imagem publicitada pelo governo.

 

 

Foto de Junho

 

Creio que esta foto demonstra bem a dimensão do que se anuncia:

 

publicado por TMC às 03:22
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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

Leituras

1. Da Literatura: Equívocos

 

Num país atrasado como Portugal, a cultura do automóvel subverteu o interesse colectivo.

 

2. Jugular: De SCUTs, chips e respiração boca a boca

 

Ou será que há muitos que ainda não perceberam que, com a morte anunciada do motor de combustão, vai ser necessário substituir os impostos que agora todos pagamos quando enchemos os depósitos?

(obrigado Miguel)

 

3. O Apocalipse Motorizado (de São Paulo) tem vários exemplos de activistas que aproveitaram as ruas vazias durante os grande jogos do Mundial, para tornar a cidade mais humana. Por exemplo assim:

http://www.apocalipsemotorizado.net/wp-content/uploads/2010/07/2010-07-03-faixa-paraguai0x1espanha03-450x337.jpg

 


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publicado por MC às 00:07
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Sábado, 3 de Julho de 2010

Chips nas matrículas II

Como escrevi há três anos aqui, a introdução de chips nas matrículas dos automóveis permitiria resolver imensos problemas de controlo do tráfego. Além das portagens nas auto-estradas, seria mais fácil introduzir portagens urbanas, controlar o pagamento de parquímetros (e acabar com o maior desperdício de dinheiro que deve haver no país: ter pessoas a verificar se o carro tem a senha), combater excessos de velocidade, semáforos inteligentes (por detetarem quantos veículos há de cada lado), etc.

Apesar de a CNPD ter bastante poder no controlo do abuso de dados pessoais, há obviamente a a preocupação da violação da privacidade. O que dizer se um dia o chip poder ser localizado em qualquer local, e não apenas na portagem? O que dizer se o chip reconhecer a pessoa em concreto, e não apenas o carro? O que dizer se o chip acompanhar a pessoa e não o carro, sendo assim possível localizá-la quando está na praia ou em casa? O que dizer se um dia estes dados estiverem disponíveis não só para o Estado mas para grandes empresas privadas?

Mas isso existe. Chama-se telemóvel.

Claro que o seu uso não é obrigatório (embora eu já não conheça ninguém que tenha exercido o seu direito de não o ter), e ele pode ser desligado. Mas comparando um sistema com o outro, eu não tenho dúvidas sobre qual deles me faz mais confusão. E não são os chips.

 


A ler no Passeio Livre, uma apologia ao jaywalking (atravessar a rua fora dos sinais e passadeiras)

publicado por MC às 10:29
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