Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

O ataque ao automóvel em Lisboa

Lamento uma vez mais abordar apenas o que se passa na cidade de Lisboa. Falo do Orçamento Participativo, um programa autárquico que dá aos munícipes a oportunidade de proporem e sugerirem mudanças. Não há razão para que outras cidades não o possam fazer mas talvez em Lisboa seja o caso de que sejam os próprios cidadãos a auxiliar a autarquia. É previsível até que sejam cidades de menor dimensão a alcançar e a ter níveis de qualidade de vida superiores aos de Lisboa.

 

Dada a sua complexidade, a cidade de Lisboa vê-se confrontada com a dificuldade extrema de um plano geral e suficientemente abrangente para a resolução de todos os seus problemas; em vez desse objectivo totalizante, o que Orçamento Participativo pretende é chegar ao mesmo objectivo através das sucessivas resoluções de diversos problemas; mesmo as propostas que não forem tidas em conta decerto dirão algo aos técnicos da autarquia acerca da representatividade e natureza dos problemas reais com que os munícipes se vêm confrontados.

 

As propostas reflectem assim toda a vivência dos cidadãos com a cidade concreta do seu quotidiano; não há uma visão geral, não há cidade: existem apenas bocados e fracções urbanas bem localizadas a precisarem de intervenção.

 

O que se observa, para além de muitas propostas se relacionarem com a arborização e aspectos estéticos de zonas negligenciadas, é um ataque espontâneo, não coordenado, ao predomínio do automóvel no espaço público e como paradigma da mobilidade. Quando contei hoje as propostas registadas, cerca de 1/4 relacionavam-se com a introdução de mais espaço para os peões, de passadeiras, saneamento do estacionamento abusivo, mais ciclovias, mais transportes públicos, medidas de acalmia de tráfego, etc. Significa isto que há a impressão geral da omnipresença do automóvel, em todos as zonas da cidade. Isto não é novidade nenhuma mas espera-se que haja uma firme leitura política destes sinais.

 

De seguida apresenta-se algumas das propostas mais originais. A votação dura até dia 29 e depois de uma análise dos técnicos camarários, haverá nova votação em Dezembro.

 

 

Estudo pormenorizado de requalificação da 2ª Circular em avenida urbana
 
Com o fecho da CRIL, do Eixo NS o trânsito de atravessamento na AML está agora canalizado. Há que diminuir a capacidade nas vias urbanas em particular na 2ª circular, verdadeira barreira entre a parte alta e baixa da cidade. Sugiro requalificar em monumental avenida urbana com perfil 2X2 vias, passeios, ciclovia, demolir os viadutos criando cruzamentos. Essa avenida serviria de alavanca a uma urbanização de qualidade e ligava o pulmão verde do aeroporto. No próximo orçamento reservem uma verba para estudar esta oportunidade
2009-11-15
Número de proposta: 10
 
Construção de ciclovia ao longo do eixo Av. Guerra Junqueiro - Av. Roma - Alvalade
 
Propõe-se a construção de uma ciclovia ao longo de todo o eixo Av. Guerra Junqueiro - Av. de Roma - Alvalade. Esta ciclovia iria estabelecer a ligação com a ciclovia já em construção ao longo da Av. do Brasil e, na outra extremidade, ligaria à Alameda, ou a outra ciclovia eventualmente em construção na zona da Av. Almirante Reis. Poder-se-ia assim começar a criar uma rede que permitisse às pessoas que trabalham nesta zona e moram dentro do perímetro abrangido, fazer de bicicleta os percursos casa-emprego-casa, evitando assim o uso do automóvel.
2009-11-23
Número de proposta: 100
 
Mobilização total para o programa "zero carros nos passeios"
 
Este programa visa à mobilização geral dos serviços camarários para acabar de vez com os carros nos passeios, a melhor vergonha lisboeta que não existe em nenhuma outra parte do mundo civilizado. Sugiro uma verba no orçamento para: -recenseamento exaustivo dos casos de estacionamento nos passeios, com a ajuda dos cidadãos. -definir um modelo de pilaretes único para toda a cidade que seria também um ex-libris do mobiliário urbano especifico a Lisboa. -enfim, colocar os pilaretes nas ruas recenseadas faseando por eixo, bairro, sector etc, e publicitando as obras
2009-11-16
Número de proposta: 11

 

Alargamento dos passeios da Rua da Escola Politécnica
 
Esta rua regista um fluxo pedonal muito intenso. Mas este facto não tem correspondência na dimensão diminuta dos passeios. São pequenos e em vários lugares há estreitamentos devido a candeeeiros e sinalização. Nem sequer há espaço para instalar paragens de autocarros! No entanto, a rua tem 4 faixas de rodagem, 2 delas para estacionamento. Os peões estão a ser prejudicados. É necessário aumentar o canal pedonal para o dobro. Com passeios largos toda a comunidade ganha - incluíndo o comércio tradicional pois será mais confortável e seguro andar a pé.
2009-11-21
Número de proposta: 68
 
Elevação de passadeiras nas zonas residenciais da cidade
 
 
Elevação de passadeiras nas zonas residenciais ao nível dos passeios, passando estas a ter as mesmas características dos passeios adjacentes. Esta alteração permitirá um melhor usufruto do espaço público pelos habitantes da cidade, facilitando também bastante a mobilidade de pessoas com menor mobilidade: pessoas em cadeiras de rodas, idosos, carrinhos de bebé, etc.
2009-11-22
Número de proposta: 83
 
Basta de estacionamento nos passeios!!!
 
 
Não ao estacionamento nos passeios! Já chega de incompetência das autoridades que durante anos a fio têm fechado os olhos à maior vergonha da cidade de Lisboa que é o estacionamento ilegal e abusivo de veículos que barra a passagem dos peões que têm o DIREITO de circular à vontade nos passeios. Basta ir à zona de Benfica, como à Av. Gomes Pereira ou R. da Venezuela, para ver o que se passa à vista de todos. Porquer não a colocação de pilaretes nestas zonas problemáticas?
2009-11-24
Número de proposta: 116
 
Viva o transporte público - vamos deixar o automóvel em casa
 
A rede de transportes públicos de Lisboa precisa de ser repensada - talvez se alguns dos responsáveis fossem obrigados a deslocar-se em transportes públicos e não de automóvel com motorista compreenderiam o que se pretende - dar uma alternativa real ao uso do automóvel privado - como chegar ao Restelo a partir do Areeiro? etc. etc. etc. As rádios e televisões em vez de darem notícias sobre a situação do trânsito automóvel poderiam divulgar as alternativas em transporte público, por exemplo.
2009-11-25
Número de proposta: 129
 
Aposta no eléctrico como principal transporte da cidade
Serve a presente proposta para promover a re-introdução do eléctrico como principal meio de transporte da cidade, sendo actualmente um símbolo de Lisboa e que está cada vez mais a desaparecer. Tomando como exemplo a carreira 24E do Largo do Carmo a Campolide, com grande parte das vias férreas e aéreas renovadas, que se mantém suspensa desde as obras do parque de estacionamento de Campolide. Chegou a altura da cidade abraçar o regresso do 24 e porque não do 17?
2009-11-26
Número de proposta: 170

 

publicado por TMC às 17:25
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Cidades Amigas do Ambiente: Quizz

Hoje temos um quizz para ver quem sabe mais sobre cidades amigas do ambiente e da mobilidade sustentável.

 

Abaixo apresenta-se 6 tabelas de 4 figuras. Faz corresponder cada figura (legendadas de A a D) com um dos elementos da seguinte lista (numerados de 1 a 4):

1.Uma cidade poluidora cuja mobilidade é baseada no automóvel convencional.

2.Uma cidade amiga do ambiente que fez um enorme esforço de conversão de todos os automóveis convencionais para automóveis eléctricos sem emissões.

3.Uma cidade amiga do ambiente que só usa automóveis híbridos, hidrogénio, gás natural, água, ar comprimido, óleo de fritar batatas ou banha da cobra.

4.Uma cidade que atirou o carro às urtigas.


Tabela I

Tráfego na cidade

 


Tabela II

Espaços Sociais para Crianças

 

 

 

Quem respondeu I-B4, II-A4, III-A4, IV-D4, V-A4, VI-B4 e VI-C2 e o resto ao calhas, acaba de ganhar 5000€, descontos/isenção no IVA, IRS, IA e IUC para comprar um carro eléctrico e assim promover uma mobilidade sustentável amiga do ambiente. Tudo pago pelos nossos impostos.

publicado por MC às 17:18
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Tão pobre que nem tinha dinheiro para a portagem

A imagem do automóvel como bem de primeiríssima necessidade não cessa de me surpreender. Na "À Mesa com a Crise", a última edição da Reportagem TSF (um excelente programa radiofónico) o tema é a crise, o desemprego e a pobreza. Dir-se-ia que se falaria de pessoas com fome, sem dinheiro para cuidados de saúde, pessoas em desespero. Sim fala-se nisso, mas há várias referências a automóveis. A certa altura, uma funcionária de uma instituição de caridade relata "... começam a não ter dinheiro para as portagens, até nos diziam «nós depois até já íamos pela estrada nacional, mas já nem pela estrada nacional conseguíamos ir porque não tínhamos gasolina e ficámos confinados a 4 paredes»".

E não se fala só em pessoas com vergonha em admitir que têm fome ou que não têm dinheiro. Há uma mulher que fala na vergonha de ter o carro avariado: "dávamos desculpas às pessoas para não dizer que tínhamos a carrinha avariada".

O que dirão estas pessoas de mim, que não tenho carro há 11 anos? O que dirão elas de muitíssimas pessoas que nem a carta têm? Seremos etíopes à espera da ajuda da Madonna? Estarei eu confinado a 4 paredes? Será que deverei ter vergonha de dizer que não tenho carro?

Mas não são só as próprias pessoas que o referem. São os funcionários das instituições de solidariedade que acham este aspecto suficientemente importante ao ponto de acrescentarem isto à sua descrição das situações de pobreza. É a jornalista que escolheu estas citações entre as várias horas de gravações audio que tinha, onde haveria certamente alguém sem dinheiro para uma operação ou a viver à custa de ajudas há longo tempo.

 

Como já escrevi em tempos, será que ainda veremos a velha canção do Sérgio Godinho transformada em "O paz, a pão, a habitação, a saúde, a educação, e o carro novo"?

 


A ler: The Politics of Happiness sobre Bogotá no Cidade-Ideal.

publicado por MC às 22:07
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Não bate a bota com a perdigota

O excelso primeiro-ministro português fez hoje na inauguração da central fotovoltaica do MARL várias declarações demagógicas:

 

Portugal aposta nas energias renováveis "porque não pode ficar tão dependente do petróleo".

 

As centrais de energias renováveis transformam uma forma latente de energia em energia eléctrica. Só uma ínfima parte derivada do petróleo é que é queimada para produção de energia eléctrica. A dependência portuguesa do petróleo está relacionada com os transportes e com a indústria. Não faz sentido. Só o faria sentido se o nosso parque automóvel e se a totalidade do transporte ferroviário fossem exclusivamente eléctricos. Não são.

 

"Reforçar a nossa autonomia estratégica dos combustíveis fosseis é absolutamente essencial. Se queremos reforçar a nossa autonomia, a única alternativa é a aposta nas energias que têm como base os recursos nacionais, as energias renováveis"

 

Não é nem deve ser a única alternativa. Há coisas bem mais inteligentes do que se apostar exclusivamente em fornecer mais energia como introduzir hábitos de eficiência energética entre os quais se inclui a mobilidade sustentável. Mais do que um hábito, é um conceito que deve presidir ao planeamento do território e não algo bonito para engalanar inaugurações. Dito de outro modo, esta afirmação está em total contradição com o tradicional estímulo luso à utilização do automóvel através de maus horários de comboio, falta de portagens existentes à entrada das maiores cidades, má fiscalização (por defeito) do automóvel, ausência de fiscalização do seu estacionamento e claro, todos os milhões gastos nas estruturas que o servem em exclusivo.

 

Segundo Sócrates, com o aumento da produção própria em energias renováveis o país poderá reduzir o seu endividamento externo, porque "metade do endividamento diz respeito à factura energética e ao petróleo".

 

Outra vez: o petróleo que Portugal importa vai para o sector da indústria e dos transportes; mesmo que o transporte ferroviário fosse todo eléctrico, mesmo que o nosso parque automóvel fosse todo eléctrico, cerca 30% da nossa energia eléctrica estaria inevitavelmente ligada à queima do carvão; pior, teríamos que construir mais centrais eléctricas porque a nossa rede não seria capaz de satisfazer tanta procura; e não temos muito mais margem de expansão quer para as eólicas quer para as hídricas. Por isso esta afirmação não se coaduna com a inexistência e abate de ligações ferroviárias entre cidades que podiam explorar os nossos recursos eléctricos endógenos e não é compatível com a insistência megalómana em mais auto-estradas

 

Quando é que o primeiro-ministro inaugura uma ligação ferroviária ou encerra um troço rodoviário? Não estou tão preocupado com sua demagogia mas com a persistência na componenete salvífica das inovações tecnológicas. O que é preciso, na área dos transportes, principal sector responsável pelo endividamento e pela importação do petróleo, nas palavras do próprio, são mudanças fiscais e políticas que conduzam à alteração de comportamentos.

 

publicado por TMC às 20:50
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Como boi para palácio

O bananalogic encontrou uma reportagem sobre medidas de acalmia de tráfego que a CM de Almada colocou no terreno. A solução para forçar velocidades baixas é muito simples, criar barreiras (neste caso árvores) dentro da rua, que por vezes obrigam os carros a ziguezaguear e outras a ter que dar passagem a quem vem de frente (porque nos locais com barreiras, só passa um carro de cada vez). O facto de serem árvores tem mais um efeito psicológico quando crescerem: é criado uma sensação de aperto que leva os condutores a conduzir mais devagar.

São tudo medidas das quais eu já falei e que são usadas há muitos anos no norte da Europa: ziguezagues, redução de duas para uma faixa e "apertos".

A parte triste é a reacção das pessoas, que acham que a CM está maluca. As pessoas explicam na perfeição os efeitos e os objectivos das barreiras, com um ar de espanto e desprezo, mas depois chama-lhe um "fenómeno", "peculiar", "não tem justificação possível". Junta-se o tom trocista na reportagem com aquela musiquinha e aquele tom de voz.

Isto lembra-me quando se começou a discutir a introdução de Zonas 30 em Lisboa e se ouvia comentários como "só neste país". Por acaso até eram comentários certeiros. só que na direcção oposta! Lisboa era então a única capital da UE15 onde ainda não havia zonas 30, uma medida que já existe há 26 anos e que em algumas cidades é a regra e não a excepção.

 


Dentro do mesmo espírito, o A Nossa Terrinha dá conta de uma declarão do lóbi do popó que fala no mal-tratamento que o carro recebe em Lisboa. Fico curioso para conhecer uma grande cidade da UE15 onde o carro seja são tão bem-vindo como Lisboa.

 

publicado por MC às 10:26
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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Ondas verdes

 

1.

Onda Verde é um instrumento da gestão de tráfego que consiste em organizar os semáforos de tal maneira a que os veículos que circulam numa via num determinado sentido apanhem vários semáforos verdes consecutivamente. Assim aumenta-se várias vezes a capacidade de escoamento dessa via. Para apanhar os verdes seguidos é necessário circular a uma determinada velocidade - tipicamente de 50 a 70km/h - que por vezes está sinalizadas como na foto acima, mas na maioria das vezes não é sequer comunicada.

Na "Avenida" da República em Lisboa, existe uma onda verde não assinalada por exemplo, de manhã no sentido subúrbios-centro e vice-versa à tarde.. Ao manter-se a 60km/h por hora os veículos só apanham verdes. Sim leram bem, 60km/h! É a própria câmara que incentiva velocidades ilegais no centro da cidade.

 

 

2.

Em Copenhaga e Amesterdão existem existem ondas verdes mas de 18 ou 20km/h, obviamente a pensar nos ciclistas. Assim se incentiva a bicicleta, garantido menos esperas , menos esforço e uma velocidade média muito maior, e desincentiva o automóvel (que irá mais lento que a bicicleta).

Em Londres também estão planeadas 12 "super-cicloestradas" radiais, com 1,5m de largura (algo que em Lisboa nem os peões têm). Aqui fica o vídeo de apresentação do projecto, mais uma interessante obra da TfL.

 

 


A ver, um video dos TedTalks com Jaime Lerner, um dos responsáveis por colocar Curitiba no top das cidades em mobilidade sustentável, sobre o planeamento das cidades.

(obrigado Dário do  O Comboio)

publicado por MC às 13:55
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Calendário de eventos de Bicicletas & Mobilidade Sustentável

Talvez já tenham reparado que do lado esquerdo do blogue esteja um calendário chamado Bicicletas & Mobilidade Sustentável. Ele é coordenado por nós, Menos Um Carro, e pela Ana do bananalogic, Cenas a Pedal e Planeta Bicicultura.

 Trata-se de um calendário Google público, o que quer dizer que pode ser adicionado ao vosso calendário pessoal do google, bastando para isso carregar na tecla "+ Google Calendário". Para quem usa outros calendários ele também pode ser adicionado através dos seus endereços XML ou ICS ou ser visto em HTML. Pode ainda ser inserido noutras páginas usando o código disponível aqui. Por enquanto está bastante vazio (na semana passada houve pelo menos 3 eventos que mereciam ter estado lá) por isso ajudem-nos a enchê-lo, contactando-nos ou a Ana.

 


Um evente permanente que não precisa de ser anunciado é o que nos propõe o Lisboa SOS, em AutoLisboa: exposição permanente:

publicado por MC às 14:38
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

O melhor amigo do Homem

 Publicidade da BOSCH na TSF (sem comentários)

 

 

publicado por TMC às 11:04
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Página da Prevenção Rodovíaria Portuguesa

A nova página da PRP tem algumas informações interessantes que vale a pena referir. Tem vários simuladores que demostram problemas da sinistralidade dos quais não nos lembramos usualmente:

  • Circular a 40km/h, 50km/h ou a 60km/h não é quase a mesma coisa em termos de sinistralidade. Em alcatrão, com o piso seco, signfica distâncias de travagem de 21m, 29m ou 38m, quase o dobro dos 40 para os 60km/h. E isto faz diferença na cidade.
  • Maior diferença há na probabilidade de assassinar um peão, quando há um atropelamento a estas velocidades: 16% 40% e 71%! Um gráfico mais completo aqui. É exactamente por isto que os 30km/h são cada vez mais a norma e não a excepção.
  • Também é errado pensar que o automobilista está igualmente atento independentemente da velocidade. A 30km/h tem-se um campo de visão de 120º, mas de apenas 69º a 70km/h.

Há ainda um ficheiro excel a mostrar que andar a 100, 120 ou 140km/h também não é quase a mesma coisa em termos de emissões poluentes. Elas correspondem a emissões de  14,47kg, 17,47kg e 22.04kg de CO2 equivalente por cada 100km num carro a gasolina médio. Este aumento exponencial significativo acima dos 80km/h mostra porque é que reduzir a velocidade média nas auto-estradas em apenas 1km/h tem tantos benefícios ambientais.

 


Como mudar de casa... de bicicleta no bikesatwork.com.

publicado por MC às 21:01
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Destrói os carros, não as cidades

Em tempos havia uma marca de roupa portuguesa chamada QuebraMar - que até tinha uma apreciável quota de mercado - marca essa que eu julgava estar morta há uma década.Há dias numa festa de anos, fiquei surpreendido por ver um presente dessa mesma marca e dei uma olhada na página. A marca existe e está de excelente saúde com uma rede de umas 40 lojas.

Agora como é alguém que viaja bastante e dá preferência às marcas portuguesas, não se apercebe de tal desenvolvimento?? A resposta é simples, eu não tenho carro e as 40 lojas estão todas nos shoppings onde se chega de automóvel. O que é mais grave, e por isso (re)conto esta história, é que isto se passa com todas as marcas portuguesas com a única excepção da Lanidor. As marcas internacionais fazem exactamente o contrário: estão dentro da cidade. Falando de Lisboa, a Baixa, o Chiado, o Saldanha, São Sebastião, Av. Liberdade, Av. Guerra Junqueiro, etc. estão completamente monopolizadas pelas marcas internacionais.

E esta diferença diz muito sobre nós. Na cabeça dos empresários portugueses, só o shopping onde se chega de carro é que é o progresso. Investir no centro da cidade é investir no passado. O que está por detrás desta deslocalização perversa do comércio explica muito da morte das zonas centrais das nossas cidades. Tornam-se desumanas, feias, pouco seguras. Perdemos qualidade de vida e turismo.

 


O A Nossa Terrinha tem um exemplo delicioso sobre este relativismo cultural centrado na suposta necessidade absoluta do automóvel: exactamente na mesma situação, os portugueses são aqueles que mais desprezam os transportes públicos.

Algo que eu já tinha comentado aqui.

publicado por MC às 13:25
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