Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Greenwash dos carros verdes ao estilo "tiro no pé"

Nesta posta deixei um link para uma excelente notícia de Nova Iorque, onde a famosa avenida Broadway está a pouco e pouco a ser libertada de automóveis. Neste caso específico tratava-se de pedaços de cruzamentos da avenida que foram totalmente pedonalizados, não podendo agora os carros circular ao longo dela. Nestes pedaços nasceram pequenos jardins com esplanadas.

Num destes cruzamentos pedonalizados, existe agora internet de borla alimentada a painéis solares pagos por uma famosa marca de carros híbridos.

(roubada aqui)

Mas a existência de espaços agradáveis na cidades, espaços para as pessoas, que tornem as cidades mais humanas, está dependente da redução do número de automóveis não do tipo de motor que os faz andar. Não é passando todos os automobilistas para híbridos ou eléctricos que a cena agradável da fotografia se multiplica, mas com políticas anti-automóvel nas cidades.

A Toyota foi certeira. Se há um bom local para mostrar que os híbridos não são solução para nada, esse local é o da foto. Irónico no mínimo.

 


A ler: a BBC conta a história de um cego que foi preso quando tentava ter direito a caminhar no passeio. A polícia galesa também mostra uma preocupação muito maior em defender os automóveis estacionados do passeio, do que em defender os cegos que queriam caminhar neles mas são obrigados a usar a estrada.

publicado por MC às 17:14
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Carros eléctricos são os melhores amigos das energias renováveis?

Começo com a nota habitual, ninguém neste blogue está contra o carro eléctrico em comparação com o carro convencional. Não têm emissões poluentes dentro das cidades (apenas na central térmica) e têm um nível de ruído muito menor. Discordamos é do impressionante apoio financeiro que lhe é dado pelo estado, e discordamos da sua promoção que acaba por ser a manutenção de um paradigma ultrapassado, o da mobilidade automóvel nas cidades que tantas desvantagens traz independentemente do motor escolhido. Um paradigma que é e será sempre um absurdo energético, independemente do motor.

 

Dito isto, fiquei mais uma vez estupefacto com o greenwash associado ao carro eléctrico a ver um dos Expressos da Meia-Noite de Julho. Frases como a do título do post e outras semelhantes associando o carro eléctrico a "coisas verdes" foram novamente repetidas. Mas o que é o carro eléctrico tem de especial que os restantes aparelhos eléctricos não têm? Por que é que os aquecimentos e os ares condicionados não são verdes mas os carros são? Porque há tantos esforços na rotulagem energéticas nos frigoríficos, máquinas de lavar e habitação, se usar electricidade é ser verde?

A frase do título vinha num contexto onde se dizia que o carro eléctrico ia impulsionar as energias renováveis. Mas a multiplicação de ares condicionados (usados de preferência com a janela aberta) também daria o mesmo resultado. Se é possível aumentar a produção nas renováveis, porque não usá-la para diminuir o consumo de carvão em vez de usá-la para automóveis? De qualquer modo as energias renováveis também causam danos ambientais.

Por que não apostar num sistema de transportes realmente eficiente do ponto de vista energético, os transportes públicos, as bicicletas e os peões?

 


A ler: Who Causes Cyclists’ Deaths? no Freakonomics onde se mostra que os automobilistas são os principais causadores das mortes dos ciclistas, e não os próprios ciclistas.

publicado por MC às 16:47
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Domingo, 30 de Agosto de 2009

Finalmente!

Este fim-de-semana foi finalmente inaugurado o troço Alameda-Saldanha-S.Sebastião que permite reduzir o tempo de muitas deslocações via metropolitano em Lisboa.

 

 

A partir de agora, qualquer que seja o a origem e o destino o utente apenas terá de fazer o máximo de 1 transbordo. (Poderá haver casos em que 2 transbordos serão mais rápidos, como Rato -Cais do Sodré)

 

Parece-me que esta medida poderá reduzir em alguns milhares o número de carros que atravessam Lisboa da parte Oriental para o centro, esperemos que sim.

 

 

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publicado por António C. às 23:19
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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

As nossas Avenidas Novas e as deles

Várias zonas centrais de Lisboa, como as Avenidas Novas, são muito semelhantes a zonas  centrais de Barcelona. Semelhantes pelo tipo de edifício, pelas décadas de planeamento e construção, pela localização central na cidade, pelo tamanho e disposição dos arruamentos, pela co-existência de escritórios e habitação, pela abundância de transportes públicos. Mas há uma diferença muito notória, as de Lisboa têm sempre 4 faixas de estacionamento e passeios estreitos,

 

 

enquanto as de Barcelona têm passeios largos e no máximo duas faixas de estacionamento.

 

 

Algumas, tanto largas como estreitas, nem uma faixa estacionamento automóvel têm! Os residentes e os trabalhadores em Barcelona não têm portanto as mesmas facilidades em estacionar que têm os de Lisboa, em termos de preço e disponibilidade. Os moradores de Lisboa até têm estacionamento de borla.

 

À partida todos concordamos numa coisa, as de Barcelona são mais agradáveis por terem menos carros. E no que toca às anunciadas "calamidades" que advêm da redução do estacionamento à superfície?

Esta zona de Barcelona deveria estar abandonada. Na realidade está mais viva e com mais movimento que a equivalente em Lisboa.

E o comércio local? O de Barcelona recomenda-se e encontram-se várias lojas das grandes cadeiras. Em Lisboa o comércio foge da cidade.

Os habitantes deveriam ter fugido por falta de estacionamento, mas eles não parecem querer sair dali. Entretanto em Lisboa vemos o número de habitantes a decrescer.

 

Há outros factores a ter conta, mas parece-me azar a mais todas as previsões saírem furadas. E não precisamos de falar de Barcelona. Podemos falar de Madrid, Milão, Sevilha, Paris, etc. 

publicado por MC às 19:42
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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Alguns breves apontamentos

A loucura de Marisa Santos, autarca de Sines, que decidiu começar a deslocar-se para o trabalho de bicicleta. Os bons exemplos devem começar de cima e a iniciativa é de aplaudir, apesar dos comentários retrógados. É mesmo só uma questão de mentalidade.

 

Outra birra em Lisboa por perda de espaço de estacionamento. Como é comum na cidade, um outeiro pedrogoso e abandonado servia de espaço de estacionamento...gratuito. Se alguém pensa em reeordená-lo e dar-lhe uma fim prático, nem que seja para uns tontos lá passarem de bicicleta, cai o carmo e a trindade. Caros senhores, o espaço para o automóvel não é um direito adquirido.

 

Parece que afinal há algum bom senso: o Governo vai prolongar a linha do Douro do Pocinho até Barca de Alva. No ar fica uma hipotética ligação a Espanha. Efeitos da reportagem Fim de Linha? Ou dar uma no cravo e na ferradura depois do acidente da linha do Tua, por manifesta falta de manutenção, ter prolongado o seu encerramento até agora e sem que haja culpados?  Tentei não me rir quando li a frase de Ana Paula Vitorino, secretária de estado dos transportes, quando disse que este governo criou um novo paradigma. A EDP agradece tanto paradigma.

 

 

publicado por TMC às 16:33
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Será que há mesmo falta de lugares de estacionamento em Lisboa??

Quantas vezes se ouve que os carros só estão mal estacionados,  porque não há lugares de estacionamento em Lisboa (e noutras cidades)? Quantas vezes que "teve que ser" porque "não havia alternativa"? Normalmente são comentários precedidos pelo "como é que queres que..." que hipocritamente tentam passar o ónus da prova do infractor para a vítima.

Farto destas discussões vazias o nosso caro colega blogger Carlos Medina Ribeiro d'O Carmo e a Trindade, que em tempos já o tinha tentado provar a "bem", lançou agora um excelente desafio. Ele paga a quem lhe mostrar um parque de estacionamento numa zona residencial de Lisboa que esteja realmente cheio.

O ponto onde eu e ele queremos chegar é simples. O problema não é falta de estacionamento, mas sim falta de vontade de pagar por ele. Estranho este status onde a sociedade coloca o automóvel, ao ponto de se achar que devem serem os outros a pagar pelo usufruto do carro. Nunca me pagaram a minha bicicleta ou o meu passe, por que hei de pagar o estacionamento dos outros?

 


A ler: a Alemanha vai acabar com os subsídios ao abate de automóveis antigos! (via)

publicado por MC às 15:45
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Automobilista obrigado a pagar 600€ de compensação por obstruir passeio

Uma excelente notícia que nem nos chega do Norte da Europa. Aconteceu na Grécia,  país onde nasceu a ideia do autocolante do peão pela mão dos Streetpanthers (fonte da notícia aliás). Um país no qual, tal como em Portugal, é socialmente aceite que o peão seja preterido ao automóvel mesmo no espaços reservados ao peão.

Um casal que passeava em Atenas, chegou a um jipe que obstruía por completo o passeio e os obrigava a caminhar pela rua. Tassos Pouliassi não se conteve e passou por cima do jipe, danificando-o involuntariamente. Depois de uma violenta discussão e intervenção da polícia o caso seguiu para tribunal. Este decidiu que o condutor deveria indemnizar o casal em 600€ por ameaça à integridade pessoal, e que este deveria compensar pelos danos no jipe.

À boa maneira mediterrânica, o carro nunca chegou a receber uma multa de estacionamento ilegal.

 


A ler: a China vai investir 300 mil milhões de dólares (mais que o PIB português) em 26 mil k de ferrovia rápida (via).

publicado por MC às 09:25
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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

O porquê deste blogue numa simples frase

Cars are happiest when few other cars are around, people are happiest when there are many others around.

Dan Burden

 

Nós queremos cidades cheias de pessoas, não cheias de carros.

publicado por MC às 15:12
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Não tenho nada contra a tecnologia...

...mas ao ler acerca do novo projecto City Motion, albergando várias empresas de transporte público, centros de investigação universitários e as próprias autarquias de Lisboa e Porto não pude evitar algum cepticismo. Além disso, sei bem o resultado destes projectos mirabolantes e mui cooperantes. Estudei e trabalho numa faculdade com vários departamentos de transporte em que o campus é usado como estacionamento gratuito para alunos, professores e funcionários , apesar de estar rodeado  por transportes públicos de qualidade.

 

A notícia do projecto também não é muito promissora, simplesmente porque o objectivo do projecto - mudar profundamente a mobilidade nas grandes cidades - parece advir de três factores:

 

1) articulação dos vários agentes interessados (a minha tradução para stakeholders)

2) fusão de dados e respectiva gestão numa plataforma logística  digital em tempo real

3) usufruto dessa informação para o utilizador dos transportes públicos

 

O ponto 1) é desejável em qualquer projecto mas no caso dos problemas de mobilidade concretos que assolam Lisboa e Porto o ponto 2) e especialmente o 3) são inócuos. Poderão melhorar um pouco a mobilidade mas só o farão para quem já usa os transportes públicos. Não há nada no projecto que ataque o problema principal que é uso excessivo do automóvel nas cidades.

 

Ou seja, o projecto não é nada realista. Falha o alvo. Assume que  qualquer utilizador de transportes públicos usará os resultados via telemóvel e atribui  ao acesso à informação o ónus da mudança na mobilidade urbana. Não há nada no projecto que permita cativar utilizadores de viaturas particulares para as públicas e ignora a falta de sustentabilidade das empresas de transporte públicos, precisamente por estas ainda não captarem clientes suficientes.

 

Ninguém gosta de esmolar mas face a todos os incentivos concedidos pelos sucessivos governos à viatura particular, é claro que o resultado só poderia ser o prejuízo das empresas de transportes públicos. 

 

publicado por TMC às 02:15
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

A energia e os transportes em Portugal

Um colega brasileiro, numas postas atrás, comentava com espanto e curiosidade sobre a matriz energética portuguesa. Para quem não está enquadrado com o panorama nacional, é uma dúvida legítima. Mal sabe o Rogério que uma das principais riquezas do país são as nossas contradições.

 

O que assusta nos anúncios do governo sobre os benefícios concedidos não é a demagogia, o tom messiânico e o habitual sentido de progresso com que eles vêm engalanados. O que se exigia seria informação correcta sobre esse futuro auspicioso. E os limites à substituição do parque automóvel nacional, totalmente dependente de combustíveis fósseis por um parque automóvel eléctrico são bem concretos. 

 

Isto porque a componente eléctrica da nossa matriz energética, apesar da forte aposta nacional em energias renováveis (eólica, solar, biomassa e as desvantagens da hidríca) não tem muito mais por onde crescer de forma sustentada e não é suficiente, a longo prazo, para permitir uma mudança de paradigma; não é possível substituir o parque automóvel actual, totalmente dependente de combustíveis fósseis, para um parque automóvel eléctrico. Não só isso, mas mesmo que a percentagem de automóveis eléctricos cresça, eles nunca serão verdes: além dos recursos gastos na sua manufactura, além do espaço público exigido pela sua utilização, apenas um em três carregamentos das baterias é que seria proveniente de fontes renováveis.

 

 

 

 
 
A percentagem de energia em mega toneladas de petróleo equivalente usada por Portugal em comparação com a União Europeia a 27. Em termos comparativos, Portugal usava, em 1996, 35% da energia total (a que importava mais a endógena) em transportes, contrastando com os 28% da UE para o mesmo ano. Para o ano de 2006, Portugal usa cerca de 38% da sua energia para o sector dos transportes, o que assinala uma tendência clara da exigência energética do sector. A União Europeia, para o mesmo ano, apresentou um saldo de 32%.
 
 
 
A distribuição da energia empregue no sector dos transportes é clarificada através da tabela anterior. Os transportes rodoviários, em 1996, utilizavam 85,4% da energia reservada para o sector dos transportes, o que equivale a dizer que da energia usada em Portugal em 1996, 30,2% era usada na componente rodoviária dos transportes. Estes indicadores pioraram, em 2006, para atingirem 86,1% e 33,2%, respectivamente.
 

Resumindo, em Portugal é bastante possível e até aconselhável sermos mais eficientes no sector dos transportes sem adoptarmos necessariamente o automóvel eléctrico. 

publicado por TMC às 23:39
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