Domingo, 9 de Novembro de 2008

Corridas Intermodais

Muitas vezes quem defende a vantagem do automóvel em termos de velocidade na cidade, esquece-se de três coisas:

  • Andar de carro (em vez de ir a pé, bicicleta ou mota) obriga a caminhar do ponto de partida até ao local onde o carro está estacionado, a procurar um lugar para estacionar no ponto de chegada (o que por vezes dura e dura), e caminhar até ao ponto de chegada.
  • O carro não pode muitas vezes fazer o mesmo percurso que um peão, uma bicicleta, ou o transporte público sendo obrigado a dar uma volta maior.
  • O carro fica preso no trânsito, mas a bicicleta, o peão, a mota e o metro não!

aqui referi que em média a bicicleta é o meio de transporte mais rápido dentro da cidade até aos 5km (o peão é ainda mais rápido para distâncias muito curtas), e aqui que grande parte das deslocações de carro na cidade são muito pequenas. Mas melhor do que palavras, é experimentar mesmo.

Numa experiência feita pelo GAIA no Porto há umas semanas, o 1º desafio intermodal no Porto, a bicicleta foi a primeira a chegar num percurso de 5km (a mota perdeu-se). De seguida chegou quem foi a pé+metro. O carro, que teve que procurar lugar para estacionar, chegou apenas em quinto. Bem sei que parte do percurso era a descer, mas o resultado é claramente diferente do que muitos carro-dependentes portuenses esperariam.

N'A Corunha, uma corrida semelhante teve como vencedores a mota e a bicicleta, seguidos pelo taxi. Em último, o carro... que em termos de preço é apenas batido pelo taxi. Um post a ler no bicis.info (na variante galega da nossa língua).

 

 


A ver: publicidade do Friends of the Earth para nos lembrar que a poluição automóvel está em todo o lado.

obrigado Tiago

publicado por MC às 20:33
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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Carros e Eficiência Energética

Há umas semanas num seminário no Técnico sobre o Pico do Petróleo organizado pela ASPO-Portugal, James Howard Kunstler (autor de O Fim do Petróleo e o documetário The End of Suburbia) caracterizava muito bem a actual obsessão por carros movidos a electricidade, hidrogénio, ar comprimido, óleo fula, etc. Dizia ele que, quem está preocupado sobre como vamos andar de carro já nas próximas décadas devido à queda da produção do petróleo, não está a perceber o que se está a passar. A questão imediata é como é que a sociedade vai funcionar sem carros (ou com muito poucos).

Os combustíveis fósseis (petróleo, gás, carvão) são ainda hoje a principal fonte de energia, mas todos eles são finitos. A época da energia barata acabou logo não vale muito a pena pensarmos em carros movidos a outras formas de energia - é que há ainda confusão na cabeça de muita gente sobre o hidrogénio, a electricidade e o ar comprimido, nenhum deles é uma fonte primária de energia, têm sempre que ser produzidos.  E o problema é que o carro é de longe o meio de transporte mais ineficiente em termos de energia.

Numa apresentação mais técnica, Luís de Sousa respondia de certa maneira à pergunta que eu tinha levantado aqui para o primeiro-ministro, de onde viria a electricidade toda para os carros eléctricos que ele anda a financiar.  Estima ele que seria necessário construir 90 centrais nucleares, ou 46 000 turbinas eólicas, ou 3 000km2 de painéis solares, todos os anos para podermos apenas manter o actual consumo energético per capita.

 

A solução para o futuro próximo parece-me óbvia, deixar de financiar carros eléctricos e passar a financiar meios de transportes energeticamente eficientes.


A ler: a importância económica de impostos mais altos sobre os combustíveis explicado a leigos em economia, por Greg Mankiw.

publicado por MC às 00:02
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Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

O (verdadeiro) preço da gasolina

Price of Gas - Bloc Party

 

I've been driving, a mid sized car,
I never hurt anyone
Is that a fact?
The price of gas keeps on rising
Nothing comes for free
Make like a stone, make like a plant
I can tell you, how this ends

We're going to win this
With spades and truncheons, guns and trowels
That is how the war will be won
Just swat the fly
Taking care of cars and bodies
Nothing ever comes for me
The ghosts are here, red white and blue

I can tell you how this ends
We're going to win this

 

video não-oficial

 


A ler: "O risco de andar distraído nos passeios de Lisboa" por  José Vítor Malheiros

publicado por MC às 23:30
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Colóquio: O Peão e a Cidade em Lisboa

A não perder, o colóquio organizado pela ACA-M sobre "o peão e a cidade" no dia 12 no Instituto Goethe em Lisboa (Campo Mártires da Pátria / Campo Sant'ana).

 

Resumo do programa:

10:20h Melhor mobilidade com menos automóveis
Heiner Monheim (Universidade de Trier, Alemanha)
10:40h Andar, tempo e espaço público: percepções, políticas e perspectivas
Daniel Sauter (Urban Mobility Research, Suíça)
11:40h Comodidade e segurança dos peões na Europa: passado e futuro
Nicole Muhlrad (INRETS, França)
12:00h Necessidades de qualidade para peões
Rob Methorst (Coordenador da Acção COST-PQN, DVS-CTN, Holanda)
14:30h Mesa Redonda – Sociedade Civil: Estudos, participação e conflito…
15:40h Uma abordagem etnográfica à Rambla del Raval: espaço (público?) e peões.
Gerard Horta (Universidade de Barcelona, Espanha)
16:50h O sistema de gestão de acesso de Londres (LAMS) e o estado do andar a pé
Jim Walker (The Access Company, Reino Unido)
17:10h Peões: cidadãos de segunda?
Ralf Risser (Universidade de Lund, Suécia)
 

Há ainda o lançamento de mais um livro sobre a dinâmica de uma praça lisboeta, apoiado pela ACA-M: Pedonalidade no Largo do Rato: micro-poderes, de Aymeric Bôle Richard. Uma edição semelhante sobre o Saldanha está disponível online.

 


A UTAD vai promover o carpooling entre os alunos e os empregados, chamando-lhe "boleia universitária". A notícia refere um estudo sobre a mobilidade pessoas ligadas ao Instituto Politécnico de Leiria onde "80 por cento das pessoas, do universo de alunos, professores e funcionários, vão para aquele estabelecimento de ensino em viatura própria e, desses, 50 por cento viajam sozinhos".

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publicado por MC às 23:14
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'Tadinho do (alegado) homicida II

A propósito de camionista português, cujo camião matou uma família inteira na Inglaterra, a RTP tem uma equipa de reportagem a acompanhar in loco os primeiros passos do processo judicial. Para lá do tom de compaixão, que eu já referi, não é um pouco estranho a RTP estar a dar tanta atenção ao caso? Ao fim e ao cabo a Inglaterra não se trata de um país com um justiça duvidosa, ou brutal. Não será apenas o reflexo de um país (o nosso) que facilmente perdoa homicídios por negligência cometidos ao volante, e que olha com pena para o t'adinho do compatriota?

 


A ler: Bicicletas: para os amantes do veículo os benefícios compensam as dificuldades no Público.

publicado por MC às 23:08
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Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Quem atrapalha o trânsito são os carros! II

Mais três exemplos de como os carros são os causadores dos conflitos na ocupação do espaço urbano, que leva a semáforos, regras, conflitos, sinistralidade, sinais, congestionamentos, etc.

 

1. Peões & Transportes Públicos

 

 

Não são necessários semáforos e regras, bom senso e atenção são suficientes para a convivência.

 

2. Peões & Bicicletas vs Peões & Carros

 

 

Apesar de ser um cruzamento com igual número de carros, peões e bicicletas, reparem que não há nenhuma linha - muito menos semáforos - no local onde os peões e as bicicletas se cruzam... o mesmo já não se pode dizer dos carros. Aliás, alguém já alguma vez viu um semáforo a regular um cruzamento de bicicletas com peões?

 

3. Carros & bicicletas

 

 

Rua de sentido único para automóveis, MAS de duplo sentido para bicicletas (e para peões, já agora!). Este caso é muito comum nos países onde a bicicleta é vista como um transporte. E percebe-se porquê, a bicicleta por ocupar muito menos espaço não atrapalha se for em sentido contrário. Um carro em sentido contrário provavelmente nem caberia (e por lá não se reduzem passeios).

 

Quem atrapalha o trânsito são os carros! I


Histórias de Lisboa por outros blogues.

Um carro-dependente que se queixa da EMEL rebocar carros estacionados em cima do passeio, quando "não existe nenhum sinal de proibição de estacionar"!! - "Oh seu guarda, não sabia que era proibido roubar, não havia nenhum cartaz a avisar na loja!"

A vergonhosa condescendência da polícia lisboeta para com o estacionamento ilegal.

Um post que eu queria escrever, mas que alguém escreveu por mim: o egoísmo de quem não se dá ao trabalho de deslocar alguns metros a sua carripana, prejudicando assim imensas pessoas.

A praça mais monumental do país transformada em parque de estacionamento.

publicado por MC às 22:54
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