Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Pinhal para jogging

O António já aqui tinha referido este exemplo da fome devoradora do espaço urbano por parte do automóvel. Aqui fica a foto do antigo pinhal no Estádio Universitário em Lisboa, mesmo em frente à Cantina Velha, onde eu ia fazer jogging nos meus tempos de estudante.


E assim vamos. De pinhal em pinhal até ao parque de estacionamento total.



E como este problema não é exclusivo das grandes cidade, aqui fica um blogue exactamente sobre este roubo do espaço que é de todos em Montemor-o-Novo, O raio do corno e do postiço.
publicado por MC às 13:22
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Car-sharing - segunda opinião

Depois do anúncio do programa de car-sharing (aluguer fácil de automóveis por curtos períodos de tempo) por parte da Carris, das explicações pelo responsável onde era dito que houve uma redução da posse do número de automóveis nas cidades onde há este tipo de programas, depois de uma troca de comentários no Panóptico e de ter percebido melhor o programa Bruxell'Air, comecei a formar um opinião mais concreta sobre o car-sharing.
O primeiro objectivo do car-sharing não é reduzir a circulação de automóveis (como é dado a entender, e como eu interpretei), é sim reduzir a posse de automóveis por parte das pessoas: por saber que facilmente tenho um carro disponível num caso de necessidade, posso optar por não comprar um (ou numa versão mais à portuguesa não comprar o segundo ou terceiro carro da família... a boca é minha, mas a descrição é do presidente da Carris!). Este já é um objectivo muito válido em si, basta pensar no problema da ocupação do espaço urbano - que domina aqui no blog.
Como "efeito colateral", o car-sharing leva também à diminuição na circulação automóvel porque ao não terem um carro imediatamente disponível, as pessoas apenas o vão usar quando há realmente necessidade para isso. Ou seja acaba-se com o chamado private owneship bias, que também passa pelo facto de quem tem carro próprio esquecer que o custo do seu uso não é apenas o combustível do momento. Isto é, a partir do momento que já o comprei, usá-lo não sai assim tão caro.

Esta segunda opinião continua sujeita a revisões! Alguma contribuição?



Um pedido: ajudem a convencer o maior centro comercial da Península Ibérica (mais uma coisa tão típica dos países carro-dependentes) na Amadora a terem estacionamento de bicicletas além dos NOVE MIL lugares para automóveis.

Nove mil lugares de estacionamento são mais um convite a uma utilização excessiva do automóvel nesta zona da Amadora e na Grande Lisboa. Teremos mais poluição atmosférica e mais problemas de saúde. Tudo menos uma Dolce Vita (vida doce).

A poluição atmosférica, gerada pelos veículos motorizados, é uma séria ameaça à saúde dos habitantes de um dado lugar, sendo responsável pela deflagração de inúmeros problemas como alergias, doenças respiratórias, cardiopatias, stress, cancros, entre outros.

Peça ao Dolce Vita para plantar 9 mil árvores (uma por cada lugar de estacionamento automóvel) e instalar parques de estacionamento para bicicletas (no formato U invertido).

e-mail: geral(arroba)dolcevita.pt

Por favor envie o seu e-mail com conhecimento (Cc) para
ambientalistas_da_amadora(arroba)aeiou.pt

publicado por MC às 09:39
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Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Deslocações curtas

Ainda estou chocado com o número do post anterior, um quarto das deslocações de automóvel em Bruxelas são inferiores a 1km. Aqui não há lugar para a habitual desculpa esfarrapada da qualidade dos transportes públicos, é pura e simplesmente comodismo.
E não é um comodismo qualquer, é um comodismo que afecta todos à nossa volta - especialmente porque as emissões poluentes são ainda maiores nos primeiros minutos de funcionamento do carro. Escolher entre andar de carro ou não na cidade não é um escolha meramente individual como beber café ou chá, mas sim como tocar bateria ou não dentro de casa às 4h da manhã.
Para isto só vejo uma solução: parquímetros e redução de estacionamento. Alguém tem outra ideia, agora que a desculpa esfarrapada não se aplica? (Ah claro, podemos fazer umas "campanhazinhas de sensibilização" e ficar mais uns bons anos à espera de resultados).

Video recomendado: The If You Rode a Bike You'd Be Home By Now Ride
publicado por MC às 10:32
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Recicle a sua matrícula



Campanha do governo belga pelos transportes públicos e contra o automóvel em Bruxelas. Na página pode-se ler que 25% das deslocações de automóvel na cidade são inferiores a 1km!! E 65% inferiores a 5km. Basicamente o que está em causa é a oferta de um passe anual para os transportes públicos ou de uma bicicleta + uma inscrição anual no sistema de car-sharing de Bruxelas para quem renunciar ao registo do automóvel durante um ano,  oferta esta duplicada para quem abater o automóvel! A ideia é convencer os habitantes de Bruxelas a não terem automóvel, dando-lhes um meio de transporte alternativo e a possibilidade de um aluguer fácil (mas pago) de um carro em caso de necessidade.
Isto é que uma política séria de promoção de transportes públicos, não é colocar uns smileys anónimos nas janelas dos autocarros, como se fez em Lisboa.


Post recomendado: Moradores fartos do ruído do Eixo NS em Lisboa n'O Carmo e a Trindade
publicado por MC às 10:15
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

O serviço da CP é um valente excremento... e digo excremento porque... II

Tinha aqui descrito mais um exemplo da vergonhosa gestão da CP, e recebi entretanto uma resposta a um e-mail meu. Resumidamente o que aconteceu foi que na estação de Cascais tentei encontrar os horários da única linha que "cruza" a linha de Cascais. Não havia horários expostos, na bilheteira também não os sabiam nem sabiam se havia comboios ao fim-de-semana, e convidaram-me a telefonar para um número não-gratuito para ficar a saber.

Sobre a falta de horários expostos
...por necessidade de gestão do espaço disponível para afixação de informação, na Estação de Cascais, apenas se encontram expostas as informação relativas àquela Linha.
Um edifício enorme com várias lojas lá dentro, mas não há espaço para um cartaz A3.

Sobre a bilheteira
...a CP Lisboa pretende que a formação ministrada aos seus Colaboradores seja a mais adequada para dispensarem o melhor atendimento aos Clientes.
Fico contente por saber!

Por fim convidam-me a ver os horários online! Esta gente não existe.
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publicado por MC às 13:44
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Notícias de Lisboa: uma boa e uma que não é carne nem peixe

O Governo anuncia hoje a reformulação dos comboios em Alcântara, tal como eu defendia aqui há uns tempos: os comboios que vêm de Cascais vão poder entrar directamente em Alcântara para o centro norte da cidade (Campolide, Sete Rios, Entrecampos, Areeiro, etc... até Oriente) graças a um novo túnel. Vai ser uma revolução para quem vem de ou vai para a linha de Cascais. Já agora podiam facilitar (em termos de bilhetes) o uso desta linha dentro de Lisboa, para que seja mais fácil chegar a Belém e Algés.

A Carris vai passar a alugar carros por curtos períodos de tempo, o chamado car-sharing. A ideia é haver carros disponíveis em vários pontos no centro da cidade, para conjugar com os transportes públicos. Talvez promova o uso de transportes públicos fora da cidade, mas dentro da cidade... Nem percebo como pode poupar a ocupação do espaço urbano, como diz a Carris.
Para uma opinião mais esclarecida e assumidamente favorável, leiam a Ana (que está quase sempre sintonizada com o que se escreve por aqui).



Post recomendado: Mais sobre a falácia dos biocombustíveis no Futuro Comprometido
publicado por MC às 12:37
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Portuguesa acabada de chegar da Holanda

Uma familiar acabada de chegar da Holanda, dizia que por lá "as bicicletas contam mais que a pessoas".
Para lá do equívoco entre a falta de habituação a cidades com 3 - em vez de 2 - modos de transportes independentes (problema este que numa ou duas semanas passa, como qualquer um que já tenha passado por essa experiência sabe) por um lado, e as prioridades no espaço urbano holandês por outro, esta afirmação mostra como as mentes no Sul da Europa estão tão formatadas em termos da prioridade do carro no espaço urbano.
Não reparou que as ruas não estão empilhadas de estacionamento à superfícies, não reparou que as praças são mesmo praças com esplanadas e jardins em vez de estacionamentos, não reparou que o trânsito é obrigado a circular a velocidades muito menores (especialmente nas zonas residenciais), não reparou que há muito mais ruas pedonais, não reparou que não há um ruído de motores e buzinas constante, não notou que os bairros não são rasgados ao meio por vias-rápidas , não reparou que os peões não são encostados num cantinho e forçados a dar voltas gigantescas e a esperar e desesperar só para ir ali ao fundo, não reparou que os peões não estão à beira de um ataque de ansiedade quando atravessam uma rua, etc...
... apenas reparou no que resta para lá do alcatrão, porque aceita o espaço ocupado pelo alcatrão como um inquestionável direito do deus automóvel. E ao fazer isso, nem reparou que as sobras por lá são bem maiores que as de cá.

Como exemplo referia uma rua onde a ciclovia quase que ocupava o passeio inteiro, sem se aperceber que no centro de Lisboa há avenidas sem passeio. E entre andar a pé numa ciclovia ou no alcatrão, acho que não há dúvidas sobre o mais agradáve
l.



Post recomendado: biocombustíveis e dirty cars no BioTerra
publicado por MC às 11:32
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Porreiro, Pá!!

Bilhete encontrado dentro de um Porsche  mal estacionado, com duas rodas em cima do passeio e sobre um sinal de 'proibido parar e estacionar'.

 

 

'Sou advogado, estou no tribunal da Boa Hora. O parque estava cheio e com fila.'

'Peço desculpa pelo incómodo'

Tentemos então, perceber o que pode desculpar tal acção... Ser advogado? Estar no tribunal? (a exercer? ou como réu?) hum... ah ok, o parque estava cheio, e com fila!!

 

hummm... então e ir a pé? ou de transportes? pois... não,

 

aqui, como somos todos COMPREENSIVOS e tem uma (ou várias) boas desculpas,

 

PORREIRO PÁ! ESTACIONA LÁ!

 

 

sinto-me:
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publicado por António C. às 16:06
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Corolário: o automóvel não é nem nunca será mobilidade sustentável

Corolário do post E se amanhã os carros não poluissem...

Estão na moda os "carros verdes", os "projectos de mobilidade sustentável" e outros que tais. Ainda agora, o evento máximo da carro-dependência em Portugal se enche de folhinhas verdes e fala em mobilidade sustentável. Só alguém muito naive acredita que o único problema ambiental do automóvel é o CO2, como a indústria automóvel nos quer fazer crer.
E mesmo que amanhã os automóveis não poluissem (nem a sua indústria, nem a indústria petrolífera, nem a indústria dos pneus, etc...), o automóvel não seria mobilidade sustentável. Existem 1001 definições de sustentabilidade, mas acho que num ponto todas estarão de acordo: algo que se possa manter no longo-prazo sem perda de bem-estar. E o paradigma actual da carro-dependência não encaixa aqui. Um amanhã com mais automóveis, significaria mais vítimas todos os dias, mais cidades destruídas e desumanas, mais espaço urbano apropriado com a devida perda de qualidade de vida, e acima de tudo um trânsito infernal. Basta pensar nos dias de greves de transportes públicos em Lisboa ou Porto, para imaginarmos esse maravilhoso futuro da mobilidade sustentável que esta gente nos quer vender.



Post recomendado: Proposta FPCUB de Acalmia de Tráfego na cidade e Implementação de Rede Ciclável para Lisboa no Bicicleta na Cidade
publicado por MC às 08:35
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Terça-feira, 22 de Abril de 2008

A ver passar comboios I

Do mesmo documento que diz que Lisboa é a região da Europa com maior densidade de auto-estradas, podemos tirar mais outros dados curiosos. Por exemplo, das 20 regiões mais ricas, só uma tem mais de 100km de auto-estrada por km^2. Lisboa tem 220!! Desenvolvimento e auto-estradas não têm claramente muito a ver um com o outro.

Mas o mais chocante é o nosso abandono do comboio:
- Somos o terceiro país com menos comboio por habitante.
- Somos o oitavo com menos comboio por área do país (bom, dois dos que estão à frente são praticamente desabitados em grande parte, a Suécia e a Finlândia).
E já aqui tinha mostrado como os quilómetros de auto-estrada não param de subir e subir, e os de comboio não param de descer, contrariando toda a lógica de eficiência, de poupança, de respeito pelo ambiente, etc... que nos deveria guiar.

Claro que ciclicamente ouvimos os governantes dizer que desta é que é, vamos apostar no comboio. Ainda hoje, tivemos a secretária de estado dos transportes a assumir o empenho do Governo em retomar o "primado do caminho-de-ferro". Pois...
publicado por MC às 22:41
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