Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Eu queria uma destas cá para o bairro

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publicado por MC às 00:27
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

É o desbaratar de recursos em alcatrão

aqui provei - para mim a palavra "provar" é muito forte, mas acho que os números não deixam margem para dúvida - que uma "boa" rede de auto-estradas é perfeitamente dispensável para o desenvolvimento de um país. Trata-se de um luxo cujo único objectivo plausível é o conforto de andar de carro, mas este conforto que sai bem caro ao país, em custos imediatos, em oportunidades perdidas noutros investimentos, em custos ambientais, em dependência energética e défice da balança comercial, em sinistralidade, etc... Não posso deixar então de apontar algumas medidas recentes deste governo, que provam o quão actuais são as críticas à política do betão.

No fim deste Verão o governo anunciou a construção de mais uma circular em auto-estrada em torno de Lisboa. Isto está altamente "justificado" porque Lisboa ainda "só" tem duas circulares e meia, ou seja CREL, CRIL e 2ª Circular. São quarenta quilómetros de cara expropriação.

A semana passada foi a vez da auto-estrada Amarante-Bragança, 130km, onde já há uma IP, onde já há uma auto-estrada paralela 30km a Norte e onde vai ser esventrada a bela Serra do Marão com um túnel; uma IP de Macedo a  Celorico, algo como 100km; uma IP de Pópulo (junto a Vila Real) a Miranda do Douro paralela à nova auto-estrada. Estas três custarão 1.200.000.000 de euros.

Esta semana foi anunciada a ligação da A23 à A6, por Portalegre. Algo como 90km.

Paralelamente 28 autarquias (Público de 2ª feira) estão a pedir uma esmolinha para a ferrovia, a reactivação dos 28km da linha de Barca de Alva, que se torna especialmente atractiva numa altura em que Espanha pensa em reactivar a linha do lado de lá da fronteira, podendo-se assim criar uma ligação do Norte a Salamanca. O custo será 0,1% das auto-estradas anunciadas dois parágrafos acima.

E é isto que temos. Uma afectação de recursos aberrante e totalmente desproporcionada.

P.S. Aqui gozei com o discurso pró-betão, porque não consegui encontrar um depoimento real. Graças à notícia das auto-estradas de 1200 milhões tenho umas pérolas para mostrar.

Governo sublinha importância de infra-estruturas para desencravar Interior do País
(...)
Para o governante [primeiro-ministro], este conjunto de acessibilidades vai promover a competitividade e desenvolvimento de Bragança, Guarda e Vila Real. “É um acto de justiça para estas regiões que estavam a ficar para trás”, sublinhou José Sócrates.
Segundo o primeiro-ministro, as acessibilidades rodoviárias na região eram “uma condicionante gravíssima ao processo de desenvolvimento e competitividade”, pelo que as concessões agora lançadas são essenciais para a prosperidade do Interior. “Sem estas vias é difícil competir pela localização das empresas e fixação de quadros qualificados, contribuindo para a riqueza do próprio País”

Ha, ha, ha! Falem com os habitantes da Irlanda, da Noruega e depois com os portugueses do interior (de Amarante, Montemor-o-Novo, Estremoz, etc..) que há muitos anos têm auto-estrada e veremos quem é que está desencravado...

P.S. (3 de Dezembro) Três dias deste post, mais um anúncio de alcatrão do Governo. 94km de auto-estrada entre Sines e Beja, que com outros 30km de IP na zona de Sines custarão 270 milhões de euros. O objectivo é "potenciar o desenvolvimento"...

publicado por MC às 19:11
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Lisboa é para carros não para pessoas - prova #30


(Foto roubada no BananaLogic)

Este larguíssimo passeio encontra-se no Campo Pequeno, das zonas mais centrais, movimentadas e animadas da cidade de Lisboa. O passeio já é de si minúsculo, com aquele mobiliário urbano é o fim do mínimo dos mínimos de respeito que os peões merecem. Com sorte ainda cabem dois peões lado a lado.
Bem depois de ter visto esta foto da Ana, apercebi-me de algo ainda pior. Naquele mesmo local, e apenas na direcção do trânsito que vê na foto, há NOVE FAIXAS atribuídas ao trânsito. NOVE! 5 para circulação à superfície, 1 para bus, 2 desniveladas e 1 para estacionamento. Os energúmenos que se lembraram de andar a pé, que se amanhem.

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publicado por MC às 15:44
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Campeões do alcatrão

Quando escrevi este post, fiquei na dúvida sobre o melhor modo de comparar o número de quilómetros de vias-rápidas e auto-estradas entre países. Entretanto ocorreu-me comparar os quilómetros de ferrovia com os de rodovia em auto-estradas.
Infelizmente não me enganei nas expectativas, e lá estamos nós no pódio europeu.

Netherlands 1.11
Spain 1.4
Portugal 1.41
Luxembourg 1.87
Belgium 2.04
Denmark 2.21
Italy 2.51
Slovenia 2.58
France 2.82
Germany 2.99
Austria 3.39
Lithuania 4.25
Turkey 4.7
United Kingdom 4.72
Croatia 4.92
Greece 5.75
Sweden 6.21
Finland 8.96
Estonia 9.99
Ireland 10.9
Slovakia 11.68
Bulgaria 13.16
Hungary 14.67
Czech Republic 18.56
Poland 49.14
Romania 100.57
Número de quilómetros de comboio por cada quilómetro de auto-estrada/vias rápidas
(Islândia, Liechtenstein, Malta e Chipre não têm auto-estradas e/ou comboio
por razões óbvias, e não há dados para a Letónia)


Porque que raio é que estamos sempre no pódio nestes rankings?! (Não tenho resposta). Outros exemplos:
Carro-dependência
Posse de automóveis

publicado por MC às 23:39
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Bicicletada em Portimão

Esta última sexta-feira do mês há mais uma bicicletada em Portugal, em Portimão na Fortaleza de Santa Catarina às 18:30.
As outras quatro:
Aveiro - Praça Melo Freitas (perto do Rossio) a partir das 18h, saída às 18h30.
Coimbra - Largo da Portagem, junto à estátua do Mata Frades 18h
Lisboa - Marquês Pombal, no início do Parque Eduardo VII 18h
Porto - Praça dos Leões 18h

Apareçam para mostrar que a bicicleta é um transporte!

Braga, Setúbal, Guimarães, Santarém, Viseu, etc... estão à espera do quê?
publicado por MC às 16:47
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Sábado, 24 de Novembro de 2007

Murtosa

Já tinha lido várias vezes sobre o projecto de mobilidade sustentável de Murtosa da UA (blog do projecto), mas dado a enorme quantidade de projectos que são apenas isso, não liguei muito. Até que vi estas fotos do BTT do Minho ao Vouga (via Cenas a Pedal) e percebi o que realmente existe na Murtosa:




Sim, a foto foi tirada em Portugal!
Estou sem palavras...

(Não gosto muito de "roubar" posts dos blogs vizinhos, mas estas fotos merecem)
publicado por MC às 10:09
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Destruam-se as vias-rápidas

Parece que o caso de Seul, onde uma via-rápida foi desmantelada, não é único. No Carfree USA fiquei a saber que em Seattle se está a discutir a hipótese de acabar com uma via-rápida ao longo da costa, para devolver a beira-mar à cidade.
Há até uma página com vários casos de remoção de vias-rápidas urbanas nos EUA. O caso mais famoso é a Embarcadero Freeway em São Francisco, que originalmente foi destruída por um sismo em 1989 e mais tarde se decidiu que não seria reconstruída.

Antes:

e depois:


A Central Freeway de São Francisco antes

e depois:



Dão ainda o exemplo da via-rápida ao longo do Sena em Paris que foi convertida na famosa praia de Paris (veja-se contudo comentário a este post de Strider de 15 de Maio):

É interessantíssimo ler cada uma das histórias porque mostra como as cidades ficaram a ganhar com a mudança.

A principal mensagem aqui é a necessidade de ter coragem de admitir que houve erros no passado que custaram milhões. Mas só o facto de terem custado milhões não pode servir de argumento para não os corrigirmos. Ao ver estas fotografias fico cheio de esperança de vir a ver no futuro as nossas cidades mais humanas e agradáveis.
Em Lisboa há tantos, tantos casos destes que é difícil decidir. Há a segunda circular, o eixo Norte-Sul, etc... que são especialmente gritantes por estarem no meio do tecido urbano.  Mas acho que votaria em acabar com os túneis da via-rápida avenida da República no Campo Pequeno e Entrecampos. A zona mais parece a A1 do que uma cidade.

Como dizia o outro, deixem-me sonhar.
publicado por MC às 17:29
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Era uma vez um noruguês, um irlandês e um português

Todos sabemos que as boas acessibilidades são fundamentais para o desenvolvimento e crescimento económico de um país. Dentro destas vêm à cabeça as grandes infra-estruturas rodoviárias como os auto-estradas, por permitirem um rápido e fácil escoamento dos produtos, bem como uma maior mobilidade da população. Sem uma boa rede de auto-estradas um país corre o sério risco de passar ao lado da globalização, de perder uma grande fatia de investimento directo estrangeiro e da não conseguir afirmar-se na economia mundial. Isto é particularmente importante para países periféricos por terem que vencer a sua desvantagem geográfica de afastamento dos grandes mercados. Assim sendo torna-se essencial que Portugal possua uma boa rede de blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá...

Ou será que não?

NORUEGA
3º maior PIB per capita a nível mundial (FMI)
1º em nível de Desenvolvimento (Human Development Index da ONU)
4,8 milhões de habitantes
307000km2 de área continental
173km de vias rápidas e auto-estradas (Eurostat)

IRLANDA

2º Pib per capita a nível mundial
4º em Desenvolvimento
4,2 milhões de habitantes
70000km2 de área
176km de auto-estradas e vias rápidas

PORTUGAL
34º PIB per capita a nível mundial
28º em Desenvolvimento
10,8 milhões de habitantes
92000km2 de área
2002km de auto-estradas e vias rápidas


Porque é que insistimos nesta obsessão dos popós e do betão?!
publicado por MC às 14:18
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

7ª Arte ou a Morte do Porto

Há 20 anos os cartazes de filmes reduziam-se a duas secções: Lisboa e Porto. Os cinemas estavam praticamente todos concentrados nesses dois concelhos. Felizmente hoje já não é assim, e há mais salas de cinema por todo o país.
Por outro lado, não posso deixar de notar que o Porto (a cidade em si) tem cada vez um peso menor. Já chegou a ter umas meras 4 ou 5 salas de cinema, enquanto Gaia tinha dezenas. Agora recuperou graças a novos shoppings. Não tenho nada contra Gaia (e Maia e Matosinhos), apenas contra o que está por detrás desta mudança. Ir ao cinema cada vez mais significa metermo-nos no carro na auto-estrada até um shopping (ou plaza que está agora mais na moda), deixá-lo numa cave, e passearmos num espaço fechado igualzinho a outros shoppings. Com isto perde a cidade, fica sem vida e mais insegura, perdemos todos em qualidade de vida, perde a sociedade porque cada um anda na sua caixinha separada em vez de um passeio pelas ruas. A cidade deixa de ser uma povoação humana cheia de diversidade e torna-se num cruzamento de estradas.
Lisboa, que ainda conseguia aguentar um pequeníssimo número de "cinemas de bairro" teve a semana passada uma péssima e triste notícia, o encerramento do antigo VOX e actual King, que era sem dúvida a sala com melhores filmes da capital. Ironia dos tempos, o King foi comprado para ser... um parque de estacionamento.
 
publicado por MC às 14:00
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Passagem de peões - vazio legal?

A propósito dos atropelamentos nas passadeiras (está mais um apanhado pelo Sobreda d'Os Verdes em Lisboa) queria escrever um post sobre o (des)respeito pelas passadeiras e fui à procura dos artigos no Código da Estrada que definem como é que os peões e os veículos devem proceder.
Para meu grande espanto, isto não está aparentemente definido em lado nenhum! O código diz que
- A velocidade deve ser moderada "à aproximação de passagens assinaladas na faixa de rodagem para atravessia de peões" (25.1.a),
- os peões "podem (...) transitar pela faixa de rodagem, com prudência e por forma a não prejudicar o trânsito de veículos (...) quando efectuem o seu atravessamento" (99.2.a),
- "os peões não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem de que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respectiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente" (101.1),
- "Ao aproximar-se de uma passagem de peões assinalada, o condutor, mesmo que a sinalização lhe permita avançar, deve deixar passar os peões que já tenham iniciado a travessia da faixa de rodagem" (103.1)
- e é considerada uma contra-ordenação grave "o desrespeito pelo trânsito dos mesmos [peões] nas passagens para o efeito assinaladas" por parte do condutor (146.h),

mas não encontro lado nenhum onde seja dito como se deve comportar o condutor quando há um peão junto à passadeira que queira atravessar! Isto é um esquecimento, um vazio legal propositado, ou está implícito em algum lado? O texto completo do artigo 146 até diz implicitamente que a travessia de peões nas passadeiras não se trata de um caso de "cedência de passagem", vulgo prioridade.

publicado por MC às 11:45
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