Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Uma viagem na Carris (e não são os comentários habituais)

1.

As paragens têm agora diagramas como este que mostram geograficamente para onde vão  os autocarros que passam naquela paragem. É uma excelente ajuda para nos orientarmos e mostra uma mudança radical da atitude dos transportes públicos em Lisboa. Há uma década partia-se do princípio que apenas quem fazia o mesmo trajecto todos os dias é que andava nos transportes, não havia deslocações ou passageiros ocasionais. Não havia informação, muito menos informação cruzada entre operadores, havia quase um bilhete específico para cada trajecto. Ainda há muito a fazer, mas parabéns.

 

2.

É desesperante ver os painéis com o tempo de chegada previsto a não funcionarem devido ao excesso de automóveis. O autocarro está lá ao fundo e o painel diz 2 minutos, que acabam por ser 5 ou 6. Tráfego lento, semáforos lentos, automobilistas que não respeitam o autocarro, etc. tudo fruto da ditadura do automóvel.

 

3.

É também desesperante estar preso dentro de um autocarro que demora 5 minutos a percorrer um simples quarteirão devido ao congestionamento causado pelo excesso de automóveis, é estar a ser castigado pelas decisões de mobilidade dos outros (se todos andássemos de autocarro não haveria congestionamento). A solução seria mais corredores BUS, mas como é que isso é possível se tantas ruas de Lisboa têm o seu espaço dedicado a 4 faixas de estacionamento e 2 de circulação? Excesso do estacionamento à superfície, mais uma cara da ditadura do automóvel.

 

4.

Em Lisboa não é difícil encontrar 3 paragens consecutivas num espaço de 350m. Isto é um contra-senso para uma companhia cujo principal problema é a baixa velocidade de circulação dos autocarros, e perde tempo ao auto-flagelar-se com tantas paragens. É sintomático da nossa sociedade onde andar a pé mais de 200m é um flagelo.

 


 

O governo italiano já gastou 16 milhões de euros em incentivos à compra de bicicleta, com apoios de 30% na compra.

 

publicado por MC às 19:52
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6 comentários:
De TMC a 20 de Dezembro de 2009 às 23:16
Excelentes observações. Presumo que chegar a Portugal e ver tudo o que nos rodeia de chofre seja bastante estimulante para quem chega de um paraíso relativo.

Em relação às perdas de tempo causadas pelo tráfego automóvel, acrescento também o estacionamento em segunda fila; uma única lata causa o desvio e o estrangulamento de uma via inteira! Quem conduz tem uma capacidade excessiva de influencia o que a rodeia. Há uma concentração de poder incrível. Casos de Lisboa: Rua do Alecrim e da Misericórdia, Av. João Crisóstomo.

Não são só os autocarros a serem prejudicados. Já testemunhei camiões do lixo (e daí para os camiões de bombeiros é um passo) bloqueado numa pelo estacionamento de um único automóvel.
De CAV a 21 de Dezembro de 2009 às 10:30
Depois de ver essa referência a Itália, sinto que cada vez nos afundamos mais na Europa. Estamos a ficar para trás em tudo; valores e civismo principalmente.
De Ferdinand a 21 de Dezembro de 2009 às 22:35
Esse diagrama da Carris é muito semelhante aos que existem por cá no Porto colocados pela STCP :) Parece que não, mas são extremamente úteis!
Quanto aos pontos 2 e 3, ainda hoje esperei 45 minutos pelo autocarro e mais 45 minutos de viagem num autocarro sobrelotado, muito por causa dos outros automobilistas (o trânsito estava caótico) e da redução do número de autocarros...
De NunoM a 22 de Dezembro de 2009 às 16:47
Pois, utilizar os autocarros dos STCP converte-se muitas vezes num exercício de masoquismo. Não há paciência que aguente... Quando estou no Porto, faço muitos percursos a pé, sabendo de antemão que irei demorar quase o mesmo que um autocarro sobrelotado a arrastar-se penosamente, aprisionado dentro de uma fila de trânsito interminável. A isto soma-se o problema mencionado pelo autor do texto no ponto nº 4: a existência de paragens de 200 em 200m ou menos (conheço duas linhas de ligação à Boavista em que a coisa roça o absurdo), facto para o qual não consigo encontrar uma explicação minimamente racional, excepto talvez a aversão dos portugueses a andar a pé...
Tal como já foi dito em relação a Lisboa, o estacionamento em segunda fila é também um sério empecilho à circulação de autocarros no Porto; consigo lembrar-me de dois ou três casos de ruas onde o problema é endémico (numa das situações devido à presença de um supermercado e de duas farmácias...): zás, é só deixar a lata no caminho enquanto se vai comprar legumes ou aspirina, e quem vem atrás que se lixe!. Escusado será dizer que a PSP ou a polícia municipal não movem um dedo em relação a isto...
De JC Duarte a 22 de Dezembro de 2009 às 21:19
Sei que sou uma espécie em vias de extinção, já que não possuo carro ou mesmo carta. Por opção, que entendo que a vida é francamente melhor assim.
Talvez que, por isso mesmo, possa afirmar que a grande proximidade entre paragens se pode dever, entre outros factores, à faixa etária da maioria dos utilizadores dessas linhas: ou demasiado velhos para muito andarem, ou demasiado novos para que se evite que muito andem antes ou depois da escola. No entanto, e se se reparar, nos eixos principais que não zonas residenciais isso não sucede. No entanto, isto é só uma opinião de quem nem tem o que quer que seja a ver com os transportes publicos que não apenas como utilizador.
De Pedro a 22 de Dezembro de 2009 às 23:43
esses diagramas da Carris estão onde?
hoje passei em 2 ou 3 paragens e nao vi esse diagrama em nenhuma
deve ser coisa mesmo nova .

Alias as paragens que vi não tinham nenhuma informação. nem um mapa da cidade.

quem nao costuma andar de Bus como eu, é uma missao quase impossivel faze-lo sem fazer pesquisas previas na internet.

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