Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

As Auto-Estradas Urbanas Esvaziam as Cidades

Pegando na posta do TMC, deixo aqui a principal conclusão de um estudo do economista Nathaniel Baum-Snow da Brown University sobre a fuga para os subúrbios nas cidades americanas causa pela construção de auto-estradas. O estudo mostra que por cada auto-estrada radial construída numa cidade, a sua população decresce 18% face aos valores que teria sem a sua construção. Embora o resultado se aplique a cidades americanas - cuja lógica urbana e de mobilidade é totalmente diferente da europeia - não há aparentemente nenhuma razão para que o resultado seja muito diferente por cá.

As causa são óbvias, o melhor acesso ao centro torna os subúrbios mais apetecíveis. E as consequências também o são: mais congestionamentos, mais custos de mobilidade, mais poluição, mais problemas de gestão do espaço público no centro (estacionamento), cidades mais vazias logo menos humanas e mais inseguras, pior cobertura dos serviços sociais (hospitais, escolas), etc.

E é muito importante que nos lembremos disto sempre que se fala em construir mais uma auto-estrada. Aumentar o IC19 ou construir uma ponte para o Barreiro, não só prejudica a cidade no curto prazo por aumento do tráfego, mas no longo prazo por esvaziamento dela. E Lisboa e Porto já são um péssimo exemplo nesta dispersão. Embora Lisboa e Porto sejam a 20ª e a 56ª maiores áreas urbanas na Europa, Lisboa tem apenas o 47º centro mais populoso na Europa e o Porto nem aparece no Top100.

 

 


O bananalogic e o A Nossa Terrinha mostram muito bem como as ciclovias mal planeadas podem prejudicar os ciclistas urbanos, o primeiro com o exemplo da ciclovia em Campolide e o segundo em Oeiras. Têm aparecido muitíssimos exemplos destes por todos o país, fruto da pressão de mostrar obra feita, do desconhecimento técnico sobre ciclovias, da falta de coragem de incomodar o automóvel e da incompreensão de quem as ciclovias não são sempre uma boa solução.

publicado por MC às 09:10
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7 comentários:
De Miguel a 9 de Dezembro de 2009 às 09:56
O Porto também é das cidades médias europeias (em termos de população) com uma área mais pequena (40 km^2), por isso é natural que nunca apareça nessa segunda lista por muito que a sua população cresça porque a partir de um certo limite só se começassem a construir arranha-céus
(obviamente que caberiam mais uma dezenas de milhares de pessoas, mas muito mais dos 300.000 de Utrecht que é o número 100, e tem uma densidade populacional menor que o Porto, seria muito difícil)
De Joana a 9 de Dezembro de 2009 às 11:06
A causa poderá não ser só tornar-se os subúrbios mais apetecíveis, pela melhoria dos acessos ao centro: viver com uma auto-estrada ao lado também não é propriamente muito agradável (nem
bom para a saúde)...
De G a 9 de Dezembro de 2009 às 15:53
Experimentem na ligação da wikipedia ordenar a lista por densidade. O Porto é a 6ª área urbana mais densa e Lx a 8ª :)
De Roberto Sousa a 19 de Dezembro de 2009 às 04:11
Boa noite,

Nunca tinha pensado neste cenário, a minha preocupação sempre foi que as pessoas trocassem o carro pelo transporte público nas deslocações pendulares subúrbio/centro da cidade.

Com políticas de fixação nos centros das cidades, realmente reduziria as viagens, e a poluição, éum bom ponto de vista!

Roberto Sousa
De Hiperdecor a 3 de Janeiro de 2010 às 14:22
Quer-me parecer que ainda estamos longe do mundo onde as pessoas trocam o carro pelo transporte público nas deslocações pendulares subúrbio/centro da cidade.

Apesar de todas as iniciativas, poucos melhoramentos se vêm, duma forma geral.
De Mobiliario Juvenil a 3 de Janeiro de 2010 às 14:56
A ciclovia de Oeiras, apesar de estar mal, é uma ciclovia.
Ao contrario de muitos municipes, Oeiras tem uma ciclovia ...
De MC a 9 de Janeiro de 2010 às 01:43
O problema é quando a ciclovia é tão má que coloca o ciclista em perigo.

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