Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Acalmia de tráfego X & Redução de Tráfego I

1. Acalmia

Sentidos proibidos são um modo muito simples e eficaz de reduzir a circulação automóvel. Colocando cirurgicamente sentidos proibidos em uma ou algumas ruas, podemos afastar a circulação automóvel do interior de um bairro porque afastamos o tráfego de atravessamento para as vias principais. Não se proíbe o acesso do automóvel ao bairro, mas torna-se o acesso tão complicado que apenas quer entrar quem tem um como destino final um ponto dentro do bairro.

Um exemplo que eu gosto de dar é o da Avenida Guerra Junqueiro em Lisboa. A Avenida servia há uns anos de via de atravessamento (a azul), qualquer carro vindo da Almirante Reis com destino à Praça de Londres, Av Roma, Campo Pequeno, etc. passava por ali, porque era o caminho mais simples. Quando foi invertido o sentido de circulação (a vermelho), deixou de fazer sentido passar por lá, porque os sentidos obrigatórios levam o carro quase ao ponto de partida. Resultado: forte quebra no tráfego e aumento do comércio local.

 

2. Redução

Em Groningen na Holanda (cidade exemplar em termos de mobilidade, como se pode ver numa das minhas postas preferidas do blogue), este conceito foi aplicado a todo o centro da cidade para os automóveis (as bicicletas e os transportes público não têm restrições). O automóvel continua a ter acesso a quase todas as ruas, mas os sentidos do trânsito são tão labirínticos que o automóvel tem de percorrer uma distância enorme para trajectos teoricamente curtos. A imagem mostra o percurso mais curto entre A e B.

O automóvel é colocado tão em desvantagem face ao autocarro, ciclista e peão, que praticamente ninguém o usa no centro.

 

 


Brilhante, um tribunal americano reconheceu o automóvel como uma arma mortífera: um automobilista que abalroou propositadamente dois ciclistas, foi condenado por ataque com arma mortífera. (via)

publicado por MC às 16:14
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9 comentários:
De Gonçalo a 1 de Dezembro de 2009 às 19:13
Havia de ser em Portugal.

Sexta-feira passada, um Sr. Carro empurrou-me do passeio acelerando e embatendo repetidamente contra as minhas pernas (que se recusaram a mover-se), porque achava que eu estava a ocupar o seu lugar de estacionamento. A um metro (ou menos?) de uma paragem de autocarro. Sinalizando-lhe eu que estava num passeio. Saiu, carro já estacionado e as minhas pernas fora do caminho, e encostou a cabeça à minha, ameaçando, enquanto lhe explicava que estava a complicar a vida de todas as pessoas que ali apanhavam o seu autocarro; e um zeloso carro da Polícia a passar por trás de si. Passou como qualquer outro carro; enxovalharam-no dali amigos meus, enfim.

Lá conseguiu o seu lugarzinho de estacionamento. Havia de ser em Portugal, mas jamais...
De Gonçalo a 1 de Dezembro de 2009 às 19:15
Havia de ser em Portugal.

Sexta-feira passada, um Sr. Carro empurrou-me do passeio acelerando e embatendo repetidamente contra as minhas pernas (que se recusaram a mover-se), porque achava que eu estava a ocupar o seu lugar de estacionamento. A um metro (ou menos?) de uma paragem de autocarro. Sinalizando-lhe eu que estava num passeio. Saiu, carro já estacionado e as minhas pernas fora do caminho, e encostou a cabeça à minha, ameaçando, enquanto lhe explicava que estava a complicar a vida de todas as pessoas que ali apanhavam o seu autocarro; e um zeloso carro da Polícia a passar por trás de si. Passou como qualquer outro carro; enxovalharam-no dali amigos meus, enfim.

Lá conseguiu o seu lugarzinho de estacionamento. Havia de ser em Portugal, mas jamais.
De CAV a 2 de Dezembro de 2009 às 14:01
Meu caro senhor, você foi muito ingénuo. Deixava-o ir à vida dele e oferecia-lhe uma pintura nova em todas as portas enquanto ele não voltava.
De Miguel Barroso a 1 de Dezembro de 2009 às 23:02
Continuo a achar que a Guerra Junqueiro devia ser toda pedonal, com circulação automóvel restrita a moradores ( acesso aos estacionamentos nas traseiras dos prédios). Embora o tráfego tenha diminuído substâncialmente, os lugares de estacionamento existentes na rua, tornam o atravessamento de um lado para o outro muito difícil e descaracterizam uma rua que tinha tudo para ser das mais agradáveis de lisboa, com espladanas maiores, e claro, com mais pessoas!
De Tárique a 2 de Dezembro de 2009 às 01:40
Parabéns pelo artigo, em particular a imagem de cima que está com um aspecto muito profissional.
De Tárique a 2 de Dezembro de 2009 às 15:11
http://maps.google.com/maps?f=d&source=s_d&saddr=Stille+Mare&daddr=52.160534,4.488215&hl=en&geocode=FULlGwMdioZEAA%3B&mra=dme&mrcr=0&mrsp=1&sz=15&sll=52.161113,4.491434&sspn=0.018191,0.038581&ie=UTF8&z=15
De Miguel Barroso a 2 de Dezembro de 2009 às 16:29
Nos EUA, essa condenação... e por cá, o que será que vai acontecer a este "rapazote":
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1436124
De G a 4 de Dezembro de 2009 às 19:08
Isso que escreveram de Groningen, a ideia do 'labirinto' para o automóvel, é mesmo uma política municipal? É intencional?
De António C. a 5 de Dezembro de 2009 às 13:50
Sim, o centro de Gonigen é fechado ao trânito de atravessamento. Os únicos carros que passam pelo centro são táxis. É uma cidade estudantil, as casas do centro sao ocupadas maioritariamente por estudantes universitários que nem sequer pensam em ter carro.

Existem alguns parques em silos, mas com poucos lugares.

É a cidade com maior taxa de utilização de bicicleta da Europa.

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