Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Como boi para palácio

O bananalogic encontrou uma reportagem sobre medidas de acalmia de tráfego que a CM de Almada colocou no terreno. A solução para forçar velocidades baixas é muito simples, criar barreiras (neste caso árvores) dentro da rua, que por vezes obrigam os carros a ziguezaguear e outras a ter que dar passagem a quem vem de frente (porque nos locais com barreiras, só passa um carro de cada vez). O facto de serem árvores tem mais um efeito psicológico quando crescerem: é criado uma sensação de aperto que leva os condutores a conduzir mais devagar.

São tudo medidas das quais eu já falei e que são usadas há muitos anos no norte da Europa: ziguezagues, redução de duas para uma faixa e "apertos".

A parte triste é a reacção das pessoas, que acham que a CM está maluca. As pessoas explicam na perfeição os efeitos e os objectivos das barreiras, com um ar de espanto e desprezo, mas depois chama-lhe um "fenómeno", "peculiar", "não tem justificação possível". Junta-se o tom trocista na reportagem com aquela musiquinha e aquele tom de voz.

Isto lembra-me quando se começou a discutir a introdução de Zonas 30 em Lisboa e se ouvia comentários como "só neste país". Por acaso até eram comentários certeiros. só que na direcção oposta! Lisboa era então a única capital da UE15 onde ainda não havia zonas 30, uma medida que já existe há 26 anos e que em algumas cidades é a regra e não a excepção.

 


Dentro do mesmo espírito, o A Nossa Terrinha dá conta de uma declarão do lóbi do popó que fala no mal-tratamento que o carro recebe em Lisboa. Fico curioso para conhecer uma grande cidade da UE15 onde o carro seja são tão bem-vindo como Lisboa.

 

publicado por MC às 10:26
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13 comentários:
De Joana a 24 de Novembro de 2009 às 12:00
Não consegui ver o vídeo aqui, mas vi-o no Bananalogic.

A reacção das pessoas é a esperada. O que é realmente triste é o facto de a reportagem ridicularizar esta medida, com aquela música, que claramente não tem outro objectivo.

Ver estes exemplos dá-nos ânimo! Eu sei que dá um bocadinho de trabalho, mas sugiro a todos que enviem mensagens para:

1) a SIC, criticando a forma como a reportagem foi montada;

2) a Câmara de Almada, dando os parabéns e salientando que queríamos o mesmo para o sítio onde vivemos, fazendo os respectivos autarcas sentirem que não estão sós...

3) (pelo menos) a câmara da vossa área de residência, apontando isto como um bom exemplo e pedindo a mesma solução.

P.S. A senhora que "parou e se atirou para o passeio" mergulhou de cabeça ou de pés?
De MC a 24 de Novembro de 2009 às 20:37
na reportagem aparece o endereço da moçoila que fez esta “coisa”:
anamartins.nos@sic.pt
De Susana Nunes a 24 de Novembro de 2009 às 21:43
Boa, já lhes enviei uma resposta à altura. É realmente lamentável!
De Joana a 24 de Novembro de 2009 às 12:02
E mesmo numa rua destas lá vemos os habituais carros em cima dos passeios. Mas com isso já ninguém se preocupa, claro, o que é preciso é não estorvar o automóvel...
De Willy a 24 de Novembro de 2009 às 12:39
Este exemplo mostra claramente o pouco conhecimento dos portugueses da vida afora do pais. São medidas simples e frequentes aplicadas na Alemanha. Mas ai as ilhas de arvores são muito maior e fecham uns 60 % do largo da rua.

Mais uma vez, Portugueses para aprender, não olham pro mar... nem para a SIC, mas sim em direcção das montanhas e alem.... ;-)
De CAV a 24 de Novembro de 2009 às 16:23
Gostei particularmente da queixa de falta de espaço na estrada para circular e simultaneamente os passeios com carros a ocupar toda a largura. Quanto a esse prormenor, a entrevistadora "esqueceu-se" de questionar os automobilistas.
De EFCM a 25 de Novembro de 2009 às 00:14
Eu logo no dia que vi a reportagem tomei a iniciativa de enviar um email a câmara de Almada a aplaudir a decisão de ser a 1ª autarquia em Portugal (que eu tenha conhecimento) a colocar obstáculos (que não lombas) na estrada de modo a moderar a velocidade dos automóveis.

Ando a procura de exemplos de ruas com este género de obstáculos na Europa para poder enviar a jornalista da Sic para que ela poder aprender qualquer coisa...
De Joana a 25 de Novembro de 2009 às 09:25
EFCM, há exemplos aqui citados (ver as hiperligações do texto).
De MC a 25 de Novembro de 2009 às 10:46
Demorou-me um minuto no Google Maps nas ruas de Zurique, mas já enviei o link à jornalista, por isso não deixo aqui.
Tenta outra cidade, Estocolmo, Londres, Edimburgo...
De nicemaria a 25 de Novembro de 2009 às 11:04
Eu não sou um entusiasta desta medida, se bem que reconheço vantagens (e se há tantas árvores no passeio, porque não na estrada?)... Razões para discordar: 1) As árvores são seres vivos e não peças de mobiliário urbanístico. Daqui por uns dias alguém arranja outra solução para este problema e matam as árvores. 2) O automóvel é mais nocivo para as bicicletas quando estão no pára-arranca, porque deitam mais fumo. Deveriam ter limitado a velocidade mantendo a fluidez do trânsito. 3) Era óbvia a reacção das pessoas e assim os ambientalistas continuarão a ser vistos como umas mentes exóticas e disparatadas. Portanto, acho realmente esta solução bastante infeliz. Penso que com sinalização, ciclovias, estreitamento (uniforme) da via, calçada ou mesmo lombas se teria uma solução mais eficaz e consensual.
De Miguel a 25 de Novembro de 2009 às 11:36
Infelizmente, soluções que impeçam os carros de andar a alta velocidade onde quer que seja só são consensuais no sentido em que juntam a maioria das pessoas contra a medida...
De Nuno Ferreira a 27 de Novembro de 2009 às 10:16
Apoio totalmente a medida...mas gostaria de acrescentar mais um pormenor...alguem reparou quantas pessoas circulavam em media em cada um dos carros que foi filmado a transitar a dita rua?
Eu so vi um carro com 2 pessoas lah dentro, todos os outros tinham apenas o condutor. Mais uma vez o mal comeca mais atras, no facto de todos pensarem que soh de carro eh k se transita....
De renegade a 5 de Dezembro de 2009 às 19:58
Concordo que a reportagem é mázinha porque, além de estar desinformada sobre a medida, como foi referido, nem sequer ter procurado saber se a CMA tinha informado as pessoas.
E isso também seria importante saber: muitas vezes as medidas interessantes perdem-se porque não há marketing/educação dirigidos às pessoas. Acho que isso é fundamental para as políticas ganharem um mínimo de consenso social, vingarem e legitimarem quem as define.

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