Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Mais Metro?

Em Setembro último, talvez por ser um mês entalado pelo calor febril de Agosto e a cedência à demagogia do período eleitoral, surgiram algumas notícias acerca dos transportes na cidade de Lisboa e nos seus concelhos límitrofes. Até houve uma corrida entre uma bicicleta, o metropolitano e um bólide, com o vencedor natural (a bicicleta).

 

A então secretária de estado dos transportes quer ligar o metro até ao hospital Amadora-Sintra em 2015 porque então muito do tráfego que se faz através do IC19 deixará de se fazer; já o cacique-mor do PS, Marcos Perestrelo, também disse que era uma boa ideia o metro ligar-se ao concelho de Oeiras porque muitos dos habitantes de Oeiras que hoje têm que se deslocar para Lisboa em viatura, poderão deslocar-se de metro, com menos carros a poluir, menos carros a ocupar espaço.

 

Esta imagem, um pouco panfletária, acabou por aparecer:

 

clique na opção Ver Imagem do Firefox para ver maior

 

Claro que num país mais próspero, sem uma autarquia da capital à rasca para sanar as suas contas e a empresa pública do metropolitano com um passivo de 3300 milhões de euros e cerca de 240 milhões de euros de custos anuais, eu até entendia que extendessem o metro à Azambuja, a Loures e a Sintra.

 

Acho este plano um exagero megalómano. E pelas afirmações recolhidas parece que não há outra alternativa para reduzir o trágego automóvel. Repare-se que não questiono a pertinência das novas extensões do metro, apenas digo que parece tratar-se de outro caso de considerar-se a solução óptima e não uma solução muito mais razoável e económica.

 

NA sua construção, o custo por quilómetro do metropolitano é exorbitantemente alto porque ele é, como todos sabemos, subterrâneo. Estes custos são supostamente compensados pelo seu uso e, globalmente, pela conservação do tráfego à superfície, já que o espaço existente não é afectado. O que questiono é precisamente a insistência, nestas novas extensões, do metro continuar a ser subterrâneo e não de superfície; um metro com estas características, além de ser bastante menos oneroso, exige aquilo que os automóveis não gostam de ceder: o espaço que lhes foi dado e não conquistado.

 

Defendo por isso o metro de superfície ou a implementação de mais eléctricos porque combinam um transporte público de qualidade, eficiência e menores custos com a reivindicação do espaço que neste momento é só dos automóveis. Não vejo desvantagens nesta proposta e considero-a ser exequível. Foi pois com agrado que li a posta do Fernando Jorge no Observatório da BaixaLisboa nunca mais investiu neste tipo de transporte público desde a inauguração do eléctrico de nova geração entre a Praça da Figueira e Algés em 1995.

 


Quão frágeis são as estruturas das nossas cidades? Em termos de transportes, parece que bastaram algumas chuvadas para paralisar o Porto. Corte-se a VCI e a cidade bloqueia; ou melhor, confirmou-se que a cidade depende em primeiro lugar dos automóveis, só depois das pessoas. Como faria o leitor se amanhã não pudesse usar nenhum carro?

publicado por TMC às 19:55
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37 comentários:
De Joana a 16 de Novembro de 2009 às 22:01
De acordo.
A "vantagem" do enterramento do metro, costumam "eles" dizer, é a de se pouparem milhões em expropriações e em realojamentos, por a linha atravessar uma zona superpovoada. Nunca lhes ocorre que podem pôr o metro de superfície a circular num canal (actualmente) rodoviário, sem grandes custos. Claro que nunca lhes ocorre! Essa agora, fechar uma estrada, que disparate!, só iria "complicar" ainda mais o trânsito automóvel...

O dinheiro a mais que se vai gastar com o enterramento muito provavelmente chegaria para fazer outras linhas...
De Tiago a 16 de Novembro de 2009 às 23:02
Sinceramente, fico contente por ver a linha de metro em Lisboa com previsões de expansão. É certo que é um investimento enorme, mas parece-me mais viável e com retorno mais rápido do que uma terceira travessia sobre o Tejo. Além do mais, sejamos sinceros: o metropolitano é o único transporte público que funciona bem em Lisboa.
Em relação ao eléctrico, o problema passa muitas vezes pelos atrasos devido às obstruções na via. Muitos pensam que só se vão ausentar uns minutinhos e estacionam o carro em qualquer lado, mesmo em cima da linha do eléctrico (por exemplo na zona da Sé isto é frequente).
De MC a 16 de Novembro de 2009 às 23:08
TMC,
por acaso não sabes o custo de operação do Metro à superfície vs comboio urbano? É que até acho que o segundo é bem mais barato.

E concordo, o Metro é algo muito caro - e uma solução de mobilidade humana não tem que passar por muito mais metro. Já várias cidades mostraram que é possível ter um sistema eficiente baseado no autocarro.
De TMC a 17 de Novembro de 2009 às 02:48
Ainda consultei o relatório e contas do metro de 2008 mas entre a palha das fotografias "very typical" não encontrei esse indicador tão precioso que é o custo por km.

Porém, talvez possamos pelo menos balizá-lo. Falei no metro de superfície por uma questão de compatibilidade; bastava uma plataforma para fazer emergir o metro à superfície e com alguns bons lubrificantes o ruído fosse reduzido para níveis aceitáveis; uma desvantagem que os túneis proporcionam é serem em linha recta e ao mesmo nível; o percurso à superfície teria que se compadecer com os desníveis.

Mas mesmo assim, pensemos:
Metro:

- custos com a energia para partir e britar a pedra (toneladas de m3)
- custos para a remoção da pedra
- instalação dos carris
- manutenção da bilhética, máquinas de venda e equipamentos
- pessoal

Eléctrico de superfície
- instalação e manutenção dos carris
- pessoal

Lisboa tem uma grande área plana, nomeadamente as avenidas, onde o funcionamento do eléctrico seria semelhante ao metro; apesar de ter menos capacidade, a frequência do eléctrico supriria essa falha e assim o número de passageiros/km seria sensivelmente o mesmo. Não só isso, mas o metro, actualmente, tem uma distância média entre estações (por mim calculada) de 750 metros (valor que alguns consideram até muito baixo). Um eléctrico é sempre mais "fino", isto é, é mais abrangente, mais porta-a-porta.

Por estas razões, nem precisávamos de ir directamente para o metro de superfície ou eléctrico, se bem que nos bairros históricos e por ser um transporte pitoresco, acho que é a melhor solução se feita com limitação a automóveis; podíamos adoptar, caso do IC19 mencionado pela Ana Paula Vitorino, corredores BUS com elevada frequência nas horas de ponta.

É claro que gostaria de ver Lisboa com a solução óptima mas NÃO HÁ DINHEIRO e Lisboa não pode sacrificar o resto do país para as suas mordomias. Além disso, transportes eléctricos à superfície tinham o condão de banir algum tráfego ao mesmo tempo que estimulavam o uso de transportes públicos. Ver Almada.
De Miguel a 17 de Novembro de 2009 às 09:52
Também concordo que antes de se pensar em expandir o metro à superfície ou enterrado, se devia pensar seriamente em rentabilizar o forte investimento (mal ou bem) feito em estradas e auto-estradas dos mais variados tipos. O exemplo que dás do IC19 é um bom exemplo disso, que podia ser complementado com forte restrições à entrada de carros nas cidades (leia-se portagens, porque não me parece viável limite máximo de veículos ou coisas parecidas como se a cidade fosse uma reserva), transformação de estradas em corredores de autocarros de alta-frequência como se de um metro de superfície se tratasse (i.e., que tivesse sempre prioridade), etc., etc.
Temos tanta infra-estrutura construída e tão poucos recursos (embora às vezes parece que tenhamos muitos) que acho que existem muitas opções mais racionais para aumentarmos a mobilidade urbana.
De NunoM a 16 de Novembro de 2009 às 23:52
Absolutamente de acordo. A construção do metro poderia perfeitamente continuar rumo aos destinos referidos, mas desde que "emergindo" à superfície.

Quanto ao Porto, tenho por vezes a impressão que - ressalvadas as devidas proporções - regista níveis de utilização do automóvel superiores aos de Lisboa, tanto mais gritantes quanto são curtas as distâncias percorridas... Esse facto é especialmente óbvio nas zonas da cidade não servidas pela rede de metro, um autêntico inferno para quem utiliza os transportes públicos (infelizmente, falo por experiência própria), reduzidos na ausência de uma rede de eléctricos moderna, aos autocarros dos STCP. Nalguns casos, a alternativa preferível é mesmo ir a pé.
Como qualquer utilizador da maior parte das linhas dos STCP sabe, os corredores BUS são escassos. Além disso, a topografia urbana da cidade nem sempre se presta ao emprego de autocarros de grandes dimensões. Last but not the least, a circulação destes últimos em horas de ponta, a velocidades superiores à de um peão em ritmo de passeio é completamente obstruída pela massa de veículos particulares (na imensa maioria ocupados apenas pelo condutor, ou na melhor das hipóteses, por este mais um pendura) que junca as principais artérias de entrada e saída da cidade. Utilizar o autocarro dentro de parâmetros de mobilidade minimamente eficazes (sobretudo no que concerne aos tempos de espera nas paragens e à duração dos percursos) converte-se num exercício de frustração e desperdício de tempo. Posso acrescentar, a título de comparação, que uma viagem de autocarro em hora de ponta, entre a zona da Pç. 9 de Abril (vulgo Arca d'Água) e a rotunda da Boavista, chega a demorar tanto ou mais do que o percurso de metro da estação de Sta. Apolónia ao limite entre a Amadora e Queluz, sendo que neste último caso uma parte considerável do percurso é feita de metro (Sta. Apolónia-Amadora Este), sempre na mesma linha (azul), apenas com o percurso entre a estação de metro da Amadora Este (Falagueira) e Queluz assegurado pelos autocarros da Vimeca/Lisboa Transportes. Sei que a comparação pode parecer espúria; apenas a faço para que se possa ter uma ideia da exasperante lentidão (que piora em dias de chuva, quando o número de automóveis em circulação se torna ainda maior) a que estão obrigados os utentes dos STCP num percurso muitíssimo mais curto, devido ao domínio absoluto do automóvel. É simplesmente lamentável.
De Miguel a 17 de Novembro de 2009 às 09:34
«Quanto ao Porto, tenho por vezes a impressão que - ressalvadas as devidas proporções - regista níveis de utilização do automóvel superiores aos de Lisboa, »
E acho que tens razão, da última vez que foram feitos inquéritos à mobilidade (em 2001, antes do metro do Porto entrar em funcionamento) 56% das viagens no Porto eram feitas de carro, em Lisboa (não sei o ano) acho que andava à volta dos 45% (lembro-me de ler isto em algum lado, muito possivelmente na comunicação social).
No caso do Porto, o metro mudou alguma coisa, mas segundo estimativas da própria empresa terá tirado cerca de 8.000 veículos diários das estradas, por isso a percentagem do total de viagens não deve ter mudado assim tanto, temos que esperar que alguém se lembre de fazer outro estudo de mobilidade para sabermos (a FEUP andava a fazer um mas não incluía todos os concelhos da AMP, acho que só os do Grande Porto - Porto, Matosinhos, Maia, Valongo, Gaia e Gondomar)
De Joana a 17 de Novembro de 2009 às 10:16
Os horários do metro do Porto precisavam de ser muito melhorados. Linhas com uma frequência de 30 em 30 minutos (grande parte das que existem) não são um incentivo assim tão grande...
De Miguel a 17 de Novembro de 2009 às 10:32
Se há coisa que funciona bem neste país é o metro do Porto, e é um grande incentivo a deixar o carro (a não ser em alguns tipos de movimentos, mas o metro não pode ir para todo o lado) e frequências de meia-hora são raras, apenas existem na Linha C e E em alguns horários fora da hora de ponta e na B para quem não apanhe o metro expresso na Póvoa ou em Vila do Conde (podem ver aqui a lista completa http://www.metrodoporto.pt/Download.aspx?file=jnY2JIorH8t9um32RHbGC9M3jkyqcRbKtrETC2nm2bzVR3YVl3ce/y3vKOoJsUQV/GexkUKz35scIcNTfNGvqA==&name=Hor%C3%A1rios%20e%20Frequ%C3%AAncias).
De resto as frequência são bastante menores (assim por alto 10 minutos no máximo dentro da cidade do Porto - podendo na linha Senhora da Hora - Dragão chegar aos 2 minutos - e uns 15 minutos fora dela em grande parte do dia) e em alguns sítios só não podem ainda ser mais reduzidas (teoricamente podiam ser de 100 segundos entre veículos na grande maioria da rede) por falta de veículos (o que os novos veículos tram-train poderão ajudar a atenuar, vamos lá ver se serão bem utilizados)
De Joana a 17 de Novembro de 2009 às 11:38
Miguel, não disse que não funcionava bem nem que não era um incentivo, disse que com os horários não é um "incentivo assim tão grande".
Baseei-me precisamente nos horários consultados no endereço que indicaste. O metro do Porto tem 5 linhas. Esse endereço tem os horários completos de 3 dessas 5 linhas. Na Linha B (versão expresso ou outra), os intervalos das partidas são normalmente de 30 minutos. Na Linha C, os intervalos das partidas são, normalmente, de 20 a 30 minutos. Na Linha E, os intervalos das partidas são em média de 20 minutos.
Olhei agora para os TME indicados no início da página e vejo tempos médios de espera de 5 e 6 minutos para estas mesmas linhas, pelo que alguma me está a falhar...
De Miguel a 17 de Novembro de 2009 às 11:50
Na linha B tens que «somar» os dois horários, os expressos que só vão até à Trindade (2 por hora) e os «normais» que param em todas e vão até ao Dragão (mais 2 por hora), no total dá 4, frequências de 15 minutos.
A linha E só tem duas estações próprias e só foi construída porque a linha B passava mesmo ao lado e ficava barato construir um desvio para o aeroporto. A frequência normal nessas duas estações é, como disseste, normalmente de 20 minutos durante o dia (de madrugada é de meia-hora) o que me parece claramente suficiente para o aeroporto (o aeroporto do Porto é dos poucos aeroportos europeus de pequena dimensão servido por linha férrea).
A linha C nos dias úteis parece-me ter sempre frequências de 20-21 minutos (mas posso estar a ver mal).
E tens que ver que quatro das linhas se sobrepõem, pelo que essas menores frequências acabam por se aplicar apenas num número reduzido de estações comparado a toda a rede, porque depois chegam a circular 4 linhas num mesmo canal o que faz aumentar as frequências (claro que para quem está à espera numa dessas estações isso pouco lhe importa)
De Joana a 17 de Novembro de 2009 às 12:07
Obrigada, já tinha chegado à mesma conclusão (ver meu comentário das 11:45). Aqueles horários confundiram-me.
Conclusão: o metro só ter tirado 8 000 veículos das estradas é incompreensível! Será possível? Não haverá erro nos números?
De Miguel a 17 de Novembro de 2009 às 12:27
Eu depois reparei que já tinhas chegado à mesma conclusão enquanto eu escrevia a minha mensagem...
Essa dos 8.000 carros é um número que eu tenho na cabeça e já não sei de onde veio, mas acho que foi nalgum relatório técnico (já li tantos do metro que já não sei em qual poderá ser), ou eventualmente em algum sobre a expansão da 2a fase. Mas também é possível que seja o número de carros por hora ou assim uma coisa, mas nesse caso já é um valor muito grande...
Tive à procura - bastante por alto - no relatório de sustentabilidade (http://www.metrodoporto.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=17519&documentoId=20608) mas só fala em passageiros km (página 35), não de total de veículos.
Já agora num off-topic, neste relatório de sustentabilidade diz assim: «Toda a frota de veículos (...) é movida a electricidade, não existindo emissão poluente directa (...) são tidas em conta (...) as suas próprias emissões indirectas inerentes à produção de electricidade de tracção para movimentos dos veículos de metro» . Os que dizem que os carros eléctricos poluem zero deviam por os olhos nisto...
De Miguel a 18 de Novembro de 2009 às 09:55
Encontrei um sítio do metro onde fala no número de carros que deixaram de circular! Parece que são 12.000, sempre são mais 50% do que 8.000...
Site: http://www.metrodoporto.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=16290 (está lá no fundo de todo)
De Joana a 17 de Novembro de 2009 às 11:45
OK, já percebi, entre a Senhora da Hora e o Estádio do Dragão o percurso é utilizado por 4 linhas...
De Miguel a 17 de Novembro de 2009 às 11:58
Pois, é exactamente isso, daí as frequências serem mais reduzidas nesse troço.
De Tiago a 17 de Novembro de 2009 às 01:14
Outra coisa que não referi. Estão agora a investir num metro até ao aeroporto que vai ser deslocado daqui a uns anos? Não sei quando vai ser inaugurado esse troço, mas não vai ser rentabilizado durante muito tempo...
De Miguel a 17 de Novembro de 2009 às 09:38
Supõe-se que mesmo quando o aeroporto de lá sair (e ainda deve demorar uns anos valentes...) alguma coisa ir lá ser feita, porque mesmo que o António Costa queira lá um segundo pulmão verde da cidade duvido que não se construam pelo menos meia dúzia de urbanizações e uns quantos prédios de escritórios... (claro que tudo isto é pura especulação, mas já sabemos o que a casa gasta...)
De mlz a 17 de Novembro de 2009 às 09:53
A extensão do Metro, genericamente, não disperta nenhum comentário.
Creio que o único problema do Metro ser enterrados são as vistas (para quem viaja) e os custos dos túneis. De resto há outras vantagens como já foi mencionado noutro comentário. Para avaliarmos isso com algum fundamento teríamos de conhecer o custo por km de cada obra, o custo de posse e a longevidade.
Sobre a estação de Metro no aeroporto: Hoje esta lá um Aeroporto, amanhã estará lá outra coisa (de preferência um parque, um jardim ou outros equipamentos com alguma parcimónia volumétrica esperemos... aquele terreno deve ser muito cobiçado).
Genericamente o que acho sobre o nosso sistema de transportes é que com pequenos ajustes e pequenos custos (por comparação com a expansão) se obteriam grandes ganhos. Ex: A ligação da linha de Cascais à via de cintura ferroviária de Lisboa de que tanto se falou há uns tempos. A criação de uma faixa BUS no IC19. A reposição de algumas linhas de eléctricos (como o famoso 24). O inconveniente que vejo nos eléctricos é que estão sujeitos ao trânsito, tal como os autocarros. Pior que isso é o facto de não se poderem desviar quando encontram carros mal estacionados (o que ainda acontecendo com alguma frequência).





De Miguel a 17 de Novembro de 2009 às 10:35
Essa dos eléctricos e do trânsito era fácil de resolver, bastava vontade política: canal de dedicado e prioridade em todos os cruzamentos.
De mlz a 18 de Novembro de 2009 às 15:44
Ora lá está! Pequeno custo, grande retorno em termos de mobilidade! Há muitas coisas simples que poderiam ser feitas para melhorar a vida das pessoas.
O problema dessas medidas é que são impopulares.
Não me admirava que os próprios utilizadores de transportes públicos se manifestassem contra. Nós temos um grave problema de consciência cívica e mentalidade provinciana... creio que "todos" os utilizadores de transportes públicos aspiram a, um dia, poderem ir de carro. A nossa noção de ascensão social passa por aí.
De a 17 de Novembro de 2009 às 11:55
O que faria eu? Nada de diferente do que faço no dia a dia...
De Fuschia a 17 de Novembro de 2009 às 12:02
Não consigo perceber qual é a pertinência de se fazer um metro até ao Hospital Amadora-Sintra. Se alguém souber, por favor explique-me. É que o metro vem de Lisboa para a Amadora e o Hospital serve quem está da Amadora para lá, em direcção a Sintra. Portanto, estou para aqui farta de pensar e não entendo porque é que, de tantos sitios onde podiam por o metro, o querem levar para ali.

E como li nalgum comentário, parece-me bastante mais simples, rápido e justo, fazer-se uma faixa BUS na ic19 que permitiria rapidamente haver uma alternativa ao comboio.
De Joana a 17 de Novembro de 2009 às 13:55
O metro até ao hospital não me choca. Quem tiver uma urgência não vai de metro ou de autocarro para o hospital, mas o hospital não tem só urgências, tem consultas, exames, etc. O metro é, pois, muito útil (não precisa é de ser em túnel).

A ideia não é a de ligar Lisboa ao Hospital Amadora-Sintra. Digamos que o que estão a fazer é da Linha Azul uma linha de metro de Lisboa e da Amadora, o que é discutível, mas este tipo de expansão também sucede noutras capitais da Europa. Mais acertado, para o hospital, talvez fosse fazer uma linha autónoma na Amadora, com ligação à Linha Azul de Lisboa [pôr a Linha Azul do metro a competir com a linha férrea de Sintra também não me parece propriamente uma prioridade...].
A ideia é a de ligar o Hospital Amadora-Sintra à Amadora e, portanto, ao comboio da Linha de Sintra (estação da Reboleira), que por sua vez serve a população abrangida pelo hospital.
De Fuschia a 17 de Novembro de 2009 às 14:28
Então vão fazer um metro de propósito até ao Hospital para o caso de eu ter uma consulta ao fim do dia e poder ir directamente do trabalho para lá? É porque se vier de casa (Mem Martins), tenho de ir até ao Rossio para apanhar a bendita linha azul. O Hospital só serve Sintra, não é um Santa Maria onde as pessoas vão ter consultas de especialidades (e mesmo assim, não tem metro à porta) e também não é o Hospital da Luz onde pode vir quem quer, desde que pague. Só serve Amadora para Sintra. E mesmo na casualidade de alguém lá ter de ir para uma consulta, é uma minoria e os metro não se faz para minorias. É claro que todos gostaríamos de ter um metro à porta de casa, mas não é possível. Se fizerem até à estação da Amadora já acho mais lógico, mas não essencial, porque a Amadora já tem imensos transportes, inclusivé uma estação de metro onde se pode deixar o carro. O metro é muito importante sim, mas não acho que seja para ali. Existem para a frente, imensos locais onde era necessário o metro.
De Joana a 17 de Novembro de 2009 às 14:50
Mas a ideia é mesmo ligar à Linha de Sintra, como expliquei - salvo erro, na Reboleira, onde o metro se cruzará com o comboio. Não é preciso ir ao Rossio...
De NunoM a 17 de Novembro de 2009 às 14:21
Ainda em relação ao Metro do Porto, também eu me lembro de ter lido esse número (8000 veículos particulares retirados de circulação) em qualquer lado, só não sei onde... Na altura achei o número incrivelmente baixo, mas conhecendo o apego doentio dos portugueses ao automóvel (mesmo em tempos de crise...), não me estranha.
Quanto a funcionar assim tão bem, não tenho elementos suficientes para me poder pronunciar com verdadeiro conhecimento de causa, pois estou muito longe de ser um utilizador regular. Parece-me, no entanto, que o sistema de zonas é algo contra-intuitivo, sobretudo se nos lembrarmos que uma percentagem nada desprezável (isto a fazer fé num texto que li, salvo erro no "Público") dos utentes é constituída por idosos. Sei também que muita gente considera o serviço demasiado caro. No meu caso, como já referi, continuo a utilizar os autocarros dos STCP ou a andar a pé.
A verdade é que os níveis de mobilidade em Lisboa (mesmo nos autocarros da Carris) são superiores (no meu caso, a comparação é inevitável, pois passo a semana em Lisboa). Aliás, o que mais espanta é constatar que, mesmo assim, tanta gente continue a insistir em utilizar o carro para deslocações pendulares; conheço alguns exemplos de pessoas com transporte à porta (colegas que residem em Queluz e Benfica, p. ex., que poderiam usar o comboio com toda a comodidade) e que não obstante, insistem em usar o "exoesqueleto" sobre quatro rodas todos os dias, de segunda a sexta...
De Miguel a 17 de Novembro de 2009 às 15:46
Eu também não sou um utilizador intensivo, mas utilizo muitas vezes o metro e já andei em todas as linhas várias vezes (embora seja maior utilizador da amarela, que vai do meu emprego para o centro, que é o que me dá mais jeito) e o sistema parece-me muito bem conseguido a todos os níveis. É carote (viagem mais barata, duas zonas, 0,95€ por uma hora) para quem só anda de metro porque o andante sendo multimodal dá para todos os transportes. Mas o sistema às vezes tem a vantagem de poderes fazer ida-e-volta só com uma viagem se fores fazer uma coisa rápida (ainda na semana passada fiz isso na hora de almoço).
Quanto às zonas aquilo é um bocado obtuso, mas resulta também da multimodalidade com os restantes transportes na cidade (STCP e operadores privados), dado que é muito difícil arranjar uma forma de um bilhete dar para tudo. Para resolver de certa forma isso há já bastante tempo colocaram nas estações, junto às máquinas de venda automática, um autocolante que diz o número de zonas que tens que comprar para ir para a estação X a partir da estação onde estás (é um autocolante diferente para cada estação). Sempre se tornou mais fácil e para quem faz uma viagem só de metro já não tantos problemas como antigamente, basta olhar para o autocolante e ver a estação para onde vai e compra o bilhete adequado (além disso no metro andam sempre bastantes seguranças e também polícias que costumam ser bastante prestáveis a ajudar quem tem dificuldades).
Claro que o sistema não é perfeito, por exemplo para ir do S. João para Gaia são 3 zonas, mas só tens que pagar duas se utilizares um bilhete simples (não me perguntem porquê). No entanto se tiveres passe já tens que comprar um de 3 zonas... :)
E depois havia aquele caso que era S. João - Póvoa, que à ida eram 5 zonas e à vinda eram 6...(cheguei a perguntar a um segurança e a um motorista e ambos me confirmaram que eu estava a ver bem as coisas) mas esse já acabou desde que puseram o autocolante, passou a ser 6 zonas nos dois sentidos.
De NunoM a 17 de Novembro de 2009 às 18:44
Miguel,
De facto acabas de confirmar a minha impressão sobre essa coisa das zonas (os dois últimos parágrafos ilustram à perfeição o problema). Parece-me mesmo muito pouco intuitiva e uma forma de "carregar" nos preços. Mas a verdade é que estou tão "pré-formatado" enquanto utente regular do metro de Lisboa que se calhar tendo a avaliar involuntariamente outros sistemas de metro pela bitola do de Lisboa, no qual existem apenas duas grandes zonas ou coroas (L e 1).
De qualquer modo, é bom saber desse expediente do autocolante junto às máquinas de venda automática: pelo menos torna a coisa mais fácil de "digerir" sem maiores confusões!...
Ainda a respeito do número de veículos retirados das ruas do grande Porto devido ao advento do metro, já não surpreenderá tanto se pensarmos que uma parte considerável dos actuais passageiros habituais do metro são antigos utilizadores regulares de linhas dos STCP , que entretanto acabaram por dispensar o autocarro devido à muito maior eficiência do metro nos percursos que devem percorrer.
Outro efeito do metro na cidade foi a supressão e "simplificação", nalguns casos bastante arbitrária, de linhas de autocarros (decidida pela administração dos STCP ), pretensamente tornadas redundantes pelo novo meio de transporte colectivo. Se isto até é capaz de ser válido e defensável em determinadas zonas da cidade e arredores, noutras é uma pura falácia.
De Miguel a 17 de Novembro de 2009 às 21:03
Como é óbvio o sistema do Andante não podia ser perfeito, até porque foi a primeira tentativa em Portugal de criar um sistema verdadeiramente multimodal a envolver todos (ou quase) os operadores de transportes públicos a actuar na área metropolitana.
Realmente o sistema do autocolante funciona muito bem, até pelo público alvo que serão as pessoas que usam o metro de forma esporádica e muitas vezes apenas o metro, não mudando para outros meios de transporte (muitas vezes também por ignorância por não saberem que o andante pode ser usado em muitos outros transportes). Para os clientes regulares e que usam mais do que um meio de transporte nas suas viagens regulares em princípio terão passe e ao irem criar o passe pela primeira vez suponho que quem esteja na loja andante consiga explicar quantas zonas precisa para as suas viagens (e eventualmente dizer as suas opções para fazer essa viagem)
De CM a 17 de Novembro de 2009 às 14:36
Expandir a linha do Metro para a linha de Sintra é fazer concorrência directa à linha da CP.

Parece-me que valia a pena investir na própria linha da CP (material circulante, estações, horários, etc ) e nas ligações às estações da CP já existentes (parques de estacionamento, transportes de ligação, etc ), do que fazer mais uma ligação paralela a uma linha que já dá prejuízo.

O problema das famílias é o tempo e o conforto. Não querem demorar horas a chegar, apanhar frio ou chuva entre TPs , passar a pé em determinado sítio depois de determinada hora, ainda têm que levar os filhos às escolas que não são perto de casa, etc - é por isso que não querem os transportes públicos.

Porque não é possível termos TP à porta de casa ou à medida de cada um, o melhor é apontar para uma solução mista, ou seja criar as condições para um boa integração entre o transporte individual e o TP , seja carro-comboio , a pé-autocarro , bicicleta-comboio , and so on and so on ...

Por exemplo, imaginem a linha de Sintra ter 2 mega-parques de estacionamento ao longo da sua linha, a preços controlados (baixos!), situados relativamente perto com uma ligação muito rápida ou mesmo junto as estações. Quantas pessoas ficavam bem servidas com a linha da CP nestas circunstâncias?
10 minutos de carro + 15min de viagem e estavam em Lisboa, onde seria proibitivo (€€€) estacionar. Tempo da viagem previsível, stress free!

Como o Metro não vai até à porta de cada um, vai ser preciso levar as pessoas até ao Metro, o que vai dar no mesmo, certo?
De Joana a 17 de Novembro de 2009 às 15:01
Ainda por cima, a linha de Sintra não tem 2, mas 4 vias! Sobre essa parte estamos totalmente de acordo (muito mais prioritário é um transporte pesado de carril no Linha de Loures).

Mas isso não significa que o metro seja desnecessário na Amadora. Estamos a falar da 3.ª (ou 4.?) cidade mais populosa do país, com cerca de 200 mil habitantes. É importante, nomeadamente, haver uma ligação rápida à estação da CP. Não pensem só em parques de estacionamento junto às estações. Não é preferível um transporte público rápido para a estação? E isto tanto para a Amadora, como para o Cacém, Massamá, Queluz, Rio de Mouro...
De fuschia a 17 de Novembro de 2009 às 15:43
Mas eu concordo com o Metro até à Amadora (seja Reboleira ou Amadora-centro) desde que seja perto de uma estação CP. O que me parece despropositado é metro até ao Hospital.. Nem tem uma zona habitacional forte perto.. Não digo que não dê jeito, isso dá sempre, mas não me parece que o fluxo diário de pessoas para ali seja o suficiente para haver urgência em fazer o prolongamento da Linha para ali.

A CP tem melhorado muito o serviço e continua a fazê-lo, embora não seja perfeito, mas isso nenhum o é. Os parques seriam uma boa ideia, mas muitas das estações da Linha de Sintra têm casas em cima, por isso não sei se haveria espaço suficiente para esses parques.

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