Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Holanda introduz imposto de circulação ao km

Depois da França ter introduzido um imposto sobre as emissões de carbono, temos mais um país a ir na direcção do aumento da taxação do uso do automóvel. A Holanda vai acabar com os impostos fixos (sobre a compra do automóvel e o  imposto anual de circulação) e cobrar 6,70€ por cada 100km percorridos. Em vez de se penalizar quem tem um automóvel, passa-se a penalizar quem o usa mais. Para ter uma ideia, um carro que gaste 6l/100km de gasolina além dos 7€ que pagará de combustível por cada 100km, pagará mais 6,70€ de imposto. Quase o dobro. Um carro que gaste 12l/100km apenas passa dos 14€ para os 20,70€.

Em comparação com a solução francesa, este imposto tem a vantagem de reconhecer que os custos que o automóvel causam à sociedade (externalidades) não advêm apenas do consumo de combustível (custos ambientais) mas do uso do carro independentemente de ser muito ou pouco eficiente. Por outras palavras, um carro alimentado a energia solar e um carro que gasta 20l/100km causam exactamente o mesmo nível de problemas em termos de congestionamento, sinistralidade, necessidade de infra-estruturas, ocupação do espaço urbano, etc. e a Holanda passa a penalizar o dono do carro solar por isso. Aliás, o principal objectivo do governo Holandẽs não é a melhoria ambiental, mas a resolução do enorme problema de congestionamento que acontece em todas as auto-estradas do país.

A terrível desvantagem do sistema holandês: cada carro vai ser equipado com um GPS que contabilizará as deslocações! Obviamente que este Big Brother já está a levantar protestos. É caso para dizer, uma boa ideia mas muito mal executada. Exactamente a mesma ideia, mas sem os contornos pidescos pode ser alcançado através de um método muito simples: portagens! Pois é, os países do Sul da Europa há muito que cobram ao km... infelizmente só em algumas AEs.

 


N' O Canhoto, a diferença entre Portugal e Espanha em termos de investimentos ferroviários.

publicado por MC às 19:00
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36 comentários:
De Joana a 16 de Novembro de 2009 às 20:27
Qualquer das medidas é boa. Se uma delas fosse aplicada de imediato em Portugal, haveria revolução na rua, os camionistas bloqueariam as estradas até à revogação da medida, o Governo acabaria por se demitir e fugir em bloco para o estrangeiro, Carlos Barbosa aproveitaria a distracção de toda a gente para tomar o poder e seria instalada de vez a República Portuguesa dos Popós.

Na Holanda e em França deve ser tudo um pouco mais pacífico...

Qual dos sistemas é o melhor? Hesitei, mas concordo contigo. Mesmo desaparecendo os impostos fixos (no acto da compra e o imposto anual), que são os impostos através dos quais tradicionalmente se incentiva fiscalmente a compra de veículos menos poluentes, esse incentivo pode ser directa ou indirectamente concedido por outras vias: sobretudo, o imposto sobre os produtos petrolíferos (aumento radical, já!), benefícios fiscais em sede de IRS, etc.

Podemos mandar os nossos eleitos para a Holanda e trazer os de lá para governar Portugal? 5 anos chega...
De mlz a 17 de Novembro de 2009 às 10:01
Holanda pacifico?
Nada disso...Eles têm é um historial de participação democrática muito maior que o nosso e têm um sentido cívico e de comunidade mais apurado.
De Joana a 17 de Novembro de 2009 às 10:43
Precisamente! Foi o que quis dizer com "mais pacífico". Ou temos alguma dúvida de que a reacção aqui no nosso burgo seria muitíssimo pior?
(não estou aqui a incluir o problema do "big brother", que é obviamente importante e que, provavelmente, em Portugal seria secundarizado, em relação ao "enorme problema" que seria a introdução deste imposto...)
De Susana Nunes a 22 de Novembro de 2009 às 18:39
E penso que a França ainda é menos pacífica do que a Holanda... Onde é que começaram as principais revoluções que partiram do povo? Esta gente está sempre na rua! Só este ano, já participei em mais greves gerais do que nos meus 20 anos em Portugal...
De João Costa a 27 de Novembro de 2009 às 21:31
TÁS TOTALMENTE ENGANADO.
ISTO FUNCIONA ASSIM: PAGAS OS IMPOSTOS, DEPOIS RECLAMAS.
SE NÃO PAGARES, É MELHOR FUGIRES, VEM A TUA CASA, LEVAM-TE TUDO, E PÔE-TE NO XADREZ, DEPOIS DE TUDO PAGO, COM TRABALHO CLARO, LEVAS BILHETE DE IDA SEM VOLTA.
NÃO FALES DE ASSUNTO QUE NÃO SABES. CALA-TE
www.joaocosta.nl
De Rogério Leite a 16 de Novembro de 2009 às 21:04
Já tem um tempo que tenho "cantado esta pedra", a da taxação por km rodado. Não neste modelo. Meu receio é justamente o efeito Grande Irmão que o chip de identificação vai ter. No Brasil já estão programando a inserção do mesmo chip nos popós. Porém aqui, estão "vendendo" a idéia da segurança, da recuperabilidade do veículo em caso de roubo, sequestros e raptos. E como parece nossa sociedade leu "1984" apenas na escola (SE É QUE LERAM!) e já esqueceu o que significa poder ser monitorado 100% do tempo, e como ninguém aqui é muito paranoico, capaz de ninguém notar até o estrago estar feito! Vou adaptar o texto acima de vcs, com a notícia e comentar como sempre na versão Recife/Pernambuco/Brasil!... Ótima atuação dos políticos da Holanda.
De Juahum L a 19 de Novembro de 2009 às 01:54
Num dos comentários já lembraram que por cá tb se pensa em controlar os movimentos dos popos.
Ora bem, eu tenho seguido esta questão há já bastante tempo (em rota de convergir com o cartão de cidadão) e até tenho uma opinião provocadora: sou pelo chip na matrículas.

Se falamos constantemente que a mentalidade do tuga é insensível a todas as problemáticas que neste meio falamos e parece não quer mudar comportamentos, agora parece-me que só o medo do big brother é que o acordará desta apatia insustentável. Então que seja assustador andar de popo! Não pq pode matar(-se), pq destrói urbes e natureza, pq polui, pq é stressante... não, apenas pq o big brother vai estar de olho em nós. Assim seja...

Optar pelo popo tem de ser mais difícil, penoso, custoso, desvantajoso, etc ... do que qualquer outro meio de transporte que é _realmente_ mais eficaz, eficiente, sustentável... Só assim as pessoas mudarão hábitos. Desenganem-se os evangelistas da livre-escolha.
De MC a 25 de Novembro de 2009 às 10:00
Juahum,
uma coisa que os evangelistas da livre-escolha se esquecem é que andar de carro não é uma decisão pessoal. É uma decisão tem um enorme impacto nos outros.
De Iletrado a 21 de Novembro de 2009 às 17:57
Caro MC
Considero que estas não são boas notícias:
1. Essa medida em França baseia-se na histeria em relação ao aquecimento global causado pelo Homem. Não vou discutir se isso é verdade ou não, afinal aquele professor Filipe afirmou para quem quis ouvir que a ciência consiste num discurso social (programa Sociedade Civil, no canal 2), em que cada um acredita no que quer. Vou partir do princípio que este discurso corresponde à verdade. Ora, sendo verdade, os franceses (e os outros) expliquem-me porque razão eu pagando um preço mais elevado pelo meu consumo de combustíveis fósseis estou a contribuir para a diminuição de CO2. Portanto, se eu não tiver dinheiro não aqueço o planeta, porque não posso pagar; se tiver dinheiro, não há problema - desde que pague está tudo bem. Porreiro, pá. Bela medida, de alcance social duvidosa, no mínimo.
2. Essa medida na Holanda demonstra que, afinal, um dos teus países de eleição, em termos de cultura e cidadania, enfrenta os mesmos problemas que o nosso, ao nível de exagero no consumo do carro. Pelos vistos, os holandeses são tão ou mais iguais que os portugueses. A diferença deve residir ao nível dos políticos de lá, que (aparentemente) tentam combater esse estado de coisas, ao invés dos nossos, que contribuem para o estado a que isto chegou. O que é desanimador.
3. Essa medida holandesa também não abona em relação à inteligência deles. Lá estão eles a inventar a pólvora, só que neste caso, como bem referiste, numa tentativa de controlar a vida privada. (A não ser que o objectivo seja mesmo esse. Quem sabe se a Holanda não está a servir de cobaia?) Então os bichos não conhecem uma coisa denominada tacógrafo? Seria relativamente simples de instalar e fácil de implementar. Controlaria eficazmente os quilómetros percorridos e as velocidades praticadas sem devassar a vida de cada um. Com a vantagem de não depender do tempo, da posição e alinhamento de satélites e outras coisas que não tornam o sistema GPS fiável a 100%.
Boas pedaladas.
De MC a 22 de Novembro de 2009 às 11:45
Iletrado,
1. Todas as ciências se baseiam em acreditar, nada se pode provar. A única coisa que se pode fazer é contariar, mesmo na física.
Quanto à tua questão:
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/186631.html

ou de um modo mais simples: se o carro passa de repente a ser mais caro que o comboio, não achas que isso terá algum efeito?

2. Como é teu hábito (desculpa ser frontal, mas repetes o erro) eu nunca dei a Holanda como um exemplo de cidadania e cultura.
A Holanda tem excelentes exemplos de mobilidade urbana, e foi só disso que falei. E o post não tem a ver com mobilidade urbana-

3. Boa idea a tua no sentido de não atacar a privacidade. Contudo, e eu não o disse no post, acho que há a ideia de a taxa depender dos locais onde passas (tipo zonas de congestionamento teriam taxas mais altas). Neste caso, é necessário o GPS.

boas pedaladas
De Iletrado a 24 de Novembro de 2009 às 00:24
Caro MC
1. A tua resposta significa que a noção de a Terra circular à volta do Sol é uma questão de crença? Não se pode provar? A ciência não é social e é criminoso orientar políticas que reprimem e esbulham ainda mais quem menos tem baseado numa teoria que não tem quaisquer bases científicas. A ERSE já está a dar o exemplo, com a sua proposta de aumento de preços para 2010: um dos motivos invocados é a diminuição do consumo. Fantástico! Anos e anos a clamarem que temos de poupar, desliguem o "stand-by" e eliminem as lâmpadas incandescentes para poupar o ambiente e etc e tal. Afinal, parece que quanto mais poupas mais pagas.
2. Não tens de pedir desculpa pela tua frontalidade. Eu é que peço desculpa pelo erro. Admito que posso ter errado nessa interpretação ao ler vários comentários às tuas peças referentes à Holanda quando a comparas com Portugal. Associei o que alguns afirmaram à tua pessoa. Como já referi, nunca saí da Ibéria. Como as notícias que veiculas são acompanhadas por fotos e têm sempre uma ligação onde se pode confirmar o que afirmas, parti do princípio que na Holanda (e outros países que referes e que já visitaste) o carro fosse um hábito desenraizado dessa sociedade. Para onde quer que se aponte, encontramos sempre muitas imagens de uma Holanda florida, sempre cheia de pessoas de bicicleta e só um ou outro carro. E costumo mostrar estes exemplos do teu (vosso) espaço aos meus conhecidos dependentes do carro. Depois de tantas peças a enaltecer o que de bom se faz por lá, chocou-me esta notícia, pois considerei (erradamente, pelos vistos), que na Holanda engarrafamentos eram coisa do passado. Foi por isso que referi que esta notícia tem o seu quê de desanimador. É verdade que já tinhas mostrado um ou outro vídeo onde se nota um movimento razoável de carros, mas não imaginava que isso, lá, fosse um problema.
3. Corrige-me se estiver enganado, mas penso que essa ideia de se pagar mais nos locais mais congestionados não tem qualquer sentido - partindo do princípio que só será possível controlar tal coisa por GPS. Já aqui foi referido várias vezes que a maior parte das viagens de carro são feitas dentro das cidades - estou a pensar em Portugal, abstenho-me de comentar a Holanda - são de pequenas distâncias, menos de 5 Km. Ora, como o português é muito sensível a tudo o que lhe mexa no bolso, ao fim de um período razoável as pessoas evitariam deslocar-se de carro só para ir ao café, por exemplo. Ou, para usar o exemplo de uma tua leitora (penso que é Catarina) evitaria que uma colega fizesse o trajecto casa-universidade-casa quatro vezes, quando a distância que separa estes dois pontos é muito pequena. Portanto, só o facto de se pagar um imposto ao quilómetro já evitaria esses engarrafamentos.
Boas pedaladas.
De MC a 25 de Novembro de 2009 às 10:10
Iletrado

1. Exactamente. Não se pode provar que a Terra anda à volta do Sol. Todas as teorias são válidas (mas apenas válidas, não verdadeiras) até prova em contrário. Essa é válida e a que faz mais sentido, mas ninguém pode provar que tudo o que observámos da interacção da Terra com o Sol não passa de uma mera ilusão. Um amigo meu, professor universitário de física, que costuma ler o blogue talvez possa comentar (estás aí?).

ERSE: deixa a ERSE em paz e crítica o governo. O preço da electricidade está neste momento abaixo do preço pago aos produtores+custo de distribuição por imposição política. Há dívidas e dívidas a ser acumuladas. Estamos a criar uma bomba que vai explodir mais cedo ou mais tarde.

3. Uma taxa mais alta nas zonas de congestionamento tem um fundamento económico. São nessas situações que a minha escolha de andar de automóvel mais impacto negativo tem sobre os outros. Andar de carro no meio do nada, não incomoda ninguém (para lá da questão ambiental). Diz a teoria económica (e eu concordo) que se deve taxar e muito a primeira situação (para reduzir as viagens - e olha que infelizmente o número de viagens não varia assim tanto com o preço) e taxar quase nada a segunda.
De Iletrado a 26 de Novembro de 2009 às 23:01
Caro MC
1. Olha, o teu professor de Física é partidário de Zenão?! Mas tens a certeza que tens um amigo professor de Física? Não será uma ilusão? Ou apanhaste uma congestão com esta história das mensagens do Hadley Centre? Pura ilusão, claro!
Assim fico sem saber o que replicar em relação à ERSE. Porque a ERSE pode ser tipo Pai Natal, uma ilusão.
3. Afirmar que andar de carro no meio do nada não incomoda é o mesmo que afirmar que um carrito num passeio de quatro metros de largura não incomoda. Esse tiro no pé é inqualificável. É assim tão difícil admitir que outros possam ter razão? Como podes afirmar isto quando és tu que afirmas, vezes sem conta, que temos excesso de AE? Que utilizas de maneira curiosa o paradoxo de Braess para contestar toda e qualquer nova AE, radial ou alternativa construída no meio do nada? Como é que o carro chega a meio do nada? Teletransporte? Então se de repente todos evitarem um local considerado de engarrafamento e passarem todos a utilizar outro local que não é assim considerado? Como é que resolves a questão? Mudas os Regulamentos todos os dias?
Mas, se pensares bem, não existem engarrafamentos. Nem carros em cima do passeio. Aliás, nem há passeio. Nem carros nem poluição. De acordo com a tua fé, é tudo uma ilusão.
Boas pedaladas.
De Susana Nunes a 22 de Novembro de 2009 às 18:49
Caro Iletrado,

É bastante pertinente, essa questão "desde que pague está tudo bem", também eu pensei nesses mesmos termos! No entanto, curiosamente, também se contribui indirectamente para a diminuição da emissão de gazes com efeito de serra ao produzirem-se estes mesmos gases. Passo a explicar: as pessoas que mais pagam, são precisamente as pessoas que estão a financiar os novos investimentos em projectos e materiais mais ecológicos. Por isso, o ambiente fica a ganhar de qualquer maneira.
E esta medida não se baseia "na histeria em relação ao aquecimento global causado pelo Homem", mas, como tudo actualmente em França, na popularidade ou na impopularidade do Sr. Sarkozy . Face à enorme derrota do seu partido nas europeias, ele não teve outra opção se não tentar atrair outro tipo de eleitores: os ecologistas. O que acabou por nem resultar, pois os próprios ecologistas estão bastante reticentes em relação à maneira como esta medida surgiu e vai ser aplicada... No fundo, no fundo, muito pouco tem a ver com ambiente.
De Iletrado a 24 de Novembro de 2009 às 00:27
Cara Susana Nunes
É claro que esta medida francesa pouco tem a ver com ambiente! Essencialmente, o objectivo consiste em ganhar dinheiro. Sacar mais umas massas ao pagode. E tentar manter a cadeira do poder.
Quando eu refiro o "desde que pague está tudo bem", refiro-me à confusão que existe entre ambiente, ecologia, clima e aquecimento global. Os oportunistas do costume querem enriquecer ainda mais à custa do Zé e este é facilmente enganado pois, como é evidente, cada um está demasiado atarefado a viver a sua vida para perder tempo com estes folhetins. O discurso oficial, mesmo sendo falso, podia ser coerente com o que apregoa e adoptar as medidas consideradas necessárias para reduzir ou impedir "uma catástrofe sem precedentes na História da Humanidade" e "a destruição do planeta". E uma dessas medidas seria, pura e simplesmente, banir o transporte particular motorizado. Já há precedentes neste tipo de política. Lembra-te dos CFC. Ameaçavam a vida na Terra, pois contribuíam para a diminuição da camada de ozono. Foi praticamente banido internacionalmente. Só uns poucos fabricantes o utilizam actualmente. Ora bem, mesmo quem pouco ou nada percebe de física, de química, de clima ou de ciência em geral e quer acreditar no que aquele cientista árabe famoso que ganhou o Nobel da paz, Algore, presumo, não pode deixar de estranhar as medidas vigorosas contra os CFC e os paliativos contra o CO2.
Boas pedaladas.
De MC a 25 de Novembro de 2009 às 10:12
Os CFS tinham alternativas baratas e fáceis de implementar (notaste por exemplo alguma revolução nos frigoríficos? usavam CFCs mas não explodiram o preço nem foi preciso reinventar a roda quando os CFCs foram proibidos). O carbono não.
De Iletrado a 26 de Novembro de 2009 às 23:02
Caro MC
Ou o carbono é o bicho mau ou não é. Então os CFC podem originar uma catástrofe - acaba-se com eles porque ninguém reclama. Mas o carbono - ah, isso não, porque não há alternativas. Sim, a ética e a coerência do discurso são coisas difíceis de manter, quando a questão é dinheiro.
Mas, lá está, o problema deve residir no facto de tudo não passar de ilusão.
Boas pedaladas.
De MC a 25 de Novembro de 2009 às 10:20
Susana e Iletrado,

por favor respondam-me sucinta mas claramente, que eu tenho alguma dificuldade em perceber o argumento contra o suposto "desde que pague está tudo bem". Estou a ser a sincero, porque não entendo o problema em usar instrumentos económicos em questões ambientais, como a taxa de carbono. Só consigo perceber essa posição se ela partir de um preconceito generalizado a tudo o que seja economia. Por partes

1. Quem disse que depois de pagar, está tudo bem?

2. Não é uma solução melhor que a actual?
(Será que a situação actual é um "nem te preocupes, nem pagas, porque está tudo bem"?)

3. Qual o problema de cobrar a quem polui mais e recompensar quem faz um esforço para poluir menos?

4. Mais importante de tudo, e sem resposta a esta pergunta eu não consigo aceitar críticas, qual seria uma melhor alternativa?
De Susana Nunes a 25 de Novembro de 2009 às 10:44
Atenção, essa expressão fui utilizada pelo Iletrado. Eu apenas tentei explicar que, embora tivesse algumas duvidas no inicio em relação à taxa carbono, acabei por perceber que é um instrumento que pode beneficiar. Mesmo para aqueles que não se preocupam com a quantidade de poluição que produzem, precisamente por poderem pagar. São precisamente estes, os que mais pagam, que estarão a financiar projectos e iniciativas que poderão ter impactos bastante positivos para o ambiente. Sucintamente: pagar não significa legitimar, é uma solução melhor do que a actual, sim ao poluidor pagador e ao eco-cidadão recompensado. Quanto a alternativas, não é por ai... Para mim trata-se sobretudo de complementos indispensáveis : esta taxa aplicada aos países e às empresas, de forma mais justa e mais pesada. Enquanto não ultrapassarmos todos os lobbies que fazem com que as este principio não seja aplicado verdadeiramente a todos, ainda há muito a fazer.
De MC a 25 de Novembro de 2009 às 11:48
Susana,
eu sei que a expressão não era tua, mas achaste que era pertinente e já o tinhas referido antes no post sobre a taxa francesa.

Eu continuo sem perceber por que se diz que "depois de pagar, está tudo bem".
Há vários comportamento anti-sociais como circular em excesso de velocidade, estacionar no passeio, etc. que são punidos com uma multa. Será que a multa também é um comprar do direito de proceder erradamente?

A multa e a taxa são métodos disuasores. Apenas isso.
De Susana Nunes a 25 de Novembro de 2009 às 13:21
Para mim não, um direito não é algo que se possa comprar. E penso que esta taxa é uma boa medida e que, se bem aplicada, poderá ter um efeito bastante positivo.

Mas, infelizmente, nem toda a gente pensa da mesma maneira... Todos nós conhecemos pessoas que, precisamente por poderem pagar, se sentem menos tocadas por determinadas leis e é em relação as este tipo de pessoas que o "depois de pagar, está tudo bem" me vem ironicamente à cabeça.
De Iletrado a 26 de Novembro de 2009 às 23:13
Caro MC
Brilhante discurso, sim senhor. Taxa e multa é o mesmo, são dissuasores. São sinónimos? Então explica-me porque razão pagamos IVA, IRS, IRC e outras miudezas, como as contribuições para a Segurança Social. Será para dissuadir o quê?
Entretanto, tenho "uma certa dificuldade" em perceber porque motivo circular de carro é uma acção anti-social, equivalente a roubar ou matar. Bom, talvez seja anti-social nos sítios onde há engarrafamentos, porque "Andar de carro no meio do nada, não incomoda ninguém."
Mas, lá está, o problema deve residir no facto de tudo não passar de ilusão.
Boas pedaladas.
De Iletrado a 26 de Novembro de 2009 às 23:04
Caro MC
Tens dificuldades? Não sabes ler? Transcrevo: "O discurso oficial, mesmo sendo falso, podia ser coerente com o que apregoa e adoptar as medidas consideradas necessárias para reduzir ou impedir "uma catástrofe sem precedentes na História da Humanidade" e "a destruição do planeta". E uma dessas medidas seria, pura e simplesmente, banir o transporte particular motorizado." Foi isto que escrevi. Essas taxas são um esbulho das nossas economias, sem qualquer base científica para a sua aplicação. A questão é mesmo esta: e se todos conseguirem pagar, está tudo bem? Tu até deves conhecer quem passe fome para não prescindir do carro. Era vê-los, em 73, a utilizar alguidares e baldes para encher de gasolina, enquanto em casa os filhos passavam dificuldades. E que dizer da crise de 85, quando a gasolina subiu 20 escudos de um dia para o outro? Temiam-se revoluções, lê os jornais da época. Afinal, no dia seguinte o trânsito automóvel não parou e o autocarro onde eu seguia demorou praticamente o mesmo tempo entre a Damaia e o Marquês de Pombal, onde trabalhava.
Portanto, a solução não é taxar; a solução é banir. Doa a quem doer. Nem percebo o teu espanto e a tua oposição a esta tese. Afinal, não és tu que lutas por menos um carro?
Mas, lá está, o problema deve residir no facto de tudo não passar de ilusão.
Boas pedaladas.
De MC a 26 de Novembro de 2009 às 23:43
Iletrado,
noto que a tua capacidade de discutir está de boa saúde.
Um abraço
De MC a 25 de Novembro de 2009 às 19:50
Susana,
já agora "efeito de serra" é francês aportuguesado. Em português é efeito estufa ;)
De Susana Nunes a 25 de Novembro de 2009 às 20:13
ahaha obrigada, mas onde é que eu escrevi isso? Caio frequentemente na ratoeira apesar de saber perfeitamente que é efeito de estufa... As minhas desculpas e não hesitem em comentar sempre que virem algo que não soa a português! Tento estar sempre atenta, mais de vez em quando lá falha...
De MC a 26 de Novembro de 2009 às 14:09
Foi aqui
De Susana Nunes a 22 de Novembro de 2009 às 18:49

E não há problema. Ao menos misturas francês com português, duas línguas parecidas.
De João Costa a 27 de Novembro de 2009 às 21:37

acho que tens de ir para a escola de novo, primária claro, és burra todos os dias, quando dizes que lingua portuguêsa é igual á francesa, já reparas-te que estas borrando e enchendo de trampa a tua própria lingua??? claro que não. és ignorante. www.joaocosta.nl, depois de leres isto se fores inteligente ficas calada por muito tempo. sorry
De João Costa a 27 de Novembro de 2009 às 21:22
ACHO, ME DESCULPEM, PRIMEIRO VOU-ME APRESENTAR: JOÃO COSTA, RESIDENTE NA HOLANDA DESDE 2000, ELECTRICISTA PROFISSIONAL EM 3 CONTINENTES E ULTIMOS 9 ANOS NA HOLANDA.
EM PRIMEIRO DE TUDO O SRS. SÓ FALAM DE PAPO CHEIO, SEM FUNDAMENTOS E SÓ PARA GASTAR TEMPO NA NET .
DEVIAM VIR PARA AQUI TRABALHAR NO MINIMO 1 ANO E VER O QUE DIZIAM DEPOIS, PAGANDO RENDA DE CASA, IMPOSTO AUTOMÓVEL, AGUA, GAS , E DEPOIS TER DE TER UM CARRO PARA IR TRABALHAR, POIS ISTO NÃO É MORAR EM LISBOA, E ATÉ PARA TOMAR A BICA VÃO DE CARRO, AQUI NESTA TERRA TERRA QUEM TEM CARRO É PÓR QUE PRECISA DELE, NÃO POR LUXO, MESMO ASSIM TEM QUE SE LEVANTAR AS 5 HORAS DA MANHA, E ESTAR 2 HORAS NA FILA, ATÉ CHEGAR AO TRABALHO, E DE REGRESSO MAIS 2 PARA CHEGAR A CASA.
DEIXEM A PORRA DAS PALAVRAS CARAS DA INTERNET E EXPRIMENTEM O SAUDAVÉL CLIMA NA HOLANDA, AI TODOS OS PAPAGAIOS VÃO SE CALAR DE VÊZ , PORQUE PELA BOCA MORRE O PEIXE, VÇS DEVEM É ESPERIMENTAR E NÃO DAR PIROPOS PARA O AR.
ISSO DO KM TAMBÉM VAI SER PARA MIM, E EU FAÇO POR SEMANA 1400 KMS , 10 HORAS DIARIAS DENTRO DO TRABALHO E MAIS 4 HORAS DE FILAS DE 2ª A 6ª.
NÃO ESCREVAM TRAMPA SEM CONHECEREM A CAUSA, NÃO SEJAM PAPAGAIOS, PÓIS VÓS SÃO FILHOS DE SENHOR RICO, FALAM SEM CONHECIMENTO, POR FAVOR CRESÇAM E APAREÇAM E DEIXEM-SE DE MERDAS DE INTERNET, DISTO ESTÁ O MUNDO CHEIO. FAÇAM COMO EU TRABALHEM, E NINGUEM TERÁ INVEJA DE VÓS.
ATENCIOSAMENTE AS MINHAS SINCERAS DESCULPAS.
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ACHO, ME DESCULPEM, PRIMEIRO VOU-ME APRESENTAR: JOÃO COSTA, RESIDENTE NA HOLANDA DESDE 2000, ELECTRICISTA PROFISSIONAL EM 3 CONTINENTES E ULTIMOS 9 ANOS NA HOLANDA. <BR>EM PRIMEIRO DE TUDO O SRS. SÓ FALAM DE PAPO CHEIO, SEM FUNDAMENTOS E SÓ PARA GASTAR TEMPO NA NET . <BR>DEVIAM VIR PARA AQUI TRABALHAR NO MINIMO 1 ANO E VER O QUE DIZIAM DEPOIS, PAGANDO RENDA DE CASA, IMPOSTO AUTOMÓVEL, AGUA, GAS , E DEPOIS TER DE TER UM CARRO PARA IR TRABALHAR, POIS ISTO NÃO É MORAR EM LISBOA, E ATÉ PARA TOMAR A BICA VÃO DE CARRO, AQUI NESTA TERRA TERRA QUEM TEM CARRO É PÓR QUE PRECISA DELE, NÃO POR LUXO, MESMO ASSIM TEM QUE SE LEVANTAR AS 5 HORAS DA MANHA, E ESTAR 2 HORAS NA FILA, ATÉ CHEGAR AO TRABALHO, E DE REGRESSO MAIS 2 PARA CHEGAR A CASA. <BR>DEIXEM A PORRA DAS PALAVRAS CARAS DA INTERNET E EXPRIMENTEM O SAUDAVÉL CLIMA NA HOLANDA, AI TODOS OS PAPAGAIOS VÃO SE CALAR DE VÊZ , PORQUE PELA BOCA MORRE O PEIXE, VÇS DEVEM É ESPERIMENTAR E NÃO DAR PIROPOS PARA O AR. <BR>ISSO DO KM TAMBÉM VAI SER PARA MIM, E EU FAÇO POR SEMANA 1400 KMS , 10 HORAS DIARIAS DENTRO DO TRABALHO E MAIS 4 HORAS DE FILAS DE 2ª A 6ª. <BR>NÃO ESCREVAM TRAMPA SEM CONHECEREM A CAUSA, NÃO SEJAM PAPAGAIOS, PÓIS VÓS SÃO FILHOS DE SENHOR RICO, FALAM SEM CONHECIMENTO, POR FAVOR CRESÇAM E APAREÇAM E DEIXEM-SE DE MERDAS DE INTERNET, DISTO ESTÁ O MUNDO CHEIO. FAÇAM COMO EU TRABALHEM, E NINGUEM TERÁ INVEJA DE VÓS. <BR>ATENCIOSAMENTE AS MINHAS SINCERAS DESCULPAS. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>www.joaocosta.nl</A>
De João Costa a 27 de Novembro de 2009 às 21:46
TAMBÉM ME DESCULPEM POR ISSO POR O MEU SITE NESTE SITE, www.joaocosta.nl , mas penso que não voltarei aqui depois deste palavreado sujo de português, é muito triste quando se fala sem conhecimento de causa.
Adeus senhores e senhoras deputados da Internet,
cresçam e apareçam, é justo.
João Costa
De João Costa a 27 de Novembro de 2009 às 21:50
tás é esquecendo que sem portagens, pagas aqui na holanda, cerca de120 euros por mes de imposto automovel, se fizerem portagens, todos os carros deste pais pararão.
João Costa
De Eduardo Marques a 22 de Janeiro de 2010 às 15:18
Não vejo sinceramente como ficar sucessivamente taxando o "povo" seja algo de realmente positivo. Na minha opinião seria bem melhor lidar com infra-estrutura, dar incentivos ao uso de transportes públicos e repensar em alternativas mais eficientes. Do jeito que a coisa está indo, qualquer dia só os "ricos" é que poderão andar de carro...

Cada vez me lembra mais as "histórias" da idade média em que os reis taxavam o povo como bem entendiam... agora troquem-se os reis pelos políticos e estamos "quase" na mesma...

Será que se trocarmos carros por cavalos aí ficaria tudo bem?... ah não... ia iamos ter que taxar os donos dos cavalos pelos danos dos cascos nas estradas, os inevitáveis acidentes que poderiam ocorrer, e a poluição atmosférica das fezes dos animais....

Gente, desculpem o caráter irónico, mas eu acho que nem 8 nem 80.... parece que hoje em dia, tudo é o fim do mundo e emissões de CO2....
De MC a 22 de Janeiro de 2010 às 15:33
Eduardo,

Agradecia que da próxima que lesses o post ANTES de o comentar:

1. Ninguém falou em CO2
2. Tanto no caso holandês como no francês, as taxas impostas seriam compensadas por diminuições noutros impostos,
De Eduardo Marques a 23 de Janeiro de 2010 às 01:40
MC,

Peço desculpa se o meu comentário de alguma forma te ofendeu. Eu li o post antes de comentar.. achei a notícia insólita, mas nem ia comentar... acabei por comentar pois vi um monte de comments de outras pessoas apoiando todo o tipo de medidas e falando sem conhecimento de causa...

A maior parte das pessoas segue o que os outros dizem e não pará para pensar... se nós estivessemos no lugar do João Costa, que tem que fazer (como ele diz) mais de mil kms por mês, será que não nos ia doer no bolso? Será que continuariamos apoiando essa medida?

Enfim, eu acho que existem outras alternativas para resolver os problemas do ambiente (ou outros que seja)... a começar por leis mais rigorosas na produção de artigos, maior fiscalização e rigor nas fábricas, sistema de reciclagem realmente funcional, entre outros...

No mais, em relação ao artigo devo dizer que você foi bastante imparcial e agradeço por ter colocado o artigo ä disposição da comunidade internauta.
De Miguel C. a 15 de Setembro de 2014 às 21:03
Cambada de frustrados.
De Marcio a 5 de Outubro de 2014 às 21:50
Ainda nao percebi as nova's regras de imposto em 2014 na holanda. Sei que carros gasolina com 25 anos pagam 120€ ano. E diesel e lpg so aos 40 ficar livres de imposto, entretanto este 2 tem de pagar imposto 400€/3 meses, lpg e Um pouco menos. E sim aqui tem cerca de 18 milhoes de habitates e com cerca de 4x mais bicicletas ( 60 milhoes-+), ate o advogados, politicos vao de bicicleta

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