Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Daquelas imagens que dizem tudo sobre a ditadura do automóvel

Anda a circular pela internet há uns dias, mas aqui fica para quem não viu. Roubada do Passieo Livre e tirada na Av. Almirante Reis em Lisboa num local onde a velocidade ultrapassa muitas vezes os 70km/h.

 


A ler, a história de quem descobriu que precisava menos do automóvel, do que aquilo que sempre julgara:

É uma sen­sa­ção con­tra­di­tó­ria mas eu sinto que, sem carro, tenho mais mobi­li­dade urbana. E defi­ni­ti­va­mente sinto-me mais humano.

Muitas vezes esta história tẽm algo em comum: viver um período no estrangeiro. O melhor que poderia acontecer às cidades portugueses seria ter os presidentes de câmara a viverem durante um mês numa cidade do norte da Europa.

publicado por MC às 23:19
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25 comentários:
De Dario Silva a 10 de Novembro de 2009 às 23:33
Uma pergunta: a sra. de bengala tem ou não legitimidade para se defender do ataque do automóvel?

Assim do género, bengalada no focinho do animal?
O povo é pacífico. Tenho dito.

ps: confesso, vá, eu sou daqueles que deixam ficar espelhos no chão. E o meu guarda-chuva bicudo, nos saudosos tempos de escola, não era só para me abrigar.
De MC a 10 de Novembro de 2009 às 23:45
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/152609.html

Quando um peão, que esteja no espaço reservado ao automóvel, é "danificado" acidentalmente por um automobilista, a culpa é do peão.

Mas quando um automóvel está no espaço reservado ao peão, e é acidentalmente danificado por um peão, a culpa também é do peão!
De Dario Silva a 10 de Novembro de 2009 às 23:48
Portanto, "a bem da nação"... abaixo o peão.
É só estragos.
De JT a 11 de Novembro de 2009 às 00:05
Já tinha dito algures que a melhor forma de cooperação ao desenvolvimento com Portugal seria organizar viagens para os seus dirigentes às cidades do Norte da Europa...
De MC a 12 de Novembro de 2009 às 11:32
Pois... a ideia não era minha originalmente.
Agora já sei a quem a roubei :)
De Dario Silva a 11 de Novembro de 2009 às 00:25
"eria organizar viagens para os seus dirigentes" ao CACÉM.

É a teoria de um amigo meu, levar todos os portugueses ao Cacém, para que aprendam, e depois implodir aquilo.
Este meu amigo é açoreano exilado em Lisboa e tem uma outra noção do usufruto do espaço.
De CM a 11 de Novembro de 2009 às 10:36
Atenção ao Cacém, que tem sofrido uma alteração gigantesca e tem hoje zonas sem trânsito ou de acesso limitado.
Continua a ser um caos, mas há ali coisas bem feitas.
De Dario Silva a 11 de Novembro de 2009 às 11:50
O Cacém é lindo, é o local de eleição de qualquer minhoto que se preze, fugir para viver num sítio assim…
De CM a 12 de Novembro de 2009 às 11:02
O Cacém está longe de lindo e eu detestaria viver lá.
Como não pode ser implodido, alguém (não sei sequer a cor partidária) está a tentar fazer lá algumas mudanças e algumas dessas mudanças estão boas (entre a linha de comboio e a IC19).
Só isso.
Criação de pracetas, mais zonas pedonais, circuitos de manutenção, áreas ajardinadas, zonas com trânsito muito lento ou de acesso restrito, etc..
De MC a 11 de Novembro de 2009 às 10:33
De CAV a 11 de Novembro de 2009 às 11:51
Sugiro aquilo que já me passou pela cabeça. Uma lata de spay de tinta, para ficar bem marcadinho. Dá menos trabalho que riscar e se for laranja ou amarelo dá bem nas vistas.
De guictx a 11 de Novembro de 2009 às 15:36
Obrigado pela referência ao meu blog. A verdade é que é muito fácil perceber a questão da humanidade e da liberdade que uma vida sem carro proporciona, quando temos a experiência de viver numa cidade que já deu esse passo. Barcelona está a dá-lo agora. Copenhaga onde também vivi é uma capital sem vias rápidas onde os semáforos da cidade estão sincronizados com a velocidade das bicicletas. E chegado cá não há como não querer que Lisboa seja também assim.
De Susana Nunes a 11 de Novembro de 2009 às 16:31
Nem precisa ser no Norte da Europa... Vivi um ano em Istambul, uma cidade bastante difícil em termos de trânsito, mas cuja rede de transportes públicos nos permite ter uma liberdade enorme e movimentarmo-nos com bastante facilidade... Tendo-se em conta que não é uma cidade nada "ecológica", sempre achei interessante esta especificidade... Na verdade, penso que esta rede foi desenvolvida não por razões ambientais, mas sim por necessidade. Em Istambul, o centro está repartido pelas duas margens do Bósforo. Tendo-se em conta que existem mais 13 000 000 habitantes (a fluidez é tanta que é impossível saber-se ao certo quantas pessoas vivem em Istambul, há quem arrisque 17 000 000!), seria simplesmente impossível que a mobilidade se baseasse no transporte individual!
De MC a 15 de Novembro de 2009 às 00:17
Susana,
o ambiente é me quase indiferente neste caso. A opressão social que está ali estampada naquela fotografia choca-me bem mais! :)
De Susana Nunes a 15 de Novembro de 2009 às 10:59
Sim, concordo sem dúvida alguma... O meu comentário referia-se apenas à segunda parte do post, acho que a foto fala por si, não tenho muito a acrescentar. É inadmissível e uma vergonha.
De Joana a 12 de Novembro de 2009 às 11:54
Em Lisboa não preciso do carro para nada. Nunca o utilizo. Só tenho carro porque infelizmente preciso dele em deslocações para fora de Lisboa, quando o comboio não serve ou quando nem sequer há linha férrea até ao destino. Mas ainda não desisti de pôr em prática a ideia do "menos um carro"... Ter um carro assim nem sequer lhe dá grande "saúde".
Tenho uma enorme dificuldade em compreender tanta gente que mora em Lisboa e que circula de carro na cidade.
De JT a 12 de Novembro de 2009 às 14:28
Os portugueses são de facto um povo de brandos costumes e se isso foi bom para vivermos o 25 de Abril sem mergulhar o país num caos, também tem aspectos negativos. Um deles é que o pessoal não gosta de entrar em choque com os vizinhos/colegas nem com aquilo que entende como a normalidade. Se uma pessoa não conhece ninguém que não tenha comprado um carro assim que pôde, para deixar de uma vez os "malditos transportes", então ele não vê razão para ser diferente e não aceitar as as coisas más que vêm do uso abusivo do carro, nem para não aproveitar a comodidade do mesmo. Assim são milhares de portugueses.
Por isso o "nosso (?)" esforço deve ser em continuar a divulgar e valorizar outra forma de vida/deslocação, quer nos blogs, no exemplo dado, e nas conversas amigáveis (dura esta última, hem ?). Há no entanto alguns casos onde a coisa é mesmo difícil.

Incentivar sim, mas com contenção, como dizia a Joana uma vez.

Dou-vos dois exemplos de dois colegas de trabalho.

Um demora 15 minutos de carro desde o passeio em frente à sua porta até ao parque gratuito do trabalho. De caminho deixa o filho na cresce. De transportes demoraria 45 minutos. Nem sequer coloca a questão excepto se fosse mudar de casa. Eu não sou ninguém para criticá-lo, provavelmente se me visse no seu lugar faria a mesma coisa. Talvez se um dia ele mudar de casa poderei dar uma deixa a favor da boa localização com respeito aos transportes. Por agora calo-me e pronto.
Outro anda por fora mas está a tentar comprar casa em Lisboa para o seu regresso. Quando recusa casas "bem colocadas" ao lado de vias rápidas sente-se tratado como um extraterrestre. Ele próprio começa a questionar-se, se não andará fora desde mundo. Aqui já posso fazer alguma coisa. Apoiá-lo na sua perseverança e ajudá-lo a sentir que somos cada vez mais a pensar assim.
Os dois vão ler este post . Um abraço para vocês e outro para eles.

De CM a 12 de Novembro de 2009 às 16:21
Dois casos interessantes.

O primeiro tem a ver com a falta de competitividade dos transportes públicos actuais.

No segundo, já temos outra questão, a escolha de casa e os critérios que cada um tem.
A escolha do local da casa é muitas vezes negligenciada e os requisitos são todos relativos ao interior da casa (áreas, equipamentos, etc, etc). Depois, habita-se a casa e o comérico fica "ali ao lado" mas não dá para ir a pé, aparecem os filhos e as escolas são a Kms, para ir a um jardim como deve de ser, pega-se no carro, para ir a uma farmácia...etc etc.
Já nem falo na pegada ecológica e o tempo que se perde em transportes para o trabalho...

Quanto às autoestrada à janela, também me faz confusão como é que determinadas casas se vendem, tal é a proximidade de vias de grande tráfego. Para mim, quantos menos carros por perto, melhor.

Um nota semi-positiva - estão hoje aplicar muitas barreiras sonoras na IC19 e Eixo N-S, melhorando os níveis de ruído de muitas casas/bairros que ficam colados a estas vias. 'Semi' porque fica a barreira e o horizonte desaparece, mas entre uma e outra, preferia (se fosse louco suficiente para morar ali) menos ruído a mais vista.
De Joana a 12 de Novembro de 2009 às 19:36
O primeiro não tem necessariamente a ver com a falta de "competitividade" dos transportes públicos. Pode ainda ter a ver com o sítio onde se escolheu viver (longe de escolas, de creches) e com a deficiente rede de creches. E não conheço tão poucos casos como isso de pessoas que levam os filhos, não à creche que existe próximo de casa, mas à creche que dá mais jeito por ficar no caminho, de automóvel, de casa ao trabalho, porque em primeiro lugar não prescindem de ir de automóvel para o trabalho. O resto... adapta-se.

No segundo caso, concordo. As pessoas são muito negligentes na escolha de casa. Pensam no interior e nos acessos de automóvel. E já está.
E também há aquelas que, por terem mais dificuldades financeiras, têm opções de escolha muito mais limitadas...
De Dario Silva a 14 de Novembro de 2009 às 03:36
"Quando recusa casas "bem colocadas" "

Bem, se ficar junto a uma estação de caminho de ferro com comboio s lá dentro, chega. Portanto, não saio daqui...
De Carros de Luxo a 16 de Novembro de 2009 às 00:08
Boas,

Quero-lhe dar os parabéns pelo blog.

Consciencialização também faz falta.

Cumprimentos
De Joana a 16 de Novembro de 2009 às 13:47
"Comprar Carros, Super Carros, Carros de Luxo, Carros desportivos, Fotos de Carros"

Menos um Carro?!...
De Carros de Luxo a 16 de Novembro de 2009 às 14:24
Cara Joana,

O facto de eu gostar de carros não quer dizer que não simpatize com a causa deste blog.
Vão sempre existir carros, sejam de luxo, sejam citadinos...
Felizmente as mentalidades parecem estar a mudar no sentido de se comercializarem carros menos poluentes e mais amigos do ambiente, ainda assim vão ser existir.

Cumprimentos.
De MC a 16 de Novembro de 2009 às 17:44
Carros de Luxo,
tenho que admitir que também andava espantado pelos vários comentários.
Mas tens toda a razão, os carros sempre existirão, e ninguém neste blogue quer acabar com eles, apenas com o seu abuso e supremacia em vários níveis da nossa vida como sociedade.
Não vejo qualquer contradição.
De MC a 16 de Novembro de 2009 às 17:45
Obrigado!

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