Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Há com cada greenwash por aí...

Adenda: chamaram-me à atenção que uma das pessoas em causa na entrevista usava mesmo fontes de energia alternativas caseiras. Quando vi a reportagem pareceu-me que se associava a mota às energias alternativas, mas era apenas o entrevistado que estava relacionado com elas.

Peço desculpa pela confusão.

Aproveito para aconselhar o exemplo da revista Visão que um leitor deixou nos comentários.

 

Que os automóveis eléctricos têm algo de mágico que os torna verdes ao contrário dos restantes aparelhos eléctricos - como aquecedores, lâmpadas incandescentes, ares condicionados - já sabíamosmuito. O que agora se ouviu no Jornal da Noite da SIC foi para lá disso. Numa entrevista a um utilizador de uma mota eléctrica, a legenda dizia "utilizador de energias alternativas"!! Ou seja o pobre rapaz, coloca-se ao lado da ficha eléctrica e separa os electrões que vêm das centrais a carvão e petróleo, dos que vêm das eólicas.

Há com cada um...

 


A ler um relato hilariante no A Nossa Terrinha de quem tenta convencer amigos que têm uma garagem disponível a não estacionar no passeio, e recebe como resposta "Utilizamos, às vezes, quando não há lugar na rua".

E ainda temos que aturar com a lenga-lenga do não haver alternativas.

 

publicado por MC às 21:42
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10 comentários:
De Dario Silva a 4 de Novembro de 2009 às 23:28
"ficha eléctrica e separa os electrões que vêm das centrais a carvão e petróleo, dos que vêm das eólicas."

Pois... mas dá para separar os electrõs conforme a sua proveniência?… não!
De MC a 4 de Novembro de 2009 às 23:43
Pois... eu estava a brincar. A repórter é que deve achar que sim.
Aliás. os electrões não têm "proveniência", o que "vem" através do fio são variações de tensão, os electrões não vêm desde a central.
De Tiago Silva a 5 de Novembro de 2009 às 11:19
Concordo com o tema do post mas não com o evento que o despoletou desta vez.

Uma fonte de energia alternativa não é necessariamente uma fonte de energia renovável. Um exemplo: se eu tiver um veículo a gás natural, não deixa de ser uma energia alternativa, mas não é renovável.

A meu ver, este individuo, é de facto um utilizador de uma fonte de energia alternativa para se locomover. Quando para quase tudo se usa petróleo, ele usa electricidade. É uma alternativa. Se é melhor ou pior, isso sim é discutível e depende fundamentalmente do mix energético na génese da electricidade.
De MC a 10 de Novembro de 2009 às 22:52
Tiago,
poderá ser um meio de transporte alternativo... energia alternativa é que me parece um pouco forçado.
De Rogério Leite a 5 de Novembro de 2009 às 11:46
Vc disse tudo, Tiago. Depende essencialmente do MIX de geração de energia elétrica. Qual é o mix em Portugal? 100% solar/eólico/marés/termotectônico/hídrico? Porque se tiver apenas 1% de nuclear/termoelétrico, nenhum carro que abasteça na rede, geralmente integrada, ainda mais em um país pequeno como PT, vai poder alegar que usa combustível alternativo DE FONTE RENOVÁVEL e SUSTENTÁVEL. Este é o cerne da questão do uso de CARROS HOJE. Os fabricantes "enverdeiam" o carro vendendo estas "alternativas" sem conectá-las a real fonte de energia que será usada. Ah é eletrico! E pronto. E de onde vem a tal eletricidade, bem, é problema do governo!... Cai do céu!?
De JT a 5 de Novembro de 2009 às 13:24
Quanto ao post no Nossa Terrinha, a autora conseguiu convencer os seus amigos a não estacionar nos passeios. Eles estão de parabéns e isso tem que ser dito.
De Miguel a 6 de Novembro de 2009 às 22:37
A revista desta Visão, totalmente dedicada à causa ecológica, tem nas páginas 88 e 90 um artigo a gabar a eficiência das lâmpadas fluorescentes compactas, falando ainda sobre a retirada da incandescente do mercado e abordando ainda as lâmpadas constituídas por LED. A certa altura diz assim «Mas se todos o fizéssemos [trocar lâmpadas incandescentes por fluorescente compactas], o País poderia poupar, por ano, 100 mil toneladas de dióxido de carbono (...)» Oferecem ainda com esta edição da revista uma lâmpada fluorescente compacta.
E o artigo a seguir qual é?! Carros eléctricos!!! (páginas 92 a 94) E diz na página 94: «ZERO. Nada, nulo, inóquo. Será assim o carro eléctrico ao nível das emissões de CO2».
Mais palavras para quê?!
De MC a 9 de Novembro de 2009 às 17:01
Ah, ah!
Brilhante!! A incongruencia no seu melhor.
Tenho que escrever para a Visao a fazer ver esse ponto.
De MC a 9 de Novembro de 2009 às 23:44
Já escrevi à Visão:

Eu sei que há uma onda de entusiasmo pelo automóvel eléctrico, mas não vamos inventar maravilhas onde elas não existem.
Veja-se na página 90 a propósito das lâmpadas de baixo consumo - que usam electricidade - diz-se que a troca de uma lâmpada antiga por uma LFC reduziria as emissões de CO2 em 100 mil toneladas/ano. Duas páginas à frente é digo que os carros eléctricos puros - que também usam a mesmíssima electricidade - tem zero de emissões de CO2.

A segunda frase não faz claramente qualquer sentido.
De Nuno Ferreira a 12 de Novembro de 2009 às 11:08
A ver o seguinte relatorio recentemente elaborado sobre as supostas reducoes de emissoes de CO2. O greenwash comeca a ter os pes a descoberto.

http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=20&cid=11427&bl=1

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