Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Regresso à nossa terrinha II

E como as coisas boas são para serem ditas, aqui ficam duas boas (não propriamente novidade).

 

1. Bicicletas em Lisboa. Há 5 anos, podíamos andar um mês pela rua sem ver uma. Hoje não há dia que não veja várias bicicletas a circular. É ainda muito pouco, mas é imenso comparado com o passado recente. Estamos de parabéns!

 

2. Ribeira das Naus junto ao Tejo na principal praça de Lisboa, a Praça do Comércio. Onde há meses tínhamos uma quase via-rápida de duas faixas, sem travessia para peões e este vergonhoso passeio:

temos hoje uma passadeira, uma rua com apenas duas faixas, paralelos para induzir velocidades baixas, e um passeio com mais de um metro a nascer:

 


E para que haja mais boas notícias, assinem esta petição que pede o restabelecimento das carreiras fluviais no Tejo até à zona Oriente.

publicado por MC às 01:38
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10 comentários:
De Il Gladiatore a 4 de Novembro de 2009 às 08:38
Ora aqui está um exemplo como, não sendo simples nem barato, há pequenas correcções que fazem uma grande diferença.
Quase sempre que se investe no peão com neste caso, também se beneficia a bicicleta.
Com estas alterações já não serão necessárias ciclovias na Baixa ribeirinha mas a melhoria é total!
De Miguel Cabeça a 4 de Novembro de 2009 às 11:57
Em relação às obras do Terreiro do Paço, António Costa fez uma apresentação em Junho onde falou deste e de outros assuntos:

http://www.vimeo.com/5340318

No minuto 22 explica o que são as obras do Terreiro do Paço (esgotos, condutas de água e consolidação do Torreão Norte para quem não saiba), as melhorias introduzidas para peões, a redução de tráfego, o desvio de trafego de atravessamento da baixa.

Mais à frente fala também sobre o concurso a decorrer das bicicletas partilhadas e as melhorias nos corredores BUS.

Pode ser 'sales pitch' de um político na altura em campanha, mas gostei muito de ver esta apresentação, muito direccionada em devolver a cidade "às pessoas", como está na moda.

No fim, nas perguntas e respostas fiquei a saber que o túnel do Marquês não foi pago e é por isso que as obras ainda não terminaram. Alguém mandou fazer uma obra daquela envergadura e não tinha dinheiro para a pagar!

Miguel Cabeça
De Miguel Cabeça a 4 de Novembro de 2009 às 12:09
Mais informações técnico-panfletária sobre as obras do Terreiro do Paço. Visualizações 3D bem vistosas:

http://www.vimeo.com/6802424

Miguel Cabeça
De Iletrado a 4 de Novembro de 2009 às 16:00
Caro MC
Como ciclista, não me agrada esse tipo de piso. Aliás, isso é um incentivo para utilizar o automóvel, pois no carro o incómodo é muito menor. Recordo-me dos tempos em que conduzia ou pedalava na Infante D. Henrique, no tempo em que tinha "paralelos": o "martírio" de circular de carro (muito aparente, como deves saber) era muito suplantado pelo verdadeiro sacrifício de circular de bicicleta. Uma opinião muito pessoal, claro, mas, à semelhança do que escreveste àcerca da passagem pedonal da Segunda Circular, mais uma vez tomam decisões só a pensar no carro. Neste caso o objectivo é reduzir a presença e velocidade do carro, mas acabam prejudicando outros modos ditos "suaves".
Boas pedaladas.
De Joana a 4 de Novembro de 2009 às 16:54
Este piso (à antiga) é realmente mau. Tem duas vantagens: é muito mais difícil aparecer um buraco na estrada (embora tenha tendência para ficar abaulado) e induz velocidades mais baixas. E é por isso que é utilizado em muitas povoações de Portuga). De resto, só lhe conheço desvantagens. O ruído que este piso provoca à passagem dos carros e dos pesados é enorme, o que é sempre uma péssima ideia num ambiente urbano. Para andar de bicicleta (ou com um carrinho de bebé, a atravessar na passadeira), é muito mau. E ecologicamente falando, não é um material muito amigo.

Quando falaste em "bons exemplos", fiquei esperançada de finalmente conhecer um bom exemplo de cidade em Portugal. A esperança não era assim muita, mas como há pequenas cidades que ainda não conheço...
Haverá realmente alguma cidade portuguesa que se possa indicar como um bom exemplo? Não me ocorre nenhuma...
Bons exemplos (em cidades que constituem maus exemplos), como os referidos no post, há cada vez mais. Acho que ainda não chegámos ao ponto de viragem, porque os disparates que se fazem continuam a suplantar muito os bons exemplos. Eu diria que estamos no início da "travagem"...

E quanto custará reverter todos os disparates urbanísticos cometidos e que se continuam a cometer? Com a baixíssima produtividade que temos, teremos algum dia dinheiro para apagar os erros do passado?
De Miguel a 4 de Novembro de 2009 às 19:24
Não concordo nada Joana... o piso empredado tem uma grande vantagem: sempre que é preciso abrir a estrada fica baratíssimo e traz muito menos chatices que ter que abrir uma estrada betuminosa. Sim, porque em Portugal usa-se betume (um derivado do petróleo) e não alcatrão (um derivado do carvão apenas utilizado em grande escala na China e nos EUA).
E já agora porque é que dizes que ecologicamente falado o paralelo é mau?! Melhor só vejo mesmo as estradas de terra batida... as estradas de betume têm na mesma rocha na sua composição, (apenas é britada, i.e., é desfeita mecanicamente pelo que só aí já se tem um considerável gasto de energia) pelo que o argumento de não ser preciso extrair pedra não serve. Além disso o betume quando começa a solidificar, o que acontece muita vezes principalmente nas obras mais pequenas como é o caso destas nas cidades, é «dissolvido» novamente utilizando gasóleo ou gasolina que vai direitinho para os cursos de água. Já para não falar que sendo um derivado do petróleo traz consideráveis custos ambientais ao longo de todas as fases de produção.
E podemos ainda falar da durabilidade: as pedras «duram para sempre» (têm é que voltar a ser colocadas no sítio) enquanto que o betume dura uns 10-15 anos no máximo...
De Joana a 4 de Novembro de 2009 às 19:48
O meu argumento era precisamente o da extracção de pedra. Mas reconheço que não é uma vantagem em relação ao betume. Inegável é que o ruído do trânsito neste tipo de piso é consideravelmente maior, tornando-se um inferno para quem viva ao lado (não é o caso desta avenida) ou para os peões. Mais do que a composição do piso, mais até do que o incómodo para as bicicletas, essa é a principal razão para eu achar que é uma má solução para uma cidade ou outra localidade (esqueci-me de uma terceira vantagem do empedrado, além da resistência e de induzir velocidades menores: é mais bonito).
De Miguel Cabeça a 4 de Novembro de 2009 às 22:42
Outra vantagem bastante importante é o de ser permeável. As águas da chuva conseguem infiltrar-se no solo ao contrário do betume.
Mas para andar de bicicleta citadina é muito mau. Já as bicicletas de montanha com suspensão total é igual ao litro :-P

Miguel Cabeça
De a 5 de Novembro de 2009 às 11:21
Joana,

Não acho o empedrado assim tão problemático para a circulação de bicicleta, mesmo com bici de cidade, mas isso são opiniões. De qualquer modo já vi casos em que a via para os popós é empedrada, tendo apenas uma faixa de 1 m com um acabamento mais regular para bicicletas. E não digo uma ciclovia, apenas um corredor com pavimento diferente inserido na via.

Quanto a 1., também já tinha reparado nisso. Qd comecei a andar de bicla em lisboa, as pessoas olhavam-me como um maluquinho. Hoje em dia já se vêm diariamente ciclistas a ir para a universidade ou trabalho. A pouco e pouco as coisas vão-se compondo.

Alegro-me também com 2., porque já me tinha diversas vezes irritado com a geometria daquele local, que obrigava os peões a caminhar uns metros na autoestrada que era a ribeira das naus.

isto vai!

De MC a 9 de Novembro de 2009 às 16:11
Joana e Iletrado,
de facto nao sei bem o que pensar sobre o empedrado.

De qualquer modo, o empedrado 'e bastante comum na Alemanha e Holanda, onde ha bicicletas aos milhares, como se pode ver aqui
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/52911.html

Eu ja experimentei e nao notei grande diferenca (nao quer dizer que nao haja!) Ha obviamente que experimentar este tambem, para saber se esta bem feito.

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