Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

O tráfego é contra-intuitivo* III (Elasticidade de Procura)

Elasticidade de Procura é uma expressão em economês que se refere à variabilidade na quantidade consumida de algum produto/serviço dependendo de algum factor, normalmente o preço. Aqui refiro-me à variação do número de viagens que uma pessoa faz dependendo do preço ou de outro tipo de custos (ex. restrição ao trânsito).

Quando digo que esta variação é contra-intuiva penso em afirmações como "as pessoas têm que se deslocar", "têm que deixar o carro em algum lado", "não vão deixar de andar de carro", etc. que por não  fazerem muito sentido levam a argumentos inválidos quando se debate a mobilidade. Há 3 equívocos que se sobrepõem: assumir que o número de deslocações por pessoa é fixa, que os pontos de partida e chegada são fixos e que o meio de transporte é fixo.

 

Tomemos como exemplo simples a deslocação casa-escola, que é uma das principais causas de congestionamento nas cidade e imaginemos que é criada uma forte barreira ao automóvel, como aumento da gasolina ou restrição do estacionamento.

Num primeiro momento haveria crianças que deixariam de ser levadas de carro e passariam a ir a pé ou de autocarro. Istoé haveria mudança modal.

Com o decorrer do tempo haveria país a conjugar os esforços, transportando várias crianças no mesmo carro. Ou seja redução do número de deslocações.

 

No fim do ano lectivo muitos pais interrogar-se-iam se valeria a pena manter os filhos numa escola longe de casa. Haveria alteração do percurso.


Outro exemplo vem da subida do preço dos combustíveis que se deu o ano passado, que levou a uma diminuição de deslocações em automóvel e a um aumento histórico da utilização dos transportes públicos. Por curiosidade, em economia de transportes os estudos apontam para uma elasticidade em relação ao preço do combustível de aproximadamente -0,25  e de -0,90 no curto e longo prazo. Traduzindo, se o preço dos combustíveis aumentar 10% devemos esperar uma redução na sua compra (logo no seu e no uso do automóvel) de 2,5% no imediato, e de 9% depois de as pessoas se ajustarem totalmente às novas condições.

 

*Devo dizer que para um economista este conceito não é contra-intuitivo, mas infelizmente  é um erro frequente na área dos transportes. Por exemplo, em alguns estudos de tráfego é assumido que o número de viagens é fixo. Ou seja trata-se a deslocação de pessoas como  uma quantidade fixa de água, sendo que o objectivo é distribuir bem os canos para que ela escorra bem de um lado para o outro. Na realidade a quantidade de água não é fixa.


A propósito, a CM de Lisboa está de parabéns por ter criado um sistema de transporte escolar. Esta medida faz mais pela mobilidade da cidade,do que muitas coisas que se discutem por aí.

O lóbi dos popós também teve um projecto de transporte escolar, que apresentou durante a campanha em nome da candidatura do Santana (ou terá sido ao contrário?) e que era baseada em... popós.

publicado por MC às 11:31
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