Da rua mais estreita dos bairros históricos às grandes avenidas, todas as vias de Lisboa garantem ao automóvel 2,5m de espaço de circulação ao longo da via. Alguém sabe de pelo menos uma via onde o peão tenha direito a tamanho privilégio, descontando as (poucas) ruas pedonais?
Não vale a pena pensar nas avenidas mais largas porque na Fontes Pereira da Melo há uma secção onde nem passeio existe, na da República nem 1,5m, na da Liberdade e de Roma é um espectáculo que se vê em baixo. E já nem me queixo de barreiras temporárias como tapumes ou carros mal estacionados, queixo-me de situações permanentes.


( Esta posta é a pensar em Lisboa, mas aplica-se certamente a todas as cidades do país)
A ler no Passeio Livre o resumo do debate sobre peões antes das eleições em Lisboa, não pelo resumo em si que pouco tem de interessante apenas para constatar que, mesmo quando o tema é o peão em exclusivo absoluto, o que se acaba por debater é... o popó. Ao ponto de até o jornalista da TSF ter sido enganado.
De
Joana a 19 de Outubro de 2009 às 16:50
O país todo está cheio disto. É impressionante a quantidade de vilas e cidades deste país cheias de passeios minúsculos onde mal cabe uma pessoa ou onde pura e simplesmente não há passeios, mesmo em ruas movimentadas dos centros. Muitas vezes, isso sucede para assegurar aos automóveis 2 (ou mais) faixas em cada sentido, o que torna a situação ainda mais chocante.
Na Grande Lisboa, a situação mais repugnante é, provavelmente, a da rua principal no centro da vila de Alcabideche (Cascais), uma rua estreita, muito movimentada, a toda a hora (carros, autocarros, motas, sempre a passar, em excesso de velocidade), cheia de casas de habitação e... sem passeios: as pessoas abrem a porta de casa, dão um passo... e estão no asfalto. Para quê? Para poder haver ali duas faixas para os automóveis (uma em cada sentido)...
Quem autoriza estas situações vergonhosas decididamente não anda a pé e é incapaz de compreender que o mundo não gira à volta do automóvel.
Numa grande cidade como Lisboa, com muita gente
nas ruas, passeios encurtados como os das imagens são uma verdadeira anedota. Mas que não faz rir.
Mas, respondendo à pergunta colocada, talvez a Avenida da Liberdade seja uma excepção...
De
MC a 20 de Outubro de 2009 às 13:41
Joana, não conhecia essa situação em Alcabideche. Numa aldeia pacata ainda se poderia entender, agora em Alcabideche é vergonhoso.
E desculpa contrariar-te, mas nem a Av da Liberdade é excepção, como mostra a segunda foto.
De
Joana a 23 de Outubro de 2009 às 16:09
Sim, já me tinha lembrado de várias destas na Avenida da Liberdade. E ainda não consegui descobrir nenhuma outra rua não pedonal com um passeio com 2,5 metros ou mais de largura em toda a sua extensão. Será possível?...
Quanto a Alcabideche, a rua chama-se Rua de Cascais. Não é uma rua na periferia, é mesmo no centro da vila. É uma rua muito movimentada, precisamente por ser a via de acesso a Cascais. No Google Earth dá para ter uma ideia. No Virtual Earth, vendo as quatro perspectivas na opção "Bird Eye's Watch" já se consegue ficar uma ideia melhor. Mas nada como estar lá, ver passar o trânsito e imaginar o que é viver ali. São casinhas baixas, pobres, de gente pobre, ou seja, de gente que está habituada a viver mal, com certeza "não se importam". A velocidade máxima ali é de 30 km/h (e devia ser inferior), mas ninguém a cumpre, transportes públicos incluídos. Cada vez que passa um autocarro deve tremer tudo dentro de casa. Como não há passeios, as pessoas saem de casa e é pelo asfalto que têm de andar.
Neste caso, se calhar também resultava pegar no executivo camarário inteiro, alojá-los durante 2 ou 3 dias naquelas casas e obrigá-los a entrar e sair de casa e percorrer aquela rua inteira umas 10 vezes por dia, de preferência com sacos de compras ou um carrinho de bebé. No dia seguinte, possivelmente teríamos medidas para acabar com aquela vergonha.
De CAV a 20 de Outubro de 2009 às 11:26
Nesse local da foto da Av. de Roma, olhem para o passeio do outro lado e verão um stand de automóveis da Ford que usa o passeio para expor os carros (E COM AUTORIZAÇÃO DA CÂMARA).
Andem mais para a frente para a Av. do Brasil. Aí o cenário é dantesco. 2/3 dos passeios foram retirados aos peões e dados aos carros (nem sequer pensaram num estacionamento paralelo de forma a só retirar 1/3!) e as outras secções de passeio sem os pilaretes que delimitam o terço estão apinhados de carros.
Uma vez perguntei a um psp porque não são multados, a resposta foi: "andamos por aí a bloqueaer, mas eles são muitos"
É isto que temos...
Definitivamente somos herdeiros desta "tradição" portuguesa tb! No centro de Recife existe um mercado de ferro, todo importado da França e restaurado uns anos atrás, o MERCADO DE SÃO JOSÉ. È um ponto tradicional da cidade, cercado de ruas e mais ruas de comércio tradicional, ruas estas todas estreitíssimas... é um local que deveria já ter sido todo convertido em rua pedonal. Mas na reforma do mercado e do bairro deixaram algumas ruas que se transformaram na sucursal do inferno! Uma fila de carros estacionados, uma calçada de 1 metro e pouco de um lado apenas, e uma faixa de carros com mais de 2,5m. Eu só tenho a certeza de que nossos políticos ganham um por fora dos comerciantes locais para manter o acesso aos carros deles, porque só eles são favorecidos nesta situação. O recifense NUNCA pensa em usar o carro para ir naquele inferno!
De
TMC a 20 de Outubro de 2009 às 12:45
Lamento que no Recife também os passeios sejam invadidos mas definitivamente, herdaram os vossos próprios maus hábitos. O automóvel surgiu sensivelmente na mesma altura em ambos os países; se há uma tradição, ela é global e está presente nos países industrializados e mantida pelos políticos e técnicos. Só temos que aprender uns com os outros para mudarmos a situação.
Nâo é assim não TMC... se assim fosse a prioridade para carros seria uma febre mundial e todos iriam fazer o que apenas se observa em nossos 2 países, que possuem uma herança comum! O M1C já mostrou cenas da Espanha, que procura não agir assim, Copenhagen e Amsterdam então, nem pensar. NÓS COMPARTILHAMOS a mesma herança. È a mesma forma de resolver as coisas no meio administrativo, e mesmo pensando que nós somos muito mais miscigenados, o dominante ainda descende do europeu. Nós não herdamos os NOSSOS maus hábitos, nós herdamos uma ancestralidade carregada de maus hábitos, tanto os brasileiros quanto os portugueses de hoje! Pelo menos existe esperança... já imaginaste se fosse um problema de escala global?! Eu perderia as esperanças de um dia conseguir mudar isto!
De CAV a 20 de Outubro de 2009 às 12:47
É claro que político ganha com isto caro Rogério. Deixou de ser para eles um serviço público e passou a ser um negócio. Aqui o que mais há é exemplos. E o que é mais deprimente é ver o zé povinho continuar a votar neles. Alé de ser enganado, o povo é burro ou gosta de viver na m****, já nem sei.
Aqui a gente sabe como: quando alguém passa por necessidades extremas e um politico aparece dando o equivalente a 20 euros por mês de BOLSA FAMÍLIA, em quem você acha que eles vão votar? Este programa reune uns 10 programas diferentes do governo anterior do Brasil, reunidos pelo atual como "salvador da patria" do pobre e do necessitado. O sujeito não fez nada, apenas "embalou" o mesmo conteúdo anterior numa nova roupagem e vendeu muito bem o peixe para o povinho! Resultado vc ja sabe! O mais incrivel é que isto aconteça em um pais como o seu, com tão elevado nivel educacional e cultural. Sempre me espanto quando percebo entraves tão comuns aqui acontecendo em países da Europa ou nos EUA!
De CAV a 21 de Outubro de 2009 às 10:46
"elevado nivel educacional e cultural" aqui, era piada, certo?
Comentar post