Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Blog Action Day contra as alterações climáticas

Hoje é mais um 15 de Outubro, dia de Blog Action Day, dia de activismo ambiental de bloggers de todo o mundo. Aproveito para deixar aqui várias coisas interessantes das que costumo deixar nos rodapés.

 

1. Vídeo dos comboios noruegueses (em inglês) pela promoção do comboio.

2. Um interessante texto sobre vários problemas técnicos que o carregamento de automóveis eléctricos em larga escala, causaria na actual produção de electricidade, na Low-tech Magazine.

(sugestão dum leitor)

 

3. O relatório anual da Agência Europeia do Ambiente sobre Transporte e Ambiente a ler aqui. O relatório destaca vários pontos preocupantes: o transporte de mercadorias por ferrovia e água tem diminuido o seu peso no total; o número de carros por habitante aumentou 22% em 10 anos; a UE é suposto baixar as suas emissões de GEE em 20% a comparar com 1990, mas as emissões vindas dos transportes aumentaram 27%; os níveis de óxidos de azoto e partículas continua muito alto dentro das cidades.

 

4. A França está prestes a aprovar um imposto sobre o carbono, uma excelente notícia e um exemplo para todo o mundo. É um absurdo económico taxar algo que não traz (directamente) mal nenhum ao mundo, como lucros ou consumo, e fechar os olhos a actividades altamente poluentes. A França segue exactamente esta ideia, taxando o carbono e baixando outros impostos clássicos.

 

5. Há mais dados a apontar que os programas de incentivo ao abate de carros são uma péssima política ambiental. Por cada tonelada de CO2 que deixa de ser emitido são necessários 365 dólares. Há aparentemente alternativas que custam apenas 3,50 libras por tonelada.

publicado por MC às 23:07
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7 comentários:
De Susana Nunes a 16 de Outubro de 2009 às 13:39
O problema deste imposto francês sobre o carbono é que vai sancionar os cidadãos, sobretudo os que não têm meios para investir em energias limpas nem para isolar as suas habitações convenientemente, ou que vivem em áreas rurais. Para além disso, os benefícios recolhidos através deste imposto, vão ser distribuídos por empresas privadas... Um pouco inesperado em tempos de crise, não?
De MC a 16 de Outubro de 2009 às 14:25
Como escrevi vai haver uma diminuição de outras contribuições dos cidadãos, através de diminuição do IRS e subsídios para quem não paga IRS. Não sei de onde vem essa afirmação da atribuição às empresas.

Ou seja, este imposto NÃO sanciona os cidadãos. Apenas faz com que os cidadãos gastadores (que passam a pagar mais) compensem os poupados (passam a pagar menos) pela sua pegada ecológica.
A isto juntam-se 2 vantagens:
1. incentivo à diminuição de consumos desnecessários
2. incentivo a novos modos de consumo. Dantes poderia não valer a pena ter uma painel solar ou andar de autocarro (por exemplo), agora pode passar a ser mais vantajoso.


Informações interessantes aqui
http://www.french-property.com/news/tax_france/carbon_tax_france/
De Susana Nunes a 17 de Outubro de 2009 às 12:43
Bem, parece-me que reagi demasiado rápido a este post , de tal forma que, relendo o meu próprio comentário, me parece que sou contra este imposto carbono, o que não é verdade. Acho que este imposto é um excelente primeiro passo e que pode levar a mudanças bastante interessantes a nível ecológico e, quiçá, económico. Mesmo que na Suécia esse não tenha sido o caso, o contexto actual é predisposto à mudança, o que pode fazer toda a diferença. Quanto à questão das empresas, o problema é na verdade bastante mais complexo do que parece, pois Nicolas Sarkozy anunciou esta medida ao mesmo tempo que anunciou o fim do imposto profissional às empresas. Tendo-se em conta que o deficit da França aumentou este ano para 140 biliões, isto é, 8,2% do PIB, atrevo-me a dizer que, a nível fiscal, os 8 biliões de euros que o Estado arrecadava com o imposto profissional ás empresas serão substituídos pelos 8 biliões de euros que o Estado arrecadará com o imposto carbono. Quanto à redistribuição desta soma, sim fala-se em compensações a nível dos impostos, em cheques verdes, em investimentos ecológicos, mas nada está ainda garantido. E, conhecendo-se Sarkozy , é evidente que não serão os grandes bolsos a ficarem prejudicados (desde 2002 que os impostos sobre a fortuna têm vindo a diminuir a olhos vistos).
Para além disso, tem de se ter em conta que 17€ pela tonelada de CO2 não é mais do que uma soma simbólica e que dificilmente este imposto será aplicado à electricidade, por exemplo, dado que em França 80% da energia consumida provém de centrais nucleares, cujo lobby é extremamente poderoso.
Mas, repito, esta é uma boa notícia, que deve servir como exemplo a outros países! Não podemos é contentar-nos com tão pouco... :)
De MC a 18 de Outubro de 2009 às 18:00
Vindo de casa de uns vizinhos que estavam a limpar a casa, lembrei-me deste teu comentário. Explico, para o mesmo resultado final, há gente que consegue usar o triplo de água, energia e detergente, tudo com óbvios impactos ambientais, porque é algo que "não lhes vai ao bolso".
Actualmente pagamos apenas o custo de produção e distribuição, mas não há qualquer relação com o impacto ambiental.
Não consigo perceber como se pode ser contra um sistema fiscal que neste caso premiasse a uma conducta menos danosa para o ambiente, e taxasse a deles.
De MC a 18 de Outubro de 2009 às 18:01
Oops!
Agora fui eu que reparei que não tinhas reformulado o teu comentário! Deixo-o meu comentário para terceiros.
De Iletrado a 20 de Outubro de 2009 às 01:48
Caro MC
Estás a entrar num campo minado. Como é que se vão taxar os maiores gastadores nacionais - os municípios? Com certeza que sabes do que estou a falar - os sistemas de rega são o exemplo mais vísivel. Água e energia deficientemente gastos. Vamos taxar ainda mais as pessoas para continuar a cobrir estes gastos exorbitantes de quem devia promover o exemplo? É que não sai dos bolsos deles, sai dos meus e dos teus. E depois, taxas deste tipo são algo injusto que, a prazo, castigarão os mais pobres, aqueles que agora já são os menos perdulários. Tu próprio já deste o exemplo das AE que são construídas - mesmo que não tenhas carro, os teus impostos é que suportam a construção das AE e outras vias pensadas só para e em função do carro. Quem tem dinheiro borrifa-se para o que tem que pagar para o seu conforto. A única excepção que conheço a esta "regra" é o carro - muitos fazem o que for preciso para estacionar de borla, inclusive deixar o carro em cima do passeio.
Quando afirmas que "É um absurdo económico taxar algo que não traz (directamente) mal nenhum ao mundo, como lucros ou consumo,(...)" também te referes aos vencimentos, espero. Porque nada é mais absurdo que taxar vencimentos e praticamente não taxar lucros, que é o que actualmente se passa. Se não taxas lucros, onde vai o Estado buscar dinheiro para cumprir as suas obrigações? (nem vale a pena falar dos roubos, isso são outros duzentos...). Tirando ainda mais a quem trabalha por conta de outrém, claro. Se as desigualdades existentes já são más, em alguns casos obscenamente injustas, então se fosse posta em prática aquilo que tu pareces defender seria a ruína para a esmagadora maioria das pessoas. Se consideras taxas baixas o que pagamos pela electricidade, por exemplo, como explicas os lucros vergonhosos da EDP? E esses lucros são aplicados em quê? Essas taxas têm servido para melhorar o mundo em algum sentido?
Se é verdade que o CO2 está a ser assim tão mau para o planeta (o que seria do mundo sem os alarmistas do fim do mundo?), porque razão não se bane pura e simplesmente tudo aquilo que o produz? À semelhança do que se fez com os CFC, por exemplo. Porque razão se continua a praticar esse negócio do petróleo - só que agora mais caro? A ser verdade que o Homem aquece o ambiente com as suas emissões de CO2, será que o facto de eu pagar o dobro pelo CO2 que produzo vai impedir esse suposto aquecimento? Será que a poluição que comprovadamente eu produzo será menor se eu pagar o dobro pelo combustível ou pela electricidade que gasto?
Seria preferível investir num novo paradigma energético e educar as pessoas para serem mais eficazes energeticamente, mas isso custa tempo - e dinheiro, muito dinheiro. É mais fácil e lucrativo taxar. Mas não irá resolver o problema. Servirá somente para uns poucos se encherem, enquanto o mundo à nossa volta ficará cada vez mais poluído.
Boas pedaladas.
De MC a 22 de Outubro de 2009 às 20:08
Iletrado, rapidamente:
o lucro pertence primeiro à empresa. A empresa como entidade só pode usar para uma coisa: investimento.
Se forem distribuidos pelos accionistas/donos, então passa a ser rendimento pessoal, logo paga IRS.

O lucro não é um "roubo" (seja lá o que iss for) em si mesmo.

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