Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

A poluição sonora automóvel mata

Esta notícia não merece ser atirada para o rodapé.


A recent Swedish study of 30,000 people in the province of Skåne has confirmed what many other studies have suggested. That the noise generated by traffic causes higher blood pressure and increases the risk of heart disease, strokes and blood clots.

"We have determined that at noise levels over 60 decibels there is a connection between high blood pressure in the young and the middle-aged and that it's an important risk factor in relation to heart disease and strokes"
, says Theo Bodin from the University Hospital in Lund.

 

Quem já passou por Amesterdão e Copenhaga, sabe bem como uma cidade pode ser tão diferente de Lisboa, Porto, Braga, etc. As cidades podem exister sem ruído.

 


Num documento da FPCUB como o Nuno Xavier - um leitor do Menos Um Carro - largou totalmente o automóvel e se tornou num ciclista urbano 100% convencido, via Vou de Bicicleta.

publicado por MC às 03:40
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11 comentários:
De Fuschia a 8 de Outubro de 2009 às 10:10
O mais curioso e ao mesmo tempo assustador, é que deixamos de dar conta desse ruido. Tenho uma colega minha que veio do Norte e está cá há poucos meses em Lisboa. Diz que nos primeiros dias ficava cansada só com o barulho de fundo, constante. O namorado, cada vez que a visita, anda sempre com dores de cabeça. E eles também moravam numa cidade, só não era esta.
De CAV a 8 de Outubro de 2009 às 12:45
Andam a gastar-se rios de dinheiro com a gripe A, quando o principal foco de doenças é a poluição. Provavelmente para o Estado as contrapartidas (leia-se impostos) são maiores, por isso, para quê limitar a circulação automóvel se ela é uma fonte enorme de rendimentos?
De Joana a 8 de Outubro de 2009 às 14:14
A notícia não é, de facto, para ser atirada para o rodapé. O curioso é que estes estudos, sobre mais este malefício do automóvel, fazem-se lá fora, na Europa desenvolvida, em países onde o problema está longe, muito longe, longíssimo!, de atingir a enorme gravidade que ele reveste no nosso país, em que o Estado e as autarquias (embora finjam que não) continuam a ser-lhe mais ou menos indiferentes.

Não acho que "as cidades podem existir sem ruído", como dizes (parece-me impossível ter, no ambiente urbano, o silêncio do campo), mas é óbvio que têm de existir limites e em Portugal o que se permite é demasiado e nem os limites estabelecidos são cumpridos, sobretudo devido ao excesso de velocidade que, por cá, é a regra e não a excepção.

Do Norte ao Sul do país, em Portugal sempre se tem discutido a questão dos limites de velocidade dentro das localidades - por exemplo, se na Av. Marechal Gomes da Costa se devem ou não permitir velocidades superiores a 50 km/h - na óptica da segurança rodoviária, e só nessa óptica. O ruído não interessa para nada, excepto, claro, para um residente nessa avenida, que nem as janelas de casa pode abrir.

Considero-me uma felizarda por não sofrer esse problema, mas tenho consciência de que faço parte da excepção. A maior parte da população portuguesa (sobretudo, no litoral) está exposta ao ruído do trânsito automóvel para além do suportável para a saúde. Continuo a ficar embasbacada com as casas e prédios que, pelo país fora, se continuam a construir junto a vias rápidas e a auto-estradas, e que normalmente se vendem bem e depressa! Têm vidros duplos ou triplos, claro, mas, por regra, são construções com um isolamento acústico medíocre e, de qualquer modo, quando se abrem as janelas...

E não digo mais porque não tenho tempo e já escrevi demais.

Ah, digo mais isto: citaste Amesterdão e Copenhaga. Surpreendentemente, na principal avenida parisiense (Champs-Elysées), o ruído do trânsito automóvel é infernal, comparável a uma daquelas avenidas lisboetas que hoje estão transformadas em vias rápidas. A explicação, aí, não é o excesso de velocidade dos automóveis, mas o piso, que continua ser em paralelipípedos de pedra, como ainda existe por cá em muitas localidades (Lisboa já quase não tem). É mais bonito, induz velocidades mais reduzidas, mas é mil vezes mais ruidoso à passagem de um automóvel, mesmo passando este mais devagar.
De MC a 15 de Outubro de 2009 às 11:48
Joana,
quando disse "sem ruído" queria apenas dizer abaixo do tal limite aceitável, 60dB salvo o erro.
Bom ponto sobre as discussões sobre a velocidade na cidade.
Quanto aos paralelepípedos, de facto os Campos Elíseos são horríveis.. e acrescenta-se ass buzinadelas que também são tradicionais por cá. Mas repara que em Lisboa tem havido uma reutilização deste piso. O Rossio foi renovado paralelepípedos, a Av. das Naus está a ser agora.
De TMC a 8 de Outubro de 2009 às 15:18
De facto não há estudos que relacionem o ruído de uma certa localidade portuguesa com os problemas de saúde dessa comunidade mas é um dado assente que eles costuma estar correlacionados.

E o problema, com disse a Joana, não é haver falta de estudos pois se estes existissem só quantificariam uma certeza. Existe legislação acerca do ruído em Portugal desde 1985, temos várias classificações e limites para as zonas urbanas em termos de exposição ao ruído, quer para o dia quer para a noite. É obrigatório, por lei, que todos os municípios com mais de 100.000 habitantes possuam mapas de ruído.

O problema não é institucional. As ferramentas e o conhecimento existem. O problema é de articulação e de sensibilidade e acima de tudo, de fiscalização. Em primeiro lugar, por o ruído ser passivo e fortemente subjectivo, não é tido como uma ferramenta indispensável no ordenamento do território; em segundo lugar, as próprias câmaras encomendam mapas do ruído e escrevem capítulos dedicados a toda essa temática mas depois autorizam vias rápidas ou um eixo viário em plena malha urbana.

Só um último apontamento: ainda mais que a poluição atmosférica, o ruído é latente; afecta sem se manifestar e só quem vive na cidade há muito tempo é que se esquece que vive nele imerso. Não há soluções gerais, há apenas uma remediação estatística e local. Claro que melhorava muito não haver tantos carros na cidade mas por exemplo, o que nos incomoda por vezes não é o zumzum contínuo do tráfego, mas sim acelarações, buzinas ou desacelerações. É por isso que a noite, por vezes, parece ser mais ruidosa que o dia.
De MC a 15 de Outubro de 2009 às 11:58
Tiago,
A legislação de 2002 até era famosa por ter sido das mais avançadas da Europa, e bem mais exigente que as directivas comunitárias. Mas como dizes, o problema não é lei nem a a falta de estudos.
De Joana a 8 de Outubro de 2009 às 16:49
Esclarecimento: escrevi que "não sofro esse problema", mas é claro que sofro. Todos sofremos, quando estamos na rua, numa esplanada, etc. E eu passo a vida a queixar-me disso. Por exemplo, quando vou aos cinemas da Medeia, no Saldanha, quem quer que vá comigo tem sempre de levar com as minhas queixas do ruído infernal do trânsito na Fontes Pereira de Melo e no Saldanha.
Tenho é a sorte de viver num sítio sem esse problema e também de trabalhar num sítio calmo. E nos meus tempos livres dou sempre preferência a sítios o mais longe possível do trânsito automóvel (o que, diga-se, não é fácil...). Portanto, estou a maior parte do tempo sem sofrer o problema.
De Joana a 8 de Outubro de 2009 às 16:54
Estamos no blogue "Menos1Carro", mas convém ter presente que os veículos barulhentos em Lisboa não são só os automóveis particulares (e táxis). Também os autocarros, geralmente muito mais ruidosos, circulam muitas vezes em excesso de velocidade (quando o tráfego permite...), buzinam e fazem as acelerações e travagens de que falas. E o barulho mais infernal de todos é o dos aviões a aterrar na Portela: qualquer pessoa que viva, estude ou trabalhe no eixo Campo Grande-Olivais sabe bem do que estou a falar. "Curiosamente" (mais uma vez), a questão do ruído foi desvalorizada aquando da discussão da necessidade de um novo aeroporto fora de Lisboa...

Na planificação de estradas e de vias rápidas, o ruído até pode ser tido em conta (tem de ser, mas é tipo mera formalidade, um obstáculo a tornear, como sucede com o isolamento acústico na construção civil), mas o que se tem em conta é a velocidade máxima permitida para o local, pressuposto esse que, depois, na prática, no dia-a-dia, não se verifica, porque o excesso de velocidade é a regra em Portugal, dentro e fora das localidades...

Há, sem dúvida, falta de fiscalização, incluindo fiscalização do ruído emitido pelos veículos, que pura e simplesmente não existe fora das inspecções: diariamente, todos vemos passar motas e carros que fazem um barulho descomunal, daqueles casos tão óbvios de ilegalidade que dispensam medições de ruído...
Mas há também muita falta de civismo. Os portugueses sofrem muito com o ruído, mas fazem-no...
De MC a 15 de Outubro de 2009 às 12:03
Claro Joana!
O transporte público tem imensas externalidades, custos acarretados por terceiros. Por isso mesmo, e ao contrário de muita gente que lê o blogue, eu acho que o tranporte público não deve ser incentivado (o carro é que deve ser ainda mais desincentivado do que aquilo que muitos defendem).
Dizer que o TP é amigo do ambiente e essa coisas, é passar a mensagem errada.
De Rui a 9 de Outubro de 2009 às 23:33
Ainda hoje falei deste assunto com um amigo. Falei porque enerva-me especialmente o barulho das campanhas políticas! Buzinam, ligam os 4 piscas, conduzem com uma mão enquanto a outra segura a bandeirinha, pintam 30 por uma linha e é tudo normal!
De Isolamento Acustico a 27 de Julho de 2010 às 10:53
"As cidades podem exister sem ruído."
É uma grande verdade...

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