Cidades anti-peão: nem os cruzamentos do centro se safam
Finalmente fiz um video sobre um problema que existem em quase todos os cruzamentos das nossas cidades. Um problema invisível a todos, mesmo a quem se preocupa com os peões. Quando um cruzamento é desenhado, ele é pensado de modo a minimizar o tempo de espera dos automobilistas. Só depois se pensa no peão, e inventa-se uns percursos para ele atravessar o cruzamento. Pouco importa se o percurso é longo e tem muitas esperas.
o vídeo tenho um exemplo de um cruzamento muito simples, uma avenida estreita com uma rua secundária de um só sentido, numa zona muito comercial de Lisboa. Em alguns casos, o peão tem que esperar por 3 semáforos diferentes para atravessar apenas uma via. O automóvel nunca espera mais de um semáforo. Vejam o video que diz tudo.
Post a ler: uma cicovia atabalhoada no Porto no De Bicicleta no Porto. O carro nunca foi sacrificado, e o que não falta são situações "estranhas".
Estes são os casos em que se tem de fazer 3 atravessamentos para chegar ao outro lado da rua que se queria atravessar. Também existem casos - mais perigosos - em que somos obrigados a atravessar uma rua "a prestações": o sinal fica verde para atravessar metade da rua, depois ficamos na "ilha", normalmente estreita, à espera que o semáforo da outra metade fique verde, a levarmos com o CO2 e a rezarmos para não sermos atropelados (como no tristemente célebre caso que aconteceu há tempos perto da Praça do Comércio). Há vários exemplos assim em Lisboa - por exemplo, para atravessar a Av. Álvares Cabral, junto ao Rato (onde o semáforo para os peões nunca está verde simultaneamente nos dois lados da rua). Os tempos de espera dos semáforos chegam a ser desesperantes (tudo para facilitar o trânsito automóvel, claro!) e há quem perca a paciência e arrisque passar com o vermelho. Mas quanto a tempos de espera, ainda não vi pior do que Cascais, onde os peões são tratados abaixo de cão.
Esta é uma das fortes razões que me levam a atravessar o semáforo mesmo quando está vermelho. Quando em Copenhaga no início não atravessava a estrada no sinal vermelho porque queria perceber as regras se era hábito se não. Depois apercebi-me que não é hábito atravessar o sinal vermelho (atravessar no meio da estrada fora da passadeira é frequente) mas nos sinais todos esperam e para mim agora é algo natural que não me custa. Pela razão que apresentas, a sinalização é feita a pensar nos peões. Até o noto ao andar de bicicleta que em Lisboa andava muito mais rápido porque quase sempre estava verde... coisa que já não acontece em Copenhaga tirando nalgumas estradas que estão feitas a pensar na bicicleta a velocidade média de 20km/h.
Catarina, eu não me lembro bem como é em Copenhaga, mas em Estocolmo, Amesterdão, etc. também acaba por haver menos semáforos em comparação a Lisboa (por haver menos carros). Logo mesmo que se espere sempre pelo verde, é uma espera que não se tenha de fazer frequentemente. E como dizes, é muito comum atravessar-se fora da passadeira e sem sinal. Algo que a maioria das pessoas desconhece
o rato é um dos casos mais terríveis para peões. vivi lá anos e era perita em atravessar com todos os vermelhos possíveis que n pusessem a minha vida em (demasiado) perigo. atravessar respeitando toda a sinalização era desesperante! eu tb detesto os travessamentos em duas fases e aquela espera no meio da estrada!
Em duas fases?? Estás a ser simpática. Há atravessamentos em 3 e em 4 fases no Rato! E claro que é desesperante. Daí eu achar uma hipocrisia sempre que se critica o peão por desrespeitar as leis. Está tudo feito contra ele, o peão é esmagado pelo desenho urbano, não se pode esperar deveres semelhantes quando os direitos são diferentes.