Mais um exemplo de como a sociedade do automóvel é o maior inimigo do comércio local. A Calle Fuencarral em Madrid foi fechada ao trânsito há poucos meses, tendo passado disto

a isto

O NY Times conta como o comércio da zona se revitalizou. Independentemente do comércio, julgo que as duas fotos mostram o quanto ficamos a perder quando as cidades são feitas para o automóvel e não para as pessoas.
(via Por Cidades Mais Sustentáveis)
Fui naive quando escrevi que o Passeio Livre ia forçar os candidatos à CML a discutir a mobilidade pedonal, o tema que está sempre ausente nas eleições em oposição ao automóvel que enche páginas de jornais. Também neste debate os candidatos levaram a conversa para... o automóvel.
Resumos a ler e ouvir no Spectrum, no bananalogic, e na TSF. Ficheiros audio (ogg e mp3) do debate aqui.
Na década de 80, Curitiba, no sul do Brasil, elegeu um prefeito fora do comum, o arquiteto Jaime Lerner, que conseguiu grandes vitórias como implantar o sistema rápido de ônibus (BRT!)...e a rua da Flores totalmente pedonal! Na época, até em por o prefeito para fora tentaram. Em pouco tempo, o modelo foi extensamente copiado pelo mundo a fora... Quase todo o Brasil tem algumas ruas pedonais, mesmo as de médio porte - 300 mil hab!... E o comércio nestas áreas é muito incentivado. Infelizmente os donos de negócios nestas áreas confundem a facilidade dele ir para o trabalho de carro, com aquilo que os clientes dele querem! Isto só se resolve no braço: o prefeito decide fazer, faz e pronto! Tá feito!... Bogotá passou por uma transformação destas e tb as custas da força e da raça do prefeito local! Temos cidades que refletem diretamente a capacidade dos nossos gerentes de enfrentar as dificuldades sem medo de perder o emprego!
De
MC a 9 de Outubro de 2009 às 14:52
Curitiba é um exemplo para todos nós. Aliás, Curitiba e Bogotá são prova de que as boas notícias não vêm só do Norte da Europa.
De
Joana a 7 de Outubro de 2009 às 12:36
Pois, as cidades espanholas são quase todas assim (Madrid, Salamanca, Burgos, Zaragoza...): o comércio nas ruas pedonais do centro das cidades está bem vivo e de excelente saúde, apesar de o automóvel não chegar à porta das lojas.
Por cá, o que se está a passar em Almada, por exemplo, dispensa mais comentários...
De CM a 7 de Outubro de 2009 às 15:02
Cá ainda se governa muito para o popularismo/senso comum. O problema é o nosso atraso, que se reflete no senso comum.
O povão quer andar de carro para todo lado e o povão é quem vota.
Tentar falar destas questões com o amigo ou colega que tenha esse senso comum e pronto... vê-se logo tudo - pensa no caso dele, nos seu filhos, no máximo. O resto é na base do "devia isto, devia aquilo"... devia haver mais lugares para estacionar, devia haver mais estradas, menos portagens, mais tudo, menos impostos..... enfim....
De
Joana a 7 de Outubro de 2009 às 17:57
Precisamente porque medidas como esta, em Portugal, são (tidas como) "impopulares", há quem diga que são autarcas "de coragem" os que as defendem e tomam. Mas a questão não é de coragem, é de defesa de um projecto que se acredita ser melhor, sem se pensar nos votos que se vão perder por causa dele. Por regra, quanto maior é o partido, mais difícil é isso acontecer.
Já tive a oportunidade ver alguns documentários e entrevistas com o Jaime Lerner, e até assisti a uma conferência dele em Cascais, e não tem nada a ver com nenhum político que eu conheça.
http://www.flickr.com/photos/anabananasplit/3063542585/
De
BUGabundo a 13 de Outubro de 2009 às 17:41
eh pah a scooter ainda la ta :)
Moro em Curitiba e isso tudo que é falado é verdade. Mas infelizmente, foi algo que aconteceu há várias décadas atrás.
Hoje em dia, na verdade a política viária em Curitiba consiste em cortar praças para fazer ruas e criar viadutos e vias rápidas.
Em relação a bicicleta, o pouco que é feito são iniciativas da própria sociedade civil que são rechaçadas pelo poder público:
http://bicicletadacuritiba.wordpress.com/2008/12/08/a-prefeitura-de-curitiba-multa-ciclo-ativistas-pela-pintura-da-%E2%80%9Cprimeira-ciclofaixa-de-curitiba%E2%80%9D-ii/
Enquanto se mantém as aparências de cidade modelo:
http://bicicletadacuritiba.wordpress.com/2009/01/17/anita-garibaldi-tem-ciclovia/
Curitiba ainda é uma cidade agradável, mas por quanto tempo... ?
De
MC a 28 de Outubro de 2009 às 17:00
Obrigado pelo relato Luís.
De facto é preocupante que Curitiba não esteja a manter o exemplo que foi durante anos. Uma cidade à frente do seu tempo talvez :)
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