Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Notícias da semana da mobilidade

1. Em Lisboa, crianças de uma escolha primária andaram a distribuir multas (fictícias infelizmente) a automóveis mal estacionados, acompanhadas por fiscais da EMEL. Uma excelente ideia! Tal como no ambiente, educar as crianças é um bom modo de chegar aos país. E serve como contra-lavagem cerebral para os adultos de amanhã.

 

2. Também na capital, a candidatura do António Costa realizou uma corrida modal. Como seria de esperar quem ganhou fio uma bicicleta, que nem estava inicialmente convidada. Em seguida chegou quem veio de metro, que veio de táxi e por último um Porsche.

Pelo que li o Porsche nem teve que estacionar, o que é uma deturpação na corrida a seu favor. a bicicleta tem sempre lugar à porta!

 

3. Os jornais têm se enchido de notícias sobre mobilidade urbana em bicicleta, o que só prova que ela deixou de ser marginal. O DN por exemplo fala nos "executivos" que se deslocam de bicicleta, nos autocarros da Carris preparados para transportar bicicletas, no dinheiro que se poupa por utilizar a bicicleta, etc.

Eu fico um pouco espantado com estas contas que parecem sempre encomendadas pela indústria automóvel.  Contabilizar o combustível e a mecânica é quase um cagagésimo dos custos monetários totais. Falta o custo do carro em si (que não se compra uma vez na vida), a depreciação do carro, os seguros, os impostos, os estacionamentos, as manutenções, as lavagens, os custos dos eventuais acidentes, etc. Quando os trabalhadores se movimentam no seu carro particular em trabalho são compensados com algo como 30€ por 100km, claramente muito mais que o simples combustível.

 


Também em Lisboa (desculpem...) e pela mão do Passeio Livre, vem aí um debate com as diferentes candidaturas à CML sobre o lugar do peão na cidade, no dia 30.

publicado por MC às 16:12
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13 comentários:
De Joana a 23 de Setembro de 2009 às 18:47
Excelente ideia, de facto, a das crianças a distribuir "multas" (pena não serem autocolantes do Passeio Livre).
Mas não pude deixar de sorrir quando comecei a ouvir o fiscal da EMEL comentar que as crianças eram "bastante rigorosas" a "multar" e que "é preciso "ter mais calma". De facto, é do que Lisboa mais precisa: de complacência para com os automobilistas que estacionam nos passeios, coitados...
De MC a 9 de Outubro de 2009 às 14:19
Exacto!! Também me ri disso... estou a imaginar o tal fiscal a trabalhar. Deve ser daqueles que diz "ainda há espaço para o peão conseguir passar, por isso está bem".
De JT a 23 de Setembro de 2009 às 20:14
Sobre a corrida Entrecampos- Rossio, vi a notícia na RTP1, onde explicavam a ordem de chegada: bicicleta, metro, táxi, porche. O curioso foi que na RTP2 titularam a notícia como "Metropolitano vence" e de facto em nenhum momento falaram da bicicleta vencedora. No correio da manhã, não só não dizem qual a ordem de chegada, como, na minha opinião quase que dão a entender que o porche ficou bem colocado. Não percebo este jornalistas (especialmente de RTP2).
De Joana a 23 de Setembro de 2009 às 21:20
Os tempos correctos foram estes:
1.º - bicicleta - 10 minutos
2.º - metro - 14/15 minutos
3.º - táxi - 17 minutos
4.º - Automóvel - 33 minutos
Numa "corrida" de apenas 5 km, a bicicleta chegou 23 minutos antes de um Porsche...
De Rui Sousa a 24 de Setembro de 2009 às 01:03
Olá.

Só 10 minutos a bicicleta? Não sou assim tão rápido e há sinais vermelhos e outros obstáculos...

Demorei uns 16 minutos, cheguei primeiro que o António Costa porque a viagem da bicicleta é porta a porta. A de metro demora 15 minutos de cais a cais, depois é preciso sair da estação e andar um pedaço a pé.

É essa a grande vantagem da bicicleta, as viagens são sempre porta a porta.
De CM a 24 de Setembro de 2009 às 10:30
Rui,
Tenho curiosidade em relação à tua viagem.
Semáforos? Apenas verdes ou verdes-tinto? :)
Estrada/passeios/passadeiras ou estrada como fosses de carro?
A que ritmo seguiste?

Parabéns pela performance!
PS: Afinal a coisa foi combinada ou ias a passar por ali e "deixa cá ver"....
De Joana a 24 de Setembro de 2009 às 13:06
Os tempos, tirei-os do sítio da Coligação Unir Lisboa:

http://www.antoniocosta2009.net/article.aspx?ArticleId=40

14 minutos para o metro (noutros sítios, incluindo T.V., disseram 15), 17 para o táxi, 33 para o carro. Os 10 minutos da bicicleta foram referidos na SIC-N e coincidem com as notícias que dizem que a bicicleta chegou 5 minutos antes do António Costa.
Se afinal a bicicleta demorou 16 minutos, estes números não batem nada certo.

O engraçado é que me parece que a "intrusão" da bicicleta estragou um pouco a ideia do António Costa, que era a de demonstrar que o metro é mais rápido do que o automóvel e lançar o slogan (muito bom, aliás) "quer um túnel, vá de metro" (contra os túneis do Santana).
No final, as declarações do candidato aos jornalistas centraram-se no metro / automóvel. A bicicleta merecia ter tido muito mais destaque! (vá lá que no sítio da coligação o destaque maior foi para a bicicleta, apesar do estranho título "Bicicleta surpreende").

Mas também estou curiosa: o percurso de bicicleta foi feito por onde?
De Rui Sousa a 24 de Setembro de 2009 às 20:26
Olá.

Resposta ao (à) CM:

Parei nos sinais vermelhos (naquelas avenidas tem mesmo que ser). Só avançava 1 ou 2 segundo antes de ficar verde, quando os carros com que me poderia cruzar já estavam parados.

Fui pela ciclovia do Campo Grande até quase Entrecampos, pois entrei no túnel (aproveitei não virem carros por o semáforo atrás estar fechado). Depois fui sempre por estrada, Av. República (pelo túnel do Campo Pequeno), Fontes Pereira de Melo, Marquês de Pombal, Av. Liberdade, Rossio.

O ritmo foi elevado, mas sem ser exagerado, cheguei ao Rossio sem transpirar. Não adianta puxar muito para depois estar parado no vermelho e eu fazendo aquele percurso todos os dias já sei quando vão estar abertos ou fechados...também tive sorte, estava vento norte!

A coisa não foi combinada. No estrangeiro estas "competições" são sempre feitas com vários meios de transporte e percursos. Por isso não compreendi a falta da bicicleta e resolvi aparecer. Perguntei se podia participar, ao que me responderam que sim, era muito bem vindo!

Tinha deixado uma mensagem no Fórum BTT para aparecer mais gente, o que acabou por acontecer mas acho que tinham combinado com o Vereador Sá Fernandes.

Para a Joana:
Os tempos do metro foram contabilizados desde que entraram na carruagem até que saíram, ou seja, cais a cais. Mas depois ainda há o tempo de sair da estação e de atravessar o Rossio...

Ou seja, bicicleta 16 minutos, metro 15 minutos mais tempo até ao Rossio, o que deve dar uns 21 minutos.

O Porsche e o taxi só arrancaram depois de quem ia de Metro estar no cais (ligaram do telemóvel).

Eu estava à espera dessa indicação, mas vi o Vereador Sá Fernandes a arrancar e fui também. Mas tivemos uns 2 minutos parados no Campo Grande (os semáforos estavam avariados e havia policia a ordenar o trânsito), nem devemos ter ganho muito tempo com o arranque antecipado.

Rui Sousa
De Joana a 25 de Setembro de 2009 às 15:06
Parece-me que houve um bocado de "batota" por parte do "concorrente" que foi de metro... Quando se está a comparar a ra+idez de vários meios de transporte, a entrada na estação de metro e, principalmente, a espera pelo comboio são relevantes...
De MC a 9 de Outubro de 2009 às 14:24
Joana, discordo. Ou melhor concordo que seja relevante, mas discordo que seja batota. O tempo entre o ponto de partida e onde o carro estacionado, o encontrar um lugar no local de chegada e a caminhada para a chegada também são relevantes, e diria que maiores. Por isso se fala em tempos de percurso "porta-a-porta".
De MC a 9 de Outubro de 2009 às 14:22
Rui,
e como foi contabilizado a chegada do Porsche? Ele teve que estacionar ou bastou passar no Rossio? Isso é muito importante!
De Nuno a 24 de Setembro de 2009 às 22:34
Caro MC a conta da desvalorização do carro nem a faço pela simples razão de, caso espero eu continue a usar a bicla e os transportes públicos, ele me durar o meu tempo de vida.... É um objecto que comprei e não o devo trocar por mais nehum outro idêntico.
Se fosse fazer as contas a isso estava lixado porque desde há dois anos quando começei a usar diáriamente a bicla comprei e ainda tenho nove delas...Ah e também gasto água a lavar a bicla de vês em quando!!
Se se fizessem as contas à desvalorização do carro o valor da poupança seria tão elevado que ninguém acreditava além do mais...
De MC a 9 de Outubro de 2009 às 14:26
Nuno,
no teu caso tens toda a razão! Mas normalmente as pessoas continuam a trocar de carro.
Quanto aos valores "extra" do carro, dou-te razão.. ninguém acreditaria, mas lá que são reais, sáo!

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