Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

3 parabéns à câmara de Lisboa

1. Já com algum atraso, mas os meus parabéns pela decisão de alterar a Avenida Duque d'Ávila. Os passeios vão ser alargados, as faixas vão ser reduzidas de 4 para 1, vão ser criadas esplanadas, parte da avenida vai ser pedonalizada. Tudo numa rua  bem central e onde passava bastante trânsito. A ideia é também criar uma zona para passar depois de jantar, algo que infelizmente cai em desuso.

Na altura que foi lançada, o lobí do popó veio dizer quea câmara estava a criar uma zona de assaltos, esquecendo-se que é exactamente a desuminazação das cidades, o afastamento dos peões das cidades, que a tornam insegura.

 

2.  Não sou grande fã de ciclovias, e há melhoras maneiras de promover a segurança dos ciclistas. Também é verdade que algumas das ciclovias criadas têm uma visão lúdica da bicicleta. Mas é inegável que esta vasta rede de 28km de ciclovias e ciclofaixas vai dar um peso à bicicleta como ela nunca teve em Lisboa. Vai mostrar que a bicicleta não é um transporte marginal de meia-dúzia, mas é um transporte sério a ser considerado por todos.  Coloca definitavemente a bicicleta "na agenda" lisboeta.

 

3. A mobilidade no Bairro Azul vai ser remodelada ao estilo norte da Europa. Zona 30, lombas a sério, mais árvores, passeios mais largos, passadeiras ao nível do passeio, chicanes para acalmia de tráfego, percursos dos peões mais directos, etc. Excelente!

 

 


Algo menos bom que também nos chega da CML (não sei se desta vereação), via CidadaniaLx:

Um belo largo histórico da cidade de Lisboa que foi recentemente esventrado para criar um parque de estacionamento. Mesmo debaixo de terra, os automóveis não deixam de destruir as nossas cidades.

 

publicado por MC às 19:21
link do post | comentar | favorito
9 comentários:
De CAV a 22 de Setembro de 2009 às 10:36
E depois vem o Santana Lopes dizer que não quer nada disto, defendendo totalmente a circulação de carros na cidade e o alargamento das vias aos carros, para conseguir votos.
E o pior é que o tipico comodista vai na conversa dele e Lisboa está cheia deles.
De CM a 22 de Setembro de 2009 às 11:04
As ciclovias não estão perfeitas, nem a solução é a ideal, sobretudo para quem já anda de bicicleta na cidade e partilha as vias com os restantes veículos.

Acho que a forma como estão a ser feitas não é a mais correcta pois na maior parte dos troços acabaram por roubar muito espaço aos peões.

Em Telheiras, na zona do Parque dos Príncipes, ao passar nas paragens de autocarros a ciclovia acaba abruptamente e 'empurra' o ciclista a passar por trás da estrutura de abrigo da paragem e em alguns casos há cerca de 1 metro entre muro e essa estrutura, partilhada com o peão, etc, etc.

Agora, sem dúvida que quem não usa a bicicleta por receio do trânsito, quem não sai da praceta com os filhos porque não quer (com razão) os filhos sem prática a partilharem o espaço com o trânsito comum, para estes é excelente, podendo até ser um 1º passo para uma utilização mais frequente e, mais tarde, os filhos vão encarar a bicicleta como uma real possibilidade de transporte, etc, etc.

Se a coisa evoluir, rapidamente se perceberá que estas vias não se ajustam a tráfego de bicicletas, mas aí, já ganhamos todos, porque as bicicletas estarão na nossa sociedade e nessa altura se farão as correcções necessárias (à lei) e às infra-estruturas e o processo continuará a decorrer.

O lado pior é o lado dos condutores que vão continuar a pensar que o lugar das bicicletas é no passeio, e aqui sim, há um bloqueio no pensamento que trava a evolução da verdadeira utilização massiva de bicicletas, que em grande escala só poderá ser feita nas estradas.
De Carsten a 22 de Setembro de 2009 às 14:30
Onde posso me informar mais sobre o topico no. 1.?
De MC a 30 de Setembro de 2009 às 19:48
Boa pergunta! Eu também procurei informação online, mas não encontrei. Escrevi só a partir do que me lembrava de ter lido e ouvido durante Agosto.
De Iletrado a 22 de Setembro de 2009 às 19:28
Estou parcialmente de acordo com o CM. Só não concordo com a parte em que ele se refere aos que têm receio do trânsito. De qualquer maneira, os carraholic já atiram os ciclistas para as "Ciclovias" Ornamentais Partilhadas (COP), que é o que se passa, por exemplo, no Montijo e entre a Trafaria e a Costa de Caparica, tornando cada vez mais difícil andar de bicicleta nos locais onde há COP. Estas tornam o pedalar muito mais desconfortável - normalmente o piso é abrasivo, o espaço é partilhado com o peão, terminam abruptamente para recomeçarem mais à frente, ficamos em perigo sempre que a COP cruza a estrada. E, com a COP, a bicicleta vê diminuída a flexibilidade. Dependendo do destino pretendido e do sentido de marcha, muitas vezes o ciclista é obrigado a atravessar quatro faixas de rodagem. Em termos de segurança é, sem dúvida, do melhor que há! Só quem anda de bicicleta o percebe e estes tipos que elaboram estas coisas normalmente nem sabem andar de bicicleta.
E há outro pormenor sempre focado - com a mania das zonas de partilha bicicleta/peão, pretende-se que a bicicleta circule a passo. A passo porquê? Se eu quisesse seguir a passo ia a pé. A bicicleta é um veículo, que possibilita a deslocação rápida de pessoas de um ponto para outro. Tem de seguir nas vias existentes, porque as vias existentes são reservadas para veículos. E as normas e velocidades dos veículos devem estar adequadas aos veículos que circulam nessas vias. Já agora, com preferência dada às bicicletas, tal como preconiza o Código de Estrada brasileiro (embora me pareça que por lá também este não é cumprido...)
Estes projectos "amigos do ambiente" focam-se nas COP e estas, normalmente, são feitas com um objectivo lúdico (?), sem qualquer utilidade prática e retiram espaço ao peão. Peão esse que, não o esqueçamos, já é maltratado pelos carraholic nos estacionamentos selvagens. Tudo coisas que vão centrar o debate em lutas entre os peões e os ciclistas, deixando impunes os carraholic. No entanto, parece que a construção de COP é algo imparável - qualquer dia existem por aí tantas COP que não me restará outra opção senão passar a ser mais um carraholic. Mais um carro, portanto.
(A proposta da CMA pretende a segregação das bicicletas nos locais onde a velocidade real dos carros seja superior a 30 Km/H. Isto é, há uns anos transformaram a estrada que ligava a Trafaria à Costa de Caparica em via rápida. Agora a velocidade real (fantástico, isto! a velocidade real!) dos carros é a justificação para a segregação. Quando devia ser a integração um dos factores que promoveriam a diminuição da velocidade dos ditos carros. Tudo pensado em relação ao carro, para mantê-lo como veículo principal de locomoção.)
(E gastam tempo e dinheiro a fazer uma COP para a malta ir de bicicleta para a praia! Então que justificação eles utilizam para fazer uma AE entre Lisboa e Porto? Acaso só serve para quem vai para a praia? Só para quem vai para a escola? Só para quem vai trabalhar? E só serve para quem vai de Lisboa para o Porto? A AE é feita de maneira abstracta, para servir genericamente o máximo número de pessoas. Porque razão o pensamento em relação às ciclovias é diferente? As COP têm de servir especificamente aquele grupo de pessoas. O resto que se amanhe - ou vá de carro. Sim, porque o carro vai para todo o lado, a bicicleta anda nas COP.)
Boas pedaladas.
De MC a 9 de Outubro de 2009 às 14:18
Iletrado,
estou contigo
De Joana a 22 de Setembro de 2009 às 19:40
Compreendo que dêem os parabéns à Câmara, mas… deixe-me fazer o papel de diabinha:

Reduzir o trânsito na Duque D’Ávila de 4 faixas para 1? Excelente. Mas… porque não transformá-la em rua pedonal? Faz tanta falta, naquela zona, uma rua pedonal… Se se reduz de 4 faixas para 1, não será assim tão difícil eliminar a outra. É que… estar numa rua “semi-pedonal”, numa esplanada, a continuar a levar com o barulho dos carros e com os escapes, é muito diferente de estar numa rua pedonal…

Quanto às ciclovias, são um bom sinal, de facto. Mas… nunca concordei com ciclovias que tiram espaço aos peões, em vez de o tirarem aos automóveis (o que é uma excelente medida é a rede de bicicletas públicas!).

Quanto ao Bairro Azul, merecem, de facto, os parabéns. Em especial relativamente à redução da velocidade máxima para 30 km/h, sempre me deu vontade de rir: se já nem os 50 km/h conseguem fazer cumprir… Mas as lombas e as chicanes (que eu já tinha visto, por ex., em Genebra e são uma forma excelente de limitar, de facto, a velocidade) agora fazem-me engolir o riso… E claro que a redução para 30 km/h em todas as zonas residenciais é necessária. Por uma razão de segurança e de ruído.

Sobretudo, todas estas medidas indiciam “novos ventos” e são, portanto, globalmente, uma excelente notícia (e uma surpresa).

Aguardam-se agora as ondas de contestação...

[Mas infelizmente quase aposto que será o Santana Lopes o futuro Presidente da Câmara…]
De Ricardo a 23 de Setembro de 2009 às 02:38
Joana, sei que está a fazer o papel de diabinha mas (e não me leve a mal) também não acha que está a faltar um pouco de sensatez em algumas das suas críticas???

Pela Av. Duque D'Ávila existem entradas para garagens. Cortar essa última faixa é portanto cortar o acesso a essas estruturas. Quem conhece a zona pode atestar a tremenda confusão que é o estacionamento ali. Essas garagens assumem portanto um papel essencial para os moradores permitindo retirar os carros da rua (onde ocupam o espaço público).

Por mais que sejamos a favor das bicicletas, não temos o direito de exigir que 100% das pessoas abandonem o carro. Temos sim o direito de exigir que a opção do carro não assuma um papel de tal modo predominante no espaço urbano que retira a possibilidade do seu usufruto aos restantes cidadãos. Para isso certas medidas tornam-se essenciais. Sem dúvida que a remoção do estacionamento automóvel do espaço publico sempre que possível é uma delas. Neste blogue e outros do género é muito comum defender-se que os proprietários dos automóveis devem garantir eles próprios o lugar de estacionamento ao invés de exigir que outros (peões) se sacrifiquem para que eles o tenham. É uma opinião que partilho e creio que também não estará contra. Parece-me portanto contraproducente banir os acessos às garagens nos poucos sítios onde houve realmente essa preocupação de assegurar lugar para os moradores desimpedindo as ruas.

Quanto ao comentário às ciclovias tomou a parte pelo todo. Se verificar as ciclovias da Av. do Colégio Militar e da Rua Fernando Namora por exemplo, irá reparar que o que aconteceu foi que foram retiradas faixas de trânsito (de 4 passaram a 2) para a construção da ciclovia. A ciclovia é até ao nível da estrada (e não do passeio) o que parece ser uma boa forma de desincentivar que os peões a usem para caminhadas.
De Joana a 23 de Setembro de 2009 às 09:32
Ricardo, claro que não levo a mal! Não temos de ter todos opiniões iguais!

Quanto as ciclovias, tem razão: quem leia o meu comentário pensará que estou a dizer que todas as ciclovias previstas vão roubar espaço ao passeio. Nem isso é verdade, nem foi isso que quis dizer. Estou apenas a queixar-me daquelas que estão (e vão ser) feitas onde antes existia passeio. Se isso é feito em locais onde não há outra possibilidade (por exemplo, ruas com uma só faixa de rodagem), então prefiro que não as façam: é possível andar de bicicleta sem ser em ciclovias. Os peões é que só têm os passeios...

Quanto à Duque D'Ávila, se o problema é o acesso às garagens por residentes (ou mesmo que sejam garagens de escritórios), é claro que esse acesso tem de ser permitido (e para cargas e descargas de comerciantes). Mas a pedonalização de uma rua não é incompatível com essa utilização! É sempre possível reservar a utilização da faixa de rodagem exclusivamente a esse fim. É o que se faz lá fora!
Portanto, se a faixa de rodagem que lá vai ficar se destina só a esse fim, óptimo (é preciso é que não se limitem a pôr a usual placa de trânsito proibido excepto "trânsito local", que é ambígua e nunca é respeitada).
Mas se por ali continuar a passar todo o tipo de trânsito, continuo a achar que era possível ir-se mais longe.
Dou-lhe um exemplo de Paris. No endereço
http://anossaterrinha.blogspot.com/2009/09/paris-e-carros-em-cima-dos-passeios.html
a 2ª fotografia é de uma pequena zona residencial e de escritórios que fica bem no centro da cidade, a menos de 5 minutos a pé do Louvre. A zona é pedonal, mas foi deixada uma faixa de rodagem. Estive ali várias vezes e, apesar de ao longe se ver um carro na fotografia, é possível estar 1 ou 2 horas numa esplanada sem passar um único carro (centro de Paris, não se esqueça...).
Agora imagine que isto é a Duque D'Ávila, Lisboa, Portugal, que o Ricardo está sentado numa destas esplanadas e que naquela faixa de rodagem é permitido todo o tipo de trânsito... É preciso dizer mais alguma coisa?

Feito o papel de diabinha, insisto: estas medidas são positivas!

Comentar post

subscrever feeds

Google (lousy) Translation

autores

pesquisar

posts recentes

Não podemos estar indifer...

É fisicamente impossível ...

Se o estacionamento não f...

O planeamento urbano cent...

Mais estradas não resolve...

E também não, um carro em...

Não, um carro estacionado...

Até na OMS há preocupaçõe...

Os supermercados que cobr...

Até as multas ao estacion...

tags

lisboa(224)

ditadura do automóvel(216)

ambiente(208)

bicicleta(157)

cidades(114)

portugal(113)

peões(103)

sinistralidade(74)

estacionamento(71)

carro-dependência(67)

transportes públicos(66)

bicicultura(62)

economia(58)

espaço público(58)

comboio(48)

auto-estradas(42)

automóvel(39)

trânsito(33)

energia(30)

portagens(27)

todas as tags

links

arquivos

Outubro 2017

Setembro 2017

Julho 2017

Junho 2017

Janeiro 2017

Setembro 2016

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Julho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006