Domingo, 13 de Setembro de 2009

Alguns breves apontamentos

Para qualquer comportamento na sociedade, há indicadores que nos dizem quais as tendências que orientam a sua frequência. Sabemos que o uso generalizado do automóvel prejudica a sociedade como um todo apesar de cada utilizador individual não ter essa percepção. Há por isso duas estratégias para limitar o uso do automóvel:

 

- educar

- taxar

 

Estamos a falar de inculcar hábitos e comportamentos. Eu sou céptico em relação à primeira mas a longo prazo é talvez a aposta mais segura; sou mais adepto do uso restrito através de taxas e impostos à circulação e estacionamento. No fundo, estou a dizer que acredito mais que as pessoas modificam os seus comportamentos se isso lhes afectar a carteira do que por solidariedade ou considerações éticas. A segunda medida não acontece muitas vezes porque é impopular, especialmente num país onde o automóvel é todo um estilo de vida e onde os seus custos actuais não reflectem os custos reais.

 

Mas podemos simular os efeitos de uma política fiscal analisando o período de subida dos combustíveis e comparar as opções de mobilidade das pessoas. Na minha interpretação, o JN fez isso usando o período de crescimento dos combustíveis como uma espécie de lei fiscal momentânea; creio que os dados corroboram o que disse. Se queremos uma sociedade menos dependente dos automóveis temos de reflectir nas leis fiscais o seu custo real e não os custos do utilizador.

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O título da notícia é enganadora mas se a lerem poderão saber algumas das vantagens para o utilizador que viajar de comboio proporciona. Normalmente associamos comodista a alguém mandrião que não quer fazer nada; no caso da notícia está associada à comodidade e conforto que uma viagem de comboio traz.

 

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Se há um acidente rodoviário num determinado local, atribuímos a causa a pelo menos um dos condutores. Se, contudo, esse dado local, começa a ter um historial de acidentes rodoviários, começamos a suspeitar. Lisboa tem 29 zonas mal desenhadas. Gostava de ver a mesma análise do ponto de vista do peão. Só mais uma prova de que a escolha de um modo de mobilidade é condicionada pelo próprio desenho urbano. Os arquitectos e urbanistas são quem escrevem o tecido citadino e se forem analfabetos, bem, acontecem situações como a Praça de Espanha.

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No reino dos transportes públicos da área metropolitana de Lisboa, as várias capelinhas souberam dividir para reinar. O resultado é uma completa desarticulação complementada com birras e casmurrices gananciosas. Dizer o óbvio fica bem mas não resolve nada.

 

publicado por TMC às 15:57
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3 comentários:
De PJ a 13 de Setembro de 2009 às 22:25
Caro TMC,

é bom ver alguém a partilhar o ponto de vista taxar+orientar. já tinha dado o mote para essa estratégia no post sobre as cilcovias. usei palavras um pouco diferentes - multar+sensibilizar - mas isso é uma questão de semântica.

acredito q as pessoas possam mudar de hábitos e ficarem sensíveis a um dado assunto.
normalmente usa-se o processo lavagem cerebral massificado na TV e jornais, já que parece que poucos conseguem lá chegar sozinhos. que seja, seria óptimo passar na TV algo sobre esses assuntos em vez da habitual novela, espalhar nos jornais e revistas a mensagem com o mesmo impacto que a publicidade o faz.
ou então dar pistas e esperar que as pessoas cheguem lá, como qualquer processo educacional baseado na liberdade individual e respeito..

e em paralelo, taxar, multar, imposto isto, imposto aquilo, pois quando dói na carteira, tb parece doer na consciência..

cumps,
De Rogério Leite a 14 de Setembro de 2009 às 14:28
TMC... sustentabilidade tem um custo em cima dos governos. Limpar o ar, promover replantio de árvores, investir mesmo em transportes suaves e públicos, construir ciclovias, cicloparadas, bicicletários, formar opinião e equipar as cidades, tudo isto implica milhões de investimentos. Nada mais justo que os usuários dos popós pagarem uma boa parte desta conta. Os popós são a grande parte dos geradores de poluentes, não importa quantos "filtros" e otimizações se façam. Um dia, ainda veremos um PEDÁGIO urbano para quem usa o carro. Uma taxa de utilização do espaço PÚBLICO das cidades a ser paga pelos usuários que PREFEREM o conforto do carro individual. Dinheiro para custear tudo isto. Destinado a isto. Eu tb acredito que só atingindo o bolso, órgão mais sensível do homem moderno, é que despertaremos para uma sociedade melhor. E os políticos AINDA não viram que MINA DE OURO eles têm nas mãos... ainda vou me arrepender disto!
De MC a 18 de Setembro de 2009 às 16:42
Tiago, concordo com tudo e acrescentar uma ponto a favor do taxar. É que sem "ida à certeira" paga o justo pelo pecador. Quem está sensibilizado e muda os seus hábitos, fica muitas vezes a perder pela mudança... e quem beneficia disso é quem nada faz.

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