Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Falta de imaginação

Governo lança concessão de auto-estradas do centro

 

O que acontecerá quando já não houver mais auto-estradas para construir? O que vai então construir o Ministério das Obras Públicas? É verossímil esperar que haja uma época em Portugal em que isso aconteça?

 

Repara-se que não falo da manutenção ou alargamento das vias rodoviárias já existentes mas sim de haver um ano, hipotético, em que alguém conclua que não vale a pena construir mais auto-estradas porque o país já está bem servido delas. Em que elas são suficientes.

 

Qual o critério para se aferir o que basta? Quando é que alguns quilómetros de alcatrão por hectare passam de necessários ao progresso para supérfluos? Qual foi a estranha génese de valores que atribui a alavanca do desenvolvimento de uma nação à quantidade de auto-estradas que constrói?

 

Se não construíssemos auto-estradas, poderíamos construir mais alguma coisa? Haverá mais alguma obra pública que nos possa desenvolver

 

Não sei. Tenho falta de imaginação.

 

 

 

publicado por TMC às 22:36
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7 comentários:
De Chico Pedro a 4 de Setembro de 2009 às 03:19
Gostaria de parabenizá-lo pela altíssima qualidade deste espaço.

Desde o ano passado acompanho as publicações e fico admirado de ver a sensatez das idéias e a precisão da escrita.

Meus mais sinceros parabéns!
De TMC a 4 de Setembro de 2009 às 11:19
Obrigado Chico. Estou muito curioso sobre a mesma situação no Brasil. Também têm o frenesim do asfalto e dos acessos para todo o lado? Quais as apostas do vosso Ministério homólogo?

Não sei se ficaria mais contente por ver os maus exemplos generalizados noutros países. Por outro lado, se não for o caso, Portugal será o campeão do desperdício.
De Chico Pedro a 4 de Setembro de 2009 às 20:19
Caro TCM,

A opção pelo modal viário para ligar as distantes regiões brasileiras começa, principalmente, na década de 50.

Ao preferir a construção de estradas o então presidente JK esperava, além de unir o território, atrair a indústria automobilística.

Isso de fato acontece quando grandes montadoras se instalam no país. Primeiro a VW, depois a GM e, por último, a FIAT.

Se por um lado a indústria nacional ganhou certo impulso, por outro vê-se uma concentração excessiva de poder nas multinacionais.

Pare se ter uma idéia, a segunda maior empresa do meu Estado, Minas Gerais, o terceiro mais rico do país, é a Fiat.

De volta ao assunto, a incipiente malha férrea que tínhamos, iniciada no século. XIX, jamais recebeu a devida atenção que merece.

Para piorar a situação, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso o que era pouco virou, em grande parte, sucata.

Hoje as ferrovias são especialmente voltadas para o deslocamento de produtos básicos, principalmente o minério de ferro.

A quantidade de passageiros transportados em trens é ínfima.

Mais recentemente o governo Lula lançou o que recebeu a alcunha de Plano de Aceração do Crescimento (PAC).

Nele contempla-se não apenas a modalidade sobre trilhos.

É voltado para toda a cadeia logística de tranporte necessária para um país desse tamanho.

A vantagem do tal PAC:

A questão da infra-estrutura finalmente entrou na pauta das grandes discussões.

A "desvantagem" (a mesma desde sempre):

Uma coisa é o que o governo promete, outra bem diferente é aquilo que de fato cumpre.

Apesar de que aos poucos a coisa avança, também há muita piroctenia, propaganda e oba-oba.

Enfim, cerca de 60% de toda carga transportada no país ainda é feito em rodovias.

E o que na verdade passa pelo fascínio dos brasileiros por carros permite acrescentar um dado trágico ao tema: milhares de vidas são desperdiçadas todos os anos em nossas vias.

O número total de mortes no trânsito brasileiro alcança a inacreditável cifra de 40 mil por ano.

E isso sem contar os aleijados, os permanentemente sequelados, os gigantescos prejuízos materiais, os devastadores problemas emocionais etc..

Meu pai morreu num acidente automobilístico. Nâo preciso dizer que meu rumo de vida foi totalmente alterado em função do acontecimento.

É corriqueiro os casos de familiares ou pessoas conhecidas que morreram em acidentes com carros.

Bom, este é o relato mais ou menos tosco do que sei e do que vejo por aqui.

Espero que sirva para compreenderem um pouco da situação.

Por último, creio que a raiz do problema que privilegia o particular em detrimento do coletivo não escapa do que vejo aqui no blog.

Uma frase que os senhores publicaram aqui dizia mais ou menos assim:

"Carros são mais felizes quando há poucos em volta. Homens são felizes quando há muitos por perto".

E é por aí mesmo.

Sejamos felizes uns ao lado dos outros. Não de dentro de carros.

Grande abraço aos irmãos portugueses.
De André a 4 de Setembro de 2009 às 04:42
Penso que estas AE´s que estão a ser construidas ou em vias de começar a ser serão as últimas. Ou quero esperar que sejam...
De Rogério Leite a 4 de Setembro de 2009 às 13:44
Hahaha... MC, vc acha que para ganhar dinheiro POLÍTICOS têm pouca imaginação??? Quando acabarem de ocupar os espaços disponíveis, começarão a colocar obras e mais obras POR CIMA... vai ser a época dos superviadutos!!! Agora, por outro lado, se a gente pensasse que as vias atuais do mundo seriam AUTOMATICAMENTE multiplicadas por 20 em espaço livre se TIRASSEMOS OS CARROS e andassemos de bicicleta... o que a gente precisa é arranjar um jeito de bicicleta dar dinheiro de corrupção a quem decide, para ver se eles se MOTIVAM em fazer algo assim! Incrível a gente ter de arranjar formas de corromper estas figuras para poder pedalar! Oh viagem!
De Tárique a 4 de Setembro de 2009 às 15:33
Note, Rogério: TMC não é a mesma pessoa que o MC.
De Rogério Leite a 4 de Setembro de 2009 às 15:42
Verdade... só percebi depois de haver enviado o comentário! Atentarei para o detalhe no próximo...

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