Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Ciclovias? Capacetes? Para quê?

Nasceu no blogue Klepsydra uma enorme e interessantíssima discussão sobre capacetes, ciclovias, assimetrias legais entre transportes suaves e automóveis, etc.

Quem aborda pelas primeiras vezes a questão da segurança dos ciclistas, acha normalmente que os capacetes e as ciclovias são soluções maravilhosas e consensuais. Contudo como já disse aqui, os cicloactivistas mais experimentados e informados são na maioria das vezes contra as ciclovias e a obrigação do uso de capacetes. Um blogue espanhol dizia até que as ciclovias são o ópio dos ciclistas. Deixo aqui algumas frases soltas dessa discussão roubadas ao Mário Alves, especialista e consultor em mobilidade com destaque para a mobilidade suave.

 

Na última década, quem trabalha nestes assuntos no resto da Europa, tem vindo progressivamente a abandonar a obsessão de segregar [separar dos automóveis] a bicicleta.


Porque é que será que países que têm metas de segurança rodoviária mais rigorosas que as nossas, nunca adoptaram a obrigatoriedade do uso do capacete? Porque fizeram contas e estudos sérios sobre o assunto e não basearam a produção legislativa no senso-comum.

Só para vos citar um deles: a British Medical Association, comparou a perda de vidas por acidentes de bicicletas com os ganhos de anos de vida através da melhoria da saúde do ciclista regular e concluiu por um rácio de 20:1. Por outras palavras, por cada vida perdida em acidentes de bicicleta, 20 são ganhas por melhorias de saúde e condição física de quem pedala regularmente. Como nos poucos países em que foi introduzida legislação para a obrigatoriedade do uso do capacete, tiveram reduções entre 20 a 40% do uso da bicicleta (conforme a faixa etária), o ganho de vidas que o capacete poderia conseguir, não compensa as percas para a saúde dos que deixaram de pedalar. E ainda não estamos a contabilizar os ganhos para a saúde pública da redução das externalidades devido à diminuição de quilometragem em automóvel.
Apesar de ser uma discussão que surge regularmente em todos os países Europeus, um relatório realizado para a Conferencia Europeia de Ministros de Transportes (EMCT) cita um relatório realizado para a Comunidade Europeia (PROMISING): "Do ponto de vista da restrição, até a promoção oficial de capacetes pode ter um efeito negativo no uso da bicicleta, a melhor abordagem é deixar a promoção dos capacetes aos seus fabricantes". O mesmo relatório conclui que a promoção do capacete pode aumentar a percepção de que a bicicleta é um meio de transporte perigoso, diminuindo assim a apetência ao seu uso: "...o
desincentivo ao uso da bicicleta tem consequências bem mais negativas para a saúde pública, que o aumento do uso da bicicleta sem capacete."

 

"Uma Pista Ciclável paralela a uma via é extremamente perigosa. Utilizar a bicicleta neste tipo de via é análogo a utilizar o passeio. Quando este tipo de pista é só num dos lados da via, metade dos ciclistas andam contra o sentido do tráfego motorizado, tornando os cruzamentos mais perigosos." Schimek, Paul, Massachusetts Institute of Technology (MIT - Department of Urban Studies and Planning), The Dilemmas of Bicycle Planning, apresentado no Congresso Internacional da Association of Collegiate Schools of Planning (ACSP) e da Association of European Schools of Planning (AESOP), 1997, Cambridge, USA.

"Um estudo recente em Helsínquia mostrou que é mais seguro andar de bicicleta entre os carros que em pistas de bicicleta bi-direccionais ao longo das ruas. É difícil de imaginar que a nossa rede ciclável possa ser reconstruída. Mas em países e cidades que estão neste momento a começar a construir ciclovias, Pistas Cicláveis Bi-direccionais devem ser evitadas em arruamentos urbanos." Eero Pasanen, The risks of cycling, Helsinki City Planning Department, 2001, Helsínquia, Finlândia.

“Pistas Bi-direccionais ao lado de uma via são extremamente perigosas.” John Forester, "Effective Cycling", MIT Press, 6ª Edição, 1993, Cambridge, USA

Alemanha: Safety of Cyclists at Urban Junctions. Schnull R. and Alrutz D., R262 Bundesanstalt Fur StraBenwesen, 1993. Nos cruzamentos com semaforização, os ciclistas em Pistas Bi-direccionais estão 5 vezes mais em risco que a circular em coexistência. A utilização de corredores contrastantes só reduz o risco de acidente 1,5.

 

Passeios partilhados entre peões e ciclistas ou Pistas Cicláveis, construídas ao nível dos passeios ou só pintadas sobre passeios, são uma invenção do planeamento de tráfego orientado para os carros que foi a tónica das décadas recentes. Andar de bicicleta nos passeios é perigoso em qualquer dos casos (legalizado ou não)." The European Federation for Transport and Environment, no projecto ”Greening Urban Transport”, 2000

“É especialmente inapropriado sinalizar um passeio como via partilhada ou pista ciclável se fazer isso implicar a proibição de ciclistas de usar uma forma alternativa de servir as suas necessidades." (O Art. 78º do CE Português obriga os ciclistas a usar as ciclovias sempre que existam). “Guide for the Development of Bicycle Facilities”, 1999, American Association of State Highway Transportation Officials (AASHTO), Washington, USA

Ciclistas estão mais seguros quando agem e são tratados como condutores de veículos.” John Forester, "Effective Cycling", MIT Press, 6ª Edição, 1993, Cambridge, USA

 


A ler: o Ma Fyn Bach tem um resumo de um relatório europeu sobre os melhores métodos depromoção da bicicleta.

publicado por MC às 15:14
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23 comentários:
De TMC a 2 de Setembro de 2009 às 15:45
Nessa discussão não se está a menosprezar que a existência de infraestruturas cicláveis e a respectiva sinalética também permitem mostrar à cidade que existem ciclistas? Posso não concordar com as ciclovias como conceito de planeamento mas sei que elas podem ser vantajosas para uma cidade que quer angariar uma massa crítica de utilizadores de bicicletas.
De Rogério LeiteC a 2 de Setembro de 2009 às 17:27
TMC tem razão. Em cidades que não têm a cultura da bike tão presente, as faixas pintadas UNIDIRECIONAIS representam uma forma de "marcar presença". Passamos de uma situação de invisibilidade e total ignorância de nossa existência como ciclistas para uma posição do tipo "vc existe, o poder te reconhece como algo que merece alguma atenção". Não tenho certeza de com o amadurecimento da cultura, estas faixas deixem de ser válidas - Copenhagen e Amsterdan parecem mostrar que mesmo com uma cultura da bicicleta bem desenvolvida, as faixas ainda são necessárias! Já as vias BI-DIRECIONAIS são preguiça de político "mão-de-vaca", que para economizar, bota uma seta vai e volta! Impensável! Maior risco de acidentes até em ciclovia exclusiva, que dirá numa faixa compartilhada com automoveis!
De Cláudio Franco a 3 de Setembro de 2009 às 11:41
Numa cidade ainda concordo, fora dela discordo.

É impossivel andar numa Nacional onde os carros andam entre 50 a 90km/h (por lei...) com os carros ao lado. É bem melhor ter a ciclovia.

Claro que o IDEAL seria ter uma ciclovia de cada lado da estrada. Mas dentro do que é possivel em alguns locais, prefiro a ciclovia a ter que andar com o stress de andar o maximo encostado para que o carro possa passar, ja que eu vou a 15/20km/h e eles querem ir a 90km/h
De Iletrado a 6 de Setembro de 2009 às 14:37
Caro Cláudio Franco
Conheci metade de Portugal de bicicleta, nos últimos 30 anos. Conheço pessoas que pedalaram ainda mais que eu. Explica esse teu conceito de "impossível" andar de bicicleta nas estradas nacionais, porque pelos vistos esta malta anda toda enganada. E não me refiro só aos "desportistas". Muito boa gente faz peregrinações a santuários, pedalando centenas e, nalguns casos, milhares de quilómetros para chegarem aos seus destinos. Outros fazem turismo, utilizando a bicicleta como veículo, em alternativa ao carro. Outros são peregrinos e turistas. Utilizando a bicicleta nas estradas nacionais.
Também existem vários indivíduos que utilizam as estradas nacionais, aqui do deserto da margem sul, para ir para o trabalho. Especialmente nas zonas da Amora, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo. Curiosamente, esta "explosão" de gente a pedalar surgiu desde 2008. Até essa data praticamente pedalava sozinho durante a semana. Agora não há dia em que não seja obrigado a dizer "bom-dia!" a um companheiro de pedal. Uma seca, como imaginas. Enfim, é um sem-número de pessoas que todos os dias fazem o "impossível".
O teu conceito de "impossível" soa vagamente a fascista. Parece quereres obrigar os ciclistas a só utilizar ciclovias fora das localidades. O mesmo equivale a dizer que não queres ciclistas em lado algum, pois onde estão elas, as ciclovias? Será que a partir de agora, sempre que eu quiser ir até Fátima, serei obrigado a utilizar o carro? Porque, não sei se o sabes, mas não há ciclovia a ligar Fátima e o deserto da margem sul.
Boas pedaladas.
De Filipe Moura a 7 de Setembro de 2009 às 02:54
Caro Iletrado,
fiquei com a impressão que o Cláudio quer as ciclovias...
Não generalizes. Na Estrada Nacional 1 (IC2) a velocidade máxima é 90 km/h, e o trânsito de bicicletas é proibido. O que eu acho mal, com ou sem ciclovia.
Não vás a Fátima. Se és da Margem Sul, vai antes à Quinta da Atalaia.
De Iletrado a 7 de Setembro de 2009 às 17:32
Caro Filipe Moura
O trânsito de bicicleta na IC2 é proibido, não na N1. E nos locais onde as estradas se sobrepõem é permitida a circulação a todos os veículos. Portanto, podes seguir tranquilamente de Vila Franca de Xira até Gaia na N1 na tua bicicleta, sem problemas.
Na N1 a velocidade máxima legal é de 90 Km/H, no IC2 é de 100 Km/H.
De qualquer maneira, eu para ir a Fátima não preciso de seguir pela EN1. Que mania de ver o país pelo funil! Há várias estradas que seguem "paralelas" ao rio Tejo e que servem de opção para Fátima. Santarém ou Golegã são as opções principais, mas há outras.
O motivo pelo qual sou contra as "nossas ciclovias" resulta dessa tua tirada final. Eu não quero ir para a Atalaia, eu quero ser livre para ir para onde quiser, mesmo para a Quinta, sem que um inteligente qualquer me diga que eu tenho de seguir por ali. As "nossas ciclovias" são adereços de moda, que servem pouco a mobilidade. As ruas já existem, quero a liberdade de poder utilizá-las com a minha bicicleta. O teu comentário, visto por quem só te conhece por aquilo que escreves, parece ser feito por alguém que vê o mundo enlatado. Não deixa de ser curioso que me mandes para a Quinta da Atalaia, pois o "Guia do Lazer", logo de entrada, sugere como lá chegar de carro. Depois lá aparece o transporte público. Bicicletas ou a pé? Já nem os comunas vão nessa conversa...
Boas pedaladas.
De PJ a 4 de Setembro de 2009 às 01:58
viva,

é curioso ver pela primeira vez neste blog, julgo eu, a separação de dois públicos diferentes - os ciclistas de cidade (quotidianos, digamos assim) e os ciclistas de nacional (recreio/ desporto).

como sou um pouco dos dois, e como já andei em cidade e "nacionais" no estranjeiro, com e sem ciclovias, tenho a opinião que as ciclovias não são convenientes em nenhuma situação, mas curiosamente por razões diferentes (não vou falar nas cidades, porque o assunto tem sido bastante debatido).

Nas zonas sub-urbanas de Estocolmo, também densamente polvilhadas de ciclovias e nacionais, as ciclovias têm a virtude de retirar os ciclistas das nacionais, mas castram-lhes completamente a possibilidade de grandes deslocações (chamemos-lhe touring) porque as ciclovias tornam-se um emaranhado tipo espargete, onde já não se percebe para que lado vai cada ciclovia, nem se continua ou volta para trás, ou se segue para aquela terra ou para aquela urbanização.

Na Hungria, também andei em estradas semelhantes às nossas nacionais (uma faixa para cada lado), desta feita sem ciclovias. Qual o meu espanto, ao circular bem encostadinho à direita, que os carros ao ultrapassar-me desocupavam completamente a faixa em que eu seguía (algo que só acontece, em portugal, se tiver carro, e ainda assim não é garantido) e ainda por cima, imagine-se, cumprindo velocidades distâncias verdadeiramente seguras.

daqui, a lição a tirar é que as ciclovias não são precisas para nada!.. desde que haja respeito!
De Filipe Moura a 7 de Setembro de 2009 às 02:56
"daqui, a lição a tirar é que as ciclovias não são precisas para nada!.. desde que haja respeito!"

Santa inocência... É mais fácil cobrires o país todo de ciclovias que ensinares um português a ter respeito seja pelo que for!
De PJ a 7 de Setembro de 2009 às 12:53
meu caro, também já pensei assim como tu. mas isso não é de todo uma posição em que todos ficam a ganhar. para além disso ao insinuares que é difícil fazer um português aprender, parece q nem tu próprio aprendes ou ensinas.
não quero parecer nenhum missionário com visão que todos somos bonzinhos, mas sem dúvida que qualquer pessoa é susceptível a ser ensinada.

inocência, cá para mim, é pressupor o contrário, e não é nada santa..

cumps,
De TIago Bonito a 4 de Setembro de 2009 às 17:35
Em Portugal o que se assiste é à atribuição de verbas anteriormente destinadas a obras de arte em rotundas para 'ciclovias', 'ecovias', etc., porque estas representam a modernidade e preocupações ecológicas de ilustres autarcas. São feitas com uma total ignorância, sem principio e fim, sem intersecção com outras vias, não conheço uma em condições no país todo.
São o que chamo "Ciclovias Ornamentais".
Vejam:
http://www.massacriticapt.net/?q=blogue/ciclovias-ornamentais
http://www.massacriticapt.net/?q=blogue/mais-uma-ciclovia-ornamental-vila-praia-de-ncora-moledo
http://www.flickr.com/photos/anabananasplit/3738405823/in/set-72157621613364889/
De Gunnar a 4 de Setembro de 2009 às 22:52
Dizem que as ciclovias alemãs remontam a Hitler, que as teria construído para favorecer a indústria automotiva, tirando bicicletas da rua.

Pessoalmente, sou a favor de CARROvias, isso sim. A rua é das bicicletas. Se querem usar seus enormes trambolhos de lata, que faça uma estrutura própria!
De MC a 21 de Setembro de 2009 às 14:28
:)
De André Leme a 5 de Setembro de 2009 às 01:33
Concordo com os estudos, a única forma de coexistência é a compartilhada, basta seguir o CNT , as leis estão lá. O resto é respeito de cidadania, o que deveria ser normal.
De Filipe Moura a 6 de Setembro de 2009 às 03:02
Concordo totalmente com o Gunnar: passeios para os peões, carrovias para os carros e o resto para as bicicletas. É natural que o Gunnar, se anda de bicicleta, chame "rua" à ciclovia.

Conforme apontei no debate que referes, sou contra ciclovias mal feitas, nomeadamente as ciclovias ornamentais referidas por outro comentador. Sou a favor de ciclovias bem feitas, unidireccionais, no mesmo sentido do resto do tráfego (o que desmonta quase todos os argumentos que citas). Só defendo ciclovias bidireccionais em ruas de sentido único (não faz sentido haver ruas de sentido único para bicicletas).
Sou a favor de ciclovias que garantam sempre a passagem às bicicletas mesmo que haja engarrafamentos. Se vocês gostam de andar no meio dos engarrafamentos, eu não.

A nossa grande diferença é que vocês misturam duas coisas que, embora relacionadas, são independentes: a diminuição drástica da circulação de automóveis em cidades e a defesa da bicicleta e do ciclista. Apoio ambas sem reservas, mas acho que não se devem confundir. A primeira é uma luta cultural, que leva muito tempo. Não sei quando se ganha. A segunda é mais fácil (ganha-se em breve, se formos espertos). Acho mesmo politicamente muito pouco oportuno misturar as duas lutas. Fazer das duas uma. Acabamos assim por não ganhar nada.

Um abraço e desculpa se pareço "impertinente", como me chamou um dos membros deste blogue que tive o prazer de conhecer hoje (ofereceu-me uma cerveja e tudo).
De Iletrado a 6 de Setembro de 2009 às 14:44
Caro Filipe Moura
Porreiras essas ideias de ciclovias unidireccionais. Só há um detalhe - como seriam feitas essas vias numa cidade como Lisboa? E como isso poderá ser feito sem diminuir o número de automóveis a circular na cidade? Por exemplo, um percurso que eu costumo fazer: subir a Av Liberdade (AL), contornar o Marquês de Pombal (MP) e subir a Braancamp, para de seguida virar à direita para a Rodrigo da Fonseca. Como seria a ciclovia na AL? E no MP? A meio da faixa? À esquerda? À direita? Quando seria o momento ideal para eu encostar à esquerda? Mas, se eu tiver uma ciclovia, esse momento nunca chegará, pois terei sempre de seguir por ela. E, se a ciclovia for à direita, isso significa que teria de contornar o MP pela direita, sujeito sempre a cruzar-me com quem pretende seguir pela Fontes Pereira de Melo, depois pelos que querem subir a Joaquim António de Aguiar (JAA). Parece-me que uma ciclovia deste calibre cumpriria mais o objectivo de desencorajar os ciclistas. Não falo de cor, verifica as ciclovias de Aveiro. Foram feitas para desencorajar quem está a ponderar a hipótese de trocar o carro pela bicicleta.
Sem ciclovia, o que eu faço é encostar-me à esquerda no último semáforo da AL, sinalizando a manobra e depois mantenho-me entre a terceira e a quarta faixas (5 faixas de rodagem na cidade! Isto sim, é um real incentivo ao uso do carro!) até próximo da JAA. Depois, sinalizando sempre a manobra, vou-me encostando à direita, em direcção à Braancamp. Tal qual, aliás, faria um sujeito de carro. Isto porque, de carro ou de bicicleta, utilizamos veículos para a locomoção. Uma das grandes diferenças é o espaço ocupado pelos dois modos de transporte.
A utilização segura da bicicleta não passa por ciclovias. Nem na cidade nem fora dela. Passa por alterações ao Código da Estrada e, claro, que essas alterações não se fiquem pelo papel. Os veículos já possuem vias suficientes na cidade, não precisamos de segregação. Porque razão só se fala de segregação para a bicicleta? Porque não "motovias", "camiãovias", "1200cc-vias", "CarrosDeAltaPerformance-vias"? Porque razão falar em faixas exclusivas para motos parece incongruente e parece natural separar bicicletas do resto do trânsito?
A diminuição do número de carros não é independente do estudo de outras formas de locomoção. Incluindo a bicicleta. Mas por aqui também se defende a melhoria dos transportes públicos. Como se diminui o número de carros sem estudar outras formas de locomoção? As pessoas precisam de se deslocar. A bicicleta é mais uma alternativa. Tentar separar isso é que não tem lógica alguma.
Boas pedaladas.
De PJ a 6 de Setembro de 2009 às 20:03
bom suponho que uma ciclovia é uma maneira de resolver conflitos entre automobilistas motorizados e ciclistas, daí talvez ser popular e alguém que defenda esta posição pode-se dizer pragmático. é uma maneira de resolver conflitos, mas creio que é fácil, está na moda, acaba por resolver poucos dos conflitos, gera mais alguns, e o pior é que não vai directa à raíz do problema.
na raíz estão valores como partilha de espaço, respeito, humildade. "bastava" fazer passar esses valores aos automobilistas motorizados, que se calhar retraíam-se e eram bem mais comedidos.

nem que seja à base de uma renovação do CE e aplicação abundante da multa, pois parece que a única maneira de chegar à consciência de muita gente é preciso passar primeiro pelo bolso.
De Filipe Moura a 7 de Setembro de 2009 às 03:27
Caro Iletrado,
que ciclovias em Aveiro referes? Ao pé da universidade? Na Lourenço Peixinho? A caminho da Barra? Explica melhor esse caso, por favor - vou com frequência a Aveiro e isso interessa-me.
Também passo pelo Marquês de Pombal com frequência. Não vejo onde esteja o problema da ciclovia, sempre à direita. Segues sempre à direita, pela AL, pela Praça Marquês de Pombal, e quando chegares à Braamcamp ou JAA já estás à direita para virares. Simples. Não tens que te cruzar com os carros na Av. Liberdade.
Claro que tens que te cruzar com os carros é no Marquês de Pombal, ou seja, eles têm que passar por cia da ciclovia. Isso requeria uma alteração do Código de Estrada: os carros podem passar por cima da ciclovia na rotunda ou cruzamento, mas não a podem manter impedida. Num cruzamento essa regra já existe, mas numa rotunda, no caso de um engarrafamento (algo que sucede muito no Marquês), os carros não poderiam permanecer em cima da ciclovia. Teriam que parar antes. É simples. E seguro.
Quanto à "segregação", como falas, tudo depende das velocidades em questão. Nas autoestradas já há "segregação" dos camiões, que andam a velocidades diferentes dos outros carros. DEntro da cidade ou na estrada nacional tal segregação não se justifica. Nas cidades existe é essa excelente "segregação" que é a faixa bus. Os meus motivos para defender as ciclovias são os mesmos para defender as faixas bus. Se fores coerentemente contra a segregação, tens que te queixar da segregação terrível a que são sujeitos os pobres autocarros, coitados.
Boas pedaladas para ti também.
De Iletrado a 16 de Setembro de 2009 às 09:37
Caro Filipe Moura
Por motivos de saúde, não me foi possível responder-te mais cedo. Não sei se ainda vou a tempo, mas não posso deixar de responder às tuas questões.
Bom, uma parte delas o Tiago Bonito e o PJ, cada um à sua maneira, já responderam. De facto, só a referência do Tiago Bonito (à Massa Crítica) é suficiente para se perceber porque razão quem utiliza regularmente a bicicleta (ao invés do carro) é contra as ciclovias, especialmente aquelas que nos querem impingir cá em Portugal. São todas ornamentais, não servem a causa da mobilidade - estou farto de ver pessoas a levar as bicicletas no tejadilho do carro para passear de bicicleta no Parque da Paz, em Almada. Assim é fácil afirmar-se que se anda de bicicleta e que as "ciclovias" são uma boa ideia. Claro que são uma boa ideia, quando o objectivo é tirar as bicicletas da estrada. E, para complementar, acabar também com os peões. É preciso não esquecer as toneladas de lata que todos os dias sobrecarregam os passeios da nossa terra. Curiosamente, ou talvez não, muitos destes "ciclistas de tejadilho" colocam a lata em cima de um dos passeios localizados logo a seguir ao acesso ao Feijó, pela variante à N10, não sei o nome do local.
Considero fantástico que tenhas respondido à letra à minha questão. Além de não compreenderes ou não quereres compreender que a tua proposta é especialmente perigosa para um ciclista (mas andas mesmo de bicicleta? numa base diária ou és um ciclista ornamental?), ignoras completamente que outras pessoas possam ter outros destinos diferentes do meu - virar à esquerda numa das transversais, por exemplo. A tua resposta enferma do tique português que vê sempre as coisas do ponto de vista da lata. E é incapaz que ter uma visão global dos problemas. Que tal se sugerisses a eliminação de uma das faixas de rodagem para automóveis e dedicá-la exclusivamente à bicicleta? Sim, carros à esquerda, bicicletas no meio e BUS à direita. Isso sim, seria uma ciclovia! Com caixas de paragem bem à frente dos carros, nos semáforos, onde os ciclistas que pretendessem virar à esquerda esperariam pelo sinal respectivo para passar. E os carros só passariam depois de todos os ciclistas o terem feito. Mas esta ideia é capaz de ser desincentivadora do uso do carro... E os políticos não querem que isso aconteça. Dá-lhes cabo do orçamento.
Isso leva-nos ao outro cerne da questão: as alterações ao Código da Estrada. Focas a tua atenção a um caso particular, que não existe e teria de ser criado (com os custos que nós estamos vendo a serem associados), quando o mais fácil seria adaptar e privilegiar no CE a locomoção "ambientalmente sustentável" (bicicleta e a pé) e aproveitar o que já existe, ou seja, as ruas da cidade. Despesa praticamente nula nesta opção.
Não percebi isso da segregação. Os camiões são segregados por circularem a velocidades mais baixas? Mas então, não partilham o mesmo espaço? E comparas a ciclovia ao BUS porquê? Acaso as bicicletas são transporte público? A não ser que utilizes um riquexó... Esses devem poder circular na faixa BUS...
Sempre te digo que não há ciclovias em Portugal. Aveiro não é excepção. São um belo ornamento da cidade, que ficam bonitas vistas de avião. E também servem para tranquilizar os enlatados que passam a acelerar no IP5 ("afinal eles têm ciclovias"). Mas não servem o objectivo da mobilidade nem dissuadem os enlatados a mudar o estilo de locomoção.
Para terminar, peço-te que leias esta página: http://nossoquintal.org/2008/09/10/manifesto-dos-invisiveis/ e penses no assunto. Eu sei que é no Brasil. Mas basta substituir as referências brasileiras (substituir São Paulo por Aveiro, por exemplo) e verificamos que o texto encaixa que nem uma luva na nossa situação.
Boas pedaladas.
De António C. a 7 de Setembro de 2009 às 10:19
Curiosamente ofereci a Imperial antes de saber que eras comentador do blog!! Chamei-te impertinente mas não queria que isso fosse entendido com uma conotação negativa e relacionado com a discussão na caiza de comentários do klepsydra.

Bem vindo e boas discussões.
De MC a 21 de Setembro de 2009 às 14:34
Filipe,
discordo quando dizes que a diminuição drástica de veículos é um problema cultural e há que esperar. A redução aconteceu drasticamente em muitíssimos casos, como nas portagens em Londres ou no forte condicionamento do estacionamento à superfície em Amesterdão.
O que é cultural é perceber-se e aceitar-se que a reduçaõ seja feita. Agora que ela pode ser feita amanhã, não tenho dúvidas,

Ab
De Tiago Bonito a 7 de Setembro de 2009 às 23:05
Meus Caros:
O lugar de qualquer veículo é na estrada. Depois existem vias com segregação de certos tipos de veículos, as vias rápidas e as auto-estradas que, obviamente, proíbem o trânsito a veículos lentos como sejam os velocípedes (com e sem motor) e os veículos de tracção animal, as ciclovias, as vias pedonais, etc. Também nas vias não segregadas existem por vezes faixas segregadas ou exclusivas, as faixas bus, as ciclofaixas e até faixas pedonais.
Todas estas soluções, bem pensadas e bem planeadas podem ser excelentes.
Não podemos é dizer que "É impossivel andar numa Nacional onde os carros andam entre 50 a 90km/h (por lei...) com os carros ao lado. É bem melhor ter a ciclovia. (Cláudio Franco)" nem que "daqui, a lição a tirar é que as ciclovias não são precisas para nada!.. (PJ)".
Quanto à falta de cultura dos Portugueses, não acho que sejamos mais estúpidos nem mais espertos que os outros, vejam http://massacriticapt.net/?q=blogue/cultura-ciclista.
O que falta é encarar definitivamente a bicicleta como parte de pleno direito do tráfego, haver vontade política para privilegiar o seu uso como mais uma alternativa à utilização irracional que fazemos do automóvel e não como um brinquedo da moda.
Diz o Filipe Moura "mas numa rotunda, no caso de um engarrafamento (algo que sucede muito no Marquês), os carros não poderiam permanecer em cima da ciclovia". Cá está o erro, as nossas ciclovias, penso que no caso seja uma ciclofaixa, não são projectadas como parte da rede de vias. Já imaginaram as faixas bus da Av. da Liberdade em Lisboa continuarem na rotunda do Marquês, ou as da Av. Gago Coutinho continuarem na rotunda do Relógio? Evidentemente que, antes das rotundas, as faixas segregadas integram-se no trânsito normal. É assim que acontece na Holanda, Dinamarca, França, etc. E eles não são mais espertos nem mais estúpidos que nós, talvez mais exigentes em relação ao poder político.
De facto, não conheço uma ciclovia, ciclofaixa, ecovia ou afim em Portugal que seja pensada em termos de trânsito e sua fluidez, com intersecções com outras vias, sinalização de cruzamentos, etc, são meras obras ornamentais, a começar pela Câmara de Lisboa com a ciclo aberração Belém-Cais do Sodré bem documentada em http://picasaweb.google.pt/fabio.ericsson/CaisBelem?authkey=Gv1sRgCKy5r8iAw-XmTw&feat=directlink#.
Resumindo, parem de brincar com os ciclistas, não façam de nós parvos e incentivem outros a juntarem-se a nós, nas estradas, sejam de que tipo forem, mas vias de tráfego a sério!!!
De PJ a 9 de Setembro de 2009 às 00:52
Viva,

acho q as tuas palavras são um complemento aos nossos comentários (nem sempre conicidentes, é verdade). se temos noção q somos uma minoria atropelada numa "democracia" ditada pela maioria-automóvel-motorizado, também nos cabe a nós respeitar, ouvir e interpretar a opinião de todos os ciclistas e peões, a favor ou contra isto ou aquilo.

tenho plena consciência disso e ainda assim mantenho a minha posição -- ciclovias não! -- e chamo à atenção apenas de um ponto: já experimentei de tudo por essa europa fora; por isso a minha opinião é bastante sólida, e acredita que até já tive a opinião contrária, bem a favor de ciclovias. é bastante sólida mas pressupõe aquilo a que chamas à atenção no teu post: ciclistas são tanto como todos os outros, e não menos ou mais, assim como o são os portugueses em comparação ao resto dos europeus.. e de novo, tudo volta ao conceito «respeito»..

amesterdão foi o último local onde andei de bicicleta. há ciclovias em certos locais, os outros são zonas partilhadas, mas em toda a parte existe respeito -- a começar pelo comum cidadão e a acabar nos governantes.

cumps,
De MC a 21 de Setembro de 2009 às 14:36
Tiago, concordo contigo só queria apontar uma coisa,
pelo menos na Holanda existem cruzamentos e rotundas onde as bicicletas não são integradas na parte central da rua. Ou seja a ciclofaixa existe também na rotunda.
Parece-me ser algo bem perigoso, mas existe.

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